| D
I C A S D E V I A G E M

Um
dilema chamado gorjeta
Em
férias, pequenos detalhes como as gorjetas podem tornar-se
em complicados problemas… mas tudo não passa de uma questão
cultural
Dar
ou não gorjeta, eis a questão. Para um viajante este
acto pode ser um quebra-cabeças pois depende de variáveis
como o destino ou a profissão do visado. Por exemplo, no Japão
e Austrália o mais normal é sentir-se hostilizado quando
dá uma gratificação, enquanto nos Estados Unidos
um taxista recebe mal uma gorjeta só de 5%. E a tal ponto esta
regra de etiqueta dá que falar que até já existem
rankings das celebridades mais generosas: John Travolta deixa 130%
de gorjeta nos restaurantes e Michael Jordan 80%. Nesta matéria
a actriz Sharon Stone é associada a um episódio ocorrido
num restaurante de Washington onde deu apenas 20% de gratificação,
quando na América a etiqueta manda a que se atribua entre 15
e 20%. No final deixou uma mensagem irónica ao chef: esperava
que ele gostasse tanto dos seus filmes como ela da refeição
que lhe foi servida.
Verídico ou não, o facto é que este episódio
configura o que muitos especialistas na matéria pensam: o montante
da gorjeta deve depender do grau de satisfação face
ao serviço prestado. Falamos em “mon-tante”, pois
na generalidade dos países atribuir uma gratificação
é mesmo uma regra a cumprir. Ao contorná-la não
está a violar qualquer lei, mas arrisca-se a um olhar de soslaio
ou mesmo a um reparo.
América
e Europa
Não há regras universais para a atribuição
de gorjetas, por isso o melhor é consultar um guia ou perguntar
ao porteiro do hotel. Já agora, por este conselho ele não
espera receber nada, mas se lhe pedir para reservar um res-taurante
ou um bilhete de teatro deverá oferecer-lhe entre quatro
a oito euros (se estiver nos Estados Unidos). Quando se trata das
ca-mareiras ou empregados de mesa, a gorjeta varia entre 80 cêntimos
a quatro euros por dia dependendo da qualidade do hotel. Pode optar
por atribui-la no fim, mas o melhor é ir deixando as notas
na almofada, pois a partida pode coincidir com a folga do empregado.
Nos Estados Unidos estes trabalhadores ganham cerca de seis euros
por hora e as gratificações contri-buem em boa parte
para o ordenado. Estima-se, porém, que apenas entre 25 a
30% dos hóspedes tenham este hábito. Ao utilizar um
táxi deve somar ao preço da viagem 20% de gorjeta
ou arredondar até ao próximo dólar. Na res-tauração
há cidades americanas em que as gra-tificações
são incluídas no valor total da conta, o que de resto
não é um hábito exclusivo deste país:
também acontece no Brasil e em França.
Embora na Europa esta prática não seja tão
espontânea e generosa como nos Estados Unidos, na maioria
dos países a recom-pensa por um bom trabalho é bem
recebida – e mesmo esperada. Se na carta dos restaurantes
a taxa de serviço não estiver incluída, deixe
uma gorjeta de 10% ou arredonde o pagamento até ao próximo
euro, sendo este o montante também recomendado para as viagens
de táxi. Na Itália, por exemplo, basta dizer um simples
“va bene cosi” quando pretende que o troco seja a gratificação.
Já em Budapeste a taxa de serviço não está
habitualmente incluída na conta, e o melhor é dar
directa-mente a gorjeta ao empregado, pois deixá-la na mesa
é considerado uma regra de má educação.
Nas visitas guiadas deve informar-se se as grati-ficações
estão incluídas sendo que, mesmo assim, às
vezes, o guia turístico espera uma compensação.
O melhor é usar o senso comum: se acha que ele foi para além
do cliché, dê-lhe um ou dois euros. É ainda
importante andar com trocos, pois nas casas de banho públicas
é habitual dar uma gratificação à entrada
ao respectivo encarregado ou ter de pagar, por exemplo, o papel
de limpar as mãos. Há ainda outras profissões
menos associadas ao turismo, mas às quais pode ter de recorrer,
que recebem gorjetas. Os britânicos, por exemplo, normal-mente
dão gratificações aos cabeleireiros, já
os suecos e holandeses não o fazem. Se em Roma uma banda
tocar para si deixe 80 cêntimos no prato (esta regra é
válida para outros países onde ser músico de
rua é uma profissão).
Em mar
alto
Se
em terra é complicado, no mar não é menos.
A indústria de cruzeiros tem uma filosofia de gorjetas própria
e uma tabela que indica o valor da gorjeta a atribuir desde o gerente
do restau-rante ao ajudante de garçon. As companhias de cruzeiros
chegam mesmo a possuir guidelines que fornecem indicações
sobre o momento mais apropriado para a atribuição
da gratificação (no dia-a-dia ou no final da viagem).
Muitas vezes é ainda sugerido aos passageiros que, em alternativa
à gratificação, demonstrem pessoal-mente o
apreço por um profissional na cabina do comandante. Quando
estes elogios se repetem, regra geral reflectem-se no salário
da pessoa. Uma prova de que as palavras, às vezes, são
mais eficazes que o dinheiro.
|