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   XLRotas & DestinosDestaque > Paris > Pequim


D E S T A Q U E Janeiro de 2007   
5
Lanzhou > Pequim
3743 km


Quem sai de Lanzhou, a caminho de Pequim, segue o velho caminho das caravanas da Rota da Seda, que acompanhavam o rio Amarelo e a Muralha da China. Ainda hoje os camelos andam por ali, servindo de meio de transporte ao lado da auto-estrada
O terceiro dia de descanso surgiu ao fim de 23 dias de viagem, com Pequim – a meta desta expedição – à vista. Em Lanzhou, uma cidade sem muito para ver, para além da curiosidade de o rio Amarelo estar à nossa frente, o dia foi aproveitado para relaxar. Por isso, na manhã seguinte, a ligação para Wuhai surgiu de forma natural. Durante os primeiros quilómetros a caravana acompanhou o maior curso fluvial da China, passando por Balyin. Depois, entrámos na província de Ningxia. E o rio Amarelo também. Seguimo-lo na passagem de Ningxia para o monte Xiakou, onde surge um estranho monumento com 108 pagodes que datam dos primórdios da dinastia Ming (1368-1644), e cuja origem está por explicar, já que há duas lendas: uma diz que os pagodes representam 108 soldados que defendiam a Muralha da China, outra refere que recordam 108 monges que foram queimados no local. São tradições budistas de uma região onde a influência mongol se acentua com o passar dos quilómetros.
   
A Mongólia Interior faz parte da República Popular da China desde 1947, uma altura em que se verificaram vários conflitos fronteiriços. No final do dia chegámos a Wuhai, uma pequena cidade de 440.000 habitantes que foi fundada em 1976, como ponto de apoio para as mais de 30 minas que se espalham em seu redor.

No dia 26, o caminho para Pequim faz-se ao lado do mítico deserto de Gobi, uma extensão de 2000 km onde há mais pedras do que areia e só os nómadas sobrevivem. A caravana segue na direcção de Xiangsha Wan (“a garganta que canta”) e, mesmo ao lado da auto-estrada, escondida pelas colinas de pedra vermelha, surge uma enorme

P U B L I C I D A D E
Um hotel diferente
Badaling, que pode ser criticada por ser a zona mais turística da Muralha da China, foi reconstruída em 1957 e recebe todos os dias milhares de turistas que chegam de Pequim. Contudo, também pode ser um local de descanso e descoberta. É possível subir e descer montanhas, entre as ameias da muralha. Quem sinta o apelo da História e, ao mesmo tempo, não seja capaz de prescindir do conforto da vida moderna, tem uma opção: o Commune by The Great Wall – Kepinsky (www.kepinsky- thegreatwall.com), que foge às características de um hotel convencional. São 42 villas com vários tipos de configuração (num total de 236 quartos), perfeitamente enquadradas na paisagem, e uma área comum que pode ser partilhada pelos seus ocupantes. A qualidade arquitectónica e os níveis de luxo e conforto só têm rival na paisagem.
garganta onde o deserto se estende a perder de vista no ondulado das dunas. É uma visão semelhante ao que podemos observar em África, em regiões da Mauritânia, da Argélia ou da Líbia. Esta cordilheira de dunas tem cerca de 400 km, e o “cantar” é o resultado do deslocamento da areia por força do vento. Segundo a lenda, Marco Pólo, ao passar pelo local, atribuiu o “canto” às vozes de “espíritos malignos que queriam manter afastados os mercadores”. Apesar dos “espíritos”, chegámos a Hohhot, a capital da Mongólia Interior.

A ligação entre Hohhot e Badaling é o percurso que nos espera no penúltimo dia. A Grande Muralha era como que uma linha a seguir, conduzindo-nos a Zhangjakou. Hoje, é uma pequena cidade com menos de um milhão de habitantes, e que, sendo um mero “povoado” da República Popular da China, não deixa de ser um ponto chave na história da Rota da Seda. O Transiberiano fez com que esta cidade perdesse o seu protagonismo, mas para a história ficou o facto de ter sido uma das grandes passagens na Muralha da China, porta de entrada e saída para as grandes caravanas que ligaram o Oriente e o Ocidente, para além de ter sido um local de grandes conflitos entre chineses e mongóis. À
Os conflitos territoriais entre a Mongólia e a China podem ser recordados nos grandes espaços desérticos que surgem a caminho de Pequim, onde encontramos as mais diversas fisionomias
chegada, a zona da Grande Muralha (restaurada em 1957) escondia-se com o pôr-do-sol. E, no dia seguinte, com o regresso à estrada para a derradeira tirada do percurso do Paris-Pequim, vimo-la de novo encoberta, desta vez por uma densa neblina matinal.

A capital do velho Império do Meio estava à nossa frente, 28 dias após a partida de Paris. Tínhamos percorrido 13.900 km e vivido 172 horas e 23 minutos – mais de sete dias – no habitáculo do nosso Mercedes E320 CDI, durante os quais cruzámos planícies, subimos e descemos montanhas, passámos por cidades e seguimos ao longo de desertos. Mas Pequim estava ali...


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