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    XL >   Rotas & Destinos > Zurique
D E S T A Q U E

Março 2004
Entre o seu fabuloso lago, as salas de espectáculos e galerias de arte, os restaurantes com sabores exóticos e as lojas de luxo ou avant-garde, a maior cidade suíça, Zurique, alia a tradição à novidade com uma frescura inesperada no centro da Europa. Romântica, mas surpreendentemente boémia e sofisticada, proporciona mundos distintos a percorrer com os sentidos bem despertos

Texto de Sara Raquel Silva e
fotos de Pedro Sampayo Ribeiro
   

"There’s a dj in the house”, anuncia Mike, com um acentuado sotaque britânico. “Let’s party”. A festa pertence-lhe – o DJ comemora o seu próprio aniversário, passando música house e distribuindo chupa-chupas por uma clientela dançante que parece ter saído de um desfile de Donna Karan, na discoteca mais trendy de Zurique, a Kaufleuten. Não encontrámos Madonna nem Prince, mas consta que são assíduos neste lugar que, à primeira vista, sugere um clube londrino e traduz o pulsar nocturno que se vive na maior cidade suíça.

Ao contrário do que seria de esperar neste cantão alemão, associado ao mundo dos negócios e consequente cinzentismo, as pessoas adoram deslocar-se sobre duas rodas, jantar com pauzinhos ao invés de talheres e circular por bares pela noite dentro, sem prestarem atenção às horas que marcam os seus relógios suíços, exibindo uma ponta de desvario mediterrânico vestido pelos melhores criadores internacionais e contido por uma certa discrição germânica (mas não muito).


Apesar de Zurique ser uma das cidades com melhor qualidade de vida do mundo, um sadio centro financeiro com vista para um lago romântico, no país dos relógios, do chocolate, do queijo e da Heidi, é, igualmente, uma metrópole vibrante e surpreendentemente boémia, onde quase todas as semanas é inaugurada uma galeria de arte, estreia uma peça de teatro experimental, dão-se festas até de madrugada e descobrem-se novos restaurantes.

Pensa-se que o seu carácter ultracosmopo-lita se deve não só ao seu bem-estar económico e à enorme e bem conceituada universidade que atrai milhares de jovens todos os anos, mas também às diferentes culturas que, desde há séculos, aqui têm convergido. Até à Segunda Guerra Mundial, graças aos habitantes que, devido às altas taxas de desemprego de então, partiam para outros países europeus em busca de fortuna, e depois disso porque os emigrantes do Sul da Europa e asiáticos (japoneses, chineses, tailandeses e filipinos) encontraram em Zurique as oportunidades que lhes faltavam nos países de origem.

O mais interessante é que esta amálgama de influências gerou uma cidade que transpira uma joie de vivre multi-culti, mas – e é isso que a torna única – adaptada à organização, ao temperamento contido e ao refinado sentido estético suíços.


Noites longas
Enquanto jantamos uma especialidade vietnamita num dos restaurantes mais in entre os jovens, o Lily`s Stomach Supply, muito próximo da “Red Light Zone” de Zurique (na realidade, o ambiente da Rua Langstrasse aproxima-se mais da decadência do actual Intendente, em Lisboa, e muito menos do delírio erótico do bairro de Amesterdão), conhecemos Paul, um jovem londrino que trabalha num dos grandes bancos de Zurique. Decidiu arriscar a sorte nesta cidade, tal como milhares de estrangeiros, porque os salários são apelativos e porque as perspectivas de carreira, após alguns anos de experiência numa das mais célebres praças financeiras do mundo, parecem-lhe mais favoráveis do que se permanecesse na cidade natal. Gosta de Zurique, pois “é muito organizada” e “é fácil viver” aqui, mas sente falta “das grandes superfícies e do comércio aberto a qualquer hora do dia e da noite”, conta. “Pode ser muito cosmopolita, mas mantém algumas velhas tradições muito arreigadas”, explica-nos.


Divergências horárias e culturais à parte, parece-nos que Paul, após um ano de permanência, está para ficar. Até porque, se as lojas fecham ao anoitecer, outras portas se abrem por essa altura. Naquela noite, por exemplo, pretende ir até alguns bares da zona Oeste, uma área recentemente explorada e já comparada por muitos ao Soho nova-iorquino. É também aí que Paul reside, à semelhança de muitos jovens de Zurique, na maioria profissionais liberais com escritório ou atelier montado em grandes lofts, construídos nas instalações de fábricas entretanto abandonadas, devido às rendas exorbitantes.

Nos últimos anos, Zurique Oeste não só se transformou num dos bairros mais apreciados pela dimensão generosa das habitações, como é agora a zona com uma cena artística mais pujante, o que se torna de imediato perceptível pelo elevado número de escolas de dança, salas de teatro experimental, cinemas e galerias de arte contemporânea, alojadas quer em mega-estruturas recentes construídas em altura ou, à semelhança dos lofts, instaladas em velhos edifícios industriais.

Como as artes e o culto pela noite costumam andar de mãos dadas, estas avenidas largas são ainda partilhadas por bares, restaurantes, lounges e discotecas cujos néons gritantes conferem uma atmosfera hi-tech a uma cidade predominantemente romântica e medieval.

A oferta ao nível da restauração e do divertimento nocturno neste antigo bairro industrial é tão variada que aqui se encontram desde os restaurantes mais sofisticados e trendy de toda a cidade, à semelhança do La Salle, aos mais underground, como chamaríamos à cantina-restaurante-bar-loja de produtos biológicos, em formato de associação cultural, Les Halles. O primeiro encontra-se alojado no no interior de uma estrutura envidraçada que estabelece um diálogo harmonioso entre o clássico e o moderno, com vista panorâmica do último andar. Frequentam-no os famosos e elegantes da cidade. Já o segundo – bem mais obscuro – é preferido por jovens designers, universitários e músicos que aí encontram um espaço descontraído e despretensioso para tertúlias infindáveis entre cervejas e partidas de matraquilhos (não deixando de ser por isso e, à sua maneira, também trendy, mas sem Armanis, decotes até ao umbigo e louros platinados).



É bom caminhar na cidade
A cidade não cativa apenas pela animação nocturna dos bares da moda ou pelas incursões gastronómicas em restaurantes exóticos, mas também pelas montras imaginativas, seja do comércio de luxo como das pequenas lojas especializadas (que já escasseiam em Portugal), pelas centenas de cafés, cada um com uma história diferente para contar, décor cuidado e personalizado, pelos monumentos e edifícios antiquíssimos e pelas pessoas.

Percorrer Zurique a pé durante pelo menos um dia é, por esse motivo, absolutamente obrigatório a quem pretenda absorver todos estes cambiantes. Até porque, apesar de ser a maior do país, a cidade possui um centro histórico e comercial que pode ser palmilhado em algumas horas. E, no caso de maior cansaço ou pressa, basta tomar os transportes públicos, na sua maioria eléctricos (muito menos poluentes que os autocarros) que atravessam a cidade com uma fluência que pasma qualquer lisboeta, não obstante os locais, em dias de sol, preferirem circular de bicicleta.


Vista sobre Zurique

Existem múltiplas possibilidades de passeio, mas sugerimos que se comece por onde a cidade também tem início (pelo menos para quem chega de fora): pela Estação Central.


Lounge Indochina
É a partir deste edifício grandioso, datado de 1871, cuja fachada principal ostenta um arco triunfal em honra do progresso tecnológico, que nasce a artéria principal, célebre pelo número de lojas luxuosas das mais conceituadas griffes internacionais, a Bahnhofstrasse.

A partir daí, a avenida prolonga-se até ao Lago Zurique, numa sucessão de tentações consumistas com o nome dos mais célebres criadores, sobretudo de moda, joalharia e relojoaria, em número de fazer inveja aos Champs Elisées.

Se a Bahnhofstrasse é uma ode ao luxo, algumas das ruas circundantes não ficam atrás. Talvez o melhor exemplo seja o de Renweg, onde encontramos o Hotel Widder, uma antiga guilda de talhantes, remodelada e transformada, em 1997, num hotel moderníssimo e luxuoso pela arquitecta Thilla Theus.


Discoteca Kaufleuten

Edifício
desenhado por Le Corbusier

Regressando à avenida principal e descendo em direcção ao lago, existe pelo menos mais uma paragem obrigatória, a Paradeplatz, para experimentar um chocolate da Pastelaria Sprüngli (mesmo quem não gosta muito passa a adorar) e admirar alguns edifícios majestosos do século XIX, onde ainda hoje estão alojados os principais bancos suíços e o Hotel Savoy, construído em 1915 pelo Banco Leu. No final, a Bahhofstrasse, autêntica montra gigantesca de toda uma cidade, desemboca na Praça Bürkliplatz, com vista para o fabuloso edifício do Hotel Baur au Lac e para o lago, onde patos e cisnes atravessam as águas cintilantes perante o regozijo de dezenas de crianças. Paisagem bucólica que nos remeteria para qualquer pintura do romantismo, não fossemos despertados pelo doce perfume a marijuana, procedente do banco do lado.


 
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