Home | Fóruns | PDA | Facebook
Directório de Turismo: Agências de Viagens | Operadores Turísticos | Comp. Aéreas | Alojamento
  Subscrever
Rotas & Destinos




- - - - - - - - - - - - - - -
Rotas&Destinos
no Facebook
- - - - - - - - - - - - - - -
  Bloco de notas
   Hoteis, Restaurantes e Shopping
   Globetrotter 
   Livros e Discos
   Promoções 
   Agenda
   Dicas de Viagem
   Dicas de Saúde
 
  Secções
 • Fim-de-semana 
 • Estrada fora

 • 24 Horas
 • Hotéis
 • Em destaque
 • Especiais
 • Panorâmica
 • Lugares com história
 • Gourmet
 • As viagens de
  Pesquisar artigos


  Planear Viagem
 • Programas de Viagem
 
  Jogue online
 • Acção
 • Desporto

 • Plataformas
 • Puzzle
 • Shoot´Em Up
 
  Utilidades
  
- - - - - - - - - - - - - - -
 Edições Anteriores
- - - - - - - - - - - - - - -

   XLRotas & DestinosDossier > 3 Destinos para namorar - Ilha da Boa Vista


D O S S I E R Fevereiro de 2006   
   
O título, retirado de um barco de pesca, é sinonimo da emoção com que se parte da Boa Vista, dona de metade das praias de Cabo Verde, todas elas magníficas.
Uma ilha fantástica para partilhar a dois, ou a quatro, como foi o caso


Texto de Ana Pedrosa e fotos de António Sá
   

Introdução | Jaisalmer

Ilha da Boa Vista
| Munique

P U B L I C I D A D E
Praia de Diante. A placa de madeira exibe com orgulho o nome óbvio do pequeno areal localizado frente a Sal Rei. Deve ser este o lugar mais frequentado da vila, quiçá da ilha inteira, com excepção do campo de futebol em dias de jogo e das minúsculas povoações do interior quando há festa.

Ao fim da tarde, depois da escola ou do trabalho, a praia e o cais adjacente são o retrato da geografia humana de Cabo Verde, cuja média de idades ronda os 23 anos. Jovens e crianças espalham uma alegria contagiante com os seus jogos, corridas, saltos acrobáticos para a água e competições improvisadas de natação, que não raras vezes acabam em beijos roubados e risinhos maliciosos dos bandos de raparigas.


De manhã, no mesmo sítio, o cenário é outro. Somos normalmente os primeiros a chegar, tendo a sensação de inaugurar a areia clara com as nossas pegadas. Mais cedo, porém, já os pescadores partiram nos seus barcos coloridos, benzendo-se antes de entrar na água, e chegaram com a faina matinal – chicharro, pargo, garoupa –, distribuída pelas bacias de plástico das vendedoras.

Praia de Diante, areal em frente a Sal Rei, onde jovens e crianças espalham a sua alegria contagiante
Apesar de o Sol já ir alto, por uns bons momentos seremos os únicos a desfrutar da quietude, do mar morno e da paisagem hipnótica da enseada. Mas não tardará que chegue a revoada dos miúdos do costume para nos levar os brinquedos e os filhos, levando-os à água com gestos cuidadosos ou ensinando-lhes a fazer figuras bizarras com areia molhada a escorrer entre os dedos.

Sabe bem a ajuda destes inesperados baby-sitters, tal como é engraçado ver o nosso catraio de dois anos perder o medo de entrar no mar para se juntar a uma lourita italiana com o dobro da idade. É pela companhia (e porque o alojamento fica a poucos metros de distância) que voltamos a este sítio, de forma alguma o melhor da ilha.

Vamos aos factos: a Boa Vista conta com 55 quilómetros de praias, perfazendo 52% do total de areais do arquipélago. Tendo em conta que fica à distância de um voo de 15 minutos do aeroporto internacional do Sal, a mais turística das ilhas, é surpreendente que (em meados de Junho) conseguíssemos estar em várias outras praias sem ver vivalma ou, quando muito, partilhando a costa com uma mão-cheia de viajantes. Um segredo bem guardado, como anunciam os prospectos? Nem por isso, pelo menos para os italianos que a descobriram (literalmente, mas já lá iremos) e formam agora a maior comunidade estrangeira.

Paisagem semi-desértica a caminho de João Galego
Não estaremos no pico da estação turística? Talvez. Certo é que o turismo de massas anda, ainda, arredado daqui. E antes que o leitor prossiga a leitura deixe-me fazer algumas perguntas. Na escolha do destino de férias privilegia o resort com tudo – ou quase – incluído? Aprecia diversão nocturna, em esplanadas dispostas lado a lado e restaurantes abertos todo o dia? Boas estradas para percorrer no carro alugado? Praias com vigilância e mesas com os pés na areia? Nesse caso, a Boa Vista não será para si. Não porque esta seja uma viagem “só para intrépidos”, difícil ou perigosa. Pelo contrário, raramente me senti tão segura e bem acolhida. No entanto, digamos que dá algum “trabalho”.

Há restaurantes (e bons), mas onde, na maioria, é necessária a reserva com horas de antecedência. Para compensar têm-se a garantia de mesas disponíveis e comida acabada de fazer. Não existem caixas multibanco, embora o atendimento do único banco seja rápido e eficiente. Há pouco para “ver”, no sentido cultural, e a menos povoada das ilhas cabo-verdianas (cerca de 5000 habitantes) é também uma das mais pobres. Se nada disto o demove, procura tranquilidade e um destino pouco explorado, bem-vindo à Ilha Fantástica, como lhe chamou o escritor Germano Almeida, num livro que retrata o lugar onde nasceu e cresceu.

Nas brumas da memória
Se este texto não começou como devia, ou seja, pelo princípio, chegou a hora de o fazer. Estou no aeroporto à espera das malas, que serão entregues à mão, sem tapetes rolantes ou autocarros para atravessar a pista. Lá fora há uma pick-up à espera e, dentro em breve, estaremos a atravessar as poucas ruas de Sal Rei, a capital, até sermos recebidos pelos olhos azuis de Cristiano e o tímido sorriso de Cintia.


O Migrante Guest-House. Encontrei-o numa daquelas navegações felizes pela Internet que me trouxeram a bom porto. Hei-de confirmá-lo na manhã seguinte, depois de uma noite descansada e um pequeno-almoço retemperador, quando escrever no diário de viagem: “Temperatura agradável. Uma brisa leve atravessa o pátio onde me encontro sozinha. Fecho os olhos e o único som que ouço é o dos ramos da buganvília a roçar na parede. Um cão ladra ao longe. Um assobio. Silêncio de novo”. A própria casa, que é efectivamente um oásis de paz e bom gosto, está intimamente ligada à história da ilha.

Jogo de uril nas ruas de Sal Rei
Alcatraz no Ilhéu de Curral Velho
Entre as bruma da memória e datas que se multiplicam por documentos diversos, relata-se a versão mais corrente. Das cinco ilhas descobertas em 1460 por Diogo Gomes e António di Noli, navegador genovês ao serviço da coroa portuguesa, contava-se aquela que viria a ser baptizada de S. Cristóvão, padroeiro dos marinheiros da sua cidade natal. Cristóvão Colombo será o primeiro turista italiano ilustre. Aquando da sua terceira travessia do Atlântico, faz uma breve paragem na ilha para tentar obter cura para a lepra que o afligia; acreditava-se que a carne e o sangue das tartarugas eram bons remédios para a doença.

Na altura, e por muito tempo ainda, pouco mais do que aves e animais habitavam este território de 620 km2, o terceiro maior do país. Meio século depois, apenas 50 almas eram mencionadas, criadores de gado, por certo. O povoamento “a sério” dá-se por volta de 1620, quando um grupo de ingleses começou a explorar o sal de alta qualidade aí encontrado, cujo comércio haveria de atingir o pico em meados do século XIX. Nessa ocasião, Sal Rei chegou mesmo a ser apontada como possível capital de todo o arquipélago, dada a importância do seu porto no tráfego (negreiro e não só) entre a África e a América.

Mãe e filha na aldeia de João Galego
É neste contexto que se instalam Abraham e Esther Ben’ Oliel, judeus sefarditas de Rabat e fundadores do pequeno império familiar que viria a influenciar a estrutura económica e social deste pedaço de terra. Descanso agora na casa que ergueram, porque é aí que fica o Migrante, com decoração de influência marroquina a prestar-lhes homenagem.

Do velho esplendor a vila pouco conserva. É um lugar pachorrento, de trânsito escasso, que se cruza num instante. Há a Igreja de Santa Isabel, bonita de tão simples, o antigo edifício da alfândega frente
ao mar, algumas casas coloniais habitadas por gatos e plantas indomáveis. O resto são moradias coloridas, ruas de terra à sombra de acácias, mercearias com meia dúzia de prateleiras, grupos de homens a jogar uril (um jogo tradicional) pela tarde dentro, o mercado de fruta e legumes, duas esplanadas na praça.

De cortar a respiração
Luís conduz-nos estrada fora. É homem de poucas falas, mas não lhe faltarão sorrisos e conversa sempre que encontrar uma mulata bonita pelo caminho. Tem, no entanto, o que precisamos: paciência para responder a incontáveis perguntas e pedidos de paragem frequentes – fotografia oblige. A primeira faz-se na Praia de Chaves, para ver a antiga fábrica de cerâmica, obra dos Ben’ Oliel, cujo único vestígio é a chaminé que sobressai da areia como um farol insólito a tentar resistir aos avanços do tempo. A tradição de moldar o barro segundo métodos tradicionais prossegue agora na oficina-escola de Rabil, a poucos minutos dali.
A fachada colonial da charmosa Migrante Guest-House

Morro de Areia. O deserto à beira-mar, num cenário de cortar a respiração, onde o epíteto de Ilha das Dunas ganha sentido. Do promontório avista-se um autêntico mar de areia, de vagas moldadas pelo vento, com o azul profundo do Atlântico a acenar um convite difícil de resistir.

A paisagem que se segue é de uma beleza lunar. A estrada:
uma recta interminável rodeada de pedras, pedregulhos, um ou
outro arbusto ressequido e leitos de ribeiros que raramente conhecem
a alegria da água. Ao fundo, o traço de basalto desaparece
entre dois montes, sem sinal algum de presença humana a perturbar-lhes o sossego. De longe parecem montanhas despidas, mas é só ilusão desta terra chã, onde o ponto mais alto, o Pico Estância, não ultrapassa os 390 metros. Povoação Velha descreve-se em poucas palavras.

Dizê-las demora mais do que o tempo que leva a atravessar as duas ruas, de casas baixas com galinhas e burros sonolentos nas traseiras, zurrando entre as acácias. Berço do primeiro povoado, é também lugar da festa maior da ilha, o Santo António, celebrado numa capela do sopé do monte com o mesmo nome.
A Praia de Diante ganha um encanto especial ao entardecer

Passa o primeiro jipe com turistas, vindos da praia de Santa Mónica, nomeada assim em honra do areal homónimo da Califórnia. Segundo o meu guia de viagem (em inglês) a “versão boavisteira é, sem dúvida, magnífica, mas um pedaço mais vazia”. Isso mesmo, magnificamente vazia, sem ninguém à vista em todos os seus 18 quilómetros de extensão. Não existe um guarda-sol, uma toalha, nenhum sítio onde comprar água ou uma sandes (por isso previna-se, se pretende ficar por umas boas horas).

Praias paradisíacas há muitas no planeta e esta não tem coqueiros melancólicos, nem granito rosa a proteger enseadas. É “apenas” uma enorme língua de areia muito branca, finíssima, lambida por água morna e mansa, que traz cardumes de peixinhos aos nossos pés. Nunca conheci outra onde tanto apetecesse gritar de felicidade.

É o reino pacífico de centenas (milhares?) de caranguejos claros, rápidos como flechas a esconder-se nos seus buracos; várias espécies de tartarugas que vêm desovar nas noites de Verão; e de muitas aves marinhas, migratórias ou nidificantes, como a cagarra, o alcatraz ou a rara fragata. Um verdadeiro Éden.
Uma das quatro suites da Migrante
Guest-House e o Pequeno-almoço tomado no pátio deste charmoso turismo rural

Tesouros escondidos
A ideia de verem uma “gruta de piratas” venceu a resistência dos miúdos em sair dali. Aos pais bastou-lhes a visão de um embondeiro – “só há três na ilha”, informa o Luís – pequeno para os padrões da terra-mãe, mas, mesmo assim, uma promessa de África.

Tal como Cabo Verde, que é África e não é bem. É-o nas cores garridas das fachadas e dos panos que cobrem as mulheres, nos batuques ouvidos nas ruas, em tradições e ritmos gravados nos genes. Mas depois sentimos a Europa infiltrada no sangue e na língua, nas paixões (ah, o futebol), numa certa forma de estar, nos níveis de literacia, saúde e economia, bem acima dos demais países da África oriental.

De súbito, vem-me à memória uma cena do dia anterior. Uma jovem cabo-verdiana na praia, linda, de longos cabelos negros aos caracóis, a quem o namorado moldou uma cauda de sereia, numa cuidadosa escultura de areia. Quando cedi ao pedido para lhes tirar uma foto, vi que ela tinha tatuado todo o arquipélago na omoplata. A conversa posterior revelou que, tal como a maioria dos cabo-verdianos, também eles eram emigrantes. De que ela própria era a metáfora perfeita: dividida entre o conforto de uma vida melhor e o calor da terra natal, com o país gravado na pele. Ou no coração, tanto faz.

CRIANÇAS NA BAGAGEM

La Palisse não diria melhor: na vida há que fazer escolhas. E, se para alguns a paixão de viajar é tão forte que optam por não ter filhos, há muitos outros para quem a escolha da maternidade (ou paternidade) implica o abandono das viagens, pelo menos por uma boa dúzia de anos. Desde há muito que decidimos não fazer parte nem de um nem de outro grupo, procurando conciliar esses dois difíceis amores.

Depois de várias incursões pela Europa, vimos que já era tempo de nos aventurarmos um pouco mais longe. Desta vez a escolha recaiu em Cabo Verde, um destino com vários ingredientes que nos agradavam: com boas praias, é seguro, relativamente económico e não muito longínquo. And last but not least, não são necessárias vacinas ou cuidados especiais de saúde, nem existem animais considerados perigosos.

Na bagagem, além da farmácia aconselhada pelo pediatra e alguns (poucos) brinquedos, levamos sempre um item essencial, leve e barato: muita imaginação, para entreter duas crianças pequenas nas esperas do aeroporto. No saco de mão segue sempre água, bolachas e “pintarolas” (chocolate em doses pequenas), ideiais para acalmar qualquer birra.

No destino, qualquer pedra para atirar, duna para subir ou areal deserto onde apanhar conchas é um universo inteiro cheio de possibilidades de aventura. Novos amigos que falem a mesma língua também ajuda.
Obviamente, nem tudo são rosas. Há horas de maior cansaço, faltas de apetite, cuidados a ter com o Sol, energia a mais quando é necessário esperar por uma refeição. No entanto, não acontece o mesmo quando se fica em casa, ou se parte para destinos mais próximos?

Viajar com crianças é mais dispendioso, mas escolher um apartamento onde se possa cozinhar ou substituir o almoço no restaurante por uma refeição de sandes e iogurte ajuda a economizar. Partilhar o quarto com os filhos também. O resto é uma questão de bom senso, ajuda mútua e procurar alternar as visitas mais “puxadas” com dias de descanso.
Ter uma base e explorar a partir daí, em vez de mudar de hotel a cada dois dias é igualmente essencial.

Já agora, a experiência alheia também pode ser importante. A Lonely Planet tem no seu site um “departamento” (http://thorntree.lonelyplanet.com) dedicado às dúvidas e conselhos de pais deste mundo. Chama-se “Kids to Go” e é um fórum onde todas as perguntas são possíveis, desde como levar os três filhos numa volta ao mundo ou apenas onde se compra leite em pó num determinado destino.

Afinal a Ponta da Varadinha tinha mesmo grutas, suficientemente grandes para fazer sonhar com tesouros escondidos enquanto o almoço desaparecia sob uma fome voraz. Ataques de piratas também os houve, em número e gravidade suficiente para justiçar a construção do Forte dos Duques de Bragança, no ilhéu frente a Sal Rei, hoje apenas um punhado de destroços que pode ser visitado se algum pescador nos quiser lá levar.

Uma outra fortaleza esconde-se no fundo do mar. Abrigo de largos cardumes de peixes e mariscos, os extensos bancos de coral são responsáveis por dezenas de naufrágios ao longo dos séculos. O cargueiro espanhol Cabo de Santa Maria é apenas a sua vítima mais recente.

Mercearia em Fundo das Figueiras, povoação situada no interior leste da ilha
A rota com destino ao Brasil foi interrompida em 1968, deixando no litoral norte um navio fantasma em luta constante com as vagas e o vento, de casco fincado na areia e mastros erguidos ao céu, poiso seguro para ninhos de gaivotas.

Calcula-se que cerca de 40 naufrágios tenham ocorrido em redor da Boa Vista, alguns tão trágicos como o do Cicília, em 1863. Numa antevisão local do Titanic, o salão de baile e os seus ocupantes foram fechados por ordem do capitão, ao aperceber-se do desastre iminente. Melhor sorte teve James Cook que, após várias horas de desespero, conseguiu passar o Baixo de João Leitão e prosseguir a terceira viagem em direcção aos mares do sul.

Um final feliz
As povoações mais interessantes são as do “Norte”, denominação enigmática da zona situada no interior leste. João Galego, Fundo das Figueiras, Cabeço de Tarafes dormem à sombra de uma vegetação “luxuriante” pelos padrões locais. A silhueta esguia das tamareiras é o primeiro sinal verde a assinalar a presença de uns quantos campos cultivados, do pouco que é possível fazer medrar nos 5% de solo fértil do território ilhéu. Seguem-se acácias, onde as cabras fazem a vez de pássaros, mordendo folhas duras com gestos lentos.
Dunas do deserto de Viana Rabil, um Saara em miniatura, com os seus pequenos oásis

O calor traz vontade de um café, feito na hora e servido na cozinha das traseiras de uma mercearia/bar/restaurante quando é preciso. Da rua chega o ruído surdo de um pilão a moer milho para a cachupa. Olhos curiosos espreitam das janelas de casas bicolores (amarelo/azul, rosa/verde, vermelho/ocre, verd’azul) com buganvílias a trepar pelas paredes. Apetece ficar por aqui, cumprindo a vontade da lassidão que invade os ossos.

A lista inicial de lugares a visitar vai sendo cortada, à medida que a canícula aumenta. Ficou por ver a Baía das Gatas, de onde, em certos meses, se avistam dezenas de tubarões junto à costa; e o Morro Negro, ponto do arquipélago mais próximo de África, a 455 quilómetros de distância. Impossível era falhar a Ponta do Ervatão, segundo o guia: “mais do mesmo, uma praia impossivelmente bonita”. Chegar ao paraíso tem os seus custos: neste caso é preciso atravessar um oceano de pedra e pó, regressando pelo mesmo caminho.

O final feliz poderá ser no deserto de Viana, um Saara em miniatura, com os seus pequenos oásis, palmeiras solitárias e dunas formadas com a areia que o vento harmatão traz do continente negro. Ou na praia. Ou até na biblioteca, onde as palavras de Germano Almeida fazem todo o sentido “(...) a herança [da Boa Vista] é de uma certa preguiça, de não fazer agora o que se pode deixar para mais logo.” Bem vistas as coisas, para quê contrariar o espírito do lugar?

Como ir
A TAP Portugal (tel. 707 205 700, www.flytap.pt) voa diariamente de Lisboa para a ilha do Sal, por tarifas a partir de €350, ida e volta (sem taxas aeroportuárias).
A partir daqui, a companhia cabo-verdiana TACV (tel. 213 230 555) oferece um voo diário, cuja tarifa de ida ronda os €59.

Onde Ficar
Migrante Guest-House – Av. Amílcar Cabral, Sal Rei,
tel. (00 238) 2511143, www.migrante-guesthouse.com.
Bom e gosto reúnem-se neste turismo de habitação de charme, localizado numa casa colonial no centro da vila. Os seus quatro quartos estão dispostos à volta de um pátio, onde se toma o pequeno-almoço.

Conta com um bar e uma biblioteca com uma vasta selecção de livros. Preço por pessoa, em suite júnior, a partir de €30, com pequeno-almoço e transfere do aeroporto incluído.

Parque das Dunas Village
– Praia de Chaves, tel. (00 238) 251 1283, e-mail info@parquedasdunas.com. Neste hotel de quatro estrelas o alojamento faz-se em casas individuais junto ao mar. Possui piscina, bar e restaurante com menu internacional e cabo-verdiano.

Estoril Beach Resort Hotel
– Sal Rei, tel. (00 238) 251 1078, www.estorilbeachresort.com. Em frente à praia do Estoril, a minutos da vila, esta unidade de três estrelas possui vários quartos e apartamentos com varanda. Diária com pequeno-almoço a partir de €32, em quarto duplo.

Aparthotel Ca’Nicola
– Sal Rei, tel. 251 1793, www.canicola.com. Tem vários apartamentos com cozinha completa e terraço, junto à praia do Estoril. Preços a partir de €78 por dia.

Onde comer
Não espere restaurantes de design arrojado. Todos os locais, mesmo os melhores, têm uma decoração simples, destacando-se na gastronomia. Neste capítulo, o peixe é rei. Garoupa, peixe-espada, serra (uma espécie de atum), polvo e mariscos como a lagosta são sempre frescos e saborosos. Já o prato nacional, a cachupa (estufado muito rico feito com milho, feijão, mandioca, vários legumes e carne de porco ou peixe), é mais difícil de encontrar, uma vez que a sua confecção é demorada. É questão de ir perguntando nos restaurantes. Em grande parte é
aconselhável reservar com antecedência.

Em Sal Rei
Terra Sabe – telemóvel: 992 6877. Cozinha italiana e cabo-verdiana, com mesas num agradável terraço. No menu, onde constam pizzas, massas e bom peixe, destaca-se o queijo de cabra grelhado. Refeição desde €15/pessoa.
Riba d’Olte – tel. 251 1015, www.ribadolte.com. Pedro e Maria são os proprietários portugueses deste restaurante com uma vasta carta, que inclui pratos vegetarianos.
A especialidade é o arroz de polvo. Preço médio de refeição: €15.
Blue Marlin (Santinha) – tel. 251 1099. Aconselha-se a reserva com um ou dois dias de antecedência neste local pequeno e sempre cheio.
A especialidade da casa são os vários pratos de peixe: assado, grelhado, com massa e em carpaccio. Refeições a partir de €15.
Naida – tel. 251 1173. Ambiente familiar e um pouco kitsch, mas tem sempre peixe, normalmente grelhado. É necessário reservar com horas de antecedência. Preços desde €8/pessoa.
Rosi – tel. 251 1242. De atmosfera caseira, não tem menu fixo. Ao fazer
a necessária reserva, peça polvo com batatas ou lagosta. Só serve jantares. Preço médio por refeição: €10.

Em Rabil
Sodade di nha Terra – tel. 251 1048. Considerado por muitos o melhor restaurante da ilha, possui um chef com vários anos de experiência na Europa. Aconselha-se o cabrito e a lagosta. Preços a partir de €20.

Actividades
As águas transparentes e calmas do Atlântico, aliadas à enorme riqueza dos seus fundos marinhos e diversos bancos de coral, tornam a ilha num local excelente para a prática de mergulho.

Bodyboard, kite e windsurf são outros desportos náuticos praticados na Boa Vista. Além de jipes e pick-ups, o aluguer de moto4 e scooters permite percorrer o interior ou a costa.

Agências locais oferecem excursões ao Deserto de Viana em noites de lua cheia e passeios a cavalo. Contacte a Dive Submarine Center (e-mail atilros@hotmail.com), a Boa Vista Windclub (www.boavistawindclub.com), ou a Olitour (www.olitour.135.it).

Literatura
De Germano Almeida não perca a Ilha Fantástica, retrato do lugar onde nasceu; Estórias contadas, compilação de crónicas escritas para O Público; e Viagem pela História das Ilhas, uma rota pelo arquipélago através daqueles que escreveram sobre ele. Todos editados pela Caminho.

Para mais informações
A editora inglesa Bradt (www.bradtguides.com) é a única a dedicar um guia de viagem exclusivo para o arquipélago. Apesar de a última edição ser de 2001, tem informações úteis para quem viaja de forma independente.
Na Internet: www.caboverde24.com e www.caboverde.com


INFORMAÇÕES ÚTEIS
Documentação: Todos os cidadãos estrangeiros necessitam de visto.
Moeda: O escudo cabo-verdiano está ligado ao euro, não sofrendo flutuações, pois um euro vale 110,264 ecv. Na Boa Vista não existem caixas automáticas (ATM). O Banco Comercial Atlântico, no centro de Sal Rei, é o único local onde pode levantar dinheiro com cartão ou traveller’s checks.
Diferença horária: Menos uma hora que em Portugal.
Indicativo: 00 238
Clima:Tropical seco, com temperaturas a rondar os 25ºC durante a maior parte do ano. Embora a pluviosidade seja muito reduzida, existe uma breve Estação das Chuvas, entre Agosto e Outubro. O harmatão, vento seco e quente vindo da costa africana, sopra entre os meses de Dezembro e Fevereiro, por vezes provocando uma espécie de névoa, chamada de bruma seca.
Saúde: Não há vacinas obrigatórias ou necessidade de prevenção da malária. No entanto, deve beber água engarrafada e ter cuidado com as saladas cruas.
Vestuário: Roupa ligeira e fresca. Um casaco leve, para usar à noite, deve fazer parte da bagagem, bem como sapatilhas ou botas, para quem pretender explorar o interior da ilha. Chapéu e protector solar são indispensáveis.


página anterior página seguinte


   
Anunciar on-line | Contactos | Notícias por RSS | Promoções | Serviços Móveis Record | Serviços Móveis CM
ADSL.XL | Classificados | Emprego | Directórios | Jogos | Horóscopo | Tempo

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.