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D O S S I E R

Fevereiro de 2003
Cruzeiros nas Caraíbas há muitos, por isso mesmo concentrámo- -nos nas propostas da Windstar Cruises, uma companhia conhecida por apresentar uma óptima relação qualidade-preço, itinerários menos óbvios e ambiente tranquilo a bordo, sem muita gente por perto, o que dá sempre jeito na hora de namorar

Texto de João Miguel Simões/3P
Fotos de Henrique Seruca/B.C Imagens - 3P
   


Longe vão os tempos em que o velhinho Barco do Amor (um dos paquetes mais antigos da frota da Princess Cruises) fazia sonhar várias gerações de apaixonados no mundo inteiro. Hoje, as necessidades são outras e diz quem sabe que, para uma viagem a dois, nada melhor do que escolher um cruzeiro onde não se tenha por companhia mais de mil passageiros e onde a palavra de ordem não seja diversão mas sim romantismo e tranquilidade. Depois de sondarmos o mercado, elegemos a Windstar Cruises, cuja filosofia de proporcionar um serviço cinco estrelas aliado a um ambiente informal lhe tem valido um lugar cimeiro entre as melhores empresas de pequenos cruzeiros do mundo. Existem outros navios ainda mais luxuosos, mas a Windstar apresenta uma óptima relação preço-qualidade, um factor a ter em conta nos dias de crise.

Depois, a companhia tem previsto para este ano um total de 32 cruzeiros nas Caraíbas - um destino que continua a fazer sonhar, em grande parte devido ao seu mar muito azul, que tem a vantagem de ser mais exótico do que o Mediterrâneo e ainda assim de ficar mais perto, e menos caro, do que outros mares longínquos -, a bordo do Wind Surf (com capacidade para 312 passageiros, sete velas triangulares e um conjunto de singularidades que mais nenhum barco da frota possui: um spa e 31 suites deluxo que se juntam às 125 cabinas, (todas exteriores e bastante espaçosas) do Wind Spirit (com capacidade para 148 passageiros).

A escolha certa
O sucesso de um cruzeiro não é mais do que o somatório de diversos factores. Entre eles está a rota escolhida e os portos de escala, onde cabe a cada passageiro tirar o melhor partido possível de uma situação que tem tanto de privilegiada como de ingrata. É que, se por um lado, este tipo de viagens permite conhecer uma série de sítios diferentes em poucos dias (o que, sejamos sinceros, de outra forma seria muito complicado no caso das ilhas caribenhas, já que algumas delas ficam a distância considerável entre si e nem sempre possuem ligações regulares por ar ou mar), também não é menos certo que, regra geral, sete ou oito horas nunca são suficientes para captar a alma de um lugar.

Assim sendo, nada melhor do que estudar previamente o roteiro e as opções de programas (há viagens organizadas propostas a bordo que são pura perda de dinheiro) antes de tomar a sua decisão. No caso da Windstar, esta tem, como já foi dito, dois navios a circular nas Caraíbas durante o ano de 2003 em dois períodos (até Abril e a partir de Novembro), com várias partidas por mês (dependendo de caso para caso). O mais comum são os itinerários de sete dias, com destaque para o périplo St. Thomas-St. Thomas, que é o que apresenta maior número de partidas mensais. Trata-se de uma das Ilhas Virgens Americanas, perto de Puerto Rico, cuja capital, Charlotte Amalie, é um verdadeiro porto franco, mas os grandes atractivos da viagem são a vizinha St. John (essa sim, um verdadeiro regalo para vista, com baías e praias de perder o fôlego) e as exclusivas, e muito frequentadas pelo jet set mundial, St. Martin, St. Barthelémy e Virgin Gorda. Como bónus, passagem nas pouco frequentadas Tortola e Jost Van Dyke. Seguem-se ainda os périplos Ft. Lauderdale-St. Thomas (destaque para a passagem em Turks & Caicos), St. Thomas-Barbados (destaque para a passagem em Santa Lucia, conhecida pelos seus picos gémeos, e em Grenada, onde fica a maravilhosa Grand Anse Beach) e Barbados-St. Thomas (destaque para a passagem em Bequia, uma Grenadinas que permite acesso até à exclusiva ilha de Mustique), mas a grande vantagem é que a Windstar criou um sistema que permite combinar vários segmentos de diferentes cruzeiros, o que lhe dá a possibilidade de estender a viagem por mais uns dias e/ou de fazer um itinerário mais a seu gosto aproveitando os portos de escala frequentados pelos dois navios nas Caraíbas.
Paisagem de St. John; praia e arquitectura colonial em Barbados; a luxuosa e exclusiva Cotton House, em Mustique; casas coloniais na Martinica


Todos a bordo
De qualquer forma, e por mais determinante que seja o itinerário para nos decidirmos a embarcar numa viagem deste género, fazer um cruzeiro é (ou devia ser), antes de tudo o resto, a realização do desejo de experimentar a vida a bordo e de ter uma noção de mobilidade que nenhum hotel, por muito bom que seja, lhe pode proporcionar. Aliás, devo confessar que essa é, precisamente, a particularidade - juntamente com a possibilidade de visitar num tempo recorde e de uma só vez, por um preço acessível, uma série de ilhas - que torna a experiência inesquecível e, de certa forma, até um pouco viciante (fica desde já o aviso: raros são aqueles que depois de fazerem o primeiro cruzeiro não se sentem tentados a repetir a dose). Logo, nada mais justo do que deixá-lo com uma ideia de como se passa a vida a bordo de um navio da Windstar (regra geral, em todos os cruzeiros de setes dias, há sempre um que é inteiramente passado a bordo, em alto mar, para proporcionar essa vivência a tempo inteiro).

Para quem assim o desejar, o dia a bordo pode começar bem cedo, pois o pequeno-almoço continental começa a ser servido às seis da manhã na sala Compass Rose, mas existem ainda como alternativas o buffet de pequeno-almoço (com serviço à la carte) da sala Veranda até às 9h30 e uma escolha de muffins, chá ou café e fruta até às 11h. O resto da manhã é aproveitado para apanhar sol nas espreguiçadeiras espalhadas pelos vários decks ou para dar dois dedos de conversa com as amizades feitas a bordo. Poucos se aventuram na piscina ou nos jacuzzis.
A s Caraíbas continuam a fazer sonhar, em parte devido ao seu mar muito azul
Enquanto isso, o hotel manager (no fundo, um navio de cruzeiro é um hotel flutuante) reúne-se na sua sala com o chefe para acertar os últimos detalhes sobre o tour pelas cozinhas, marcado para essa tarde (esta visita é sempre muito concorrida, pois as pessoas acham graça saber as quantidades exorbitantes de comida consumida a bordo e o que acontece aos restos), e sobre o jantar dessa noite.

O navio segue o seu rumo e, sempre que sopra um vento forte - ficando as velas trian-gulares totalmente enfunadas -, chega a atingir uma velocidade de 10 a 15 nós. Por volta das 12h30, o buffet de almoço começa a ser oficialmente servido na esplanada e os encarregados dos grelhados não têm mãos a medir para tantos pedidos.

O resto do dia é passado a descansar, a participar num torneio de Black Jack no casino, em aulas de mergulho ou até mesmo a assistir a um desfile de moda improvisado junto à piscina (quem assim o desejar tem sempre algo a fazer). À noite, depois do jantar servido com mais esmero, há sempre a possibilidade de ir tomar uma última bebida na esplanada do Bridge Deck, enquanto se escuta musica ao vivo, mas a grande maioria dos passageiros, sobretudo os casais, prefere recolher cedo às suas cabinas, onde podem sempre assistir a um filme e dar largas ao seu romance... .

De regresso a "casa", deixe-se enterrar no sofá, a saborear um copo de vinho e a tentar esticar o tempo. Pela janela vêem-se as folhas esvoaçar em perfeita harmonia, como que acenando a certeza de já ter visto muitos olhares lânguidos e ouvido bater corações, muitos, tantos outros, que não resistem aos encantos deste lugar.


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