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I C A S D E V I A G E M

Viajar
“a dois”
Fazer
simultaneamente a vez de pai e de mãe em férias exige
atenção, paciência e criatividade a dobrar, mas
também pode ser duplamente divertido
Seja
porque a agenda dos pais não coincide ou porque se trata de
uma família monoparental, há cada vez mais adultos que
fazem as malas e viajam sozinhos com os filhos. E se desempenhar o
papel de ambos os progenitores é difícil em qualquer
contexto, em férias a tarefa torna-se ainda mais complicada...
O confronto com o desconhecido e o comportamento imprevisível
das crianças fazem com que um adulto nesta situação
suspire muitas vezes por um par extra de olhos e de mãos.
As dicas que aqui deixamos aplicam-se aos casos em que um dos pais
viaja sozinho com a criança – afinal, é irrelevante
o porquê de a família estar reduzida a dois membros;
o importante é saber lidar com a situação. Não
deixa, no entanto, de ser curioso verificar que o número de
sites sobre viagens dedicados a pais solteiros, divorciados ou viúvos
tem vindo a aumentar. Nos seus conteúdos pode encontrar novidades
sobre programas, dicas para as férias, depoimentos pessoais
e até informações sobre descontos… Uma
boa notícia, pois o orçamento é precisamente
o principal problema destas viagens. Como é tradição,
o preço do alojamento continua a depender da existência
de dois adultos, embora já existam operadores que reduzem ou
eliminam o suplemento dos quartos individuais e/ou oferecem estadas
gratuitas a crianças. A má notícia é que
só as agências estrangeiras parecem ter instituído
“oficialmente” esta prática. Em 2003, uma cadeia
popular de resorts nas Caraíbas criou mesmo um programa específico
– o “Single Parent’s Months” – dedicado
a famílias não tradicionais.
Outro problema que motiva queixas de pais e mães nos referidos
sites é uma certa hostilidade de que dizem ser alvo em ambientes
mais familiares. Se é sensível a estes comportamentos,
o melhor é escolher conceitos alternativos de férias
aos resorts ou cruzeiros, como as estadas em parques de campismo ou
as visitas a parques temáticos. Até porque são
destes que os miúdos gostam mais.
Regras
universais
O primeiro passo é tratar das burocracias. Pais e filhos
necessitam de bilhete de identidade (para membros da União
Europeia, do Espaço Económico Europeu e da Suíça)
ou de passaporte (para os restantes países). Em caso de divórcio,
o progenitor deverá ainda ser portador de uma autorização
de quem exerce o poder paternal, que é emitida por um tribunal.
Em segundo lugar, e independentemente do destino, o mais importante
é planificar com muita antecedência onde e quando se
quer ir e transformar este ritual num verdadeiro projecto de família.
Divida equitativamente o tempo entre o que lhe dá prazer
fazer, as preferências do seu filho e as actividades de que
ambos gostam. Escreva o roteiro com o máximo de detalhes
possível (pormenores do percurso, telefone do hotel, incluindo
contactos alternativos, dias e horários de funcionamento
dos locais a visitar...), evitando chegar à noite ao destino
(para que o seu filho o ache mais bonito). Além de estes
itinerários enriquecerem o álbum de fotografias da
família, evita ter de andar à procura de um hotel
no escuro com um miúdo sonolento no banco de trás
do carro.
Faça uma lista do que precisa de levar, sendo o mais específico
possível, e comece a fazer as malas com vagar. É essencial
um estojo de primeiros socorros, cujo conteúdo depende do
destino e da idade do seu filho. Também é importante
estar preparado para esperas nos aeroportos e filas nos restaurantes
e museus… por isso, artilhe-se com jogos, livros e brinquedos
(não se esqueça de levar os favoritos do petiz e também
algumas novidades para o surpreender). As mães devem deixar
a carteira em casa e optar pela mochila, porque vão precisar
das duas mãos livres. Depois há alguns truques a que
pode recorrer e que dependem da idade do seu rebento.
Bebés
Até aos 12 meses de idade todos os cuidados são poucos.
Se viajar de carro, é essencial possuir uma cadeirinha adequada,
que pode tornar mais confortável colocando um cobertor por
baixo dos joelhos do bebé de forma a incliná-los ligeiramente.
Decore o assento com desenhos e fotografias coloridas e previna
os momentos de impaciência atando alguns dos seus brinquedos
favoritos à cadeirinha (utilize dispositivos próprios
para o efeito e evite cordas ou fios, para evitar que algo se enrole
à volta do pescoço da criança). Uma massagem
leve no peito e palavras sussurradas fazem milagres quando ele(a)
começa a chorar!
Se vão voar, mentalize-se de que praticamente tudo o que
transporta tem de ir para a bagageira, a qual pode ser de difícil
acesso. Por isso retire os utensílios que possam ser necessários
e tenha-os à mão. Quanto mais pequeno é o bebé,
maior é a sensibilidade à pressão do ar na
descolagem e na aterragem, o que pode ser resolvido dando-lhe uma
bebida. Regra geral, a utilização dos carrinhos de
bebé é proibida a bordo, por isso reserve um berço
próprio. Caso estes não existam (o que é comum
nos voos charter) faça o check-in cedo, de modo a conseguir
lugares de coxia, que têm espaço suficiente para servir
de fraldário e o bebé brincar.
Entre
1 e 3 anos
Não altere o horário de sono do seu filho –
pode pensar que, por conseguir mantê-lo acordado durante a
manhã, conseguirá que ele durma depois no avião,
mas o único resultado que vai obter é uma criança
muito, muito irritada! Faça-se à estrada ainda de
madrugada, sente o seu filho no carro ainda de pijama, tapado com
uma manta, e terá umas três horas sem que ele dê
“sinais de vida”.
Regra geral, as crianças mais pequenas cansam-se de estar
presas no assento: não se conseguem movimentar como desejariam
e transbordam de energia. Para distraí-los, tente alternar
o tipo de actividades, como ouvir música, contar histórias
ou oferecer-lhes os brinquedos favoritos.
Entre
4 e 6 anos
Faça a viagem com tempo: os miúdos, especialmente
desta idade, são turistas muito mais felizes quando alternam
a viagem com períodos de brincadeira no exterior. Escolha
por isso as auto-estradas: têm espaços para as crianças
(sobretudo no estrangeiro), são mais rápidas, o que
as torna mais sonolentas, e há menos probabilidade de enjoarem.
As diversões favoritas para estas idades incluem as máquinas
fotográficas descartáveis e cassetes de histórias
(não lhes dê livros, pois ler nos assento de trás
pode provocar náuseas e dores de cabeça). Há
miúdos (desta idade) que costumam sentir uma irresistível
atracção por casas-de-banho, mas as que utilizam em
viagem não só variam em forma e tamanho, mas também
no grau de limpeza (leve sempre um spray com desinfectante).
Entre
7 e 11 anos
Que dizer sobre os mais velhos deste grupo etário que estão
quase na pré-adolescência? Não espere que concordem
com as suas escolhas musicais, por isso compre-lhes um walkman ou
um discman e os respectivos auscultadores – assim também
consegue contornar “ataques” de perguntas. A melhor
forma de os manter contentes é surpreendê-los com um
Game Boy ou qualquer outro jogo portátil da moda. E não
se esqueça de empacotar comida para todos os estados de espírito:
salgada, doce, amarga…
Na
Internet
Alguns
sites que dão pistas para pais que viajam sozinhos
com um filho:
•
www.SingleParentTravel.net:
Depoimentos em discurso directo, incluindo de uma mãe
que já viajou sozinha com os dois filhos para 30 países.
Pode enviar e-mails a pedir sugestões.
•
www.babygoes2.com:
Fazendo pesquisa por “holidays for single parents”
encontra, entre outras informações, uma série
de sugestões de programas “a dois”.
•
www.beaches.com:
Página da Beaches Resorts, a cadeia de resorts que
declarou três meses do ano como “Single Parent’s
Months”
•
www.mumsnet.com:
Contém dicas para quando se vai de férias com
crianças de todas as idades.
•
www.sef.pt:
Todas as burocracias que tem de saber para pode sair do País
com o seu filho menor.
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