| D E S
T A Q U E |
Janeiro
de 2007 |
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Ícone
do esplendor do barroco e da elegância
do modernismo, Viena conserva a majestade,
mas abandonou a sua atmosfera conservadora.
Irreverente, a cidade de Sissi é hoje
desejada pelas suas galerias avant-garde,
lojas originais e restaurantes ou bares
tão chic quanto hip
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Texto de Sara Raquel Silva e fotos
de Pedro Sampayo Ribeiro |
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Voluptuosa,
magnânime e estimulante, Viena é uma cidade
que inunda os sentidos. Não lhe podemos negar,
na arquitectura, o carácter barroco, resultado
do poder e riqueza do Império Austro-húngaro;
nem esquecer o papel de berço visionário
do modernismo, testemunho da sua receptividade aos movimentos
artísticos emergentes. Afinal são estas
as características que atraem anualmente milhares
de viajantes e estudantes amantes da pintura, arquitectura
e música – os principais responsáveis
pela transformação da clássica e
conservadora capital austríaca numa metrópole
cosmopolita.
Dia 1
09h30 > Um passeio
no parque
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Um dos muitos parques
de Viena, repletos de visitantes quando chega
a Primavera (em cima); Karlskirche, a maior catedral
barroca dos Alpes (à esq.)
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Deambular pelos parques de
Viena poderia levar um dia inteiro, já que
a cidade possui inúmeros
hectares de sebes cuidadas, canteiros coloridos e jogos
de água notáveis. Os jardins de Belvedere,
inspirados nos de Versailles, são dos mais sumptuosos.
Ligam os dois edifícios
que compõem o Palácio com o mesmo nome,
mandado construir por Eugénio de Sabóia
(1663-1736) para sua residência de Verão.
Acolhe, actualmente, a Galeria de Arte Austríaca
(www.belvedere.at), entre outros museus, onde poderá apreciar
as melhores obras de pintores como Schiele ou Klimt,
entre as quais
o fabuloso “O Beijo”.
11h00 > Café
com letras
Os cafés vienenses, um dia frequentados por
Freud e Trotsky, que aí alinhavaram a História
do mundo, são uma autêntica instituição.
Leve um jornal ou um bom livro consigo, experimente
um dos muitos tipos de café disponíveis
(simples, com natas, rum, brandy e ovo...), ou
a refinada pastelaria austríaca, e desfrute
da atmosfera intimista do Sperl (Gumpendorfer Strasse
11)
ou do Central (Herrengasse 14),
dois dos clássicos.
12h00 > Boémia
vienense
Siga para Freihaus (junto à Karlplatz). É nem mais nem menos
que o bairro equivalente aos boémios Quartier
Latin, em Paris, ou Notting Hill, em Londres, onde os artistas e estudantes
preferem viver. Em Freihaus encontrará bares alternativos e as lojas
mais trendy, entre as quais a de vídeo e DVD, Alphaville. Para um almoço
rápido, escolha um
dos muitos sushi bar ou kebabs.
14h00 > Compras
para todos
Permaneça no Freihaus se preferir comprar em
galerias de arte originais, lojas de autor ou arriscar
artigos
em segunda-mão no Naschmarkt,
o mercado mais popular de Viena
(aos sábados). Para aquisições
mais consensuais, opte antes pela zona
da Mariahilfer Strasse, entre o centro histórico
e a estação Westbahnhof.
Em redor, nas Kärntner Strasse, Graben e Kohlmarkt,
são antes as boutiques
de luxo – entre as quais a Channel
e a Gucci –, as joalharias e perfumarias
a fazer jus ao velho pedigree imperial
da cidade.
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O
centro comercial da cidade, sempre repleto
de artistas de rua; o parque de diversões
Prater; e as lojas de luxo que fazem jus ao
pedigree imperial de Viena
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16h30 > No
rastro dos Habsburgos
De regresso ao coração da capital austríaca, é incontornável
a visita
ao Palácio Imperial (www.hofburg.wien.info),
o centro
do reino dos imperadores Habsburgos até 1918.
De forma a absorver um pouco da atmosfera majestosa
da cidade, passe pelas alas transformadas no Museu
Sissi, pela Colecção Imperial de Pratas
e pelos Apartamentos Imperiais, onde viveram Francisco
José I e Elisabeth – apenas uma pequena
parcela deste grande complexo teatral e exuberante.
18h00 > Pecados
capitais
Após almoço tão leve, a consciência
não pesará quando se deliciar com uma
generosa fatia de Torta Sacher,
o mundialmente célebre bolo
de chocolate criado no século XIX por Franz
Sacher, o então mestre doceiro
de Viena. A saborear na pastelaria/casa de chá do
glamouroso Hotel Sacher (www.sacher.com), garantia
de autenticidade de um dos símbolos
do velho charme de Viena.
20h30 > Aperitivo
internacional
Descanse o olhar do barroco e faça um brinde
no Loos American Bar (www.loosbar.at), em honra ao
criador desta obra extravagante da Arte Nova,
há um século atrás – Adolf
Loos.
Se preferir ambientes mais fashion, experimente um
dos 350 cocktails
do Seven Cocktails (www.7en.at),
onde a festa começa cedo e se prolonga pela
noite fora.
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O Parlamento
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21h30 > Repasto
imperial
Templo culinário vienense, sob
a chancela da Relais & Chateaux,
o Steirereck, agora situado bem
no centro da cidade (Stadtpark),é incontornável na agenda dos viajantes gourmet. A cozinha, liderada
pelo chef Helmut Österreicher, é tipicamente
de autor, com forte aposta nos produtos austríacos.
Reserve com antecedência
e peça uma mesa com vista para
a Catedral de Santo Estêvão.
23h30 > Noites
brancas
Os carismáticos Q Bar (Stadtbahnbögen 142-144,
www.kju-bar.at) e Babu (Stadtbahnbögen 181-184,
www.babu.at) são o lugar certo para dançar
ou tomar um copo se preferir ambientes clean, requentados
por aderentes do vintage streetwear. Ritmos mais underground,
mas não menos fashion, ouvem-se no Rhiz (Hernalser
Gürtelbogen 37-38, www.rhiz.org) que promete noites
longas e agitadas
ao som de electroclash e electrónica.
Dia 2
10h30 > Santo
Dia Santo
A gótica Catedral de Santo Estêvão
(www.stephanskirche.at), situada
no centro histórico, é, ainda hoje, símbolo
da resistência austríaca durante a Segunda
Guerra Mundial.
Foi parcialmente destruída e, posteriormente,
restaurada para afirmar o poder de recuperação
da facção vencedora... Mozart, que passou
os seus últimos anos em Viena, escolheu-a para
cenário do seu casamento, dada a beleza e imponência
do templo. Se não lhe faltar a coragem suba
os mais de 300 degraus até ao topo da torre
(173 metros) e obtenha uma panorâmica fabulosa
sobre a cidade.
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Pátio ao ar livre
do Museums Quartier Wien, instalado nas antigas
cavalariças reais (em cima). Hoje alberga
vários museus, galerias de arte e esplanades
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12h00 > Ares
de modernidade
Um dos equipamentos culturais mais recentes e interessantes
de Viena é o MuseumsQuartier (www.mqw.at). Instalado
nas antigas cavalariças
reais, alberga espaços consagrados às artes plásticas,
arquitectura, música, moda, dança, teatro, e uma área
destinada apenas às crianças.
Obrigatórios são o Mumok (www.mumok.at),
cuja colecção permanente inclui obras
de Paul Klee, Picasso, Magritte e Kandinsky,
e o Museu Leopold (www.leopoldmusuem.org), com
um acervo impressionante de obras
de Egon Schiele, Klimt e Oskar Kokoschka. No final,
perca-se nas lojas dos museus e na livraria Prachner,
onde encontrará livros de arte, catálogos
das exposições, fotografias...
14h30 > Almoço
no MuseumsQuartier
Deixe-se ficar pelo MuseumsQuartier, dado o adiantado
da hora. O restaurante Halle (www.diehalle.at) serve
a preços razoáveis deliciosos pratos
mediterrânicos. Tem, como alternativa,
a dez minutos a pé, o Palmenhaus-Café,
ponto de encontro da comunidade hippie-chic de Viena.
Outrora parte
do Palácio dos Habsburgos, é um dos spots
mais interessantes da cidade para um almoço
leve, preferencialmente vegetariano.
16h00 > Delírio cromático
A Hundertwasser Haus (Kegelgasse
34-38/ Löwengasse 41-43), desenhada pelo artista
austríaco Friedensreich Hundertwasser (1928-2000),
com
a sua fachada ondulante e colorida, proporciona uma
experiência visual totalmente diferente, numa
cidade maioritariamente barroca. O edifício,
evocativo das obras de Gaudi, foi construído
nos anos 80 do século passado, de acordo com
o projecto original, que contemplava não só telhados
cobertos por terra, relva
e arbustos, como árvores plantadas
no interior, a atravessar janelas para espreitar o
céu!
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A
Hundertwasser Haus (em cima), desenhada pelo
artista austríaco Friedensreich Hundertwasser – um
dos símbolos da Viena moderna; e o
restaurante Glacis Beisl, um dos favoritos
da elite cultural vienense (à dir.)
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18h00 > Nobre
descanso
Aliviar o peso das caminhadas do dia no Hollmann Beletage é um
privilégio. O hotel é dirigido pelo carismático
actor e chefe de cozinha Robert Hollmann, que mima
os seus hóspedes com um serviço atento,
pratos de perder a cabeça e originais obras
de arte. O Beletage encontra-se rodeado pelos mais
belos monumentos de Viena, que contrastam, na sua antiguidade,
com a atmosfera contemporânea dos interiores
do hotel.
20h00 > Prazeres
Vienenses
É altura de conhecer o Glacis Beisl (www.glacisbeisl.at) e a sua cozinha
austríaca, servida diariamente com
um inconfundível toque de irreverência
e originalidade. O restaurante é um
dos favoritos da elite cultural vienense, provavelmente
pela sua arquitectura retro minimalista.
Com vista para os jardins, que integram este edifício único,
pergunte pelos clássicos: couve estufada com
pasta, goulash com pickles ou truta frita com batatas
em salsa.
22h00 > Uma noite
na Ópera
Em Viena não há noite sem dezenas
de concertos, bailados ou óperas
(ver www.bundestheater.at). No mês
de Fevereiro estão em cena na Ópera estatal
obras de Donizetti, Pucinni, Mozart (os bilhetes variam
entre os e9 e os e157 e podem ser adquiridos online).
Escolha o seu compositor favorito e despeça-se
em grande
da – apesar de irreverente – intemporal
cidade da música.
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| Hollmann Beletage |
Guia de Viagem
> Como
ir
A TAP (www.flytap.com)
voa para Viena em code-share com a Austrian Airlines, via Milão,
Barcelona ou Zurique, por tarifas a partir
de €230 (mais taxas).
> Onde
ficar
Hollmann Beletage,
Köllnerhofgasse
6, A-1010 Viena, tel. 00 43 611960, www.hollmann-beletage.at Boutique
hotel, com acesso livre à Internet,
pequeno-almoço personalizado e spa.
Situado a menos de cinco minutos a pé do
centro histórico, é sinónimo
de modernidade e conforto. Quartos duplos
a partir de €130.
Hotel Rathaus Wein & Design Wien – Lange
Gasse 13, 1080 Viena, tel. 00431 400 11 22, www.hotel-rathaus-wien.at.
Hotel de design que presta homenagem aos grandes
chefes e casas de vinhos austríacas, o
Rathaus é espaçoso, de tectos altos
e piso de madeira, decorado em tons de branco
e laranja. Inspirado na Bauhaus, este quatro
estrelas possui 33 quartos, um wine bar e acesso
livre à Internet. Quartos duplos a partir
de €150.
Hotel Imperial – Kaertner Ring
16, 1010 Viena,
tel. 0043 501100, www.starwoodhotels.com
O Imperial é, sem dúvida,
o mais elegante e sumptuoso hotel de Viena. Construído
em 1813, foi originalmente a residência
do príncipe
de Württemberg, preservando
do original a estátuas esculpidas em madeira,
os candeeiros de cristais
e as mármores. Os serviço, impecável,
tem merecido várias menções
honrosas. Quartos duplos a partir de €340.
> na
internet
http://viennahype.at, www.aboutvienna.org, http://info.wien.at
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