Uma
expedição pela Namíbia, o país encaixado
entre Angola
e a África do Sul que é conhecido pelos seus belos parques
naturais
e por paisagens tão inóspitas quanto inesquecíveis
Texto
e fotos de António Sá
Todos
nós, de uma forma ou de outra, alimentamos desde pequenos um
imaginário intimamente ligado a África. Seja pelas lendárias
aventuras de John Weissmüller, na pele do famoso Tarzan, pelos
recorrentes documentários sobre a vida selvagem ou, mais recentemente,
graças aos bonecos animados do Rei Leão, qualquer criança
fixará mais cedo do que tarde nomes como zebra, girafa, hipopótamo,
elefante e tantos outros animais desse mítico continente, berço
de todos os mistérios, incluindo o da origem da nossa própria
espécie.
Jan
Grobler, o guia,
no deserto do Namibe
O
mais próximo que estive desse sonho eternamente adiado foi
em 1994, quando comecei a desenhar uma viagem ao Botswana com uma
pequena incursão no então recém-fundado e desconhecido
país que dava pelo nome de Namíbia. Depois, não
sei bem porquê, engavetei novamente o mapa e acabei noutros
destinos.
Agora que me encontro deitado nas dunas do Namibe, fitando um céu
austral com mais estrelas do que grãos de areia, pergunto-me:
como foi possível esperar tanto tempo? É que a realidade
supera de longe toda a metragem de filmes, séries e documentários
que alguma vez possamos ter visto. E apenas estou no início
de uma longa viagem.
A
aventura começa
Havia um dia que tinha deixado a capital, Windhoek (que se lê
“vinduk”), com o seu asfalto, os seus edifícios
altos, toda uma variedade de gentes e demais sinais de civilização,
e acabara de alcançar um planalto inóspito de areias
avermelhadas. De repente, esse mundo pareceu-me tão distante
quanto Marte ainda se oferece aos olhos de um potencial astronauta
terreno.
lodge Twyfelfontein
No vale abaixo
não era altura de correr o Kuiseb, um desses rios efémeros
comuns nestas paragens, onde a chuva cai raramente mas sempre de uma
só vez. Os sinais das esporádicas e violentas torrentes
são bem visíveis pelo caos de ramos e troncos secos
que se amontoam em barricadas intransponíveis e na areia finíssima
que constitui o leito, agora seco. As margens são, no entanto,
surpreendentemente verdes, graças às árvores
ripícolas cujas raízes se vão abastecendo no
subsolo. São poucos os humanos que se aguentam por aqui.
Alguns
membros do povo Topnaar estabeleceram-se em pequenas comunidades ao
longo do vale e vão vivendo das cabras, de um fruto verde e
espinhoso, tão apreciado quanto disputado, chamado !nara (as
palavras locais iniciadas por um ponto de exclamação
pronunciam-se com um estalido da língua) e, tal como as árvores,
dos aquíferos que se escondem uns metros abaixo
da superfície poeirenta.
Quanto aos
animais selvagens, também não têm a tarefa facilitada,
embora o Namibe – um dos desertos mais antigos do planeta –
lhes tenha concedido tempo de sobra para adaptar o organismo às
árduas circunstâncias: há toupeiras douradas que
se mantêm enterradas durante o pino do sol, coelhos e raposas
de orelhas sobredimensionadas para dissipar o calor, e até
escaravelhos que descobriram nas encostas arenosas a melhor forma
de saciar a sede: deixar a gravidade fazer escorrer para a boca o
nevoeiro matinal lentamente condensado nas diminutas carapaças.
Engenhoso, não?
Crepúsculo
em Otjovasandu
Sinto-me,
pois, um felizardo, dadas as limitações morfológicas
da nossa espécie, completamente inadaptada às zonas
mais remotas deste mar de areia.
É um luxo poder contemplar o magnífico cenário
de montanhas douradas e ondulantes que se
estende a perder de vista até tocar outro mar, o de sal
e água, ainda mais imenso. Vale-nos o engenho tecnológico
dos todo-o-terreno para galgar quilómetros
e quilómetros de dunas – 80 em cerca de nove horas –
em constantes ziguezagues, sobe-e-desce e, não
poucas vezes, exasperantes “quase sobe” ou nervosos “será
que desce?”. Caprichos próprios de um deserto naturalmente
instável, onde cristas em gume, pendentes abruptas e areias
ilusórias ao primeiro olhar, são apenas algumas das
armadilhas que insistem em recordar-nos a real dimensão da
pequenez humana.
No deserto do Namibe
Seja como for aqui estou, como dizia, deitado nas dunas do Namibe.
O crepitar do fogo e um ligeiro arrepio resgatam-me subitamente desta
deambulação mental pelo dia que passou. Faz frio. Quando
olho à volta nem acredito que tenhamos descido esta enorme
parede de areia ao volante de um veículo; é uma duna
gigante com um desnível de cerca de 50 metros e uma inclinação
que nos transformou de repente nos mais ousados duplos de Hollywood.
Os crentes terão rezado, imagino. Não é das mais
altas deste deserto; esse título está reservado às
que se situam na região de Sossusvlei que, com mais de duas
centenas de metros de altura e outro tanto em quilómetros para
Sudoeste deste ponto, se encontram demasiado afastadas dos nossos
objectivos.
Criança
da tribo Himba
O acampamento
só foi montado quando o vento amainou. Até lá
dispusemos as seis viaturas em “U” para nos defendermos
da areia como o faziam as caravanas dos pioneiros do Oeste americano
perante um ataque índio; os grãos de areia são
as flechas das nossas preocupações: beliscam-nos violentamente
a pele e entranham-se em tudo o que é possível, sobretudo
no equipamento fotográfico. Mesmo assim, arriscámos
uma subida a pé até uma crista visivelmente em trânsito
para outro sítio qualquer, tal era a força do vento.
Mas isso foi há umas horas. O que importa é que o nosso
braai (grelhado de carnes tradicional) está quase pronto.
Os cinco guias que nos acompanham, mais do que experientes condutores
de areia, são incansáveis nos detalhes da expedição,
incluindo a preparação das refeições.
Quatro deles trabalham para a Uri Adventures e “apenas”
são responsáveis por nos fazer atravessar o deserto
e todos os seus obstáculos com perícia, conforto, segurança
e, diga-se, divertimento.
Girafas
no Parque Etosha
O quinto, da Calabash
Safaris, é para nós o primeiro. Incumbido de nos guiar
durante toda a estada no país, Jan Grobler é um antigo
park ranger de origem sul-africana com anos de experiência nestes
terrenos impiedosos – um homem que inspira confiança
e transpira um profissionalismo irrepreensível. E com sentido
de humor. Quando, mais uma vez, uma das nossas pick-up não
consegue transpor uma duna teimosa, ele desata a correr lá
do alto
Colónia
de leões marinhos
de Cape Cross
até cá
abaixo, irrompe com a sua cara
vermelha do
sol pela janela aberta do condutor e encoraja toda a tripulação
num tom tão ofegante quanto hilariante: “Ok,
a ideia vocês já perceberam.” Pelo menos vista
do banco de trás, a cena parece tirada de um filme dos Monty
Python. Mas que posso eu dizer, que enverguei uns ridículos
óculos de natação em pleno deserto, sem que algum
dos meus companheiros de viagem pudesse imaginar antecipadamente tratar-se
de uma tentativa séria para proteger as lentes de contacto?
Deserto
do Namibe,
região de Gobabed
O dia amanhece
com o habitual nevoeiro, característico desta costa desértica.
Não estamos longe do mar e na base da duna onde acampámos
pode mesmo ouvir-se o ribombar distante das vagas. Antes de lá
chegarmos, porém, temos de superar aquilo que os guias insistem
em designar desde ontem como “o melhor está para vir”.
Trata-se de um amplo e profundo buraco
Zona
desértica na cratera de Doros
aparentemente sem
saída possível, apelidado
de forma objectiva – e preocupante – como “cemitério
dos Land-Rover”. “Felizmente, estamos de Toyota”
– alguém desdramatiza enquanto Fanus, o responsável
da Uri, se abeira da cratera para nos dar a chave segura do derradeiro
desafio. Momentos mais tarde já refrescávamos com alívio
as faces queimadas numa familiar brisa atlântica. O cheiro a
maresia é igualzinho ao de boa parte da nossa costa e depois
da vastidão árida que deixámos para atrás
quase apetece gritar de alívio, ao contrário do que
é habitual: “Mar à vista!”
Para Sul
vislumbra-se Sandwich Harbour, uma enseada natural em tempos utilizada
como ancoradouro de baleeiros; para Norte, as primeiras casas de cor
pastel, características da cidade e do importante porto comercial
de Walvis Bay, que atingimos ao fim de uns 40 quilómetros pela
própria praia.
O
Parque Nacional Etosha é um autêntico símbolo
de uma política conservacionista
de vanguarda, a jóia das áreas protegidas da
Namíbia e o local onde se torna mais fácil
observar a vida selvagem.
Rumo à Costa dos Esqueletos
Swakopmund, na vizinhança de Walvis, é a segunda cidade
da Namíbia e sua principal estância balnear. O facto
de estar mais ou menos alinhada com a capital, situada no centro geográfico
de um país que a faixa desértica do Namibe “bloqueia”
de alto a baixo – aproximadamente 2000 quilómetros –,
o acesso à costa parece ser a razão mais plausível
para o seu sucesso. A forte rebentação e os 16 graus
de temperatura da água (na melhor das hipóteses) não
me parecem tão-pouco tornar o destino mais convidativo aos
cidadãos de Windhoek: é simplesmente mais perto do que
qualquer outro sítio à beira-mar e quase a direito –
o que se arranja, portanto. Não quero dizer com isto que esta
terra de 25 000 almas não seja agradável, mas o seu
principal encanto, quando se apresenta a um viajante farto de comer
pó no caminho, assemelha-se à descoberta do arco-íris
e do respectivo pote de ouro num só pacote – a imagem
que retenho da chegada ao Swakopmund Hotel.
Savana
perto dos montes Auas e órixes no Parque Etosha
Foi construído em 1901 para albergar a estação
de caminho-de-ferro e, tal como muitos outros edifícios espalhados
pelas pacatas ruas da localidade, é representativo da arquitectura
colonial alemã do início do século XX. Outros
exemplos bem preservados são a prisão e o antigo tribunal,
talvez um sinal claro de que a Justiça é aqui valorizada
e sobrevive ao passar das épocas. E não há melhor
exemplo disto do que o direito à dignidade dos povos indígenas
e a própria independência do país, alcançada
em Março de 1990: tardou, mas não faltou. As casas são
baixas e distribuídas por quarteirões pequenos em esquadria,
tudo alcançável facilmente a pé, numa agradável
e cada vez mais rara escala humana. As ruas principais encontram-se
extremamente limpas e são ladeadas por estabelecimentos onde
aparentemente nada falta, nem mesmo, para quebrar o isolamento dos
últimos dias, muita cor e animação. Em resumo,
uma cidade com um toque germânico que funciona em pleno, até
quando uma estação desactivada pode significar um corpo
revigorado no que toca a alimentação, descanso, duche
e, se ainda houver tempo, umas braçadas na tentadora piscina.
Prosseguimos
para Norte. O tempo enevoado mantém-se enquanto acompanhamos
a costa, como que a lembrar que também ele funciona com um
rigor de fazer inveja à relojoaria tradicional alemã.
E é ainda sob este tecto cinzento que chegamos à impressionante
colónia de focas de Cape Cross. A cruz diz respeito ao padrão
implantado em 1486 por Diogo
Cão, o segundo europeu a pisar este
Mulher
e criança Himba
solo. Apenas com
uma diferença de três anos, Bartolomeu Dias tinha feito
o mesmo num local hoje conhecido como Diaz Point, próximo da
cidade de Luderitz ou Angra Pequena, se quisermos ser fiéis
à cartografia do navegador. Estes dois locais distam cerca
de mil quilóme-tros e em ambos a história encontra-se
assinalada por réplicas, já que os desgastados padrões
originais foram removidos – o de Cape Cross ainda em 1893 –,
encontrando-se actualmente na Alemanha. As focas que aqui se reproduzem
em Dezembro e ma ntêm-se
durante o resto do ano são, na verdade, leões-marinhos
(entre outros aspectos, distinguem-se das primeiras pelas orelhas
proeminentes). Esta é uma das colónias mais afastadas
em relação ao extremo Sul do continente e onde estes
pinípedes conseguem subsistir graças à gélida
Corrente de Benguela que refresca esta parte do Atlântico acima
do Trópico de Capricórnio.
Gravuras
rupestres
de Twyfelfontein
A Costa dos Esqueletos
abre-se agora à nossa frente.
É um território inóspito dentro de uma paisagem
desoladora. Aos náufragos que alguma vez atingiam a praia,
vencendo águas demasiado frias e correntes sobre-humanas, só
lhes restava festejar o adiamento da morte porque os esperava um deserto
quente e seco, ainda mais cruel que o oceano. Jan aproveita para lembrar
outros dotes pouco amistosos do já macabro litoral: “Quando
sopra o vento forte de Leste, não é anormal ver os carros
que viajam ao longo desta estrada chegarem ao seu destino sem pintura
de um dos lados.” E continua: “Nestas cidades costeiras,
os bulldozers estão sempre a postos para limpar a areia que
se acumula nas ruas após uma tempestade.” Seja ou não
para evitar engrossar as estatísticas que fazem jus ao nome
da costa, a verdade é que deixamos a estrada principal e apontamos
ao interior do país. Até ao fim do dia é pedido
novo esforço às pick-up, porque a estrada passa a caminho,
o caminho passa a trilho e, mais lá para diante, este transforma-se
em algo que não consigo bem identificar. Como consequência
do troço tivemos um furo, que podia muito bem ser jornalístico:
conseguimos observar e até tocar a rara Welwitschia mirabilis,
planta de duas folhas considerada um fóssil vivo, com uma longevidade
estimada em dois mil anos; atravessámos uma enorme cratera
extinta onde abunda a Euphobia damarana, um grande arbusto tão
tóxico que chega a ser letal (não tocámos); e,
como se não bastasse, a paisagem é de cortar a respiração.
Por volta da hora do jantar temos já toda a savana aos pés,
numa vista invejável que se alcança de um dos mais cénicos
lodges da Namíbia. Mesmo os mais extenuados podem ainda apreciar
as gravuras rupestres de Twyfelfontein, que exibem girafas e zebras
pré-históricas numa grande laje vertical a escassos
metros dos bungalows.
Da fronteira com Angola ao Parque Etosha
Entre as 12 etnias ou grupos raciais que se distribuem pelo território
namibiano, muitos destes divididos em diversos subgrupos e tribos,
os Himba são, talvez, os mais surpreendentes. Quando durante
o século XIX os seus antepassados Herero foram despojados e
expulsos de outras regiões por guerreiros Nama, refugiaram-se
no Noroeste do país, junto e mesmo para lá da fronteira
com Angola, onde esta é marcada pelo caudaloso rio Kunene.
Desde então ficaram conhecidos como “ovaHimba”,
que quer dizer vagamente “pedintes”. É uma zona
montanhosa mas com alguns acessos, por isso é surpreendente
a forma como ainda se mantêm tão ligados às tradições
e, principalmente, ao seu antigo modo de vida. Parte da resposta,
dizem alguns, reside no facto de se tratar de um povo extremamente
orgulhoso, fiel às suas origens, que não tem pressa
nem sequer pretende aderir às “maravilhas” civilizacionais
a que outros grupos, como os San (mais conhecidos por bosquímanos),
acabaram por sucumbir. E digo sucumbir, por entre essas “maravilhas”
se encontrar o álcool.
Cemitério
da tribo Himba, na região das cataratas de Epupa
Enquanto
nas terras semidesérticas do Kalahari se perdeu um pouco da
generosidade endémica e da inocência dócil característica
dessa tribo, aqui no Norte os Himba parecem ignorar propositadamente
as esporádicas avionetas que sobrevoam os singelos abrigos
de adobe. É como se não ouvissem o motor dos aparelhos,
como se um carro fosse apenas mais um animal de carga, feio, de ângulos
duros e sem alma. Quando chegam turistas, lá vendem o seu artesanato
e apanham uma boleia até outra aldeia, mas parece ser tudo.
Pedintes? Os Himba desfazem uma rocha ocre em pó, a que adicionam
gordura animal, para maquilharem toda a extensão do corpo.
Adornam-se com uma infinidade de pulseiras, colares e curtas peças
de vestuário, feitas de quase tudo o que lhes é possível
utilizar: cobre, búzios, ráfia, pedrinhas, peles, paus
e mesmo plásticos, que cortam e decoram de forma igualmente
tradicional – não importa de onde vem, desde que possam
utilizar como sempre utilizaram ou como bem entendem. São um
povo de feições e estatura elegantes, de fazer inveja
aos modelos ocidentais.
Tal como chegámos
ao rio Kunene, regressamos agora por ar, a bordo dos exíguos
mas fiáveis Cessna, ao lodge de Hobatere onde deixámos
as viaturas por um dia. É uma experiência obrigatória,
porque lá em cima também é África e além
disso podemos sempre acompanhar uma manada de zebras ou elefantes
sem o risco de os perder de vista atrás das árvores.
Aterramos em Hobatere, um confortável lodge numa enorme reserva
de 36 000 hectares onde acorre grande parte dos grandes mamíferos
africanos. Do outro lado da rua – porque de facto ali passa
uma estrada de gravilha – fica o Parque Natural de Etosha, ainda
mais imenso, praticamente do tamanho da Bélgica!
Autêntico símbolo de uma política conservacionista
de vanguarda, esta é a jóia das áreas protegidas
da Namíbia e o local onde se torna mais fácil observar
a tal vida selvagem que faz parte do nosso eterno imaginário
infantil. Rinocerontes negros, leões, leopardos, girafas, 1500
elefantes, 7000 zebras, 20 000 springboks (um tipo de gazela) e mais
de 325 espécies de aves, se quisermos voar por aí…
Os números são tão impressionantes quanto os
próprios animais ao vivo, a curta distância. Só
nos apercebemos da verdadeira estatura da girafa quando a vemos entre
a copa de uma árvore – das grandes; do porte brutal de
um rinoceronte, quando um deles nos fita nervoso e a poucos metros,
frente ao jipe. E é tão espectacular vê-los sem
barreiras! Acabaram-se-me as palavras aqui. Tenho um nó na
garganta.
Já no luxuoso conforto do Windhoek Country Club, enquanto dobro
a roupa e preparo a mochila para o regresso, vou pensando em todos
os momentos fantásticos vividos ao longo de 3500 quilómetros
de viagem. Na minha cabeça a frase “tenho de cá
voltar” ecoa silenciosa e repetidamente. De súbito, algo
de inesperado acontece. Vinda das profundezas esquecidas dos bolsos
de umas calças, uma pequena porção do Namibe
espalha-se pela alcatifa do quarto: “Impossível fugir
ao deserto”, recordo com um sorriso as palavras de Jan.
Agradecemos a colaboração
da South African Airways e da Toyota/Salvador Caetano