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XL
> Rotas & Destinos
> Panorâmica
> África a grande altitude
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| P A N O R Â
M I C A |
Fevereiro
de 2005 |
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O
continente africano não é conhecido
como uma região montanhosa, mas possui
algumas das mais altas montanhas do mundo.
Kilimanjaro, na Tanzânia, o Monte Quénia,
no Quénia e as Montanhas Ruwenzori,
no Uganda, são nomes míticos
na zona equatorial de África. Ultrapassam
os 5000 metros – e as nuvens –
e são habitualmente escalados por turistas
mais aventureiros. É o caso dos glaciares
de Kilimanjaro (na foto em cima)
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fotos de Grant Dixon/The Cover Story |
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O
monte quénia é a segunda montanha mais alta
de áfrica, possui glaciares como o Lewis Tarn (à
esq.) e o seu pico mais alto, o Batian, com 5199 metros,
é uma escalada muito difícil tecnicamente.
Em 1997 a UNESCO classificou o Parque Nacional do Monte
Quénia como Património da Humanidade. Localizadas
na mesma zona climática e separadas por menos de
900 quilómetros, as três grandes montanhas
africanas apresentam um ambiente ecológico semelhante,
mas muito peculiar. Na imagem acima, exemplares de lobélias
“penas de avestruz”, uma planta afro-alpina
que parece coberta de penas.
Os
“três gigantes africanos” possuem a
mesma génese geológica, associada à
actividade tectónica do Grande Vale do Rift. O
Monte Quénia e o Kilimanjaro resultaram da actividade
vulcânica, enquanto as Montanhas Ruwenzori se formaram
devido à compressão da crosta terrestre.
É por esse motivo que as duas primeiras são
arredondadas, em contraste com a complexidade morfológica
das Ruwenzori, uma cadeia com cumes e vales profundos.
Mesmo a altas altitudes – na foto, o Hall Tarn,
a 4300 metros – é comum encontrar vida animal.
Elefantes e búfalos aventuram-se até 3000
metros de altitude, comendo urtiga picante, uma planta
que aumenta a absorção de oxigénio
no sangue e a densidade das articulações.
Os guias de montanha também costumam apanhar esta
urtiga pelo caminho e cozinhá-la para suposto proveito
de membros menos resistentes deste tipo de expedições.
Pouco
conhecidas entre nós, as ruwenzori, situadas ao
longo da fronteira do uganda com a República Democrática
do Congo, são uma cordilheira com cerca de 110
quilómetros. A lenda associa-as às nascentes
do Nilo, mas as “Montanhas da Lua”, cartografadas
por Ptolomeu no século II, não constituem
a principal das diversas nascentes do mítico rio.
Os europeus só as descobriram em 1864 e em 1994
a UNESCO incluiu o Parque na lista do Património
Mundial. Densamente arborizadas abaixo dos 3500 metros,
as Ruwenzori têm o seu ponto mais alto no Pico Margherita
(5189 metros), que ocupa o terceiro lugar no ranking africano.
Os glaciares acima dos 4500 metros atingem aqui dimensões
bem mais significativas do que no Kilimanjaro e no Monte
Quénia.
Localizado
na áfrica oriental, no norte da tanzânia,
o kilimanjaro é formado por três vulcões
extintos: Kibo, Shira e Mawenzi. O Kibo, inactivo há
cerca de 100 mil anos, com os 5895 metros do Uhuru Peak,
o ponto mais alto de África, ergue-se imponente
no meio do planalto. Na foto, é visto a partir
do chamado “The Saddle”, uma depressão
de 11 km que liga dois dos vulcões.“Kili”,
como é chamado de forma afectuosa pelos locais,
é uma espécie de Evereste do homem comum,
já que a sua escalada não tem especial complexidade
técnica (é o mais fácil dos “Sete
Cumes” do mundo). Basta uma boa experiência
de marcha com a subida a uma “velocidade média”
de cerca de 200 metros (de altitude) por hora. Kilimanjaro
deriva das palavras Swahili “Kilim Njaro”
que significam “montanha brilhante”, uma alusão
aos gigantescos glaciares que inspiraram Hemingway no
conto The Snows of Kilimanjaro. Mas este cenário
parece ter os dias contados: segundo um estudo publicado
recentemente, os glaciares estão a derreter-se
a um ritmo tão rápido que deverão
desaparecer até 2020. Há cerca de 80 anos,
a área de gelo abrangia 12 km2, hoje cobre apenas
2.6 km2 da montanha.
Guia
de Viagem
Como
ir
Para
visitar a Tanzânia, o Quénia ou o Uganda,
e especialmente fazer a escalada de um dos três
“gigantes africanos”, o ideal é recorrer
aos serviços das agências especializadas
em programas de aventura.
A Rotas do Vento (www.rotasdovento.pt), por exemplo,
possui um itinerário de 17 dias (sete dos quais
a pé) na Tanzânia chamado “Kilimanjaro
e Safari”, com a escalada do próprio Kilimanjaro
e, ao nono dia de viagem, o início de um safari,
passando pela savana do Serengeti, a cratera N’Gorongoro
e o Lago Manyara. O programa custa e2860 por pessoa
e inclui voos em classe turística, hotel em Arusha
e Moshi, alojamento em albergue de montanha e tenda
em pensão completa durante a ascensão
e o safari, todos os transportes internos em veículos
todo-o-terreno, guias, transporte de bagagens (máximo
de 12 km por pessoa) e taxas de entrada nos parques.
Esta é uma viagem classificada com um grau de
dificuldade de nível 2/3, pelo que se recomenda
preparação física regular, para
um esforço diário de quatro a seis horas
diárias, podendo existir algumas etapas mais
longas. A próxima partida tem data marcada para
11 de Março.
A Papa-Léguas (www.papa-leguas.com) tem um programa
de 13 dias de viagem (e2600 por pessoa, incluindo voos,
transportes terrestres, alojamento em hotéis,
refúgios de montanha e acampamentos, algumas
refeições, guias e carregadores, entradas
nos parques e seguro) com ascensão ao Monte Kilimanjaro
pela Rota Marangu –, conhecida como a “rota
turística”ou “Coca-Cola”, por
ser a mais fácil para o comum dos mortais –
e safari com visita ao Lago Manyara, ao Parque do Serengueti
e à Cratera do Ngorongoro.
Para o Monte Quénia, a proposta é de uma
viagem de 11 dias com subida até ao Cume Lenana
(a 4985 metros) seguida de um safari pelos parques de
Masai Mara e lago Nakuru como complemento das jornadas
de trekking. O programa tem preços a partir de
e2160 por pessoa, incluindo voos, transportes terrestres,
alojamento em hotel e acampamentos, guias e carregadores,
entradas nos parques e uma caminhada de preparação
em Portugal.
Quanto ao Uganda, a instabilidade política no
país inviabiliza a existência de programas
de viagem turísticos. Sugere-se uma pesquisa
em agências internacionais – britânicas,
em particular – e uma preparação
especialmente cuidada de qualquer visita.
Informações úteis
Indicativos:
00 255 (para a Tanzânia); 00 254 (Quénia);
00 256 (Uganda).
Diferença horária:
Mais três horas do que em Portugal continental nos
três países.
Capitais:
Dar es Salaam (Tanzânia); Nairobi (Quénia);
Kampala (Uganda).
Moeda:
Xelim da Tanzânia (1 euro = 1416,58 xelins); xelim
do Quénia (1 euro = 107,12 xelins); xelim do Uganda
(1 euro = 2366,65 xelins)
Documentação:
Passaporte com validade mínima de seis meses.
O visto obtém-se à chegada ao aeroporto,
na Tanzânia, no Quénia e no Uganda. É
obrigatório apresentar o certificado de vacina
contra a febre-amarela.
Saúde:
Deve fazer a profilaxia da malária ou paludismo,
uma doença infecciosa endémica em países
como o Quénia, a Tanzânia e o Uganda. Também
é recomendada a vacina contra a febre-amarela.
Quando se sobe a partir dos 2000 metros o volume de oxigénio
no ar diminui e pode surgir o chamado mal de altitude
– o coração acelera o ritmo –,
com sintomas como dores de cabeça, náuseas
e vómitos.
É
conveniente ter uma aspirina sempre à mão
(activa a circulação).
Deve beber apenas água engarrafada, descascar a
fruta e só comer alimentos cozinhados para prevenir
diarreias, parasitoses e doenças como cólera,
febre tifóide e hepatite A.
Gorjetas: É um costume “obrigatório”
dar no fim de cada viagem uma gorjeta de cerca de 50 USD
por pessoa ao guia e ao motorista que acompanham o grupo.
Segurança:
Não existem problemas graves de segurança
no Quénia ou na Tanzânia, mas o mesmo não
se passa no Uganda. A instabilidade política no
país obriga a uma preparação cuidada
da viagem, sendo aconselhável uma consulta prévia
das condições de segurança (Secretaria
das Comunidades Portuguesas em http://secomunidades.pt/).
Não se aconselha qualquer deslocação
para a fronteira com o Ruanda e a República Democrática
do Congo e não se recomendam visitas à área
Sudoeste do Uganda, onde se situam os parques nacionais
de Bwindi e Mgahinga. No Norte, deve evitar a área
de Gulu (“Murchison Falls”, na margem Norte
do Nilo), Kitgum, Pader, Adjumani, Apac e Lira. A qualidade
das estradas é razoável, mas não
é aconselhável o recurso a autocarros ou
outros transportes colectivos. Caso circule com viatura
própria, mantenha as portas trancadas e as janelas
fechadas. Evite trajectos durante a noite.
Equipamento recomendado:
Botas para marcha, saco-cama de três estações,
mochila pequena para saídas de um dia, saco de
nylon flexível e impermeável para a bagagem,
roupa térmica e confortável, cantil e máquina
fotográfica.
Farmácia de viagem:
Antibiótico de largo espectro, analgésicos
(paracetamol para mal de altitude), anti-inflamatório,
anti-histamínico, antidiarreico, desinfectante,
kit de primeiros socorros, pastilhas desinfectantes de
água e repelente de mosquitos.
Para mais informações
Sobre o Quénia e o Monte
Quénia: www.magicalkenya.com;
www.tourismkenya.com; www.kws.org/mtkenya.htm
Sobre a Tanzânia e Kilimajaro: www.tanzania-web.com;
www.tanzania.go.tz
Sobre o Uganda e Ruwenzori: www.visituganda.com;
http://traveluganda.co.ug/ruwenzori.asp

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