D
O S S I E R

Entre
a Beira e o Douro, na vila de Marialva, encontramos as Casas do Côro.
Em pedra construída, esta unidade de turismo de aldeia esconde na
paz do seu interior, decorado com esmero, o conforto e calor de um
verdadeiro lar. Fazendo-se rodear pela força e romantismo da natureza
e história, oferece um ambiente único que apetece partilhar...
O
Castelo,
no alto do monte, em companhia de uma ou outra oliveira solitária
anuncia, a quem de baixo tenta adivinhar o que o aguarda, o perfeito
cenário de um épico histórico. De imediato se
vislumbram cavaleiros de capa esvoaçante e espada em punho,
ou a azáfama de um mercado medieval.
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Decorados
entre o clássico e o contemporâneo, todos os quartos
da Casa do Côro são diferentes
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Chegados
ao destino, apesar da ausência de tais personagens, em nada
a realidade desilude. Apenas acrescenta: ao invés das habitações
da época, esperam-nos as Casas do Côro, um empreendimento
de turismo de habitação, que, no meio de uma região
já habitada pelos povos lusitanos, os Aravos, oferece o conforto
de uma residência bem equipada do século XXI.
Comodidades
bem-vindas, já que o final de tarde, ainda que soalheiro, pressagia
uma daquelas noites estreladas e frias de Inverno beirão.
O
ar puro de Marialva acalma qualquer citadino frenético que,
perante o silêncio e placidez da natureza envolvente, é
obrigado a deixar fugir as preocupações para bem longe.
Apenas se escuta o chilrear, diria que lentíssimo, dos pardais
e os urros longínquos de um burro.
A
noção do tempo vai-se esvaindo, talvez por culpa do
Castelo, do século IV ou V, mesmo ali ao lado. Imaginamos como
teria sido a vida daquelas gentes, como vestiam, como se pareciam.
Mais abaixo, as casas de granito e as poucas pessoas que vão
passando parecem habitar nesta aldeia histórica, desde sempre.
Mas, despertados pelo frio e pela noite que ameaça cair corremos
rumo à lareira da sala de estar, que chama por nós.

Conforto e bom gosto
Atravessada a porta vermelho-escuro, que contrasta com a pedra da
fachada da Casa do Côro, entramos no mundo de Carmen e Paulo
Romão, os proprietários. Esta unidade de turismo de
aldeia compreende um edifício principal - com 5 quartos, uma
suite, casa de jantar e sala de estar -, três pequenas habitações
independentes, onde se desfruta de total privacidade - com um ou dois
quartos e suite, sala e kitchnette - e ainda o amplo Casão
do Largo, onde se realizam festas e eventos. Espaços decorados
ao detalhe, em que o clássico
e contemporâneo convivem em perfeita harmonia. Fruto de dois
anos de pesquisa cuidada, visitas a leilões, antiquá-rios
e galerias de arte.
A sala comum do edifício principal - a Casa do Côro -
transmite um ambiente familiar. Incita ao convívio em torno
da lareira, enquanto se assiste ao anoitecer e se remexe nos toros
incendiados. Ou então a leituras sossegadas ou momentos de
contemplação, recostados nos sofás mais afastados.
Os
tons que povoam os edifícios são o pastel e bordeau,
os favoritos de Carmen. Nenhum quarto, no entanto, é igual
ao outro, nenhuma tela ou cama se repete. Tudo nesta unidade foi concebido
para evitar a frieza de um hotel ou a melancolia documental de um
museu: pormenores como uma estátua antiquíssima de Santo
António, fotos de família, e dezenas de candeeiros de
parede que pontilham com uma luz velada os compartimentos, constroem
uma atmosfera intimista e reveladora do gosto e personalidade dos
seus decoradores. Os
quartos, embora de pequenas dimensões, são confortáveis
e convidam ao recolhimento. As pinturas contemporâneas contrastam
com o classicismo do mobiliário e condizem com o design minimalista
das casas de banho. Os tapetes de pura lã e os lençóis
de algodão bordados lembram tempos antigos. Acolhedores, contrariam
a natureza invernosa e agreste, que se observa das janelas.
Lá fora, as chaminés dos vizinhos fumegam, os vidros
embaciam e somos capazes de jurar que nada nos levará daqui
para fora.

Viver com a Aldeia
Ainda
há cinco anos, onde estão hoje edificadas as Casas do
Côro, podia observar-se um amontoado de pedras pertencentes
a um casario abandonado. Paulo Romão quando se deparou com
as ruínas não hesitou: apesar de só uma das casas
estar à venda, conseguiu nessa mesma tarde de Verão
adquirir os terrenos a cinco proprietários diferentes. Convinha
salvaguardar espaço de manobra para a eventual expansão
do empreendimento. Em 1998 começaram as construções
de raiz, dado o estado de degradação das estruturas
anteriores. O projecto foi entregue ao arquitecto Pedro Brígida,
que procurou a sua integração na estrutura arquitectónica
da região e o
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A
casa foi decorada ao detalhe, fruto de visitas a leilões,
antiquários e galerias
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maiorconforto
possível dos interiores - daí a prevalência das
madeiras sobre a pedra.
A
funcionar desde Maio de 2000, o projecto já faz parte do quotidiano
deste pequeno lugar. Emprega alguns dos seus habitantes, utiliza os
produtos hortícolas aí cultivados e ajuda a dinamizar
a vila, onde faltava lugar à altura para pernoitar. Ou para
tomar uma refeição condigna. É que na Casa do
Côro são também servidas refeições,
mediante pedido prévio. Os pratos, deliciosos, são idealizados
e confeccionados por Carmen, que reúne o que há de mais
genuíno na gastronomia portuguesa com o requinte e toque de
quem tem um dom especial. O bacalhau no forno, vitela no barro, grelos
à pobre, compotas e um sem-número de doces e bolos à
base de amêndoa, ovos, figo e requeijão são exemplos
das iguarias irresistíveis, que aqui se podem degustar. Dietas
à parte.
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As
Casas do Côro integram na perfeição a estrutura arquitectónica
da região
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A Loja do Côro, recentemente inaugurada, também ajuda
a atrair turistas - este não é um local de passagem
- e a escoar os produtos da região. Aí são comercializadas
as compotas e doces feitos na Casa, amêndoas e vários
tipos de mel da zona, vinagres aromáticos, vinho e azeite de
primeira qualidade.
Para completar o empreendimento, está a ser construída
uma última unidade - a casa da Pipa - onde funcionarão
três quartos, duas suites, um Spa, sauna e piscina exterior
aquecida.
No próximo Verão, as Casas prometem ser, além
de um recanto acolhedor, um ponto refrescante em terras a que o tempo
e história imprimiram o seu cunho de mistério. Perfeito
para os que amam as coisas boas da vida.
Guia
de Viagem
Como
ir
Do Porto: Apanhe a A1 até Albergaria, onde se toma a IP5 rumo a
Viseu/Celorico da Beira. Atravesse esta última povoação até à EN
102, em direcção a Trancoso/Foz Côa. 20 kms à frente encontra um
cruzamento, onde deve virar à esquerda para Marialva. Depois é só
seguir as indicações para as Casas do Côro. De Lisboa: Apanhe a
A1 até Torres Novas. Aí, saia para o IP6 em direcção a Abrantes/Castelo
Branco, onde deve seguir pela A23 rumo ao Fundão/Covilhã/Guarda.
Na Guarda apanhe a IP5 até Celorico da Beira e siga as indicações
para Trancoso/Foz Côa. 20 km à frente encontra um cruzamento, onde
deve virar à esquerda para Marialva. Depois é só seguir as indicações
para as Casas do Côro.
Onde
comer
Nas Casas do Côro, mediante pedido prévio, são servidas
refeições deliciosas, que incluem uma entrada, sopa, prato principal
e sobremesa. O preço de cada menu completo é de æ 30 mais as bebidas.
Em Mêda recomendamos o Restaurante 7 e meio (tel. 279 883 272),
onde se encontram diversos pratos de carne e peixe a æ7/8 a dose.
Em Trancoso, destacamos o restaurante Área Benta (tel. 271 817 180),
um espaço sofisticado, com algumas especialidades da região, também
a æ 7/8 a dose.
Preços
e contactos
O
preço de um quarto duplo varia entre os 75 e 110 euros. O das casas
entre os 125 euros e os 340, mediante o número de pessoas, dia da
semana e época do ano. As suites oscilam entre os 125 e 280 euros,
por noite. O pequeno-almoço está incluído em todas as tarifas. Aconselha-se
a efectuar as reservar com um mínimo de dez dias de antecedência
durante o ano e com três meses de antecedência em épocas especiais.
Pode contactar as Casas do Côro através do telemóvel: 91 7552020,
fax: 271 590 003 ou mail: casa-do-coro@assec.pt. Para mais informações
consulte www.assec.pt/casa-do-coro.
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