Prazeres - Locais com História
O
grande salto do Zambeze
David Livingstone, um missionário escocês,
percorreu, em meados do século XIX, os trilhos da África
Meridional em busca de um rio que lhe permitisse avançar para
o interior do continente com o intuito de expandir a fé e assegurar
novas rotas comerciais. Foi assim que chegou a umas majestosas quedas
de água a que deu o nome da rainha Vitória.
| Texto e fotos Anabela Costa |
Entre
os diversos nomes que se tornaram famosos pelas suas explorações
surge David Livingstone, um missionário que solitáriamente
partiu à descoberta da África Meridional, procurando
um grande rio navegável que servisse de caminho de expansão
da fé.
Todavia,
mais importante do que as discussões acerca do nome é
a História da formação da fenda que dá
origem à Grande Queda de Água.
Na segunda metade do século XIX, numa altura em que no Reino
Unido a rainha Vitória se sentava
no trono, vários exploradores deixaram as Ilhas Britânicas,
partindo à descoberta dos mais recônditos territórios
espalhados ao longo do "Império onde o Sol nunca se
põe".
Entre os diversos nomes que se tornaram famosos pelas suas explorações
surge, como uma das figuras de primeira grandeza, David Livingstone,
um missionário que solitariamente partiu à descoberta
da África meridional, procurando um grande rio navegável
que servisse de caminho de expansão da fé, abrindo
as portas desta zona do Continente Negro não só a
missionários mas também a comerciantes.
Acompanhado
por populações locais ou integrado nas caravanas de
escravos que na época ainda cruzavam África, traçou
os primeiros mapas desta região, tendo chegado às
majestosas quedas de água que baptizou com o nome da Rainha
Vitória.
Entre
1866 e 1873, embrenhando-se sempre mais longe na selva africana,
o seu paradeiro deixou de ser conhecido. Foi nessa altura que o
jornalista americano Morton Stanley foi enviado pelo seu editor
em busca do "maior homem da sua geração",
como o rotulou a escritora britânica Florence Nightingale.
Dr. Livingstone... I presume!
Morton
Stanley veio a descobrir David Livingstone em Ujiji, nas margens
do lago Tanganica. Cansado e padecendo de malária, o missionário
estava gravemente enfermo. Este encontro entre o jornalista americano
e o mis-sionário britânico será sempre recordado
pela frase - eventualmente - proferida por Morton Stanley: "Dr.
Livingstone... I presume!"
O nome de David Livingstone ficou para sempre associado à
região que deu a conhecer ao mundo e, de tudo quanto percorreu,
as quedas de Vitória - Victoria Falls - são talvez
o local mais conhecido, já que rapidamente se tornaram num
local de atracção.
Há quem defenda que o primeiro europeu a chegar ao local
não foi o missionário. Vários autores apontam
nomes como o do português Silva Porto ou do húngaro
Ladilaus Magyar, mas do que não restam dúvidas é
do facto de ter sido David Livingstone quem melhor divulgou o local
junto dos europeus, colocando Victoria Falls no mapa de África.
Antes de Livingstone ali chegar, os zezuro, indígenas que
povoavam a região, chamavam Mapopoma ao local, o que alguns
estudiosos consideram a onomatopeia que pretendia reproduzir o ruído
da água a cair no abismo. Mais tarde, quando os kololo, uma
raça próxima dos zulus conquistaram a zona cerca de
17 anos antes da chegada do missionário, as quedas de água
passaram a ser referidas por Mosi-oa-Tunya.
Mas qualquer destes nomes caiu no esquecimento após David
Livingstone ter dedicado o local ao nome da sua rainha.
Período
Jurássico
Todavia, mais importante do que as dicussões acerca do nome
é a história da formação da fenda que
dá origem à grande queda de água.
Tudo aconteceu no período Jurássico (há 150
a 200 milhões de anos) quando a lava expelida por várias
erupções vulcânicas cobriu vastas regiões
da África meridional criando várias montanhas basálticas:
é a pedra negra bem visível na zona de Victoria Falls.
Quando o basalto arrefeceu verificaram-se grandes fissuras, a maioria
das quais na direcção este-oeste, embora também
surjam algumas na direcção norte-sul.
Supõe-se
que um lago que se criou na zona superior de Victoria Falls logrou,
pelo efeito da erosão, abrir caminho onde é hoje o
rio Zambeze, dando origem às primeiras quedas de água
há centenas de milhares de anos.
Se
a água mole consegue furar a pedra dura, o basalto é
uma pedra suave, que não logrou deter o curso do rio que
se formou. Surgiu assim aquilo que a promoção turística
local apelida da "maior cortina de água em queda"
possível de observar no planeta.
O
rio Zambeze espraia-se por uma largura de 1708 metros, caindo com
grande estrondo de uma altura de 92 metros. Em certa condições,
o spray criado pela queda é levado pelo vento a mais de 500
metros de altura, o que permite que a zona seja visível a
cerca de 70 km de distância.
Quando ir?
Escolher a melhor altura do ano para descobrir este majestoso fenómeno
da natureza não é fácil. A água que
se deposita no grande delta superior chega a cair com um volume
de 550 milhões de litros por minuto. Nestas ocasiões,
o spray é tanto que a aproximação das zonas
adjacentes tem um efeito mais ou menos semelhante a um mergulho
no mar. Para além disso, a cortina de água que se
forma no ar envolve o local com um manto mais denso do que o nevoeiro.
Na época seca, o leito do rio emagrece muito e a água
praticamente apenas cai na zona central de Victoria Falls, situação
que se chega a prolongar pelo início da época das
chuvas, uma vez que o leito do rio é tão grande que
o fluxo de água tarda a chegar à zona de Victoria.
Deste modo, podemos considerar que os melhores meses para visitar
o local são geralmente Março e Abril, e os piores
Novembro e Dezembro, apesar da época das chuvas ser entre
Novembro e Março.
Floresta tropical
O
rio Zambeze serpenteia ao longo da savana atravessando vários
países desenhados à regra e esquadro pelo colonialismo
europeu, na sua corrida na direcção de Moçambique,
onde encontra o oceano Índico.
O
mato, dourado na época seca, ou verdejante após o
aparecimento das primeiras chuvas, continua a ser povoado pelos
mais diversos animais selvagens. Distâncias a perder de vista
ainda continuam a ser feudos do leão, o rei da selva, e povoados
por todos os seus súbditos.
Mesmo às portas de Victoria Falls é necessário
não esquecer que, mesmo no asfalto, as famílias de
elefantes têm prioridade.
No entanto, em torno das quedas de água a savana dá
lugar a um ambiente totalmente diferente. O spray que rega a zona
dá origem a uma verdadeira floresta tropical, que os locais
chamam de floresta da chuva.
Toda a flora é distinta. As rochas estão cobertas
de musgo, e os fetos gigantes parecem tão deslocados como
as palmeiras e os ébanos que surgem rodeados por flores multicores.
O pesado ribombar da água a cair não impede a audição
da melodia do canto de numerosas aves que muitas vezes se escapam
em bandos, quando as árvores que escolhem como local de descanso
no meio dos seus voos é assediado por grupos de macacos,
ou se assustam com as corridas de alguma família de facuqueros
(os primos africanos dos javalis) errantes.
Esta zona, que abriga a maioria dos miradouros onde é possível
apreciar o salto do rio Zambeze, está protegida por vedações
o que impede a passagem aos animais selvagens que habitam a savana
limítrofe. No entanto, o arvoredo atrai a visita ocasional
de um ou outro leopardo.
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