Munique
A
cidade que é feliz
Uma
visita cultural, misturada com muitas compras, boa comida e óptima
cerveja. Em Munique, a pequena metrópole que sabe viver.
O
carácter especial de Munique, entre as cidades alemãs,
é o que atrai a maior parcela dos turistas que visitam a Alemanha.
Gente de todo o mundo vem aqui para saborear a intensa vida cultural,
o dinâmico comércio, ou simplesmente tentar apreender
o segredo de uma cidade que, destruída em 90 por cento na Segunda
Guerra Mundial, se transformou na "capital secreta da Alemanha".
A Coluna de Santa Maria, Rainha dos Céus, assinada por Hubert
Gerhard (1590), fica na Marienplatz, o centro geográfico da
Baviera, onde também bate o coração da cidade.
A
praça é uma sala de estar para os nativos, um promenade
para os turistas, um
auditório quando o carrilhão da Neue Rathaus bate as
11h, um fórum para reuniões políticas, o lugar
para estender a passadeira vermelha aos dignitários e um mercado
na altura do Natal.
Rodeada por edifícios impressionantes,
tem a sua jóia da coroa no Revivalismo Gótico, do início
do século, em que foi construída a Neue Rathaus (a nova
Câmara Municipal). O carrilhão, quando toca, põe
a mexer o rei Wilhelm V e a sua consorte numa cena do casamento
em 1568 , e os bailarinos da Schäfflertanz, uma dança
contra a peste. Do cimo da sua torre avistam-se os Alpes e, do lado
oposto da praça, a Alte Rathaus. Essa esconde o Viktualienmarkt,
literalmente o mercado dos agricultores, que funciona ao ar livre
durante todo o ano, e denuncia o passado rural da cidade e a prevalência
de alguns valores tradicionais, que a capital da Baviera nunca quis
perder.
Foi
durante a década de 60 que a cidade se começou a construir
a si própria como uma "metrópole com coração".
O director teatral Fritz Kortner disse uma vez que Munique "é
uma cidade que sofre do oposto de megalomania; que tem a loucura
das pequenas cidades mania parochialis". Talvez por
isso mesmo, a cidade se defina também como a "metrópole
da felicidade", da Gemutlichkeit, que cultiva tudo o que proporcione
encontro entre as pessoas, sejam jardins da cerveja, festas particulares
ou acontecimentos culturais.
Setecentos anos de governação dos Wittelsbach, reis
da Baviera e coleccionadores de arte, deram à cidade de Munique
a sua actual importância no panorama cultural europeu: 41
teatros, duas óperas, 44 museus e colecções
de arte, 87 cinemas, 47 bibliotecas municipais e três orquestras
sinfónicas.
A par dos grandes palcos e dos grandes espectáculos desenvolveu-se
um circuito paralelo. Aninhados em caves recônditas, com entradas
obscuras, diversos grupos de teatro manifestam-se contra o sistema.
Em Lothringer Strasse, os estúdios dos artistas outsiders
albergam insólitas exposições. E em pequenos
bares, escondidos, repetem-se as jam sessions, já que Munique
é um dos principais centros de jazz da Europa, com mais de
200 espectáculos mensais. Isto a par de concertos de música
clássica e de pop.
Reconhecida pela sua oferta cultural, Munique também é
uma cidade rica em história, com um toque de fantasia na
sua arquitectura de estilo italiano, patente nos principais edifícios
da cidade, sejam eles estatais ou dedicados ao comércio.
E
nem a cirurgia levada a cabo na reconstrução pós-II
Guerra Mundial, que levou à chamada banquização
e boutiquização da Cidade Velha, a fez perder o seu
charme intimista. Na terra natal dos potentados Siemens e BMW, o
bem-estar económico é denunciado pela existência
de lojas de alguns dos impérios da moda europeia.
Numa das mais bonitas avenidas de Munique, a escassos metros uns
dos outros, Giorgio Armani, a alemã Jil Sander, Christian
Dior, Hermés, Guy Laroche, Ives St. Laurent, Gucci, Louis
Vuitton ou Bulgari, construíram os seus elogios ao design,
onde também se vende roupa. A Maximilianstrasse, palco de
todas estas lojas, é uma avenida de estilo Renascentista,
que começa na Max-Joseph-Platz e termina na Maximilianeum,
a sede do Parlamento da Baviera. Tem particular interesse o Posto
dos Correios Central, localizado numa antiga casa nobre, com uma
decoração exterior tipicamente italiana.
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