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S A Ú D E


As alergias estão no ar

A Primavera é sinónimo de regeneração da natureza, mas também… de alergias. Por isso, se sofre destas maleitas, previna-se antes de partir

Março de 2004




Texto de Simone Rocha
Ilustração de André Kano
   

O nariz a pingar, um ecoar de espirros e os olhos congestionados…um cenário comum nesta altura do ano. Em Março chegam as flores, mas também as polinoses, alergias primaveris que afectam cada vez mais portugueses. A rinite alérgica, por exemplo, que é a alergia respiratória com maior prevalência em terras lusas, tem como agentes causadores em 60% dos casos os pólenes das flores e das gramíneas (ervas espontâneas e cereais).

E se pensa que se trata de um problema pontual relacionado com uma época, desengane-se. Muda-se a estação, mudam os alergénios e, no Outono e no Inverno, os ácaros são a principal ameaça: o frio convida a ficar mais por casa, o que aumenta a exposição aos mesmos. E quando se sabe que 80% do tempo da população dos países desenvolvidos é passado em edifícios fechados, poderá avaliar-se o impacte negativo deste estilo de vida.

Ao viajar até pode estar a deixar para trás uma estação do ano mais complicada para a sua alergia, mas a sensibilidade aos agentes que a desencadeiam acompanham-no. Por isso, se lhe foi diagnosticada uma destas doenças, o mais importante é conhecer os alergéneos a que é mais susceptível e procurar evitá-los para não estragar as suas férias. Nos casos mais graves pode mesmo ter de esperar pelo momento mais oportuno para partir e até escolher um destino mais favorável, tendo sempre em conta que a estação do ano nesse país pode ser diferente da do seu.

Por exemplo, as pessoas mais sensíveis ao pólen devem fazer preferencialmente férias na praia; consulte os mapas e calendários polínicos disponíveis na Internet (www.spaic.pt para Portugal e www.allergy.com para o estrangeiro). Já o ar frio e seco é desaconselhado aos asmáticos. Os climas secos têm mais pó, mas menos pólen e fungos, em contraposição aos climas húmidos. Antes de partir deve ainda munir-se de anti-histamínicos (sobretudo os de segunda e terceira gerações, não sedantes e de acção rápida) e anti-inflamatórios, que devem ser transportados na carteira (evita que atrasos com a bagagem impeçam a sua toma a horas). No caso dos asmáticos é indispensável a consulta com o alergologista ou o médico de família, que lhe dará indicações, por exemplo, sobre a correcta administração dos tratamentos, um aspecto fundamental quando as viagens são de longa duração e envolvem fusos horários.

Em terra e no ar
Os automóveis podem ter ácaros e fungos nos tapetes, forros internos e sistemas de ventilação, pelo que deve aspirar o carro, ligar o ar condicionado e abrir as janelas durante dez minutos antes de viajar (e nunca durante o percurso). Os gases do tubo de escape actuam muitas vezes como irritantes: faça-se à estrada em horas de menor tráfego quando a qualidade do ar é melhor.

Quando se sofre de alergia, asma ou sinusite, viajar de avião pode ser um problema, pois o ar é mais seco. Evite ingerir cafeína, colas e álcool, dado que estas bebidas afectam as fossas nasais e podem provocar dor (sobretudo em que tem sinusite), substituindo-as pela água, e aplique um spray nasal salino descongestionante uma hora antes de voar. Os asmáticos devem avisar com antecedência a companhia aérea, pois podem necessitar de oxigénio (quanto maior a altitude, menor é o oxigénio na cabina), sendo ainda importante ter a bomba à mão. No avião, como em qualquer outra situação, é fundamental afastar-se o mais possível dos fumadores, uma das ameaças maiores para quem sofre de alergias respiratórias.

Também é importante escolher a estada apropriada. Ficar em casa de familiares que tenham cães e gatos, um “jardim” dentro de casa ou ainda um fumador inveterado pode não ser uma boa opção, pois estes alergénios domésticos são os responsáveis, em parte, pelo aumento da prevalência destas maleitas. Quanto aos hotéis, já existem os que têm quartos “à prova de alergia”, o que significa chão em madeira em vez da tradicional alcatifa, estores em substituição das cortinas e camas com roupa hipoalergénica. Se o ar estiver muito seco, há ainda truques a que pode recorrer, como ligar o chuveiro para humedecê-lo ou optar por um quarto com ar condicionado interior. Dê ainda indicações para que não sejam utilizados sprays ambientadores e escolha um quarto soalheiro e o mais distante possível das piscinas interiores.

Uma vez no destino, se tem rinite alérgica, evite sair nas horas de maior calor e vento, lave diariamente o cabelo e utilize óculos escuros para evitar a penetração do pólen pela conjuntiva ocular.


 

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