Março
de 2004 Junto
ao rio Tâmega, a cidade de Amarante desperta lentamente
numa manhã fria de Inverno. É o nosso ponto de
partida para conhecer as magníficas paisagens do Parque
Natural do Alvão
Textos
e Fotos João Nunes da Silva
No
vale da campeã, uma castanha espreita do seu ouriço,
à espera de ser recolhida.
A apanha de castanhas nos soutos, durante o Outono, constitui uma
das muitas actividades agrícolas tradicionais que ainda encontramos
nesta região de fronteira entre o Minho, o Douro e Trás-os-Montes.
Com
um relevo variado, o parque natural do alvão apresenta definidas
duas importantes áreas: uma zona mais alta (que chega aos 1339
metros de altitude), abrangendo a serra do Alvão e o planalto
de Lamas de Olo, e uma zona basal (até aos 250 metros), onde
estão localizadas as povoações de Ermelo e de
Fervença e os vales por onde corre o rio Olo.
Nesta
zona de montanha, os rigores do inverno são bastante pronunciados.
Pelo menos uma vez por ano, todo o parque se cobre com um enorme manto
branco. Como que por magia, uns ramos de vidoeiro embrulham-se durante
a noite no gelo, proporcionando uma imagem de rara beleza.
Na
primavera, no verão e no outono, as áreas florestais
do alvão pintam-se de cores quentes. Com uma enorme biodiversidade
florística, entre várias espécies raras ou endémicas
como o cravo-dos-alpes ou a açucena-brava, encontramos carvalhos,
vidoeiros, azevinhos, castanheiros, pilriteiros e muitas outras espécies
de flora.
Criado
em 1983, o Parque Natural do Alvão - uma área protegida
relativamente pequena entre os concelhos de Vila Real e Mondim de
Basto - é um refúgio fulcral para várias espécies.
Outrora, entre as zonas mais elevadas do sistema montanhoso do Alvão
e do Marão, era possível avistar com frequência
a emblemática águia-real, hoje praticamente extinta.
Actualmente, subsistem no interior do parque diversas espécies
faunísticas, típicas de montanha. É o caso do
lobo, do gato-bravo, da toupeira-de-água e do falcão-peregrino,
entre outras.
À
medida
que subimos pela serra, desencantam-se vales profundos, com pequenos
retalhos verdes em socalcos, característica da paisagem rural
desta área protegida. A utilização dos lameiros
pelo gado maronês é outras das particularidades associadas
às pequenas comunidades de montanha. A criação
desta raça é, aliás, uma das actividades económicas
mais importantes das populações da região.
Ao
fim do dia, as silhuetas montanhosas que constituem o Alvão
e o Marão delimitam o parque. Numa zona de transição
incerta, de um lado, a Ocidente, fica a região do Douro e do
Minho; do outro, a Leste, estão as terras longínquas
de Trás-os-Montes, que, como o próprio nome indica,
era outrora sinónimo de distância e isolamento.
Na
aldeia de lamas de olo não há pressas e os dias passam
devagar. O recolher do gado ao fim do dia é uma das tarefas
rurais, a par de muitas outras, como as malhas do centeio, do milho
e do feijão, as desfolhadas e as vessadas (em que se prepara
a terra para as próximas sementeiras). A matança do
porco, a confecção do fumeiro e o fabrico do pão
completam o dia-a-dia dos seus habitantes.
Protegida
pela encosta da serra, a aldeia de Fervença recebe os últimos
raios de sol de um dia de Inverno. Aqui e nas aldeias de Lamas de
Olo, Ermelo e Barreiro ainda é possível encontrar casas
tradicionais construídas em xisto, colmo e granito, muitas
das quais recuperadas com a colaboração dos serviços
do Parque Natural.
Como
que numa corrida desenfreada, os cursos de água das zonas mais
elevadas do parque correm por entre gargantas e vales apertados. Alguns
acabam parte do seu percurso em precipício, como é o
caso da queda de água do Moinho de Galegos da Serra ou, como
é mais conhecida nessas paragens, as Fisgas do Ermelo. Esta
última, com um desnível vertiginoso de cerca de 250
metros e uma beleza singular, algo misteriosa, é o símbolo
do parque, pelo que constitui uma das paragens obrigatórias
para quem visita o Alvão pela primeira vez.
Guia de Viagem Como ir
O
Parque Natural do Alvão localiza-se no Norte de Portugal, no
distrito
de Vila Real, e abrange os concelhos de Mondim de Basto e Vila Real.
Para lá chegar terá de tomar a IP4 e depois a EN 304
que liga Vila Real
a Mondim de Basto e que atravessa todo o parque. De Lisboa a Vila
Real são cerca de 400 km; Porto-Vila Real, 116 km; Faro -Vila
Real, 660 km. De Vila Real a Mondim de Basto são 33 km.
Informações
úteis
Antes de se deslocar ao Parque Natural do Alvão, e dado que
se trata
de uma área natural, aconselhamo-lo a programar a sua viagem.
A reserva de
alojamento no interior do Alvão deve ser feita com alguma antecedência.
Existem vários livros e guias que podem ajudá-lo a preparar
melhor a sua viagem. Para tal, pode contactar com a sede do Parque
Natural
do Alvão (Largo dos Freitas, 5000-528 Vila Real, Tel.: 259
302830; Fax: 259 302831; E-mail: pnal@icn.pt),
a delegação em Mondim de Basto (Lugar do Barrio, Sítio
do Retiro, 4880-164 Mondim de Basto, Tel.: 255 381209) e o Centro
de Interpretação do Parque Natural do Alvão.
Para conhecer melhor os diferentes aspectos que caracterizam o diverso
património existente dentro da área do parque, o visitante
pode deslocar-se ao Centro de Interpretação localizado
em Mondim de Basto (Lugar do Barrio - Sítio do Retiro, 4880-164
Mondim de Basto, Tel. 255 381209)
Cuidados
especiais
Porque é uma zona de montanha, a região do Alvão
é especialmente fria, mesmo durante a Primavera. Em alturas
de mau tempo, com chuva e neve, não se aventure por locais
que desconhece. Nas Fisgas do Ermelo deve ter-se uma atenção
redobrada, dado tratar-se de uma zona perigosa, onde já ocorreram
alguns acidentes. Procure sempre informar-se antecipadamente junto
dos serviços do parque. Se pretende caminhar, leve calçado
apropriado. Com a utilização de binóculos e a
ajuda de guias de campo (de fauna e flora) poderá observar
e identificar com maior facilidade algumas das espécies do
parque, sobretudo aves.
Onde
ficar
Inúmeros locais permitem ao visitante pernoitar nesta visita
ao Parque Natural do Alvão. Aqui ficam algumas sugestões:
Pousada de São Gonçalo
Amarante - Tel. 255 460 030; Fax: 255 461 353
A pousada no Marão é o local ideal para desfrutar das
magníficas paisagens da montanha e do vale do Tâmega.
Quarto duplo a partir de € 92 (domingo a segunda) e de €101
(de sexta a sábado), incluindo pequeno-almoço.
Casa da Calçada
Largo do Paço, 6, 4600-017 Amarante,
Tel. 255 410 830; reservas@casadacalcada.com;
www.casadacalcada.com
Casa senhorial com 30 quartos, situada em pleno centro histórico
da cidade de Amarante, junto à ponte velha. Quarto duplo a
partir de €118,50 por noite.
Centros
de acolhimento
Para quem o desejar, o Parque Nacional do Alvão dispõe
de uma casa-abrigo no interior do parque, a Escola Ecológica
do Alvão, com quatro quartos e 12 camas individuais, que pode
ser alugada (até mesmo para grupos) e que apresenta as condições
necessárias para passar uns dias em pleno contacto com a natureza.
Para reservas contactar: Largo dos Freitas,
5000-443 Vila Real; Tel.: 259 324 138; Fax: 259 373 869; E-mail: pnal@icn.pt
Mais informações em: www.icn.pt
Onde
comer
No Parque Nacional do Alvão existem vários locais onde
pode matar a fome e tomar contacto com a gastronomia regional. Antes
de partir para a serra, pode parar em Amarante, no Restaurante Zé
da Calçada (Rua 31 de Janeiro, Amarante, Telefone 25 5426814;
E-mail: zedacalcada@sapo.pt)
e em Mondim
de Basto (Adega 7 Condes, Rua Velha, Tel.: 255 382 342).
Onde
comprar
Em visita a esta área protegida poderá adquirir algum
artesanato na Romarigues Artesanato, um centro de produção,
promoção, divulgação e
comercialização de artesanato regional. Este centro
produz materiais em linho, madeira e cestaria, entre outros.
Percursos
pedestres
No interior do Parque Natural do Alvão existem dois percursos
pedestres que o visitante pode efectuar, se se aconselhar previamente
junto das delegações
do parque:
Galegos da Serra-Arnal
(início em Agarez, na saída para Galegos da Serra).
Extensão: 5 Km; Duração: três horas;
Grau de dificuldade: fácil
Interesse: Vista panorâmica sobre Vila Real e amplos horizontes
para as serras circundantes.
Mondim de Basto/PN Alvão
(início no Centro de Interpretação)
Extensão: 50 Km; Duração: dois dias;
Grau de dificuldade: médio
Interesse: paisagem diversa com campos agrícolas, Fisgas de
Ermelo, Rio Olo, artesanato.