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XL
> Rotas & Destinos
> Dossier
> 3 Destinos para namorar - Ilha da Boa
Vista


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| D O S S I E R |
Fevereiro
de 2006 |
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O
título, retirado de um barco de pesca,
é sinonimo da emoção
com que se parte da Boa Vista, dona de metade
das praias de Cabo Verde, todas elas magníficas.
Uma ilha fantástica para partilhar
a dois, ou a quatro, como foi o caso
 |
Texto
de Ana Pedrosa e fotos de António
Sá |
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Praia
de Diante. A placa de madeira exibe com orgulho o nome
óbvio do pequeno areal localizado frente a Sal
Rei. Deve ser este o lugar mais frequentado da vila, quiçá
da ilha inteira, com excepção do campo de
futebol em dias de jogo e das minúsculas povoações
do interior quando há festa.
Ao fim da tarde, depois da escola ou do trabalho, a praia
e o cais adjacente são o retrato da geografia humana
de Cabo Verde, cuja média de idades ronda os 23
anos. Jovens e crianças espalham uma alegria contagiante
com os seus jogos, corridas, saltos acrobáticos
para a água e competições improvisadas
de natação, que não raras vezes acabam
em beijos roubados e risinhos maliciosos dos bandos de
raparigas.
De manhã, no mesmo sítio, o cenário
é outro. Somos normalmente os primeiros a chegar,
tendo a sensação de inaugurar a areia clara
com as nossas pegadas. Mais cedo, porém, já
os pescadores partiram nos seus barcos coloridos, benzendo-se
antes de entrar na água, e chegaram com a faina
matinal – chicharro, pargo, garoupa –, distribuída
pelas bacias de plástico das vendedoras.
| Praia de Diante, areal em
frente a Sal Rei, onde jovens e crianças
espalham a sua alegria contagiante |
|
Apesar de o Sol já ir alto,
por uns bons momentos seremos os únicos a desfrutar
da quietude, do mar morno e da paisagem hipnótica
da enseada. Mas não tardará que chegue a
revoada dos miúdos do costume para nos levar os
brinquedos e os filhos, levando-os à água
com gestos cuidadosos ou ensinando-lhes a fazer figuras
bizarras com areia molhada a escorrer entre os dedos.
Sabe bem a ajuda destes inesperados baby-sitters, tal
como é engraçado ver o nosso catraio de
dois anos perder o medo de entrar no mar para se juntar
a uma lourita italiana com o dobro da idade. É
pela companhia (e porque o alojamento fica a poucos metros
de distância) que voltamos a este sítio,
de forma alguma o melhor da ilha.
Vamos aos factos: a Boa Vista conta com 55 quilómetros
de praias, perfazendo 52% do total de areais do arquipélago.
Tendo em conta que fica à distância de um
voo de 15 minutos do aeroporto internacional do Sal, a
mais turística das ilhas, é surpreendente
que (em meados de Junho) conseguíssemos estar em
várias outras praias sem ver vivalma ou, quando
muito, partilhando a costa com uma mão-cheia de
viajantes. Um segredo bem guardado, como anunciam os prospectos?
Nem por isso, pelo menos para os italianos que a descobriram
(literalmente, mas já lá iremos) e formam
agora a maior comunidade estrangeira.
| Paisagem semi-desértica
a caminho de João Galego |
|
Não estaremos no pico da
estação turística? Talvez. Certo
é que o turismo de massas anda, ainda, arredado
daqui. E antes que o leitor prossiga a leitura deixe-me
fazer algumas perguntas. Na escolha do destino de férias
privilegia o resort com tudo – ou quase –
incluído? Aprecia diversão nocturna, em
esplanadas dispostas lado a lado e restaurantes abertos
todo o dia? Boas estradas para percorrer no carro alugado?
Praias com vigilância e mesas com os pés
na areia? Nesse caso, a Boa Vista não será
para si. Não porque esta seja uma viagem “só
para intrépidos”, difícil ou perigosa.
Pelo contrário, raramente me senti tão segura
e bem acolhida. No entanto, digamos que dá algum
“trabalho”.
Há restaurantes (e bons), mas onde, na maioria,
é necessária a reserva com horas de antecedência.
Para compensar têm-se a garantia de mesas disponíveis
e comida acabada de fazer. Não existem caixas multibanco,
embora o atendimento do único banco seja rápido
e eficiente. Há pouco para “ver”, no
sentido cultural, e a menos povoada das ilhas cabo-verdianas
(cerca de 5000 habitantes) é também uma
das mais pobres. Se nada disto o demove, procura tranquilidade
e um destino pouco explorado, bem-vindo à Ilha
Fantástica, como lhe chamou o escritor Germano
Almeida, num livro que retrata o lugar onde nasceu e cresceu.
Nas brumas da memória
Se este texto não começou como devia, ou
seja, pelo princípio, chegou a hora de o fazer.
Estou no aeroporto à espera das malas, que serão
entregues à mão, sem tapetes rolantes ou
autocarros para atravessar a pista. Lá fora há
uma pick-up à espera e, dentro em breve, estaremos
a atravessar as poucas ruas de Sal Rei, a capital, até
sermos recebidos pelos olhos azuis de Cristiano e o tímido
sorriso de Cintia.
O Migrante Guest-House. Encontrei-o numa daquelas navegações
felizes pela Internet que me trouxeram a bom porto. Hei-de
confirmá-lo na manhã seguinte, depois de
uma noite descansada e um pequeno-almoço retemperador,
quando escrever no diário de viagem: “Temperatura
agradável. Uma brisa leve atravessa o pátio
onde me encontro sozinha. Fecho os olhos e o único
som que ouço é o dos ramos da buganvília
a roçar na parede. Um cão ladra ao longe.
Um assobio. Silêncio de novo”. A própria
casa, que é efectivamente um oásis de paz
e bom gosto, está intimamente ligada à história
da ilha.
| Jogo de uril nas ruas de
Sal Rei |
|
| Alcatraz no Ilhéu
de Curral Velho |
|
Entre as bruma da memória
e datas que se multiplicam por documentos diversos, relata-se
a versão mais corrente. Das cinco ilhas descobertas
em 1460 por Diogo Gomes e António di Noli, navegador
genovês ao serviço da coroa portuguesa, contava-se
aquela que viria a ser baptizada de S. Cristóvão,
padroeiro dos marinheiros da sua cidade natal. Cristóvão
Colombo será o primeiro turista italiano ilustre.
Aquando da sua terceira travessia do Atlântico,
faz uma breve paragem na ilha para tentar obter cura para
a lepra que o afligia; acreditava-se que a carne e o sangue
das tartarugas eram bons remédios para a doença.
Na altura, e por muito tempo ainda, pouco mais do que
aves e animais habitavam este território de 620
km2, o terceiro maior do país. Meio século
depois, apenas 50 almas eram mencionadas, criadores de
gado, por certo. O povoamento “a sério”
dá-se por volta de 1620, quando um grupo de ingleses
começou a explorar o sal de alta qualidade aí
encontrado, cujo comércio haveria de atingir o
pico em meados do século XIX. Nessa ocasião,
Sal Rei chegou mesmo a ser apontada como possível
capital de todo o arquipélago, dada a importância
do seu porto no tráfego (negreiro e não
só) entre a África e a América.
| Mãe e filha na aldeia
de João Galego |
|
É neste contexto que se
instalam Abraham e Esther Ben’ Oliel, judeus sefarditas
de Rabat e fundadores do pequeno império familiar
que viria a influenciar a estrutura económica e
social deste pedaço de terra. Descanso agora na
casa que ergueram, porque é aí que fica
o Migrante, com decoração de influência
marroquina a prestar-lhes homenagem.
Do velho esplendor a vila pouco conserva. É um
lugar pachorrento, de trânsito escasso, que se cruza
num instante. Há a Igreja de Santa Isabel, bonita
de tão simples, o antigo edifício da alfândega
frente
ao mar, algumas casas coloniais habitadas por gatos e
plantas indomáveis. O resto são moradias
coloridas, ruas de terra à sombra de acácias,
mercearias com meia dúzia de prateleiras, grupos
de homens a jogar uril (um jogo tradicional) pela tarde
dentro, o mercado de fruta e legumes, duas esplanadas
na praça.
De cortar a respiração
Luís conduz-nos estrada fora. É homem de
poucas falas, mas não lhe faltarão sorrisos
e conversa sempre que encontrar uma mulata bonita pelo
caminho. Tem, no entanto, o que precisamos: paciência
para responder a incontáveis perguntas e pedidos
de paragem frequentes – fotografia oblige. A primeira
faz-se na Praia de Chaves, para ver a antiga fábrica
de cerâmica, obra dos Ben’ Oliel, cujo único
vestígio é a chaminé que sobressai
da areia como um farol insólito a tentar resistir
aos avanços do tempo. A tradição
de moldar o barro segundo métodos tradicionais
prossegue agora na oficina-escola de Rabil, a poucos minutos
dali.
| A fachada colonial da charmosa
Migrante Guest-House |
|
Morro de Areia. O deserto à beira-mar, num cenário
de cortar a respiração, onde o epíteto
de Ilha das Dunas ganha sentido. Do promontório
avista-se um autêntico mar de areia, de vagas moldadas
pelo vento, com o azul profundo do Atlântico a acenar
um convite difícil de resistir.
A paisagem que se segue é de uma beleza lunar.
A estrada:
uma recta interminável rodeada de pedras, pedregulhos,
um ou
outro arbusto ressequido e leitos de ribeiros que raramente
conhecem
a alegria da água. Ao fundo, o traço de
basalto desaparece
entre dois montes, sem sinal algum de presença
humana a perturbar-lhes o sossego. De longe parecem montanhas
despidas, mas é só ilusão desta terra
chã, onde o ponto mais alto, o Pico Estância,
não ultrapassa os 390 metros. Povoação
Velha descreve-se em poucas palavras.
Dizê-las demora mais do que o tempo que leva a atravessar
as duas ruas, de casas baixas com galinhas e burros sonolentos
nas traseiras, zurrando entre as acácias. Berço
do primeiro povoado, é também lugar da festa
maior da ilha, o Santo António, celebrado numa
capela do sopé do monte com o mesmo nome.
| A Praia de Diante ganha um
encanto especial ao entardecer |
|
Passa o primeiro jipe
com turistas, vindos da praia de Santa Mónica,
nomeada assim em honra do areal homónimo da Califórnia.
Segundo o meu guia de viagem (em inglês) a “versão
boavisteira é, sem dúvida, magnífica,
mas um pedaço mais vazia”. Isso mesmo, magnificamente
vazia, sem ninguém à vista em todos os seus
18 quilómetros de extensão. Não existe
um guarda-sol, uma toalha, nenhum sítio onde comprar
água ou uma sandes (por isso previna-se, se pretende
ficar por umas boas horas).
Praias paradisíacas há muitas no planeta
e esta não tem coqueiros melancólicos, nem
granito rosa a proteger enseadas. É “apenas”
uma enorme língua de areia muito branca, finíssima,
lambida por água morna e mansa, que traz cardumes
de peixinhos aos nossos pés. Nunca conheci outra
onde tanto apetecesse gritar de felicidade.
É o reino pacífico de centenas (milhares?)
de caranguejos claros, rápidos como flechas a esconder-se
nos seus buracos; várias espécies de tartarugas
que vêm desovar nas noites de Verão; e de
muitas aves marinhas, migratórias ou nidificantes,
como a cagarra, o alcatraz ou a rara fragata. Um verdadeiro
Éden.
Uma das quatro suites da
Migrante
Guest-House e o Pequeno-almoço tomado
no pátio deste charmoso turismo rural |
|
Tesouros escondidos
A ideia de verem uma “gruta de piratas” venceu
a resistência dos miúdos em sair dali. Aos
pais bastou-lhes a visão de um embondeiro –
“só há três na ilha”,
informa o Luís – pequeno para os padrões
da terra-mãe, mas, mesmo assim, uma promessa de
África.
Tal como Cabo Verde, que é África e não
é bem. É-o nas cores garridas das fachadas
e dos panos que cobrem as mulheres, nos batuques ouvidos
nas ruas, em tradições e ritmos gravados
nos genes. Mas depois sentimos a Europa infiltrada no
sangue e na língua, nas paixões (ah, o futebol),
numa certa forma de estar, nos níveis de literacia,
saúde e economia, bem acima dos demais países
da África oriental.
De súbito, vem-me à memória uma cena
do dia anterior. Uma jovem cabo-verdiana na praia, linda,
de longos cabelos negros aos caracóis, a quem o
namorado moldou uma cauda de sereia, numa cuidadosa escultura
de areia. Quando cedi ao pedido para lhes tirar uma foto,
vi que ela tinha tatuado todo o arquipélago na
omoplata. A conversa posterior revelou que, tal como a
maioria dos cabo-verdianos, também eles eram emigrantes.
De que ela própria era a metáfora perfeita:
dividida entre o conforto de uma vida melhor e o calor
da terra natal, com o país gravado na pele. Ou
no coração, tanto faz.
CRIANÇAS
NA BAGAGEM
La Palisse não diria melhor: na vida há
que fazer escolhas. E, se para alguns a paixão
de viajar é tão forte que optam por
não ter filhos, há muitos outros para
quem a escolha da maternidade (ou paternidade) implica
o abandono das viagens, pelo menos por uma boa dúzia
de anos. Desde há muito que decidimos não
fazer parte nem de um nem de outro grupo, procurando
conciliar esses dois difíceis amores.
 |
Depois de várias incursões
pela Europa, vimos que já era tempo de nos
aventurarmos um pouco mais longe. Desta vez a escolha
recaiu em Cabo Verde, um destino com vários
ingredientes que nos agradavam: com boas praias,
é seguro, relativamente económico
e não muito longínquo. And last but
not least, não são necessárias
vacinas ou cuidados especiais de saúde, nem
existem animais considerados perigosos.
Na bagagem, além da farmácia aconselhada
pelo pediatra e alguns (poucos) brinquedos, levamos
sempre um item essencial, leve e barato: muita imaginação,
para entreter duas crianças pequenas nas
esperas do aeroporto. No saco de mão segue
sempre água, bolachas e “pintarolas”
(chocolate em doses pequenas), ideiais para acalmar
qualquer birra.
No destino, qualquer pedra para atirar, duna para
subir ou areal deserto onde apanhar conchas é
um universo inteiro cheio de possibilidades de aventura.
Novos amigos que falem a mesma língua também
ajuda.
Obviamente, nem tudo são rosas. Há
horas de maior cansaço, faltas de apetite,
cuidados a ter com o Sol, energia a mais quando
é necessário esperar por uma refeição.
No entanto, não acontece o mesmo quando se
fica em casa, ou se parte para destinos mais próximos?
Viajar com crianças é mais dispendioso,
mas escolher um apartamento onde se possa cozinhar
ou substituir o almoço no restaurante por
uma refeição de sandes e iogurte ajuda
a economizar. Partilhar o quarto com os filhos também.
O resto é uma questão de bom senso,
ajuda mútua e procurar alternar as visitas
mais “puxadas” com dias de descanso.
Ter uma base e explorar a partir daí, em
vez de mudar de hotel a cada dois dias é
igualmente essencial.
Já agora, a experiência alheia também
pode ser importante. A Lonely Planet tem no seu
site um “departamento” (http://thorntree.lonelyplanet.com)
dedicado às dúvidas e conselhos de
pais deste mundo. Chama-se “Kids to Go”
e é um fórum onde todas as perguntas
são possíveis, desde como levar os
três filhos numa volta ao mundo ou apenas
onde se compra leite em pó num determinado
destino. |
Afinal a Ponta da Varadinha tinha mesmo grutas, suficientemente
grandes para fazer sonhar com tesouros escondidos enquanto
o almoço desaparecia sob uma fome voraz. Ataques
de piratas também os houve, em número e
gravidade suficiente para justiçar a construção
do Forte dos Duques de Bragança, no ilhéu
frente a Sal Rei, hoje apenas um punhado de destroços
que pode ser visitado se algum pescador nos quiser lá
levar.
Uma outra fortaleza esconde-se no fundo do mar. Abrigo
de largos cardumes de peixes e mariscos, os extensos bancos
de coral são responsáveis por dezenas de
naufrágios ao longo dos séculos. O cargueiro
espanhol Cabo de Santa Maria é apenas a sua vítima
mais recente.
| Mercearia em Fundo das Figueiras,
povoação situada no interior
leste da ilha |
|
A rota com destino ao Brasil foi
interrompida em 1968, deixando no litoral norte um navio
fantasma em luta constante com as vagas e o vento, de
casco fincado na areia e mastros erguidos ao céu,
poiso seguro para ninhos de gaivotas.
Calcula-se que cerca de 40 naufrágios tenham ocorrido
em redor da Boa Vista, alguns tão trágicos
como o do Cicília, em 1863. Numa antevisão
local do Titanic, o salão de baile e os seus ocupantes
foram fechados por ordem do capitão, ao aperceber-se
do desastre iminente. Melhor sorte teve James Cook que,
após várias horas de desespero, conseguiu
passar o Baixo de João Leitão e prosseguir
a terceira viagem em direcção aos mares
do sul.
Um final feliz
As povoações mais interessantes são
as do “Norte”, denominação enigmática
da zona situada no interior leste. João Galego,
Fundo das Figueiras, Cabeço de Tarafes dormem à
sombra de uma vegetação “luxuriante”
pelos padrões locais. A silhueta esguia das tamareiras
é o primeiro sinal verde a assinalar a presença
de uns quantos campos cultivados, do pouco que é
possível fazer medrar nos 5% de solo fértil
do território ilhéu. Seguem-se acácias,
onde as cabras fazem a vez de pássaros, mordendo
folhas duras com gestos lentos.
| Dunas do deserto de Viana
Rabil, um Saara em miniatura, com os seus
pequenos oásis |
|
O calor traz vontade de
um café, feito na hora e servido na cozinha das
traseiras de uma mercearia/bar/restaurante quando é
preciso. Da rua chega o ruído surdo de um pilão
a moer milho para a cachupa. Olhos curiosos espreitam
das janelas de casas bicolores (amarelo/azul, rosa/verde,
vermelho/ocre, verd’azul) com buganvílias
a trepar pelas paredes. Apetece ficar por aqui, cumprindo
a vontade da lassidão que invade os ossos.
A lista inicial de lugares a visitar vai sendo cortada,
à medida que a canícula aumenta. Ficou por
ver a Baía das Gatas, de onde, em certos meses,
se avistam dezenas de tubarões junto à costa;
e o Morro Negro, ponto do arquipélago mais próximo
de África, a 455 quilómetros de distância.
Impossível era falhar a Ponta do Ervatão,
segundo o guia: “mais do mesmo, uma praia impossivelmente
bonita”. Chegar ao paraíso tem os seus custos:
neste caso é preciso atravessar um oceano de pedra
e pó, regressando pelo mesmo caminho.
O final feliz poderá ser no deserto de Viana, um
Saara em miniatura, com os seus pequenos oásis,
palmeiras solitárias e dunas formadas com a areia
que o vento harmatão traz do continente negro.
Ou na praia. Ou até na biblioteca, onde as palavras
de Germano Almeida fazem todo o sentido “(...) a
herança [da Boa Vista] é de uma certa preguiça,
de não fazer agora o que se pode deixar para mais
logo.” Bem vistas as coisas, para quê contrariar
o espírito do lugar?
Como ir
A TAP Portugal (tel. 707 205 700,
www.flytap.pt) voa diariamente de Lisboa para a ilha
do Sal, por tarifas a partir de €350, ida e volta
(sem taxas aeroportuárias).
A partir daqui, a companhia cabo-verdiana TACV (tel. 213
230 555) oferece um voo diário, cuja tarifa de
ida ronda os €59.

Onde Ficar
 |
Migrante
Guest-House – Av. Amílcar Cabral,
Sal Rei,
tel. (00 238) 2511143,
www.migrante-guesthouse.com.
Bom e gosto reúnem-se neste turismo de habitação
de charme, localizado numa casa colonial no centro da
vila. Os seus quatro quartos estão dispostos à
volta de um pátio, onde se toma o pequeno-almoço.
Conta com um bar e uma biblioteca com uma vasta selecção
de livros. Preço por pessoa, em suite júnior,
a partir de €30, com pequeno-almoço e transfere
do aeroporto incluído.
Parque das Dunas Village – Praia de Chaves,
tel. (00 238) 251 1283, e-mail info@parquedasdunas.com.
Neste hotel de quatro estrelas o alojamento faz-se em
casas individuais junto ao mar. Possui piscina, bar e
restaurante com menu internacional e cabo-verdiano.
Estoril Beach Resort Hotel – Sal Rei, tel.
(00 238) 251 1078, www.estorilbeachresort.com.
Em frente à praia do Estoril, a minutos da vila,
esta unidade de três estrelas possui vários
quartos e apartamentos com varanda. Diária com
pequeno-almoço a partir de €32, em quarto
duplo.
Aparthotel Ca’Nicola – Sal Rei, tel.
251 1793, www.canicola.com.
Tem vários apartamentos com cozinha completa e
terraço, junto à praia do Estoril. Preços
a partir de €78 por dia.
Onde comer
Não espere restaurantes de design arrojado. Todos
os locais, mesmo os melhores, têm uma decoração
simples, destacando-se na gastronomia. Neste capítulo,
o peixe é rei. Garoupa, peixe-espada, serra (uma
espécie de atum), polvo e mariscos como a lagosta
são sempre frescos e saborosos. Já o prato
nacional, a cachupa (estufado muito rico feito com milho,
feijão, mandioca, vários legumes e carne
de porco ou peixe), é mais difícil de encontrar,
uma vez que a sua confecção é demorada.
É questão de ir perguntando nos restaurantes.
Em grande parte é
aconselhável reservar com antecedência.
Em Sal Rei
Terra Sabe – telemóvel:
992 6877. Cozinha italiana e cabo-verdiana, com mesas
num agradável terraço. No menu, onde constam
pizzas, massas e bom peixe, destaca-se o queijo de cabra
grelhado. Refeição desde €15/pessoa.
Riba d’Olte –
tel. 251 1015, www.ribadolte.com.
Pedro e Maria são os proprietários portugueses
deste restaurante com uma vasta carta, que inclui pratos
vegetarianos.
A especialidade é o arroz de polvo. Preço
médio de refeição: €15.
Blue Marlin (Santinha) –
tel. 251 1099. Aconselha-se a reserva com um ou dois dias
de antecedência neste local pequeno e sempre cheio.
A especialidade da casa são os vários pratos
de peixe: assado, grelhado, com massa e em carpaccio.
Refeições a partir de €15.
Naida – tel. 251 1173.
Ambiente familiar e um pouco kitsch, mas tem sempre peixe,
normalmente grelhado. É necessário reservar
com horas de antecedência. Preços desde €8/pessoa.
Rosi – tel. 251 1242.
De atmosfera caseira, não tem menu fixo. Ao fazer
a necessária reserva, peça polvo com batatas
ou lagosta. Só serve jantares. Preço médio
por refeição: €10.
Em Rabil
Sodade di nha Terra –
tel. 251 1048. Considerado por muitos o melhor restaurante
da ilha, possui um chef com vários anos de experiência
na Europa. Aconselha-se o cabrito e a lagosta. Preços
a partir de €20.
 |
Actividades
As águas transparentes e calmas do Atlântico,
aliadas à enorme riqueza dos seus fundos marinhos
e diversos bancos de coral, tornam a ilha num local excelente
para a prática de mergulho.
Bodyboard, kite e windsurf são outros desportos
náuticos praticados na Boa Vista. Além de
jipes e pick-ups, o aluguer de moto4 e scooters permite
percorrer o interior ou a costa.
Agências locais oferecem excursões ao Deserto
de Viana em noites de lua cheia e passeios a cavalo. Contacte
a Dive Submarine Center (e-mail atilros@hotmail.com),
a Boa Vista Windclub (www.boavistawindclub.com),
ou a Olitour (www.olitour.135.it).
Literatura
De Germano Almeida não perca a Ilha Fantástica,
retrato do lugar onde nasceu; Estórias contadas,
compilação de crónicas escritas para
O Público; e Viagem pela História das Ilhas,
uma rota pelo arquipélago através daqueles
que escreveram sobre ele. Todos editados pela Caminho.
Para mais informações
A editora inglesa Bradt (www.bradtguides.com)
é a única a dedicar um guia de viagem exclusivo
para o arquipélago. Apesar de a última edição
ser de 2001, tem informações úteis
para quem viaja de forma independente.
Na Internet: www.caboverde24.com
e www.caboverde.com
INFORMAÇÕES
ÚTEIS
Documentação: Todos os
cidadãos estrangeiros necessitam de visto.
Moeda: O escudo cabo-verdiano está
ligado ao euro, não sofrendo flutuações,
pois um euro vale 110,264 ecv. Na Boa Vista não
existem caixas automáticas (ATM). O Banco Comercial
Atlântico, no centro de Sal Rei, é o único
local onde pode levantar dinheiro com cartão ou
traveller’s checks.
Diferença horária: Menos
uma hora que em Portugal.
Indicativo: 00 238
Clima:Tropical seco, com temperaturas
a rondar os 25ºC durante a maior parte do ano. Embora
a pluviosidade seja muito reduzida, existe uma breve Estação
das Chuvas, entre Agosto e Outubro. O harmatão,
vento seco e quente vindo da costa africana, sopra entre
os meses de Dezembro e Fevereiro, por vezes provocando
uma espécie de névoa, chamada de bruma seca.
Saúde: Não há vacinas
obrigatórias ou necessidade de prevenção
da malária. No entanto, deve beber água
engarrafada e ter cuidado com as saladas cruas.
Vestuário: Roupa ligeira e fresca.
Um casaco leve, para usar à noite, deve fazer parte
da bagagem, bem como sapatilhas ou botas, para quem pretender
explorar o interior da ilha. Chapéu e protector
solar são indispensáveis.

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