| D E S
T A Q U E |
Janeiro
de 2006 |
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Centro
de encantar
 A
transformação que mais veio marcar
o semblante de Vitoria foi, sem sombra de dúvidas,
a requalificação do seu centro histórico,
projecto galardoado com o prémio “Europa
Nostra” 1982. Digamos que o que o Guggenheim
fez por Bilbau, está o centro histórico,
declarado conjunto monumental em 1997, a fazer
por esta cidade. Trata-se de um núcleo
urbano em forma de amêndoa, pejado de edifícios
medievais, onde se destacam a Igreja de San Miguel
e a Catedral de Santa Maria. Esta última
encontra-se “aberta para obras”, querendo
isto dizer que as visitas ao seu interior, em
restauro, são obrigatoriamente guiadas
e revelam não só pormenores relativos
à estética e problemas de estabilidade
do edifício, fruto de sucessivas e mal
calculadas intervenções, como alguns
episódios da história da cidade,
revelados por recentes escavações
arqueológicas.
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| Junto
à Igreja de San Miguel, onde se faz
o culto à Virgem Branca, por seu lado,
há que admirar o conjunto dos Arquillos,
uma série de edifícios escalonados,
datados do século XVIII, cujos pórticos
permitem fazer a ligação entre
a zona mais antiga da cidade e a mais recente,
levantada a um nível inferior. Nas
ruazinhas pedonais contíguas não
deixe de visitar a casa-torre medieval Casa
del Córdon, o Palácio de Ajuria-Enea,
onde funciona o Museu de Belas-Artes, e o
Museu Fournier de Naipes, que reúne
uma das melhores colecções de
baralhos de cartas do mundo. Por fim, desça
pelos Arquilhos até à Plaza
de Espanha, estrutura neoclássica projectada
por António de Olaguibel, que serviu
de modelo às praças maiores
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Museu
Chillida-Leku, uma exposição
a céu aberto, a poucos quilómetros
de San Sebastián |
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San Sebastián e Bilbau.
É um lugar tranquilo (salvo em dia de manifestações,
muito frequentes, como se sabe por toda a Espanha), onde
sabe bem descansar após esta caminhada pela Vitoria
pedonal.
San Sebastián, reduto
de veraneio
Diz-se que San Sebastián
é a mais basca das cidades bascas, apesar de
nos surgir à primeira vista como um verdadeiro
enclave francês.
De Paris vislumbramos as pontes, os quarteirões
geométricos, as grandes avenidas e os edifícios
imponentes, de que são exemplo o Palácio
de Miramar e o antigo Casino… de Cannes, o passeio
pedonal junto à baía e o ambiente de glamour
descontraído, característico das cidades
eleitas pelas elites, não faltando sequer um
festival de cinema anual, frequentado por Hollywood.
Mas, na realidade, essa é apenas a faceta herdada
da Belle Époque, quando a então pequena
vila se transformou na estância favorita da rainha
Isabel II, da burguesia e da nobreza espanholas. Se
prestarmos um pouco de atenção, é
fácil compreender que, apesar do seu actual carácter
cosmopolita e dos bairros relativamente recentes, San
Sebastián guarda as mais arreigadas tradições
da região, patentes quer nas festividades, quer
na importância conferida à gastronomia
– legados do tempo em que não passava de
uma praça-forte amuralhada, habitada por militares
e abastecida por meia dúzia de pescadores e agricultores.
Bons garfos
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Pedro
Subijana, chef do Akelarre |
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Fazendo
jus à tradição Euskadi do culto pela
boa mesa, San Sebastián afirma-se como a cidade
com mais estrelas Michelin por quilómetro quadrado.
São cerca de catorze, distribuídas por meia
dúzia de restaurantes liderados, na sua maioria,
pelo grupo de chefs, que, nos anos 70, revolucionou a
gastronomia basca. Juan Mari Arzak, do Restaurante Arzak,
e Pedro Subijana do Akelarre, são, provavelmente,
os dois homens mais admirados desta geração,
cuja cozinha de autor satisfaz os palatos mais exigentes
(como resistir a quem passa noites em claro a pensar como
extrair clorofila das plantas verdes, para a criação
de pratos excepcionais quer na originalidade quer no paladar?).
Os seus restaurantes proporcionam uma experiência
gastronómica inesquecível e altamente
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Catedral
de Santa Maria, em Vitoria |
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recomendável, caso a sua
carteira não se mostre incompatível com
o número de zeros da conta (pelo menos 100 euros
por pessoa, sem vinho).
O nosso guia local, Alberto,
homem de compleição robusta e apetite infatigável,
volta e meia recorda-nos, com os olhos brilhantes de gula,
“tudo no País Basco se resolve à volta
da mesa”. As mesas favoritas de Alberto, refira-se,
não se fazem de porções mínimas
de pescada regada a extractos vegetais, mas antes de nacos
substanciais, de carne ou peixe temperados com simplicidade.
Esse tipo de cozinha – assente na qualidade dos
produtos frescos, sem grande miscigenação
de sabores – é encontrada sobretudo nas sociedades
gastronómicas, uma espécie de clubes privados
apenas frequentados por homens. Eles preparam, lavam,
cozinham e comem, segundo métodos antigos e receitas
ancestrais, deixando por uma vez ou outra que uma senhora
entre nos seus domínios, mas apenas para degustar
as habilidades dos cozinheiros varões. Nada mais.
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Vários
detalhes de San Sebastián, cidade
que lembra Paris |
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O nosso guia gourmet pertence a uma dessas organizações,
onde foi inscrito pelo pai, ainda criança. Não
se pode dizer, apesar da antiguidade da ficha de sócio,
que seja um frequentador assíduo, pelo menos nos
últimos 20 anos. É que casou com uma brasileira
activista social com ideias feministas para quem estes
redutos masculinos não fazem muito sentido…
tal como à maioria das bascas do século
XXI, pelo que conclui o próprio: “Ou se mudam
as regras ou as sociedades acabarão por desaparecer”.
Cidade das artes
Se, em San Sebastián não
falta alimento para o corpo, a alma com certeza não
se poderá queixar. Para começar, a cidade
desfruta de uma das mais belas baías que já
vimos, em forma de concha quase perfeita, rematada nas
duas extremidades pelos montes Urgull e Igueldo, e protegida
das correntes marítimas pela Ilha de Santa Clara.
O
semicírculo formado por La Concha (a designação
da baía) pode ser percorrido ao longo de uma calçada
pedonal de sete quilómetros – passeio higiénico
após alguns repastos à boa maneira basca.
Comece junto ao palácio Miramar, residência
da rainha Isabel II, durante as suas longas estadias junto
ao Cantábrico. A meio caminho encontrará
o Hotel Londres, cenário de histórias de
espiões na I e II Guerra Mundial e onde dizem que
esteve alojada Mata Hari. Seguem-se os mais caros apartamentos
de toda a Espanha e, ao final, no sopé do Monte
Igueldo, as esculturas de Chillida – El Peine del
Viento. O percurso, mesmo quando os ventos sopram fortes,
é incontornável pela forma dramática
como as ondas são quebradas pelo paredão
e desafiadas pelo metal retorcido do escultor que, tocado
no local certo, canta com o mar.
Brindada pela natureza com algumas das melhores praias
da costa cantábrica, San Sebastián é
ainda a cidade basca com a oferta cultural mais variada;
desde o Festival de Cinema, passando pelo Festival de
Jazz e de Dança até à Feira de Teatro,
não faltam competições e mostras
de arte ao longo do ano. Relativamente aos museus, destaca-se
o Chillida--Leku, uma exposição a céu
aberto de algumas das obras que o artista basco nunca
conseguiu vender, a poucos quilómetros do centro
da cidade. O próprio espaço, uma grande
área relvada, onde as esculturas de ferro e granito
alternam com magnólias e carvalhos, constitui uma
autêntica obra de arte, a apreciar com vagar.
De copas pela História
Apesar da nobreza dos bairros junto
a La Concha e dos quarteirões da Belle Époque,
uma incursão pela Parte Vieja de San Sebastián
(Donostia, em Euskara, frequentemente chamado de Donostia-San
Sebastián), situada junto ao porto de pesca é
obrigatória. A maioria dos edifícios não
conta com mais de duzentos anos, já que as construções
medievais foram destruídas por cerca de uma dezena
de grandes incêndios, entre os séculos XIII
e XIX.
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Um
dos muitos bares da Parte Vieja de San
Sebastián (Donostia, em Euskara),
a zona mais boémia e concorrida
da cidade |
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San Sebastián, devido à
sua localização junto à fronteira
com França, sempre foi a porta de entrada das correntes
filosóficas e políticas mais progressistas,
mas, em contrapartida, sofreu investidas militares demolidoras.
A mais dramática ocorreu a 31 de Agosto de 1813,
quando foi tomada pelos soldados de Napoleão, e
acossada e incendiada pelas tropas anglo-portuguesas,
supostamente aliadas dos espanhóis. Restaram as
igrejas de Santa Maria, do século XVIII, e de San
Vicente, do século XVI, além de uma fileira
de casas, conhecida hoje pela rua 31 de Agosto.
Esquecidos os episódios bélicos, a Parte
Vieja é a zona mais boémia e concorrida
da cidade para o txikiteo. Os bares são às
dezenas e encontram-se a abarrotar. Curiosamente as mesas
estão repletas de grupos constituídos apenas
por homens ou por mulheres – um hábito um
tanto separatista que vem de longe e reflecte, segundo
Alberto “a distância entre os dois sexos,
herdada da História”. É que a sociedade
basca permanece matriarcal: é ponto assente que
quem tem a última palavra nos assuntos domésticos
é a mulher, a mesma que lega o nome de família
aos filhos, e, conta Alberto, “quem revela mais
iniciativa, os mais altos níveis de escolaridade
e ocupa os cargos de maior responsabilidade, nesta região,
à excepção dos políticos”.
Os pobres homens assustados, segundo nos faz crer, refugiam-se
na companhia solidária uns dos outros, nos seus
tempos livres. Por ora acreditamos, mas para a próxima
reivindicamos a versão feminina.
GUIA DE VIAGEM
PAÍS BASCO
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Como ir
A Ibéria possui voos diários
e directos de Lisboa para Bilbau por tarifas
a partir de €119,47 (para reservas feitas
com um mínimo de 21 dias de antecedência).
Uma vez no aeroporto, o ideal será
alugar um carro e fazer o percurso entre as
três principais cidades bascas por estrada,
pois as distâncias são curtas
e fáceis de percorrer. Entre Bilbau
e Vitoria-Gasteiz, por exemplo, são
cerca de 65 quilómetros; e a distância
entre Vitoria e San Sebastián ronda
os 110 quilómetros. |
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Quando ir
Em qualquer altura do ano, embora chova bastante
nos meses de Inverno. Em Vitoria,
as temperaturas são bastante baixas entre
Dezembro e Fevereiro, chegando a nevar, pelo que
deverá levar um bom casaco, gorro e luvas.
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História e situação
política
A região ocupada pelos
bascos situa-se no Norte da Espanha e Noroeste da
França.
Presume-se que este povo tenha ocupado a Península
Ibérica por volta do ano 2000 a.C. e resistido
às constantes invasões sofridas pela
região, preservado a sua língua, costumes
e tradições.
O idioma basco não tem parentesco com nenhum
outro no mundo, sendo a mais antiga língua
ainda falada na Europa.
Entre os séculos XV e XVI a região
foi submetida à coroa de Castela, sendo que
parte – Soule (Zuberoa) Labourd (Lapurdi)
e Basse Navarre (Behe Nafarroa) – acabou por
ficar
nas mãos dos franceses, o actual País
Basco francês.
O País Basco espanhol é, presentemente,
uma das 17 comunidades autónomas da Espanha,
situada no norte daquele país, junto aos
Pirinéus. A sua denominação
oficial é Comunidad Autónoma del País
Vasco, em castelhano, e Euskal Autonomia Erkidegoa,
em basco, dividindo-se nas províncias de
Álava (Araba), Biscaia (Bizkaia) e Guipúzcoa
(Gipuzkoa).
>
Onde comer
Em Bilbau
Casa Victor Montes –
Plaza Nueva 8, tel. 0034 94 4155603.
Gorrotxa – Alameda Urquijo, 30, tel. 0034
94 4434937.
Los Fueros – Los Fueros, 6, tel. 0034 94 4150614.
Um dos melhores lugares para experimentar pintxos
de peixe e marisco.
Jolastoki – Avenida de Leioa, 24, Getxo, tel.
0034 94 4912031.
Situa-se na localidade de Getxo, a cerca de 20 minutos
de Bilbau, e é um dos restaurantes mais conceituados
da cidade. Serve alta cozinha basca.
Em Vitoria
Xixilu – Plaza Amárica, 2, tel. 0034
945 230068.
Serve cozinha clássica basca, bem no centro
da cidade. Um dos favoritos dos locais.
Longo – Betoño, tel. 0034 945 288707.
Situado no centro de um dos muitos jardins de Vitoria,
este restaurante é especialista em pratos
de arroz.
Em San Sebastián
Arzak – Alto de Miracruz, 21, tel. 0034 943
278465. Serve alta cozinha basca. Com três
estrelas Michelin é considerado por muitos
o melhor restaurante do País Basco.
Akelarre – Paseo Padre Orkolaga, 56, tel.
0034 943 212052. Restaurante com vista panorâmica
sobre o Cantábrico que concorre com o Arzak
na popularidade e qualidade dos repastos.
La Cueva – Plaza de la Trinidad, tel. 0034
94 3425437.
Casa rústica situada na Parte Vieja de San-Sebastián
com os melhores pintxos que experimentámos
na cidade. Fica alojada no edifício mais
antigo da cidade.
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Onde dormir
Em Bilbao
Hotel Miró, Alameda
Mazarredo, 77, tel. 0034 94 6611880, www.mirohotelbilbao.com,
www.designhotels.com. Quartos duplos com pequeno-almoço
a partir de €130 (mais 7% de IVA).
Gran Hotel Domine Bilbao, Alameda de Mazarredo,
61, tel. 00 34 94 4253300, www.hoteles-silken.com/ghdb
Quartos duplos a partir de €145 (mais 7% de
IVA).
Sheraton Bilbao Hotel
Calle Lehendakari Leizaola, 29, tel. 0034 94 4280000,
www.starwoodhotels.com.
Quartos duplos a partir de €95 (mais 7% de
IVA).
Vitoria
Gran Hotel Lakua.
Tarragona, 8, tel. 0034 945 181000, fax 0034 945
181100, www.granhotelakua.com
É um dos mais recentes hotéis de Vitoria
e o único cinco estrelas da cidade. Bem decorado
encontra-se próximo do centro. Quartos duplos
a partir de €184 (mais 7% de IVA).
Hotel Barceló Gasteiz,
Avda. Gasteiz, 45, tel. 0034 945 228100, www.bchoteles.com.
Com uma localização excelente, este
quatro estrelas foi recentemente remodelado. Apesar
da arquitectura não ser soberba, os interiores
revelam-se muito confortáveis.
Quartos duplos a partir de €69 (mais 7% de
IVA).
San Sebastián
Hotel Londres, Zubieta 2, 20007, tel. 0034 943 440770,
fax 0034 943 440491, www.hlondres.com.
Um dos melhores hotéis da cidade, mantém
a decoração e o ambiente clássicos
que o tornaram famoso no início do século
passado. Quartos duplos a partir de €101 (mais
7% de IVA).
> Para mais informações
Delegação
Oficial do Turismo Espanhol, Av. Sidónio
Pais, 28, 3.º Dto, tel. 213 541 992, www.spain.info
e www.turismopaisvasco.com. |
| INFORMAÇÕES
ÚTEIS |
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Documentos:
Bilhete de Identidade ou Passaporte
>
Moeda:
Euro
>
Indicativo:
0034 (código de Espanha) + 94 (para
Bilbau); 945 (para Vitoria); e 943 (para San
Sebastián)
>
Diferença
horária: mais uma
hora do que em Portugal Continental
>
Língua:
O castelhano é falado por toda a população
e o basco apenas pelos mais jovens, já
que durante a ditadura de Franco o seu ensino
foi proibido (no campo, onde a repressão
foi menos dura quase todos dominam o basco).
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Electricidade:
220 V
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Segurança:
Em qualquer uma das cidades os delitos graves
são raros, sendo apenas aconselhável
que circule à noite com pouco dinheiro
e que guarde os documentos no cofre do hotel. |
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