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D I C A S  D E  V I A G E M


Viajar “a dois”

Fazer simultaneamente a vez de pai e de mãe em férias exige atenção, paciência e criatividade a dobrar, mas também pode ser duplamente divertido

Fevereiro de 2004

Texto de Simone Rocha
Ilustração de Joana Pinto e Castro
   


Seja porque a agenda dos pais não coincide ou porque se trata de uma família monoparental, há cada vez mais adultos que fazem as malas e viajam sozinhos com os filhos. E se desempenhar o papel de ambos os progenitores é difícil em qualquer contexto, em férias a tarefa torna-se ainda mais complicada... O confronto com o desconhecido e o comportamento imprevisível das crianças fazem com que um adulto nesta situação suspire muitas vezes por um par extra de olhos e de mãos.

As dicas que aqui deixamos aplicam-se aos casos em que um dos pais viaja sozinho com a criança – afinal, é irrelevante o porquê de a família estar reduzida a dois membros; o importante é saber lidar com a situação. Não deixa, no entanto, de ser curioso verificar que o número de sites sobre viagens dedicados a pais solteiros, divorciados ou viúvos tem vindo a aumentar. Nos seus conteúdos pode encontrar novidades sobre programas, dicas para as férias, depoimentos pessoais e até informações sobre descontos… Uma boa notícia, pois o orçamento é precisamente o principal problema destas viagens. Como é tradição, o preço do alojamento continua a depender da existência de dois adultos, embora já existam operadores que reduzem ou eliminam o suplemento dos quartos individuais e/ou oferecem estadas gratuitas a crianças. A má notícia é que só as agências estrangeiras parecem ter instituído “oficialmente” esta prática. Em 2003, uma cadeia popular de resorts nas Caraíbas criou mesmo um programa específico – o “Single Parent’s Months” – dedicado a famílias não tradicionais.

Outro problema que motiva queixas de pais e mães nos referidos sites é uma certa hostilidade de que dizem ser alvo em ambientes mais familiares. Se é sensível a estes comportamentos, o melhor é escolher conceitos alternativos de férias aos resorts ou cruzeiros, como as estadas em parques de campismo ou as visitas a parques temáticos. Até porque são destes que os miúdos gostam mais.

Regras universais
O primeiro passo é tratar das burocracias. Pais e filhos necessitam de bilhete de identidade (para membros da União Europeia, do Espaço Económico Europeu e da Suíça) ou de passaporte (para os restantes países). Em caso de divórcio, o progenitor deverá ainda ser portador de uma autorização de quem exerce o poder paternal, que é emitida por um tribunal.

Em segundo lugar, e independentemente do destino, o mais importante é planificar com muita antecedência onde e quando se quer ir e transformar este ritual num verdadeiro projecto de família. Divida equitativamente o tempo entre o que lhe dá prazer fazer, as preferências do seu filho e as actividades de que ambos gostam. Escreva o roteiro com o máximo de detalhes possível (pormenores do percurso, telefone do hotel, incluindo contactos alternativos, dias e horários de funcionamento dos locais a visitar...), evitando chegar à noite ao destino (para que o seu filho o ache mais bonito). Além de estes itinerários enriquecerem o álbum de fotografias da família, evita ter de andar à procura de um hotel no escuro com um miúdo sonolento no banco de trás do carro.

Faça uma lista do que precisa de levar, sendo o mais específico possível, e comece a fazer as malas com vagar. É essencial um estojo de primeiros socorros, cujo conteúdo depende do destino e da idade do seu filho. Também é importante estar preparado para esperas nos aeroportos e filas nos restaurantes e museus… por isso, artilhe-se com jogos, livros e brinquedos (não se esqueça de levar os favoritos do petiz e também algumas novidades para o surpreender). As mães devem deixar a carteira em casa e optar pela mochila, porque vão precisar das duas mãos livres. Depois há alguns truques a que pode recorrer e que dependem da idade do seu rebento.

Bebés
Até aos 12 meses de idade todos os cuidados são poucos. Se viajar de carro, é essencial possuir uma cadeirinha adequada, que pode tornar mais confortável colocando um cobertor por baixo dos joelhos do bebé de forma a incliná-los ligeiramente. Decore o assento com desenhos e fotografias coloridas e previna os momentos de impaciência atando alguns dos seus brinquedos favoritos à cadeirinha (utilize dispositivos próprios para o efeito e evite cordas ou fios, para evitar que algo se enrole à volta do pescoço da criança). Uma massagem leve no peito e palavras sussurradas fazem milagres quando ele(a) começa a chorar!
Se vão voar, mentalize-se de que praticamente tudo o que transporta tem de ir para a bagageira, a qual pode ser de difícil acesso. Por isso retire os utensílios que possam ser necessários e tenha-os à mão. Quanto mais pequeno é o bebé, maior é a sensibilidade à pressão do ar na descolagem e na aterragem, o que pode ser resolvido dando-lhe uma bebida. Regra geral, a utilização dos carrinhos de bebé é proibida a bordo, por isso reserve um berço próprio. Caso estes não existam (o que é comum nos voos charter) faça o check-in cedo, de modo a conseguir lugares de coxia, que têm espaço suficiente para servir de fraldário e o bebé brincar.

Entre 1 e 3 anos
Não altere o horário de sono do seu filho – pode pensar que, por conseguir mantê-lo acordado durante a manhã, conseguirá que ele durma depois no avião, mas o único resultado que vai obter é uma criança muito, muito irritada! Faça-se à estrada ainda de madrugada, sente o seu filho no carro ainda de pijama, tapado com uma manta, e terá umas três horas sem que ele dê “sinais de vida”.

Regra geral, as crianças mais pequenas cansam-se de estar presas no assento: não se conseguem movimentar como desejariam e transbordam de energia. Para distraí-los, tente alternar o tipo de actividades, como ouvir música, contar histórias ou oferecer-lhes os brinquedos favoritos.

Entre 4 e 6 anos
Faça a viagem com tempo: os miúdos, especialmente desta idade, são turistas muito mais felizes quando alternam a viagem com períodos de brincadeira no exterior. Escolha por isso as auto-estradas: têm espaços para as crianças (sobretudo no estrangeiro), são mais rápidas, o que as torna mais sonolentas, e há menos probabilidade de enjoarem. As diversões favoritas para estas idades incluem as máquinas fotográficas descartáveis e cassetes de histórias (não lhes dê livros, pois ler nos assento de trás pode provocar náuseas e dores de cabeça). Há miúdos (desta idade) que costumam sentir uma irresistível atracção por casas-de-banho, mas as que utilizam em viagem não só variam em forma e tamanho, mas também no grau de limpeza (leve sempre um spray com desinfectante).

Entre 7 e 11 anos
Que dizer sobre os mais velhos deste grupo etário que estão quase na pré-adolescência? Não espere que concordem com as suas escolhas musicais, por isso compre-lhes um walkman ou um discman e os respectivos auscultadores – assim também consegue contornar “ataques” de perguntas. A melhor forma de os manter contentes é surpreendê-los com um Game Boy ou qualquer outro jogo portátil da moda. E não se esqueça de empacotar comida para todos os estados de espírito: salgada, doce, amarga…

Na Internet

Alguns sites que dão pistas para pais que viajam sozinhos com um filho:

www.SingleParentTravel.net: Depoimentos em discurso directo, incluindo de uma mãe que já viajou sozinha com os dois filhos para 30 países. Pode enviar e-mails a pedir sugestões.
www.babygoes2.com: Fazendo pesquisa por “holidays for single parents” encontra, entre outras informações, uma série de sugestões de programas “a dois”.
www.beaches.com: Página da Beaches Resorts, a cadeia de resorts que declarou três meses do ano como “Single Parent’s Months”
www.mumsnet.com: Contém dicas para quando se vai de férias com crianças de todas as idades.
www.sef.pt: Todas as burocracias que tem de saber para pode sair do País com o seu filho menor.

 

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