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   XLRotas & DestinosDossier > 3 Destinos para namorar - Munique


D O S S I E R Fevereiro de 2006   
   
A capital da Baviera tem de ser descoberta passo a passo, com uma paciência de viajante com tempo. Apaixone-se sem pressas por esta cidade desde há séculos mergulhada na arte

Texto de Miguel Satúrio Pires e fotos de Pedro Sampayo Ribeiro
   

Introdução | Jaisalmer

Ilha da Boa Vista
| Munique

P U B L I C I D A D E
O dia acorda com um sol radiante, reflectido nos telhados esbranquiçados pela neve que caiu na noite anterior. Através da janela, tiramos a primeira radiografia a Munique. Lá fora, apesar do visível frio, contrariado pelas camadas de roupa que agasalham os transeuntes, ninguém se faz rogado. Desde cedo que as gentes cirandam de um lado para o outro – ora em passo descontraído, ora ao ritmo da pedalada das bicicletas – em direcção ao emprego ou ao café para um chocolate quente e um tradicional pretzel.

Distraídos pelo ambiente tranquilo que se vive nesta cidade com cerca de 1,3 milhões de habitantes (só na área metropolitana), mal damos pela passagem de um apressado jovem executivo que, adivinhamos, não quer perder o metropolitano prestes a chegar à estação mais próxima; quase em simultâneo, vemos um casal em preparativos para inserir o filho no “casulo” hermético com rodas, para seguir com ele atrelado a uma das bicicletas; mais à frente um pequeno grupo de peões aguarda disciplinadamente pelo sinal verde para atravessar a rua. Aderimos à maioria e aguardamos a nossa vez, mesmo sem avistar qualquer veículo nas imediações. As “más tradições” lusas de comportamento social, como atravessar as vias fora das passadeiras ou quando o semáforo para peões está encarnado, são rapidamente esquecidas. Diga-se que, aqui, as regras – estas e outras – são assumidas como obrigação.

Uma autêntica parada de leões invade
as ruas de Munique (www.leo-parade.de). São mais de 150 estátuas pintadas por artistas e crianças, em homagem a “Henry the Lion”, fundador da cidade em 1180. Centro histórico; Virtualienmarkt; o jardim Hofgarten e a Odeonsplatz; o rio Isar e pantufas de Pia Rennt, à venda no mercado Schrannenhalle

O trânsito, esse, não é de todo intenso. Talvez ganhe mais movimento nas horas de ponta – se é que as podemos considerar como tal –, mas quase é difícil acreditar que estamos na terceira maior cidade da Alemanha... Fica no ar a suspeita de que a viatura particular de quatro rodas é o último recurso dos habitantes de Munique. A tranquilidade que aqui se respira é um facto curioso se pensarmos que a Baviera e a sua capital ostentam expansão e prosperidade com as suas industrias high-tech em áreas tão diversificadas como a automóvel, a química, a aeronáutica e a electrónica. Na verdade, o que parece ser o grande segredo de Munique é a forma como conjuga o cosmopolitismo de uma grande metrópole com uma atmosfera que se mantém tradicional (e quase rural).

O hábito faz o monge
Desfrutar uma semana inteira entrosado com a vida de uma cidade é um luxo que poucos têm. Ainda mais se não recorremos aos habituais pacotes excursionistas de fim-de-semana e preferirmos ficar à nossa mercê, prontos para a descoberta sem horários ou meta certa. No entanto, esta possibilidade também comporta os seus riscos. É que, passada a barreira psicológica dos três ou quatro dias, acabamos por adoptar rotinas, circuitos e manhas (ou manias) e acabamos por desviar as atenções para outros pormenores mais corriqueiros, do dia-a-dia, quase esquecendo o nosso papel de visitante e mais ainda o de cicerone.

Lançado o aviso à navegação, foi assim que, durante uma semana aproveitada ao minuto, acompanhámos os joggers nos trilhos do imenso Jardim Inglês (Englischer Garten), pronunciámos – a custo, é verdade – a língua alemã, entrámos nos mesmos cafés, fomos à mercearia do bairro, partilhámos as carruagens do metropolitano ou do tram, descobrimos atalhos para encurtar distâncias e conhecemos os spots que estão na moda.


Allianz Arena, o novo estádio construído para o Mundial de Futebol; a Neues Rathaus
que marca a célebre Marienplatz; instalação dedicada a Mozart; e a Altes Rathaus, a antiga câmara, que hoje alberga um museu. Uma das mais recentes referências da arquitectura de Munique é o novo estádio, o futurista Allianz Arena, inaugurado há seis meses

Primeiro pelas grandes e longas avenidas, como a elegante Maximilianstrasse, a austera Ludwigstrasse ou a animada Leopoldstrasse, e depois, já mais familiarizados, pelas ruas e praças do centro histórico e imediações – invariavelmente animadas pelos seus célebres mercados de rua –, onde a arquitectura, menos ostensiva, não deixa de ser rica em pequenos detalhes e curiosidades audazes.
Englischer Garten, o maior parque urbano da Alemanha e o pulmão de Munique

Apesar de a cidade ter sido quase totalmente destruída durante a Segunda Guerra Mundial, um passeio em Munique é o mesmo que comprar bilhete e embarcar numa viagem pela história da arquitectura. Passo a passo, entramos neste museu a céu aberto, onde os traços dos mestres do barroco, do gótico, do maneirismo e muitos outros compõem a paisagem. Edifícios neo-clássicos como o palácio de Ludwig I, Wittelsbacholatz (Odeonsplatz), misturam-se com outros de linhas Arte Nova como a fachada do Pacelli Palais (Georgenstrasse, 8-10), e não param de nos surpreender.

Um bom exemplo desta constante sensação de espanto é a forma quase perfeita como a arquitectura secular se desconstrói em peças contemporâneas, umas vezes fechando pequenas ruas e pracetas com estruturas envidraçadas, refúgios quase imprevistos que nos arrastam para o consumo, e outras tantas com edifícios históricos reconvertidos em obras-primas do design.

É o caso da galeria comercial Fünf Höfe, desenhada por Herzog & de Meuron, os mesmos arquitectos que conceberam o original Allianz Arena. Localizada entre a Odeonsplatz e a Promenadeplatz, abriga espaços como o day time bar do Schumann’s; o romântico Café Kunsthalle; a enorme livraria Hugendubel, das poucas com edições em inglês; ou o colorido Kaimug, de onde emanam os aromas da cozinha tailandesa confeccionada à nossa frente.

Pinakothek der Moderne, um gradioso museu de arte contemporânea, inaugurado em 2002
Poucos metros adiante, alcança-se o Maximilianhöfe (a entrada é pelo n.º 15 da Maximilianstrasse), onde funcionou em tempos o picadeiro da Real Escola Equestre. Fruto da reconstrução do edifício Burklëin, neste abrigado pátio rodeado de paredes envidraçadas (se tiver sorte pode ser que consiga escutar a companhia de ópera de Munique, através da parede de vidro que dá para a sua nova sala de ensaios – ver caixa: O ano de Mozart), passeia-se agora o estilo da haute couture, com assinatura de Gianfranco Ferré e Dolce & Gabbana, entre outros. O restaurante Brenner Grill & Pasta Bar, escondido aqui no pátio, é um verdadeiro achado de boa comida, bom ambiente, simpatia e originalidade.

O exemplo acabado da forma progressista que Munique tem de encarar os projectos – recorde-se a facilidade com que a Baviera recuperou a pujança económica no pós-guerra – é, sem sombra de dúvida, o novo estádio da cidade. Falamos novamente do futurista Allianz Arena, que, além de vários jogos do Mundial de Futebol que começa em Junho, vai acolher a cerimónia de abertura do campeonato das nações. Projectado pela dupla Herzog & de Mueron, foi inaugurado em Junho de 2005, precisamente um ano antes do início da prova internacional, estando também já finalizados todos os acessos e as respectivas infra-estruturas de apoio.

Partilhada por duas das equipas de futebol locais, o Bayern de Munique e o 1860, esta obra de arte da arquitectura desportiva, a aparentar um insuflável gigante, impressiona à medida que o metropolitano de superfície se aproxima da estação de Fröttmaning (linha U6). De forma progressiva, toda a fachada que o envolve vai mudando de cores, entre o branco, o vermelho e o azul, estando prometidos momentos memoráveis de espectáculo nocturno (durante o dia realizam-se visitas guiadas em Inglês, se marcadas com antecedência; informações em www.allianz-arena.de). O seu excelente restaurante de linhas minimalistas, o Arena a la Carte, ainda com um espaço lounge, é o local ideal para beber um café ou almoçar.

Outra das referências da arquitectura modernista de Munique é o seu complexo olímpico, utilizado durante os jogos de 1972. Apesar de ser notória alguma degradação da envolvente, não deixa de ser um ponto emblemático, acima de tudo pela ousadia das suas linhas, nomeadamente do estádio, agora mais utilizado para concertos, exposições e feiras. Entretanto, resta dizer que o original edifício-sede da BMW, em frente ao Olympiazentrum, vai ter em breve um sucessor à altura, com as obras a avançar no novo espaço da marca, agora mesmo ao lado dos 290 metros de altura da Torre Olímpica.

Conquistas passa a passo
A capital da Baviera divide-se em várias zonas, fronteiras mais ou menos virtuais, cada uma delas com o seu ambiente e habitada pelas suas personagens, que variam consoante as épocas. O eterno clima artístico, as noites boémias e a estudantina de Schwabing, o segredo bem guardado que ainda são Neuhausen e os jardins dos palácio de Nymphenburg, os cafés de charme de Haidhausen, as lojas gourmet para o consumidor sofisticado de Lehel, o público tricolor e os restaurantes de charme de lockenbachviertel, o estilo operário de Giesing ou a história de Altstadt, apenas nomeando algumas das áreas mais concorridas e emblemáticas de Munique, reúnem uma miríade de atmosferas para todos os gostos.
O Schloss Nymphenburg, mandado construir pelo duque Ferdinand Maria e sua mulher, Henrietta de Sabóia, como palácio de Verão

Cidade plana de fácil orientação e circulação, dotada de uma excelente rede de transportes, que, literalmente, num pulo o levam a qualquer ponto da região, do país e da Europa, em Munique coabitam de forma pacífica várias tendências, culturas e opções.

Nós partimos da estação central, Hauptbahnof, em direcção a Karlsplatz e continuamos no sentido do centro histórico. Grande parte desta zona distribui-se por alargadas áreas de circulação pedestre em redor da célebre Marienplatz e da Residenz (ou Residência), a casa real dos soberanos da Baviera. Este grande complexo palaciano onde, entre 1385 e 1918, viveram os membros da dinastia Wittelsbach, inclui o maior edifício renascentista do mundo – o Antiquarium – vários pátios ajardinados e interiores onde traços rococó e clássicos predominam.

O preciosismo das linhas e dos detalhes que se vislumbram na Residenz caminham ao longo do Cuvillés Theater (século XVIII) e da Schatz-kammer (a sala das jóias da coroa; século XVI) – alguns dos espaços deste palácio com vista para o Hofgarten, onde ainda se encontra a sede da chancelaria do Estado da Baviera.

É precisamente nestas imediações que nos apercebemos da agitação típica de uma cidade muito turística, mas também com muita vida própria, preenchida por um comércio vivo e variado. Durante todo o dia, as ruas estão repletas de gente a entrar e a sair das inevitáveis cervejarias (é incontornável uma visita à histórica Hofbräuhaus, na Am Platz 9), às compras numa das muitas lojas, ou simplesmente a admirar – diariamente às 11 horas em ponto – o rodopiar do famoso relógio de figuras dançantes, que decora a torre cimeira do Neues Rathaus (Novos Paços do Concelho), um rebuscado e monumental edifício neo-gótico construído entre 1867 e 1919 em plena Marienplatz.

Esta praça marca o centro geográfico de Munique (e da Baviera) e funciona como uma espécie de sala de estar dos munichers, desde os tempos em que apenas dava lugar a um mercado.

A coluna de Mariensäule que ocupa o centro foi erguida em 1638 como gratidão ao final da invasão sueca, e a praça ganhou o nome actual em 1854, quando os cidadãos de Munique pediram a protecção da Virgem contra uma epidemia de cólera.

O ano de Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburgo, há precisamente 250 anos, data que é comemorada em 2006 por toda a Europa, nomeadamente em Munique, que recebeu o músico e compositor por numerosas vezes e onde ele completou dois dos seus maiores trabalhos.

Aliás, a sua primeira visita à cidade aconteceu quando Mozart tinha apenas seis anos, em 1762. Desta breve estadia, pouco documentada, apenas se sabe que o pequeno menino prodígio deu um dos seus primeiros concertos e que Maximilian III Joseph, soberano da Baviera, estava entre os espectadores. Entre outras inúmeras passagens por Munique, sempre com concertos agendados, foi aqui que, durante o Carnaval, foi representada La Finta Giardiniera, uma opera buffa de três actos, corria o ano de 1775. Cinco anos mais tarde, Mozart voltaria a ser convidado para aqui compor e executar a sua primeira opera seria, Idomeneu, a qual viria a fortalecer a sua reputação de jovem e genial mestre. Presume-se que Munique foi também a última cidade visitada pelo compositor antes da sua morte. Aliás, descobriu-se no ano passado, numa galeria em Berlim, um retrato de Mozart até agora desconhecido, que, segundo os peritos, terá sido pintado na sua passagem pela capital da Baviera a caminho de Viena, onde viria a falecer, em 1791, com 35 anos.

Para celebrar a vida e obra de Mozart, além das óbvias comemorações levadas a cabo nas restantes cidades europeias por onde o compositor passou, especialmente Salzburgo, sua terra-natal, vão ser apresentadas na Bayerische Staatoper de Munique (Max-Joseph-Platz, 2), seis das suas mais importantes óperas: La Clemenza di Tito, Cosi fan tutte, Don Giovanni, Die Entfuehrung aus dem Serail, Le nozze di Figaro, e Die Zauberfloete
(A flauta mágica). Informações em www.musikmetropolemuenchen.de e bilhetes à venda em www.muenchenticket.de

Muito se fala da mágica luz de Lisboa, mas o certo é que os tantas vezes acobreados tons que dão cor à silhueta desta cidade também não lhe ficam atrás, principalmente naquele momento em que o Sol se põe para lá da monumental basílica de traços góticos Frauenkirche (século XV). O melhor local para gozar este momento único do dia fica a dois passo da Marienplatz. Do alto do campanário renascentista da mais antiga igreja da cidade – a Peterskirche, que, construída no século XI, fazia parte do mosteiro que deu o nome à cidade: Mönchen significa “monges” –, e, após uma escalada de 302 degraus, podem espreitar-se os telhados de Munique a pontilharem na linha do horizonte, com a cordilheira dos Alpes a irromper do solo à nossa volta nos dias de maior visibilidade.

O Antiquarium é a maior construção renascentista do mundo. Foi construído no século XVI e integra o complexo da Residenz, residência dos reis da Baviera e da dinastia Wittelsbach

Os estabelecimentos comerciais daqui diferem de estilo e de aspecto à medida que avançamos. Desde as incontáveis galerias de arte antiga e contemporânea, lojas de decoração e antiquários, até às simples lojas de artesanato bávaro, passando pelos ateliers de artistas e estilistas locais e pelos estabelecimentos das grandes etiquetas da moda mundial, as grandes avenidas sucedem-se às pequenas ruelas e animadas praças.

Não muito distante do centro histórico, tendo como ponto de partida a Odeonsplatz e cortando à esquerda pela Oskar Von-Miller Ring (aproveite para aqui visitar a mostra tecnológica patente no moderno Siemens Forum) em direcção à Gabelsbergerstrasse, as vistas alargam-se ao encontrarmos os enormes quarteirões onde se distribuem os três vértices do “triângulo dourado da arte em Munique”. Entre outros espaços museológicos de menor dimensão, destacam-se a Neue Pinakothek, a Alte Pinakothek e a Pinakothek der Moderne, edifício modernista de fachadas envidraçadas e ângulos rectos, inaugurado em 2002, que reúne obras de alguns dos mais conceituados autores contemporâneos.
Neuschawanstein, o mais célebre projecto de Ludwig II

Triângulo das artes
No início do século XIX, Maximilian I Joseph lançou um concurso para encontrar um projecto que tornasse mais bela a área que liga a Residenz ao Schloss Nymphenburg (que significa literalmente “castelo das ninfas”) – a residência real de Verão construída pelo duque Ferdinand Maria (1651-79) nos arredores da cidade e que hoje se mantém um agradável espaço verde. Transformar Munique numa cidade das artes foi um sonho a que os seus sucessores deram continuidade com sucesso.

A verdade é que hoje Munique é mesmo uma cidade possuída pelas artes e o proclamado bairro dos museus, na parte mais oeste de Schwabing, é disso exemplo. Um dos primeiros passos foi dado por iniciativa de Ludwig I, soberano da Baviera entre 1825 e 1848, que aqui mandou construir, em 1836, a Alte Pinakotheke, que alberga uma importante colecção de obras-primas datadas entre os séculos XIV e XVIII. Distribuídos pelos dois andares deste soberbo edifício de linhas renascentistas, desenhado por Leo von Klenze (que também arquitectou o plano urbano envolvente da Ludwigstrasse) e reconstruído após a II Guerra Mundial, estão obras assinadas por mestres como Rembrandt, Titian, Botticelli ou Bruegel, entre muitos outros exemplares artísticos oriundos dos riquíssimos espólios das dinastias que atravessaram a história da Baviera, de antigas ordens monásticas e da nobreza bávara.
A estrada coberta de neve que leva ao castelo de fadas, inspirado nas óperas de Wagner, e que todos os anos recebe milhares de visitantes

Segue-se a Neue Pinakotheke, inaugurada em 1853 também por Ludwig I, e ainda hoje em dia um dos mais importantes museus do mundo, com uma impressionante mostra permanente de arte que percorre todos os “ismos” deste ofício: do classicismoo ao impressionismo, passando pelo simbolismo, são exibidas, nas mais de trinta salas deste edifício – igualmente arrasado durante a II Guerra Mundial e reconstruído de raiz entre 1976 e 1981 –, cerca de 4500 pinturas de alguns dos mais representativos autores mundiais, de que se destacam Edouard Manet, Claude Monet, Max Libermann ou Goya.

A Pinakotheke der Moderne é a mais recente novidade do Museum & Art District de Munique. O arquitecto Stephan Braunfel deu especial primazia à luz natural filtrada pelas vastas superfícies em vidro e pela enorme cúpula central envidraçada. Por isso, este novo espaço dedicado à arte contemporânea, com mais de 21.000m2 e quase labiríntico, choca com a restante envolvente histórica, onde marcam presença construções de traços mais pesados e rebuscados.

Nas redondezas, encontram-se ainda a Glyptothek, com exposições permanentes de escultura grega e romana, o Museu de Arte Antiga e a Lembachhaus, uma galeria de arte instalada num palácio do século XIX, onde habitualmente se cruzam admiradores de movimentos artísticos tão diversos como o romântico, o Biedermeier – com origem na classe média da época e que viria a influenciar fortemente discípulos da Arte Nova como a Bauhaus –, e outros de estilos mais contemporâneos, desta feita assinados por Kandinski, Andy Warhol ou Joseph Beuys.

De referir que estão previstos para breve outros núcleos museológicos nesta zona, como é o caso do futuro Museu da Fotografia e do Museu Brandhorst que, num edifício de linhas futuristas desenhado pelo atelier de arquitectura Sauerbruch Hutton, vai reunir a colecção de arte contemporânea da fundação homónima.

O futuro Museu Brandhorst (www.museum-brandhorst.de) começou a ser erguido em 2003 no terreno adjacente à Pinakotheke der Moderne e vai assumir-se, em conjunto com as cerca de 700 obras de Picasso, Warhol, Nauman, entre muitos outros, como mais uma âncora deste bairro dedicado à cultura.

Espírito de mercador
Desde há séculos animada pelos célebres mercados de rua que se espalham um pouco por toda a cidade, Munique explora esta faceta com total dedicação e entusiasmo. O dia-a-dia é levado com uma notória brandura, sem stress, e com tempo para tudo. Esta filosofia de vida vê-se nas caras que se atravessam à nossa frente. Logo pela manhã ou após o final da jornada de trabalho, por volta das 18, 19 horas, o municher sai à rua para beber um chocolate quente ou uma cerveja, acompanhado de uma pratada de weisswurst e chucrute, pratos típicos da região que inundam o ar com um estranho aroma agridoce.

Os principais pontos de reunião são os tais mercados de rua, na sua maioria com múltiplas banquinhas de comes e bebes rodeadas de frutas, hortaliças e artesanato, onde a confusão de gente não impede o convívio. Nos mais centrais há sempre movimento, e só a partir das 22 horas é que a multidão começa a dispersar para outros pontos estratégicos da cidade. Mas enquanto o dia avança e a noite não cai, a população distribui-se por estes locais para umas compras de ocasião ou para um almoço rápido no charmoso Shrannenhalle, um antigo mercado oitocentista de venda de cereais, totalmente reconstruído e inaugurado em Setembro passado, mas que já na época era considerado uma verdadeira obra-prima da arquitectura pela sua estrutura forrada de vidro e ferro forjado, que foi, aliás, mantida no actual projecto.

Com um ambiente interior assumidamente cosmopolita, no Schrannenhalle, mesmo ao lado de um dos mais famosos e antigos mercado de Munique, o Viktualienmarkt, cruzamo-nos com pequenas bancas de jovens designers de moda locais, pontos de venda onde artesãos de peças sofisticadas mostram o seu ofício, a que se juntam inúmeros bares e restaurantes de estilo e para todos os paladares. Durante o dia e até mesmo noite fora (está nos planos futuros dos promotores deste indoor market mantê-lo aberto ininterruptamente, num conceito “24/7”), é também habitual desenvolverem-se aqui várias iniciativas culturais, tais como concertos de jazz e de música clássica e exposições de arte.

Passeios periféricos

Sair do centro de Munique é como entrar noutro mundo, habitado por atmosferas bucólicas, ambientes tranquilos e sensações nostálgicas. Na Baviera parece que parámos no tempo. Para lá da janela do comboio sucedem-se os intermináveis lagos, os prados e as florestas cerradas, tantas vezes pintadas pelo branco da neve. Uma casa isolada ali, outra aldeia adiante, mais um palácio de histórias de fadas escondido entre a vegetação, e os Alpes no horizonte, num daqueles dias em que o Föhn – um vento quente característico da região – afasta a neblina habitual.
Vale a pena reservar um dia para dar uma volta de reconhecimento pelo enorme lago Starnbergersee, onde foi encontrado morto Ludwig II, o excêntrico monarca que marcou a história da região. Agora convertido
em condomínio privado de luxo, o antigo castelo de Passenhofen (século XVI), onde a imperatriz Sissi passava temporadas, ainda está rodeado por alamedas de árvores e restos de muralhas seculares, oferecendo uma fantástica vista para o espelho de água, cenário de agradáveis passeios de barco (informações em www.bayerische-seenschifffahrt.de).

A viagem desde Hauptbahnhof pela linha S6 não demora mais de 30 minutos. Mais para sul, num percurso de aproximadamente 1h30 de comboio, encontramos a que pode ser considerada como a mais famosa excentricidade de Ludwig II, o Castelo de Neuschwanstein, construído de acordo com os humores deste rei que muitos viam como louco, entre 1868 e 1892. As óperas de Wagner, Lohengrin e Tannhäuser, foram a fonte de inspiração para este projecto sem limites (de genialidade e de orçamento), onde se conjugam de forma grandiosa estilos tão diferentes como o bizantino, o gótico e o romântico. Estrategicamente erguido no alto de um rochedo, proporciona uma soberba vista sobre a planície, seguindo o curso do rio Pöllat, e também por isso vale a caminhada de 45 minutos até à entrada para o palácio. É que, caso o piso não ofereça condições de aderência aos transportes públicos que fazem o percurso entre a estação de Füssen e o destino final, só é possível fazer a subida a pé! – ou numa romântica charrete para 5/7 pessoas puxada a cavalo, por cerca de €80.

A animação por estas bandas é realmente grande e prolonga-se todos os sábados até pelo menos às três da manhã, mantendo-se nesse dia muitas das bancas, tanto do Shrannenhalle como do Viktualienmarkt, abertas noite dentro, mesmo aquelas que vendem produtos pouco habituais nas lides noctívagas, tais como mel, especiarias, fruta, legumes ou flores.

Entre um sumo de fruta natural na famosa banca NaturSaft e um sushi na peixaria Poseidon, vamos dando uma olhadela nos tradicionais bonecos de palha que se vendem aqui, ao mesmo tempo que tentamos ler os nomes inscritos nos pedestais das estatuetas que decoram a praça do mercado. Duas das mais famosas são as que representam as figuram de Karl Valentin (popular comediante conhecido como o Charlot da Baviera) e de Roider Jackl, um agricultor da região que ganhou reputação na primeira metade do século XX pela pontaria e acidez das suas rimas de sátira apurada.

Pode também procurar agitação nas imediações se atalhar pela Sedlingerstrasse, movimentada rua durante décadas tomada por gerações de comerciantes ultrapassados no tempo, mas que agora se mostra com uma imensa jovialidade, com bares, restaurantes e lojas para todos os gostos e feitios. Descubra o Caffé Streiflicht (Sedlingerstrasse, 8), poiso habitual de jornalistas e intelectuais, situado precisamente no edifício sede do conhecido diário Süddeutsche Zeitung, ou o Stadtcafé im Stadtmuseum (St-Jakobs-Platz, 1), para um almoço com vista para os jardins do Stadtmuseum. Entretanto, os habituais ruídos de mercado ouvem-se de novo, desta feita vindos de Sedlinger Tor, maioritariamente ocupado por bancas de comes e bebes, protegidas pelo que sobra da muralha medieval.

Tentações de caminhante
Podemos também optar por conhecer Munique exactamente pelas grandes e longas avenidas, umas mais comerciais e turísticas que outras, mas todas de idêntica personalidade monumental. Aguçando a curiosidade e a atenção encontramos de tudo um pouco: fachadas de elegantes prédios que, inusitadamente, desembocam em pátios a céu aberto, muitas vezes a esconder uma galeria de arte, uma loja de acessórios de moda, ou um tranquilo bar com uma simpática esplanada, ideal para uma bebida quente a meio do dia ou uma cerveja lá mais para a noite.

Banca no Virtualienmarkt, um velho mercado agrícola convertido num paraíso gourmet
Enquanto a Maximilianstrasse – nobilíssima e elegante avenida que se inicia na praça do Nationaltheater e acaba no Maximilianeum, a monumental sede do parlamento bávaro – está voltada para a alta costura e para o fashion design de autor, recebendo o luxuoso Kempinski Hotel (no n.º 17) e mais uns tantos cafés e restaurantes de charme, as boulevards Ludwigstrasse e Leopoldstrasse marcam pontos no que diz respeito ao ambiente académico, à vida nocturna, ao comércio e aos escritórios. Separadas pelo monumental Siegestor, ou Arco do Triunfo, réplica do Arco Constantino de Roma, entre estas artérias notam-se estilos bem diferentes. Os traços sólidos dos edifícios neoclássicos da imponente e austera Ludwigstrasse – onde viveu na primeira metade do século XIX aquela que viria a ser a imperatriz da Áustria, a mítica Sissi – dão lugar à arquitectura mais variada (e arrojada) da Leopoldstrasse. Basta dizer que somos recebidos (e surpreendidos) pelo célebre “Walking Man” do artista plástico norte-americano Jonathan Barofsky, uma enorme estátua de fibra branca com 17 metros de altura, instalada desde 1995 diante da sede da Munich Reinsurance.

Mercado de rua na Marienplatz, a praça histórica que marca o centro geográfico da cidade, funcionando como uma espécie de sala de estar dos habitantes
Já com inúmeros pubs, restaurantes, salões de chá e afins à vista, ao contrário da Ludwigstrasse, praticamente sem estabelecimentos comercias além de uma ou outra galeria de arte ou loja de decoração e do histórico Schumann’s Bar (ver caixa: Hotspots de Munique), esta avenida é animada até de madrugada por jovens executivos de empresas vizinhas e estudantes de uma das faculdades da Ludwig-Maximilians Universitat, que vêm aqui jantar ou beber um copo depois de uns momentos de exercício no Leo (Leopoldstrasse, 11 A/B), o mais in e famoso health club de Munique. Uma dica: as livrarias do bairro universitário são uma perfeita perdição.

Depois de uma “bica” bem tirada no MilchHäusl, um simpático recanto com esplanada mesmo à entrada do Englischer Garten, partindo da Thiemestrasse, aventuramo-nos então pelo bucólico e tentador jardim que parece retirado de um postal do século XVIII, numa tentativa de descobrir os muitos segredos que escondem os mais de 370 hectares deste enorme parque municipal. Sendo um dos maiores espaços verdes urbanos da Alemanha – e o primeiro na Europa –, recebe de manhã à noite os locais, que aqui vêm em peregrinação de lazer. Há quem venha trabalhar para o bronze nos dias de maior calor (o nudismo é frequente e encarado com muita naturalidade), outros em passeio de bicicleta ou a pé pelos 78 quilómetros de trilhos em direcção ao beer garden mais próximo (recomendamos o Seehaus, mesmo no coração do jardim, à beira do lago Kleinbesseloher See), não faltando sequer – pasme-se! – surfistas de ocasião, que, num dos braços do rio Isar, o Eisbach, aproveitam os desníveis de água para apanhar umas ondas.

Do outro lado do rio
Atravessando para a outra margem do rio Isar, pela Max-Joseph brücke (ponte), uma vez mais respiramos outros ares. Em Bogenhausen, a monumentalidade transforma-se em largos quarteirões rodeados de verde, urbanizados por imponentes condomínios habitacionais em altura, hotéis de luxo das grandes cadeias internacionais, algumas sedes de empresas e várias peças arquitectónicas interessantes, como o edifício Hypo-Haus (Arabellastrasse, 109399). Aliás, marque esta vizinhança com um “X” no mapa, porque é aqui que se encontra o mais elitista club lounge de Munique, o P1, na primeira porta da Prinzregentenstrasse, mais concretamente nas catacumbas do Museu Haus der Kunst, um espaço cultural multifacetado, famoso pelas suas exposições de arte contemporânea e pela originalidade das instalações que muitas vezes lhe decoram a fachada. Mais à frente, junto ao Prinzregententheater, uma sala de espectáculos datada do início do século XX onde ocorrem regularmente concertos da Bayerische Theaterakademie, vale a pena uma visita à Feinkost Käfer, uma loja gourmet, propriedade de um dos mais famosos chefs de cuisine de Munique, com um nome/marca que vai do pão ao azeite e às pastas.

Café Aran, na Theatinerstrasse; Dorint Sofitel Bayerpost, um hotel de design inaugurado recentemente num velho armazém da estação central; e o “Walking Man” na Leopoldstrasse; o Kaimug, restaurante de cozinha tailandesa, e o Bar Comercial, ambos no Fünf Höfe,prédio perto do Schrannenhalle

À medida que avançamos no terreno, e após um petisco no concorrido Lisboa Restaurante-bar (Breisacherstrasse, 22), vizinho de uma mão-cheia de concorrentes franceses, italianos, gregos e outras tantas gastronomias do mundo servidas com estilo aqui por Haidhausen, recupera-se o fôlego para regressar ao centro.

Impossível de passar despercebido, o impressionante edifício do Deutsches Museum – o maior do mundo de ciência e tecnologia, com mais de 17 mil peças expostas – barra-nos as vistas a partir de uma ilha no meio do curso do Isar, que faz fronteira com aquele que é hoje em dia considerado o bairro da moda, o Glockenbachviertel. Regressámos novamente à outra banda, também habitada por gente jovem e endinheirada – enquanto na zona de Schwabing a renda de um T2 custa €700, aqui esse valor mais que duplica – e repetem-se os locais onde nos apetece perder uns momentos de relaxe. São incontáveis as lojas gourmet e de fashion design, os bares e restaurantes de estilo, pelo que este é o local ideal para se iniciar nas gastronomias japonesa, turca, vietnamita ou tailandesa. Arrisque com segurança nos originais pratos do Yum-Thai Kitchen & Bar (Utzschneiderstrasse, 6), um agradável espaço de aspecto intimista e decoração contemporânea com toques asiáticos, perto da Gärtnerplatz, onde convém fazer uma reserva antecipada.

Assim voltamos a um ambiente mais aconchegante, que se desenvolve em redor da Gärtnerplatz e segue até a Sedlinger Tor, preenchido por edifícios cobertos de heras em que os andares térreos estão, porta sim, porta sim, ocupados por antiquários, alfarrabistas ou originais lojas como a Sama-Sama (Westenreiderstrasse, 21), com os seus arranjos florais acompanhados de verdadeiras obras de arte de chocolate e frutas secas.

Os cafés e os bares na linha do Trachtenvogl (Reichenbachstrasse, 47) são ideais para fazer uma pausa na companhia de uma torrada e um chá enquanto fingimos que nos aquecemos na sua lareira virtual, em “emissão” contínua a partir do televisor que marca o centro da sala em mezzanine.

“Gemütlichkeit”
Ao fim de uma semana ganhámos uma tal intimidade com este cenário animado que (quase) passámos a fazer parte dele, absorvidos pelos seus ritmos. Na verdade, até tentámos arranhar umas quantas palavras-chave de Alemão... um esforço que acaba por se tornar inglório porque o mais certo é que o seu interlocutor domine, sem grandes dificuldades, o Inglês, apesar de olhar com alguma suspeita uma abordagem “fácil”.

Como a sua gente, a capital da Baviera intimida à primeira sensação. Não é fácil ganhar-lhe confiança imediata, há que tentar explorá-la com calma e atenções, em jeito de caminhante observador e sem pressas.

Para sentir na pele – nem que seja por força do frio quase enregelador que às vezes se faz sentir por estas bandas – o pulsar diário desta cidade que tem tanto de sofisticada como de tranquila e pacata.
Feito o balanço, Munique revela-se aos poucos como uma pequena metrópole, com uma atmosfera tocada por um tímido cosmopolitismo disfarçado de gemütlichkeit, palavra mais ou menos crua e proferida naquele tom seco do idioma germânico. Numa tradução livre, e sem mais rodeios, nós chamamos-lhe “qualidade de vida”. Ou simplesmente viver (em) Munique...

Agradecemos a colaboração da TAP Portugal

Hotspots de Munique

Em Munique não se respira apenas a essência das artes. Depois de uma soirée de ópera ou de uma vernissage numa galeria, gente jovem, executivos de fato e gravata, intelectuais de cachimbo a escorregar dos lábios e respeitáveis famílias trajadas a rigor procuram um local para conviver. E o mais certo é que estes e outros tantos rumem com conhecimento de causa em direcção ao histórico Schumann’s Bar (www.schumanns.de), desde há dois anos transferido para a Odeonsplatz – antes era no n.º 36 da Maximilianstrasse, onde funciona actualmente o Bar Munchen, também uma opção interessante.

Propriedade de Charles Schumann (na foto, em cima), que há quase 30 anos se dedica de coração e alma a este que é seguramente o mais concorrido e cosmopolita bar-restaurante da cidade, foi idealizado à sua imagem, transpirando no ambiente deste espaço a personalidade forte e o humor mordaz que o caracterizam à vista desarmada.
De linhas sóbrias e algo teatrais, onde imperam as cores fortes, as madeiras escuras e os veludos, com uma iluminação estrategicamente posicionada que oferece ao ambiente um certo intimismo, no Schumann’s serve-se uma cozinha tradicional de autor, de sabores fortes e apimentados, por ele interpretada de uma forma pessoal e intransmissível. Como Charles lhe chama, “é uma culinária de fusão na confusão”, sendo famosos, não só os seus bifes de molhos amostardados, mas também os cocktails. Com ligação directa pelas traseiras para as arcadas que envolvem o agradável Hoftgarten, está habitualmente repleto de exemplares da high society local. Reserve mesa com alguma antecipação, apesar de serem servidos copos e refeições até às quatro da madrugada, mas atenção: fecha aos sábados à noite!

Outra curiosidade: Charles Schumann foi em tempos detentor da maior e mais valiosa coleccção de vinhos do Porto em Munique, paixão que o persegue desde há muito, bem visível nas dezenas de garrafas expostas nos seus dois estabelecimentos com a chancela Schumann’s Port Wine. Entretanto, aproveite para dar uma volta por outros locais de peregrinação habitual entre os munichers, como é o caso do Roma Café & Restaurant (Maximilanstrasse, n.º 31), do Reitschule (Köeniginstrasse, n.º 34; o restaurante tem vista para o picadeiro), do Wandelbar (Gärtnerplatz, n.º 1), do Odeon (Amallienstrasse, n.º 25) e do Maroto Bar: Tapas + Vinhos + Superbock, (Westermühlstrasse, n.º 31; gerido por um jovem arquitecto alemão, fluente em português, que viveu durante quatro anos no Porto).

Como ir
A TAP Portugal (tel. 707 205 700, www.flytap.com) possui dois voos diários e directos de Lisboa para Munique por tarifas a partir de €149 (mais taxas).
O aeroporto internacional de Munique (informações em www.munich-airport.de), recentemente ampliado, fica a menos de 30 quilómetros do centro da cidade. A cada 20 minutos partem comboios que fazem ligação directa do aeroporto à Marienplatz. Por €8 (bilhete de ida), pode apanhar as linhas S1 (as carruagens traseiras têm inscrita a palavra Flughafen – aeroporto) ou S8, não excedendo a viagem muito mais de meia hora. Existe ainda a possibilidade de, por €9, recorrer ao airport shuttle, com destino à estação central de Hauptbahnhof, num trajecto de 45 minutos.

Transportes
A MVV – Münchner Verkehrs-und Tarifverbund é a empresa pública que explora a rede de transportes.
O metropolitano, ou untergrund – U-Bahn –, está dividido por oito linhas e áreas de diferentes cores, consoante os destinos e as zonas. Os comboios rápidos, ou schnellbahn – S-Bahn –, cobrem as periferias e outras distâncias mais longas. Os bilhetes são adquiridos nos guichets das principais estações, ou nas máquinas automáticas. Para os trajectos dentro do centro urbano, opte pelo innenraum (preços a partir de €1,10), enquanto para percursos mais distantes terá de escolher a tarifa XXL (desde os €6). Para andar na cidade existe ainda um bilhete de três dias, por €11 (€18,50, o casal).
O Munich Welcome Card é outra opção, pois, consoante a modalidade, permite a utilização gratuita de todos os transportes e oferece 50% de desconto em museus e outras atracções turísticas. Os preços variam entre os €7,50/dia (apenas para o innenraum) e os €48 (para até cinco pessoas, incluindo toda a rede de transportes de Munique e arredores). Mais informações em www.muenchen.de e www.mvv-muenchen.de.

Munique em duas rodas
Não andar de bicicleta em Munique é imperdoável. Há que aderir à maioria e dar ao pedal com convicção. Para tal, o mais fácil mesmo é alugar um veículo de duas rodas e lançar-se à descoberta dos mais de 170 quilómetros de ciclovias que percorrem a cidade e arredores. Pode fazê-lo em vários locais, mas um dos mais centrais fica na entrada lateral da estação de Hauptbahnhof, ao lado do Museu do Brinquedo. Na Radius, as modalidades vão desde o aluguer por uma hora (€3), até períodos de uma semana (€43). Funciona das 10h00 às 18h00, e os horários são cumpridos à risca.
Outra das possibilidades são as “Call a Bike”, motocicletas (movidas a pedal ou motor) que podem ser alugadas pelo telefone ou via Internet, havendo várias distribuídas por toda a cidade, visíveis pela luz vermelha intermitente que as acompanha. Basta ligar o número 07000 522 55 22 ou aceder ao site www.callabike.de e inserir o código inscrito no quadro do veículo e os dados do seu cartão de crédito.

Onde ficar
Cidade sempre movimentada, centro empresarial e palco de inúmeras feiras, Munique oferece várias opções de alojamento, desde pousadas da juventude com diárias na ordem dos €20/€40 a hotéis de grande luxo como o Kempinsky Hotel (www.kempinski-vierjahreszeiten.de). No site oficial da cidade (www.munich-info.de) pode encontrar uma lista dos hotéis, confirmar diárias e fazer reservas online.

No entanto, dois nomes são incontornáveis na hotelaria local:
Bayerischer Hof Hotel – Promenadeplatz, 2-6, tel. 0049 89 21200, e-mail info@bayerischerhof.de, www.bayerischerhof.de. Preços dos €350 (superior duplo) aos €1195 (suite). Este hotel de luxo, membro dos Leading Hotels of the World, é um ícone na cidade. Propriedade da família Volkhardt, abriu em 1841, para responder a um desejo do rei Ludwig I, que queria que a cidade tivesse um hotel confortável para instalar os seus convidados. Hoje possui 395 quartos, incluindo 58 suites. O Blue Spa, com assinatura de Andrée Putman, é a sua mais recente novidade.
Dorint Sofitel Bayerpost – Bayerstrasse, 12, tel. 0049 89 599480, www.dorint.com, www.sofitel.com (com tradução em português no link das reservas). Preços dos €120 (standard duplo) aos €540 (suite superior), pequeno-almoço (€21 p.p.) não incluído. Bom exemplo da tendência reformadora da cidade é um hotel de design de cinco estrelas inaugurado há ano e meio, que ocupa o edifício onde funcionava, desde 1896, o armazém das grandes encomendas da estação central de Hauptbahnhof. Mantendo a fachada original, no seu interior reinventaram-se espaços de sensualidade e ambientes sofisticados, criados pelos arquitectos Angerer & Hadler. No minimalista e requintado restaurante Schwarz & Weiz pode experimentar a cozinha mediterrânica do jovem chef Sascha Baum, que também assina a ementa do moderno Suzie W, o outro restaurante do hotel, para preferências culinárias asiáticas. Com um conceito de do it yourself (além da ementa à la carte), escolhem-se os ingredientes que são cozinhados e combinados com mestria e imaginação.

Oktoberfest e outras festas
Com cerca de seis milhões de visitantes e mais de cinco milhões de litros de cerveja, a Oktoberfest é o mais concorrido evento de Munique.
Realiza-se num imenso parque – o Theresienwiese –, que se transforma numa espécie de feira popular durante 16 dias. Este ano, a Oktoberfest realiza-se entre 16 de Setembro e 3 de Outubro. Mais informações em ww.oktoberfest.de.
Para espíritos mais românticos, o famoso Festival de Ópera – que se realiza desde os tempos de Ludwig II, rei apaixonado pela música – tem lugar na última semana de Julho e é o evento a não perder. Mais informações em www.opern-festspiele.de. Outros pontos altos para os melómanos são a Munich Biennale que se realiza em Maio (www.muenchenerbiennale.de); o Königsplatz Open Air (www.kinoopenair.de), palco de vários concertos de música clássica, rock e óperas; e o Theatron MusicSummer (www.theatron.de), o maior festival de música ao ar livre do mundo.

A visitar
Residenz – Residenzstrasse, 1; aberto diariamente, das 10h00 às 16h00 ou 18h00 (no Verão); entrada: €6 ou €9 para bilhete combinado para visitar o Residenzmuseum e a sala das jóias da coroa; €3 para visita ao Cuvilliés Theater.
Deutsches Museum – Museuminsel 1, www.deutsches-museum.de; aberto diariamente, das 9h00 às 17h00; entrada: €7,50 ou €4 às quartas-feiras, depois das 16h00. O maior museu de tecnologia e engenharia do mundo. Não pode ser visto num único dia.
Geiselgasteig & Bavaria Filmstadt – Geiselgasteig, Bavaria Filmplatz, 7, www.bavaria-filmstadt.de. Horário: diariamente (visitas guiadas em inglês às 13h00), das 10h00 às 15h00 (até 29 de Fevereiro) e das 09h00 às 16h00 (de Março a Novembro). Entrada: €10 (para visita guiada de 90 minutos; €19 para bilhete combinado – visita guiada, espectáculo de duplos e filme 3D interactivo). Transportes: Tram n.º 25. Vale a pena uma visita aos estúdios de cinema de Munique, por onde passaram e fizeram carreira nomes sonantes como Fassbinder, Bergman, Hitchcock e Billy Wilder, que, aliados a estrelas com o brilho de Elizabeth Taylor, Sophia Loren, Romy Schneider, Richard Burton, entre outras, contribuíram assim para que o Filmstadt seja desde há muito considerado a Hollywood da Baviera.
Beyerische Staatsbibliothek – Ludwigstrasse, 16, www.bsb-muenchen.de. É a segunda maior biblioteca municipal da Alemanha, com mais de seis milhões de volumes e cerca de 70 mil manuscritos de incalculável valor. Ocupa um edifício de linhas renascentistas, desenhado por von Gärtner.
Castelo de Nymphenburg, ou Schloss Nymphenburg – Horário: castelo, pavilhões e Marstallmuseum, das 09h00 às 18h00 (de Abril a meados de Outubro) e das 10h00 às 16h00 (de meados de Outubro a Março); jardins (schlosspark), das 06h00 às 17h00 (Fevereiro), das 06h00 às 18h00 (Março), das 06h00 às 20h30 (Abril), das 06h00 às 21h30 (de Maio a Agosto). Transportes: tram n.º 12, n.º 16 e n.º 17.
Bayerisches Nationalmuseum – Prinzregentenstrasse, 3, www.bayerisches-nationalmuseum.de. Horário: de terça a domingo, das 10h00 às 17h00 (até às 20h00, todas as quintas-feiras). Entrada: €5 (entrada gratuita à segunda-feira). Transportes: estação Lehel (linhas U4 e U5); tram n.º 17; autocarro n.º 100 (Museum Line).
Casa-Museu Villa Stuck – Prinzregentenstrasse, 60, www.villastuck.de; de quarta-feira a domingo, das 11h00 às 18h00. Entrada: dos €4 aos €18 (bilhete familiar). Transportes: estação Prinzregentenplatz (linha U4). Um das mais notáveis exemplares de Arte Nova de Munique, com exposições permanentes e temporárias no mesmo estilo. Até 26 de Fevereiro decorre uma exposição sobre a vida deste nobre artista plástico, retratada na sua obra, Franz von Stuck – A família do artista.
Alte Pinakotheke, Neue Pinakotheke e Pinakotheke der Moderne, nos 27, 29 e 40, respectivamente, da Barerstrasse – www.pinakotheke.de. Horários: das 10h00 às 17h00 (alguns dias encerram as 20h00). Entrada: respectivamente, €5, €7 e €9 (entrada gratuita todas as segundas-feiras). Transportes: estação Theresienstrasse (linha U2); tram n.º 27.

Um dia em Munique
De manhã: Mercado de Elisabethmarkt, para uma compras matinais, entre legumes, frutas, produtos orgânicos e gourmet, aproveitando para tomar um café no Sancho Panza, uma pequena loja de vinhos e delicatessen ibéricos do lado da Nordenstrasse.
Ao almoço: para um almoço rápido e barato, mas de qualidade, tenha em atenção os estabelecimentos com a palavra imbiss inscrita nos toldos ou nas montras. São fast-food espalhados um pouco por toda a cidade. Aconselhamos os de gastronomia bávara. Se preferir variar os sabores, escolha o all you can eat japanishes Sushi King, na Radelstegstrasse, 1, no centro.

À tarde: ir às compras na Manufaktum, na galeria comercial Fünf Höfe. Com artigos de decoração e peças vintage, passando ainda por produtos gourmet, torna-se irresistível... Seguimos depois para a tal20, uma galeria de jóias de autor na zona de Glockenbachviertel.

À noite: escolhemos o News Café, na Leopoldstrasse, 74, um restaurante jovem que também é local de romaria pós-jantar, quando a música sobe de volume (encerra às três da manhã).
O histórico Atomic Café (Neuturmstrasse 5) tem música ao vivo, discoteca e cocktail bar. Aberto desde os anos 60, continua a marcar pontos nas apresentações de bandas de hip hop, rock ou soul; outra alternativa é o mais sofisticado Nacht Café (Maximiliansplatz 5) que, além de receber concertos ao vivo, serve refeições até às seis da manhã. O seu pátio é um must no Verão.

Para mais informações
Embaixada da Alemanha, Campo dos Mártires da Pátria, n.º 38, 3.º, sala 5, 1169-043 Lisboa, tel. 218 810 210.
Na Internet: www.muenchen.de, www.germany-tourism.de, www.toytownmunich.com e www.munich-info.de.

Informações úteis
Indicativos: 0049 (para a Alemanha) + 89 (Munique)
Diferença horária: mais uma hora que em Portugal Continental
Postos de turismo: Hauptbahnhof, Bahnhofplatz, 2; Marienplatz, 1.
Internet: por toda a cidade são comuns os estabelecimentos para aceder à Internet. Sugerimos o EasyInternetnet Café, na Bahnhofplatz, 1 (24 horas por dia – www.easyinternetcafe.com), e o Coffee Fellows, também em frente à estação, assim como na Leopoldstrasse, 70 (com melhor ambiente, excelentes sanduíches, brownies e sumos naturais).
Segurança: Além do perigo de ser atropelado por um ciclista – a cidade está repleta de ciclovias, às quais convém estar atento –, seja a que horas for e onde quer que se encontre, sentir-se-á sempre em total segurança. A pé, de bicicleta, ou recorrendo à comodidade da excelente rede de transportes, poderá ir onde entender e sem grandes preocupações.


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