Sabia
que uma passagem aérea pode custar apenas um euro? Não, não leu mal,
trata-se efectivamente do preço de um café! Conheça as companhias
que praticam tarifas reduzidas e o que as distingue das empresas de
aviação tradicionais
Março
de 2003
Texto
de Teresa Frederico Ilustração de André Kano
Antes
que o leitor se entusiasme demasiado, convém esclarecer que a tarifa
de um euro não está disponível em Portugal: refere-se a um voo da
Ryanair, companhia irlandesa fundada em 1985 que actualmente liga
mais de 60 aeroportos de quase toda a Europa. A ligação mais "próxima"
do território nacional une Girona no Nordeste de Espanha, a aeroportos
nos arredores de Milão, Frankfurt e Londres.
Mesmo assim, é bom saber que, estando de férias em Pescara, por exemplo,
uma cidade do centro de Itália banhada pelo mar Adriático, pode dar
um salto a Londres (o voo é para o aeroporto de Stansted, a 60 quilómetros/45
minutos de comboio do centro da cidade) pagando praticamente o valor
de um maço de tabaco (dois euros, um por trajecto). Dizemos praticamente
porque no cálculo do custo total da viagem é necessário incluir as
habitais taxas, que neste caso são bem mais caras do que a própria
passagem aérea... Contas feitas, a visita a Londres (Stansted) fica-lhe
em € 29,77. Uma pechincha.
Em Portugal, a companhia de tarifas reduzidas Easyjet, que integra
a antiga Go, oferece viagens de Faro, o único aeroporto nacional actualmente
usado pela empresa, para Stansted e Luton (a 25 minutos de comboio
do centro de Londres) por preços entre € 33 e € 318 cada trajecto.
As taxas, não incluídas, custam € 14. É certo que a tarifa mais baixa
não é tão barata como a da Ryanair... mas não deixa de ser um valor
extremamente apelativo. E há sempre a esperança de que venham a surgir
passagens aéreas gratuitas, como as 5000 que a Go disponibilizou para
Portugal e Espanha em Setembro de 2002.
Em breve, previsivelmente a partir de 30 de Março, os lisboetas também
poderão beneficiar de preços semelhantes: um programa de tarifas reduzidas
da Scan-dinavian Airlines permitirá voar de Lisboa para Copenhaga
por pouco mais de € 30, taxas não incluídas.
Quando a esmola é grande...
...
o pobre desconfia. A primeira ideia que vem à cabeça, pelo menos de
quem não morre de amores por andar de avião, é a de que, para praticarem
tais tarifas, estas empresas devem reduzir o investimento na segurança...
Mas não é assim. Embora sejam conhe-cidas como companhias de tarifas
reduzidas (ou de baixo custo, tradução de low cost), tal expressão
não designa um tipo especial de empresa. São companhias iguais às
outras, portanto, obrigadas a cumprir as mesmas regras, que aliás
são internacionais.
As diferenças advêm de outros factores. Um deles respeita aos aeroportos
utilizados: muitas destas empresas, mas não todas, optam por voar
para aeroportos secundários, menos congestionados do que os principais
e que cobram taxas mais baratas pela sua utilização.
A contenção de custos passa também pela redução dos ser-viços prestados
a bordo. Em geral, comida e bebidas são pagas pelo passageiro, ao
con-trário do que acontece nos voos da TAP, por exemplo, que as fornece
gratuitamente. Ou seja, a despesa com refeições é eliminada e convertida
em fonte de receita. No caso da Virgin Express - companhia belga que
voa actualmente para várias cidades europeias, entre elas Atenas,
Madrid, Nice, Roma, Faro e Lisboa - os clientes pagam € 1,5 por um
pacote de batatas fritas, € 2 por uma cerveja, € 4 por uma sandes
e € 10 por uma salada de frango. Na Easyjet a sandes custa € 5, a
cerveja € 3,5, um café ou um chá € 2,5.
Por outro lado, estas companhias incentivam a venda das passagens
aéreas através da Internet, o que reduz os custos com pessoal e espaços
comerciais. Os bilhetes físicos desaparecem (mais uma forma de poupar
dinheiro), sendo substituídos por um simples código (e-ticket ou bilhete
electrónico). Juntamente com um documento de identificação válido,
este código é tudo o que o passageiro necessita para, na data prevista,
fazer o check-in.
Regras
diferentes
Se,
em vez de utilizar a Internet, preferir usar o telefone para adquirir
a sua passagem aérea, saiba que a viagem lhe pode sair mais cara.
As tarifas da Easyjet, por exemplo, custam mais € 5. Na Virgin Express
não se paga por utilizar esse meio de comunicação, mas quem opta pela
Net beneficia de um desconto de € 2 por trajecto (ou seja, € 4 no
caso de ida e volta).
O pagamento com cartão de crédito também aumenta o preço da passagem:
a Virgin Express cobra € 5 por reserva e a Easyjet € 6,5 (se o cliente
usar Visa, Mastercard ou American Express).
Caso pretenda viajar com crianças, con-vém estar atento aos preços
praticados. Os bebés voam gratuitamente (com a Virgin Express e a
Easyjet) mas a passagem aérea de crianças com mais de dois anos pode
custar o preço de adulto (Easyjet) ou € 51 por trajecto (até aos 11
anos na Virgin Express, sendo que se existir uma tarifa de adulto
mais económica a criança pode usufruir dela). Já na TAP, por exemplo,
até aos dois anos os petizes pagam 10 por cento da tarifa de adulto
e 67 por cento até aos 12 anos.
Estas e outras informações estão normalmente disponíveis nos sites
das respectivas companhias aéreas (ver caixa "En-dereços Úteis"),
cuja leitura atenta se recomenda. As regras são explícitas, de tal
forma que, até à data de fecho desta edição, nem o Centro Europeu
do Consumidor nem a DECO receberam quaisquer queixas contra estas
empresas.
Endereços úteis Eis alguns sites que deve anexar aos seus Favoritos se pretende
aproveitar as ofertas das companhias aéreas de tarifas reduzidas.
Nem todas voam para Portugal.
Air Europe
(www.air-europa.com) efectua, além de voos em Espanha, ligações
a cidades europeias e americanas, entre outras. Tem ofertas
especiais a partir de € 25.
Basiq Air
(www.basiqair.com), a linha aérea de baixo custo da Transavia
Airlines, cujo capital é detido em 80 por cento pelo grupo KLM,
alargou recentemente a sua oferta, voando agora para 13 destinos
na Holanda, França, Espanha, Itália e Portugal. Os voos para
o território nacional ligam Faro a Amesterdão entre 30 de Março
e 25 de Outubro e custam a partir de € 59 por trajecto, taxas
não incluídas.
Buzz
(www.buzzaway.com), a companhia de baixo custo que a KLM, no
final de Janeiro, acordou vender à Ryanair, efectua actualmente
32 rotas na Europa, de Jerez, no Sul de Espanha, a Amesterdão.
As tarifas contempladas na secção "saldos do mês" custam a partir
de € 5 por trajecto.
Easyjet
(www.easyjet.com); mais informação no texto.
Flyglobespan
(www.flyglobespan. com), empresa escocesa recentemente criada,
voa entre Glasgow Prestwick e Edimburgo para Palma de Maiorca,
Málaga, Barcelona, Nice e Roma. Tarifas a partir de € 19.
Jet2
(www.jet2.com), companhia de baixo custo sedeada em Leeds, no
Reino Unido, iniciou as ligações a Amesterdão em meados de Fevereiro.
A partir de 27 de Março passará a voar para Barcelona e em Abril
para Málaga, Palma de Maiorca, Nice e Milão. Preços a partir
de € 9 por trajecto.
Meridiana
(www.meridiana.it) oferece voos entre cidades italianas mas
também para Barcelona, Amesterdão, Londres e Paris. Os voos
custam a partir de € 9.
Ryanair
(www.ryanair.com); mais informação no texto.
Scandinavian Airlines
(www.scandinavian.net); mais informação no texto. O programa
de tarifas reduzidas terá um site específico, ainda não divulgado
à data de fecho desta edição.
Song
(www.flysong.com) é a nova companhia de tarifas reduzidas da
americana Delta Air Lines (www.delta.com). Ao longo de 2003,
substituirá a Delta Express (também de baixo custo, mas menos
"contundente" do que a sua sucessora). Os preços oscilarão entre
€ 79 e € 299 por trajecto. Os bilhetes podem ser adquiridos
on-line a partir de 31 de Março.
Virgin Express
(www.virgin-express.com); mais informação no texto. Os voos
de Portugal para Bruxelas custam a partir de € 59 por trajecto,
taxas não incluídas. Por vezes faz campanhas promocionais: em
Dezembro de 2002 a ligação de Lisboa custava € 25 e de Faro
€ 19.
Nesses sites descobrirá, entre outras informações importantes, que
só uma parte da oferta corresponde às tarifas mais económicas; que
estas se referem a um único trajecto (em vez de incluírem a ida e
o regresso, como provavelmente estará habituado) e não são reembolsáveis;
que o bilhete tem de ser pago no momento da reserva; que os preços
podem variar de uma semana para a outra; e que quanto mais cedo adquirir
a passagem mais barata esta lhe sairá.
Antes de comprar o bilhete, não se esqueça de verificar a distância
entre o aeroporto e a cidade que elegeu para passar férias e, se for
significativa, acrescente o valor da deslocação ao custo da viagem.
Compare o preço final com as tarifas e condições oferecidas pelas
companhias tradicionais, escolha a opção que mais lhe convém e...
boas férias!