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África Aqui Tão Perto...
Senegal
E
África Aqui Tão Perto...
No
mês em que Dakar anda nas bocas do mundo graças ao rali
mais famoso do planeta, o Senegal é, mais do que nunca, um
destino de férias apetecível, já que combina
cultura, história e uma natureza pujante, que inclui, entre
outras maravilhas, centenas de quilómetros de praias de areia
fina.
Quem
não sonhou já conhecer África, mas, não
tendo fígados de aventureiro, sentiu-se inibido de o fazer,
antecipando um choque, climático e cultural, porventura difícil
de absorver numas curtas férias? Para essas pessoas, e serão
bastantes, a porta ideal de entrada no Continente Negro pode muito
bem ser o Senegal, país que permite uma suave adaptação
às múltiplas vertentes da realidade africana.
Vamos
por partes. O Senegal dista apenas quatro horas de voo de Lisboa;
"dar um salto a África" torna-se assim uma
possibilidade concreta e a tentação aguça-se
na gélida estação que atra-vessamos. O dia de
Natal não foi escolhido por acaso para a largada do Rali Paris-Dakar
o grupo de franceses aventureiros que lançou a prova
em 1978 ansiava sobretudo por escapar ao frio europeu, concebendo
a prova como um pretexto para alcançar essa terra bendita onde
se gozam "doze meses de sol e oito de Primavera",
como foi já descrito o clima do Senegal.
Se à proximidade geográfica e simpática meteorologia
do Senegal juntarmos a estabilidade política reinante no país
(uma democracia multipartidária vigente desde a independência,
em 1958), a
tolerância religiosa nele observada (a população
de maioria muçulmana coexiste pacificamente com minorias católicas
e animistas) e lhe acrescentarmos infra-estruturas turísticas
de nível internacional, implantadas em cenários paradisíacos,
começamos a descortinar por que razão este país
é uma base incomparável para se partir à descoberta
de África com toda a segurança.
Os
portugueses têm motivos suplementares para se interessarem pelo
Senegal. O nosso antepassado Nuno Tristão foi o primeiro europeu
a arribar a estas costas, em 1443, e a influência lusa ainda
hoje é sentida na gastronomia, no vocabulário e na toponímia;
deste último caso é exemplo o nome da cidade de Rufisque,
uma corruptela da expressão portuguesa "rio fresco".
A
origem do Senegal encontra-se na estratégica situação
do Cap Vert (Cabo Verde), um promontório que, além
de ser o mais ocidental do Continente Negro, forma uma imensa baía
de águas profundas, junto à qual se implanta hoje Dakar,
a capital do país.
A importância deste porto de abrigo natural cresceria enormemente
com a descoberta do Novo Mundo, do qual o Cap Vert é
o ponto africano mais próximo; donde que, nos séculos
seguintes à chegada dos portugueses, a região seria
objecto de encarniçada rivalidade por parte das potências
coloniais, até acabar por cair sob a alçada imperial
da França.
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