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A Ú D E

As
alergias estão no ar
A
Primavera é sinónimo de regeneração da
natureza, mas também… de alergias. Por isso, se sofre
destas maleitas, previna-se antes de partir
O
nariz a pingar, um ecoar de espirros e os olhos congestionados…um
cenário comum nesta altura do ano. Em Março chegam as
flores, mas também as polinoses, alergias primaveris que afectam
cada vez mais portugueses. A rinite alérgica, por exemplo,
que é a alergia respiratória com maior prevalência
em terras lusas, tem como agentes causadores em 60% dos casos os pólenes
das flores e das gramíneas (ervas espontâneas e cereais).
E se pensa que se trata de um problema pontual relacionado com uma
época, desengane-se. Muda-se a estação, mudam
os alergénios e, no Outono e no Inverno, os ácaros são
a principal ameaça: o frio convida a ficar mais por casa, o
que aumenta a exposição aos mesmos. E quando se sabe
que 80% do tempo da população dos países desenvolvidos
é passado em edifícios fechados, poderá avaliar-se
o impacte negativo deste estilo de vida.
Ao viajar até pode estar a deixar para trás uma estação
do ano mais complicada para a sua alergia, mas a sensibilidade aos
agentes que a desencadeiam acompanham-no. Por isso, se lhe foi diagnosticada
uma destas doenças, o mais importante é conhecer os
alergéneos a que é mais susceptível e procurar
evitá-los para não estragar as suas férias. Nos
casos mais graves pode mesmo ter de esperar pelo momento mais oportuno
para partir e até escolher um destino mais favorável,
tendo sempre em conta que a estação do ano nesse país
pode ser diferente da do seu.
Por exemplo, as pessoas mais sensíveis ao pólen devem
fazer preferencialmente férias na praia; consulte os mapas
e calendários polínicos disponíveis na Internet
(www.spaic.pt para
Portugal e www.allergy.com
para o estrangeiro). Já o ar frio e seco é desaconselhado
aos asmáticos. Os climas secos têm mais pó, mas
menos pólen e fungos, em contraposição aos climas
húmidos. Antes de partir deve ainda munir-se de anti-histamínicos
(sobretudo os de segunda e terceira gerações, não
sedantes e de acção rápida) e anti-inflamatórios,
que devem ser transportados na carteira (evita que atrasos com a bagagem
impeçam a sua toma a horas). No caso dos asmáticos é
indispensável a consulta com o alergologista ou o médico
de família, que lhe dará indicações, por
exemplo, sobre a correcta administração dos tratamentos,
um aspecto fundamental quando as viagens são de longa duração
e envolvem fusos horários.
Em
terra e no ar
Os automóveis podem ter ácaros e fungos nos tapetes,
forros internos e sistemas de ventilação, pelo que
deve aspirar o carro, ligar o ar condicionado e abrir as janelas
durante dez minutos antes de viajar (e nunca durante o percurso).
Os gases do tubo de escape actuam muitas vezes como irritantes:
faça-se à estrada em horas de menor tráfego
quando a qualidade do ar é melhor.
Quando se sofre de alergia, asma ou sinusite, viajar de avião
pode ser um problema, pois o ar é mais seco. Evite ingerir
cafeína, colas e álcool, dado que estas bebidas afectam
as fossas nasais e podem provocar dor (sobretudo em que tem sinusite),
substituindo-as pela água, e aplique um spray nasal salino
descongestionante uma hora antes de voar. Os asmáticos devem
avisar com antecedência a companhia aérea, pois podem
necessitar de oxigénio (quanto maior a altitude, menor é
o oxigénio na cabina), sendo ainda importante ter a bomba
à mão. No avião, como em qualquer outra situação,
é fundamental afastar-se o mais possível dos fumadores,
uma das ameaças maiores para quem sofre de alergias respiratórias.
Também
é importante escolher a estada apropriada. Ficar em casa
de familiares que tenham cães e gatos, um “jardim”
dentro de casa ou ainda um fumador inveterado pode não ser
uma boa opção, pois estes alergénios domésticos
são os responsáveis, em parte, pelo aumento da prevalência
destas maleitas. Quanto aos hotéis, já existem os
que têm quartos “à prova de alergia”, o
que significa chão em madeira em vez da tradicional alcatifa,
estores em substituição das cortinas e camas com roupa
hipoalergénica. Se o ar estiver muito seco, há ainda
truques a que pode recorrer, como ligar o chuveiro para humedecê-lo
ou optar por um quarto com ar condicionado interior. Dê ainda
indicações para que não sejam utilizados sprays
ambientadores e escolha um quarto soalheiro e o mais distante possível
das piscinas interiores.
Uma vez no destino, se tem rinite alérgica, evite sair nas
horas de maior calor e vento, lave diariamente o cabelo e utilize
óculos escuros para evitar a penetração do
pólen pela conjuntiva ocular.
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