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Vouzela
Do
outro lado da ponte
Empoleirada a meio encosta, sobranceira ao rio Vouga e envolta numa
luxuriante vegetação, esta vila da Beira Alta vive rodeada
de lendas e tradições.
Não
é Viseu, mas é próximo e também começa
por "v". Vila pequena e airosa, Vouzela estende a sua altíssima
ponte para nos receber.
Retribua-lhe a simpatia, dedique-lhe um fim-de-semana e parta à
descoberta de uma zona onde a beleza natural combina com um riquíssimo
património histórico-cultural.
Encavalitada na serra, Vouzela pode ser considerada um tesouro onde
se guarda religiosamente uma história que se estende ao longo
dos tempos, embora a riqueza desta região não se limite
aos seus monumentos: a hospitalidade das suas gentes e as delícias
da sua cozinha são outros dois bons cartões de visita.
Vila antiga e solarenga, Vouzela foi berço e viu nascer ilustres
figuras, como São Frei Gil, Duarte de Almeida (o Decepado)
ou o Padre Simão Rodrigues, um dos fundadores da Companhia
de Jesus e seu introdutor em Portugal. São apenas exemplos.
E
como a primeira imagem que nos chega desta localidade é a sua
ponte de grandes arcos, também conhecida por ponte do Caminho
de Ferro, será uma boa opção iniciar por aqui
o seu passeio. Se em tempos que já lá vão era
utilizada por comboios, hoje os "pouca-terra, pouca-terra"
cederam o lugar aos peões. Seja um deles e atravesse-a calmamente
para que possa admirar a magnífica vista que ela proporciona.
Bem
próximo da ponte, na Rua dos Bombeiros Voluntários,
encontra-se um dos ex-líbris da vila, a sua igreja matriz,
datada do século XIII, em estilo românico e única
neste género em toda a região.
O monumento possui a particularidade de ter a frontaria deslocada,
ficando assim com a fachada tapada por aquilo a que se pode chamar
uma parede de pedra. Da fachada sai uma pequena varanda que dá
acesso a dois sinos. Mas os pormenores curiosos desta igreja não
se ficam por aqui, já que, lateralmente, se expõe uma
série de gárgulas, humanas ou representando animais
fantasmagóricas. Actualmente, é um dos templos da Beira
Alta que ainda mantém a estrutura arquitectónica medieval,
apesar dos inúmeros acrescentos feitos em épocas posteriores.
Deixe-se andar ao sabor dos seus passos e calmamente vá deambulando
por ruas e travessas, becos e ruelas. Mais cedo ou mais tarde, vai
acabar por reparar na quantidade de lojas que vendem antiguidades
e... agora para gaúdio de alguns, ouro em segunda mão.
Sublime tentação!
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