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D
E S T A Q U E

Percorrer
a cidade sede da Universidade mais antiga de Espanha, obriga a que
se visite os seus monumentos. As marcas do tempo edificado espreitam-nos
a cada esquina. Um roteiro mínimo.
Ponte
Romana (98/117)
Atravessa
o rio Tormes e estava integrada na Via da Prata, que unia Mérida
a Astorga. Apenas os 15 arcos junto à cidade são romanos.
Mede 176m e possuí 26 arcos. Junto à ponte está
uma estátua (mutilada) de um touro ibérico em pedra,
de origem celta. Por perto, o monumento a Lazarillo de Tormes, personagem
e título do célebre romance pícaro espanhol,
de autor anónimo, do século XV. O protagonista nasce
em Salamanca e grande parte da obra decorre na cidade.
Plaza
Mayor (1729/1755)
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Um
dos medalhões da Plaza Mayor
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Considerada
uma das mais belas praças de Espanha, culminação
estética da típica Plaza Mayor castelhana, em 1733 davam-se
por terminadas duas alas: a do chamado Pabellón Real (onde
se pode ver o "medalhão" de San Fernando) e a tangente
à Igreja de San Martín (em terrenos que pertenciam à
paróquia e ao Ayuntamiento). Problemas com os proprietários
das casas que se erguiam ao redor adiaram a restante construção,
que só recomeça 15 anos mais tarde. Elevaram-se, então,
mais duas alas e o edifício do Ayuntamiento, o único
que se distingue na rigorosa simetria do conjunto. Por baixo das varandas
(272) dos edifícios acrescentaram-se os brasões das
famílias proprietárias; as esfínges dos reis
de Espanha, de Alfonso IX a Carlos III, heróis nacionais, santos
e personagens ligadas à cultura orlam as arcadas. Muitos medalhões
restam por preencher. A esfínge do General Franco foi, desnecesário
será dizer, acrescentada posteriormente. A Plaza ocupa 4408m2.
Universidade
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La
Clerecía, sede da Universidade Pontífice.
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A
mais antiga de Espanha, criada por Léon Alfonso IX, em 1218.
Ganha o nome de Universidade com Alfonso X, o Sábio, em 1243.
Foi crescendo em importância e o curso de 1567-68 contava com
7683 alunos (para uma população que se calcula fosse
de 15000 habitantes). À sua imagem criou-se a maior parte das
Universidades do Novo Mundo. Perde importância no século
XVII para renascer no final do século seguinte, congregando
a chamada escola poética de Salamanca. Em 1861 tinha apenas
322 alunos. Já no século XX foi seu professor, e reitor,
durante várias décadas, Miguel de Unamuno. Actualmente
conta com cerca de 35000 estudantes. A fachada, do século XV,
no denominado estilo plateresco espanhol; a escadaria, onde estão
representados os melefícios das "tentações
da carne" e os benefícios de uma vida dedicada ao estudo;
a biblioteca (reconstruída em 1749), os claustros e a sala
de aula de Frei Luis de Léon, que se mantém como à
época, merecem visita. Calle Libreros.
Hospital
del Estudio (1413)
É
o edifício mais antigo da Universidade, dedicado a Tomás
de Aquino, no Patio das Escuelas Menores. Segundo a tradição
ergue-se sobre uma antiga judiaria, destinando-se à assistência
de estudantes pobres. Actualmente ocupa-o a reitoria da universidade.
Escuelas
Menores e Museu Universitário
Edifício
onde se realizavam estudos prévios à entrada na universidade. A
fachada ficou terminada em 1534. O claustro interior dava acesso
às salas de aulas que estão hoje ocupadas por serviços administrativos.
Ao fundo, no Museu, pode apreciar-se um fragmento da magnífica pintura
de Fernando Gallego, conhecida por Cielo de Salamanca.
Catedral
Velha
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Torre
del Gallo da Catedral Velha.
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Mandada
construir por Don Raimundo e Dona Urraca, é românica
de influência bizantina. Unamuno chamou-lhe "mortalha de
pedra". Obra com ínicio no século XII, prolonga-se
até ao século seguinte e terá tido exteriormente
aspecto de fortaleza, com muros de 3m de espessura, ameias e janelas
estreitas (era conhecida por Fortis Salmantina). O interior é
magnífico, com túmulos dos séculos XIII, XIV
e XV e pinturas murais que têm vindo a ser postas a descoberto.
O claustro dá acesso a quatro capelas: a de Talavera, onde
se mantiveram rituais moçárabes; a de Santa Bárbara,
onde se realizavam os severos exames universitários; a de Santa
Catalina, local de celebração de Cortes e Concílios;
a de São Bartolomeu, onde domina o túmulo do seu fundador
- Don Diego de Anaya - rodeado por um belíssimo gradeamento
em ferro. O retábulo do altar-mor, com 53 imagens pintadas
por Nicolás Florentino em 1445 é um exemplo maior da
arte toscana do século XV. O orgão, denominado de Francisco
de Salinas (catedrático de música na Universidade, cego),
cujo som inspirou versos a Frei Luis de Léon, é do século
XVI. Do Patio Chico, situado na porta sul da Catedral Nova, podem
observar-se a chamada Torre do Galo, de influência bizantina,
a única porta primitiva do edifício, a Puerta de Arce
(século XII), e algumas das suas 25 ameias originais. No interior,
o Museu Diocesano merece visita. Plaza Juan XXIII.
Catedral
Nova (1513/1733)
Contígua
à Catedral Velha, novos gostos e o crescimento da cidade
justificaram a sua construção, que demorou 220 anos.
Tão longo período explicará porque razão
a Catedral Velha, que se manteve de pé apenas para permitir
o culto enquanto se construía a nova, acabasse por não
ser demolida. É a penúltima catedral gótica
de Espanha (a última é a de Segóvia). Com 11
capelas (note-se o retábulo do Cristo das Batalhas na capela
do mesmo nome), dois belíssimos orgãos, dos séculos
XVI e XVIII, destaque-se o trabalho das abóbodas da nave
central. Na fachada Norte (porta de Ramos) podem ser vistos os baixos
relevos de um caranguejo, um lince ibérico, uma cegonha,
um macaco comendo um gelado de três sabores e um astronauta,
figuras deixadas pelos artesãos encarregues da sua restauração.
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