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   XLRotas & Destinos > Dicas de viagem > Navegar em águas calmas

D I C A S   D E   V I A G E M Março de 2010   

Navegar em águas calmas

O mundo está em crise e o turismo ressente-se, mas o universo dos cruzeiros continua a florescer, mesmo que ainda haja muita gente a duvidar da qualidade deste tipo de viagem. O preço, a oferta cada vez mais diversificada e a possibilidade de conhecer vários destinos de uma assentada são algumas das razões

TTexto de JoÃo Fereira de Oliveira
   
Convém, desde logo, fazer um aviso à navegação: embarcar num cruzeiro não é para todos. Qualquer pessoa o pode fazer, naturalmente, mas nem todos terão o feitio adequado. Os amantes da aventura, aqueles que gostam de gerir os seus próprios horários, decidir o caminho dos seus próprios pés, terão alguma dificuldade em adaptar- se a este tipo de férias. A dimensão dos barcos, autênticas cidades flutuantes, o elevado número de pessoas reunidas no mesmo espaço, as refeições com hora marcada, o pouco tempo reservado aos locais ou países onde se faz escala e um certo espírito de grupo forçado a que muitos viajantes são alérgicos, continuam a ser alguns dos entraves.

P U B L I C I D A D E
A verdade é que, apesar destas razões, e mesmo tendo em conta a grave crise económica mundial, a indústria dos cruzeiros continua a crescer, sendo responsável por cerca de 15 milhões de passageiros por ano em todo o mundo, nomeadamente dez milhões na América do Norte e Caraíbas e cinco milhões na Europa. E ainda que continue a persistir um pouco a ideia de que este é um tipo de férias essencialmente praticado por americanos, os números também mostram que a tendência se está a inverter. Segundo dados recentemente divulgados pela Royal Caribbean Cruises, uma das maiores companhias de cruzeiros do mundo, a taxa de crescimento no Velho Continente é de 15%, ao passo que no mercado da América do Norte, mais consolidado, é de 1,5%, o que quer dizer que, daqui a uma década, a Europa poderá atingir os 10 milhões de passageiros por ano.

Maior diversidade
As razões para que esta área não esteja a ser afectada pela crise são várias, começando pelo preço. Por exemplo, é possível fazer um cruzeiro de uma semana com passagem por algumas das mais interessante cidades do Mediterrâneo por cerca de €400 com tudo incluído. Algo difícil de igualar em qualquer outro tipo de viagem, convenhamos. O segredo é planear tudo com antecedência, uma vez que há companhias que, na fase inicial das vendas, fazem descontos que podem chegar aos 60%.

Outra das razões é a proliferação de destinos. As Caraíbas eram, até há bem poucos anos, a opção maioritária, mas agora são muitos os locais e países que poderá visitar. Por exemplo, o Mediterrâneo Oriental, que inclui países como Grécia, Itália, Turquia, Líbano, Chipre, Egipto ou Israel; a região do Mar Negro, com visita a destinos como a Bulgária, a Ucrânia ou a Roménia; ou o próprio Brasil, que se tornou um dos mais emergentes países no que à oferta diz respeito, sobretudo nos mini-cruzeiros de três ou quatro dias, muito procurados não só pelos cidadãos brasileiros mas também pelos turistas que se encontram a visitar a região. Veja-se o caso de Búzios: a cidade do Estado do Rio de Janeiro terá este ano um total de 206 escalas, contra as 138 do ano passado, o que representa um aumento de 40%. Os cruzeiros temáticos, como fitness, danças de salão, gastronomia, bridge, jazz, bossa-nova e até nudismo, são outras das possibilidades, algo que alarga, em muito, o leque de potenciais clientes.

Medidas de prevenção
Depois de escolher a embarcação, o percurso, o destino e tratar dos voos – a maior parte dos cruzeiros não tem ligações aéreas incluídas – há alguns cuidados que convém não esquecer, uma vez que este tipo de viagem tem as suas idiossincrasias. O facto de se passar grande parte do tempo em alto mar em navegação, inclusive durante a noite, pode causar enjoos aos mais sensíveis e, ainda que quase todas as embarcações modernas tenham estabilizadores, o melhor é levar medicamentos SOS. Sempre evita situações incómodas e a necessidade de passar pela enfermaria. É que, apesar de estas serem omnipresentes, os atendimentos são cobrados à parte – e bem cobrados, diga-se. Já de casa não pode levar álcool nem comida – claro que uns pacotes de bolachas não contam como tal.

Além do preço da viagem, tem igualmente de separar dinheiro para as gorjetas e não se pode esquecer do cartão de crédito – é desta forma que efectuará o pagamento daquilo que consumir a bordo –, do passaporte e, claro, de uma fatiota ou um vestido de noite. Não muito mais do que isso, pois já lá vai o tempo em que fato e gravata eram condições essenciais para uma boa vida a bordo. Quase todos os cruzeiros continuam a ter um ou dois jantares e noites de gala, mas, mais do que uma obrigação, tornou-se uma forma de conservar o estilo, a boa disposição e um ambiente de sedução.

Todos aqueles que gostam de mar e de navegar, mas mesmo assim não conseguem optar por este tipo de viagem, fiquem a saber que há alternativas, nomeadamente o aluguer de veleiros. Porventura mais caros, mas com um espírito mais libertino.

   
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