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XL
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> Dossier
> Marraquexe
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| D O S S I E R |
Abril
de 2005 |
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“Marrochic”
Na cité
rouge, o roteiro dos restaurantes e bares cheios de
estilo
aumenta a cada dia que passa
Ver e ser visto. é
regra. Nos novos restaurantes ou bares da cidade imperial
que estão actualmente na moda cruzamo-nos vezes
sem conta com as mesmas personagens. Mais parece um
circuito fechado. Toda a gente se cumprimenta, todos
se conhecem, como uma grande família, uns concorrentes
de outros, e outros tantos mais ou menos amigos...
Um conselho: reserve mesa com, pelo menos, um dia
de antecedência. Os locais estão invariavelmente
cheios e os comensais começam a afluir em grande
número por volta das 21h30.

| Loloquoi
e Kechamara, as mais recentes novidades
da cidade |
 |
A cidade tem vindo a render-se
às mãos de gentes de outros países
– na sua grande maioria – que aqui decidiram
investir em novas e modernas infra-estruturas, e nos
últimos meses as inaugurações
não param.
Os preços,
esses, não ficam muito longe dos que se praticam
em restaurantes para bolsas mais ou menos recheadas,
situados noutro qualquer local do globo. Os locais
da moda são tendencialmente caros – o
que é sempre relativo – e, por uma refeição
completa, a fazer-se acompanhar de um bom vinho marroquino,
não se paga menos de 30/35 euros por pessoa.
Ficam aqui umas dicas de como – e onde –
passar bons momentos em Marraquexe.
1 – Pacha Marrakech
Diz quem lá esteve que,
no dia em que inaugurou o gigantesco Pacha Marrakech,
na Av. Mohamed VI, há pouco mais de um mês,
eram aos milhares os que tentavam furar por entre
a multidão para admirar a obra do reputado
arquitecto português Miguel Câncio, também
autor, entre outros, do Buddha Bar de Paris. Homens
e mulheres, marroquinos e estrangeiros, acorreram
em massa para conhecer esta meca da noite, onde se
reúnem uma discoteca, três restaurantes
e um bar.
Situado em Aguedal, a nova zona hoteleira da cidade,
rasgada por largas avenidas e onde construções
recentes começam a ganhar terreno, o edifício
deste complexo é enorme, quase monumental nas
suas linhas arabescas, a fazer lembrar um kasbah fortificado.
Para lá das paredes de 12 metros de altura
e das imponentes portadas, com os caminhos alumiados
por velas e candeeiros de luz fosca, entramos noutro
mundo, num universo chique e de estilo, partilhado
por diferentes espaços, cada um com o seu ambiente.

| Ryad
Tamsna, um oásis na Medina |
|
Esguias e altíssimas
palmeiras reflectem a sua imagem nas águas
de uma piscina iluminada. Do outro lado, através
de uma parede forrada a vidro, vê-se o Crystal,
um restaurante de cinco estrelas e pratos de haute
cuisine, em que o consultor gastronómico é
o mestre francês da culinária, Alan Ducasse.
Se preferir outro tipo de manjares, basta seguir os
aromas da gastronomia marroquina que se servem no
Jena, podendo também optar pelas comidas mais
leves no ambiente descontraído do grill a céu
aberto, à beira da piscina. Depois de passar
pelo bar de chill out para beber um copo refastelado
num dos puffs e a ouvir música lounge, acabe
a noite na discoteca Pacha, a largar decibéis,
misturados por alguns dos mais famosos DJs do momento,
madrugada dentro, para uma audiência que pode
chegar até às 3000 pessoas.
Pacha Marrakech
Av. Mohamed VI, Aguedal
Tel. 00 212 443 88405, www.pachamarrakech.com
2 –
Le Comptoir Paris-Marrakech
Depois de há cerca de
seis anos o já histórico Le Comptoir
Paris-Marrakech ter rompido com as barreiras do tradicional,
outros foram--lhe seguindo o exemplo. No entanto,
como ponto de passagem obrigatória, nunca deixou
de marcar presença nos roteiros das noites
marroquinas, mantendo-se como um local de culto.

| Discoteca
do Pacha Marrakech |
|
Este restaurante-bar –
que tem um congénere em Paris, bem perto do
Museu do Louvre, estando previsto para breve um novo
espaço noutra cidade do mundo, por enquanto
mantida em segredo – está localizado
já fora das muralhas e apresenta-se com linhas
modernas que se misturam em perfeita harmonia com
a típica decoração marroquina.
As suas paredes de cor preta, intervaladas por elementos
forrados de veludos vermelhos, dão um ambiente
intimista ao local, onde todos os dias, a partir das
22h30, as dançarinas do ventre se passeiam
por entre as mesas.
Funciona no andar térreo o restaurante de cozinha
de fusão e criativa, enquanto dois lances de
escadas acima também se pode escolher um prato
à la carte, ou simplesmente beber um copo e
ouvir música remasterizada por DJs internacionais
que por aqui vão aparecendo, como foi o caso
de David Morales ou Chris Côcô.
Se o calor apertar, nada melhor do que aproveitar
a frescura do seu simpático jardim, que esteve
até ao mês passado a sofrer um face lifting,
prevendo-se que reabra no final de Março, início
de Abril. Ou então subir até ao terraço
para, durante um jantar à luz das velas, admirar
as vistas sobre o palmeiral e sentir no ar o tão
típico aroma de rosas – Marrocos é
um dos maiores produtores mundiais desta espécie.
Le Comptoir Paris-Marrakech
Av. Echouhada –
Hivernage
Tel. 00 212 444 37702
3 –
Kechmara

| Uma
das salas do Comptoir Paris-Marrakech |
|
Bem mais recente é o
Kechmara, um restaurante-bar com uma decoração
“retro-futurista”, inaugurado em Dezembro
passado pela mão de dois jovens irmãos
franceses, que, também eles, se deixaram seduzir
pelos encantos de Marraquexe. Fica numa das perpendiculares
da Av. Mohamed V, em pleno bairro de Guéliz,
também baptizado como Cidade Nova (uma das
grandes obras levadas a cabo durante o protectorado
francês, que vigorou até à primeira
metade do século XX).
Aqui respira-se um ambiente descontraído, em
que as paredes brancas e as originais peças
de mobiliário da mesma cor contrastam com as
vestimentas negras dos empregados de mesa, conferindo
um estilo clean e algo minimalista ao local.
De portas abertas ininterruptamente desde as sete
da madrugada até ao último cliente,
o Kechmara, onde também ocorrem com regularidade
exposições de fotografia e pintura (as
peças expostas podem ser adquiridas), permite-nos
fugir por completo do habitual cenário desta
Marraquexe plena de confusão e ruído,
quase que destoando de tudo o resto.

| Restaurante
no pátio interior do Ryad Tamsna |
|
A sua cozinha é de fusão,
da autoria do jovem (tem 26 anos) chef de cuisine
marroquino Dourad, sendo as refeições
– ligeiras ou mais elaboradas – servidas
no andar térreo, enquanto os copos podem ser
bebidos ora no balcão logo à entrada
do restaurante, ora no terraço a céu
aberto, ideal para apanhar banhos de sol, alheio a
olhares indiscretos.
Kechmara
Rue de la Liberté,
1-3
Tel. 00 212 444 22532, www.kechmara.com
4 –
Bô & Zin
Duas palavras sinónimas
em duas línguas diferentes. “Bô”,
corruptela fonética de beau, ou belo, numa
tradução literal, e “Zin”,
o mesmo que bonito, em Árabe. Uma redundância
que ilustra por completo este charmoso restaurante-bar
de cores suaves e estilo contemporâneo, a poucos
minutos do centro da cidade (caso pretenda, o Bô
& Zin dispõe de táxis particulares
para o ir buscar e levar, onde quer que esteja), e
que completa agora exactamente um ano.
Depois de anos a fio a acompanhar os passos do Le
Comptoir Paris--Marrakech – foi o seu primeiro
manager –, o francês Cyril Durand decidiu
meter mãos à obra e criar um espaço
seu, à imagem das experiências que foi
recolhendo aqui e ali – “belo e bonito”,
como explica o próprio. Daí resultou
este conjunto, vanguardista nas suas linhas, que se
distribui por recantos de chill out com confortáveis
sofás, um bar lounge aquecido por uma original
lareira envidraçada e por música ambiente,
que facilmente inunda a grande sala contígua
onde são servidas as refeições,
das 20h00 até às duas da madrugada.
Sem esquecer um tranquilo jardim zen, perfeito para
ficar horas intermináveis a contemplar as estrelas
e a Lua que ilumina a imponente cordilheira do Atlas,
logo ali em frente.

| Um
dos pratos da ementa do Ryad Tamsna |
|
O proprietário do Bô
& Zin tem, no entanto, outras propostas, também
da sua autoria, para breve, como é o caso do
há muito prometido La Poste, outro restaurante
de estilo e conceito contemporâneos, aproveitado
de um antigo posto dos correios, situado em pleno
bairro de Guéliz.
As previsões
apontam para uma data de inauguração
lá para finais de Abril.
Bô & Zin
Douar Lahna, route de l´Ourika (km 3,5)
Tel. 00 212 443 88012, www.bo-zin.com
5 –
Loloquoi
É a sensação
do momento. Tem um aspecto cool, trendy, fashionable
e o que mais lhe quiserem chamar, além de que
está sempre de casa completa. Irmão
mais novo do Loloquoi, de Lyon, França, o de
Marraquexe abriu há cerca de um mês,
e já marca pontos no circuito cosmopolita da
cidade.
Com uma excelente relação preço/qualidade
(à volta dos e20/25 por pessoa), serve uma
cozinha igualmente requintada e de tendência
italiana, apresentando nos pratos combinações
gastronómicas cheias de criatividade.

| Jena,
o restaurante marroquino que integra o
complexo do Pacha |
|
A dinâmica do espaço,
com capacidade total para umas 150 pessoas, desenvolve-se
em volta de elegantes colunas e paredes de cor escura,
a dar ao local um ambiente algo misterioso e simultaneamente
romântico, mirado de cima a partir de uma pequena
mezzanine, também com mesas para jantar, que
se debruça sobre a sala.
Decorado com uma subtileza
quase fantasmagórica, a que se vêm juntar
uns originais candeeiros em forma de forca (pelo menos
é o que parecem), pesados barrotes em madeira
pendurados por todo o lado e focos de luz estrategicamente
direccionados, o Loloquoi assumiu-se em muito pouco
tempo como um local de culto, o culto “des pâtes,
de l´amour et de la fantaisie”, que é
como quem diz das massas, do amor e da fantasia, frase
inscrita a branco que podemos ler sobre a negritude
das suas paredes.
Da meia-noite em diante
os ritmos passam a ser outros. A música orquestrada
pelo DJ residente aumenta o volume, os corpos bem
compostos desfilam entre a pista improvisada e o bar
e, até às duas ou três da manhã,
são muitas as caras bonitas e os carros topo-de-gama
que por ali passam.
Loloquoi
Av. Hassan II, n.º
82
Tel. 00 212 725 69864, www.loloquoi-marrakech.com
6 –
Le Tobsil
O Le Tobsil – “o
prato”, em Árabe – passou a ser
daqueles restaurantes incontornáveis, quase
um clássico de Marraquexe, apesar de estar
aberto há apenas seis anos. Considerado, aliás,
como a versão actualizada do histórico
Dar el Yacout, este último também na
Medina, um restaurante de romaria frequente de tudo
o que Chefe de Estado estrangeiro que passa por Marraquexe,
o estabelecimento do casal francês Cristina
e Jean Rio, também já entrou nesta rota
das figuras solenes – quase nos cruzávamos
com um dos ministros gauleses do executivo de Rafarrin.
Apesar de ter sido recentemente renovado, não
perdeu o aspecto de um autêntico ryad.
Uma vez sentados numa das mesas que se distribuem
em volta do espaço central desta típica
construção marroquina, a comida não
mais acaba. Durante todo o jantar, com uma cadência
estonteante que é cobrada a 60 euros por pessoa,
passam-nos pelos olhos e pelo goto os vários
aromas e sabores da região.
 |
Aqui come-se – e em abundância
– cozinha genuinamente marroquina, um tudo ou
nada mais sofisticada. Saladas exóticas, as
costumeiras tajines e o habitual couscous enchem-nos
os pratos repetidas vezes, numa mistura de sabores
e cheiros a que não conseguimos resistir.
Considerado como um dos melhores restaurantes de cozinha
tradicional da cidade, o Le Tobsil faz-nos entrar
numa atmosfera das arábias, sendo o ambiente
animado durante toda a noite por um conjunto de músicos
a interpretar cantares tradicionais, acompanhados
por instrumentos típicos como taarijas (um
instrumento de percussão feito em barro), tbilas
(pares de tambores de pele esticada sobre um vaso
de cerâmica), bendirs (pandeiretas em ponto
grande) e garagabs (castanholas de ferro).
Le Tobsil
Derb Moulay Abdallah
ben Hezzaien, n.º 22, Ksour-R’mila
Tel. 00 212 444 44052
7 –
Ryad Tamsna

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Mesmo encontrando-se em
plena Medina, bem no meio da sua agitação
frenética e barulhenta, o Ryad Tamsna é
um verdadeiro oásis. Já com honras
de ascender ao título de veterano –
caminha para o seu quinto aniversário –
este espaço de múltiplas funções,
com restaurante, loja e galeria, é um local
a não perder, seja apenas para visitar, beber
um chá ou tomar uma refeição.
Depois de passarmos uma discreta porta de madeira
e atravessarmos um simples corredor, desembocamos
numa atmosfera repleta de luz natural, onde a única
coisa que se ouve é o chilrear de um qualquer
pássaro que beberica água da pequena
fonte no centro do pátio. E de repente chega
outro e mais outro, quem sabe também para
se deixarem ficar a ouvir a suave música
ambiente que entretanto paira, como eles, no ar.
A tranquilidade que aqui se vive é quase
inusitada, impossível de se compreender,
depois de termos passado horas intermináveis
no meio da confusão reinante de Marraquexe,
mesmo ali ao lado. No Ryad Tamsna o ambiente é
mesmo assim, calmo e sereno, como que um refúgio.
Tem-se tempo de sobra para, em qualquer dia da semana,
das 10 da manhã à meia-noite, beber
um chá de menta, apenas admirar ou até
comprar um dos quadros ou das peças de artesanato
e de decoração expostas, almoçar
numa das mesas no pátio e no terraço
uma excelente grillade kefta (a sua ementa de pratos
marroquinos é de temporada), ou, simplesmente,
deixar-se ficar aqui mais uns momentos preciosos,
a ganhar coragem para regressar à apaixonante
Medina.
Ryad
Tamsna
Riad Zitoun Jdid,
n.º 23. Derb Zanka Daika.
Tel. 00 212 443 5756, www.tamsna-prestige.com

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