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E
V A S Õ E S

O
relato de uma viagem ao encontro de uma das civilizações mais notáveis
da história da humanidade, com um cruzeiro nostálgico pelo Nilo
e uma visita à cidade do Cairo
Após
o atraso na partida do avião devido a um ataque de claustrofobia
de uma passageira no momento do embarque, iniciamos finalmente uma
viagem que nos levará a testemunhar, ao vivo, o que resta
de uma das civilizações mais notáveis da História
da Humanidade. O entusiasmo é geral. Todos os participantes
aguardam com expectativa a hora do encontro com os templos e as
pirâmides dos faraós.

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O
começo do nosso percurso tem início em Luxor, "o
grande oásis da cultura egípcia", onde aterramos
já de noite. Após algumas horas de repouso, o amanhecer
a bordo do "Pharos" revela-nos o primeiro momento mágico
da viagem: o nascer de Sol no Nilo. Este navio-cruzeiro será
o nosso "lar" durante os quatro dias em que desceremos
este histórico rio até Assuão, a cidade mística
das antigas cataratas que põem termo à sua navegabilidade.
Estômago confortado às 6h30, eis-nos partindo com o
guia numa pequena barca, que nos leva à margem ocidental
em direcção ao célebre Vale dos Reis. Ao vislumbrar
pela primeira vez o templo de Hatshepsut, encaixado num sopé
da montanha, a sua beleza quase mágica faz-me recordar alguns
dos filmes bíblicos que todos já vimos um dia. Nesse
momento percebo que quem visita o Egipto não faz apenas uma,
mas sim duas viagens. Uma é aquela que nos leva ao encontro
das paisagens, das gentes e, é claro, dos monumentos; outra
é uma incursão pelo passado das nossas memórias.

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Aparecem,
depois, as plantações de chá, compostas por
arbustos singelos que conseguem imprimir à paisagem um cunho
fascinante. Não faltam os tufos de bambu e arrozais inundados
onde labutam homens e búfalos.
O primeiro impacto com a cidade pode ser negativo, devido ao tráfego
automóvel quase caótico. Afinal, estamos numa cidade
asiática e até o Paraíso pode ter destes contratempos...
O Hotel Olde Empire, com o pavimento de madeiras empenadas e uma
réstia de atmosferas coloniais, serve de paliativo à
confusão inicial. Da sua varanda com vista para o lago começa
a atracção pela mais carismática cidade do
Sri Lanka.
Egipto faraónico

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Templo
de Edfú dedicado a Hórus, deus-falcão.
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Tebas,
antiga capital do Império Novo (1560 a.C. a 1070 a.C.), perfilava-se
nas margens do Nilo: a oriente, a chamada "Cidade dos Vivos",
onde hoje se ergue Luxor; e a ocidente, onde o Sol desaparece por
detrás do horizonte, a "Cidade dos Mortos". Viajamos
através da história até ao tempo do deus Amon
e do reinado de faraós como o célebre Ramsés
II.

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Vista
de longe a necrópole tebana não é muito diferente
de outros vales junto ao deserto, mas depressa nos apercebemos da
imensidão que nos espera. Entre 1539 e 1078 a. C. quase todos
os faraós foram enterrados nesta área. A riqueza arqueológica
do local é imensa. Nestas primeiras horas da manhã,
o sumptuoso templo de Hatshepsut surge iluminado de cor amarelo-ocre,
enquadrado pela montanha da mesma cor. Nos arredores, homens trabalham
em pedras de dimensões consideráveis, espalhadas no
terreno como num puzzle incompleto. Após a visita ao templo
dedicado à única mulher-faraó que reinou durante
20 anos no Antigo Egipto, Alim, o nosso guia, apressa-nos porque
ainda vamos seguir para Luxor. Caminhamos na direcção
do Vale dos Reis, por detrás da montanha, no sentido oposto
ao templo de Hatshepsut.
Já no Vale dos Reis um pequeno comboio turístico leva-nos
junto à entrada principal dos túmulos. Estamos num
dos sítios arqueológicos mais antigos do planeta,
um lugar inóspito, domínio de cobras e escorpiões.
A escolha certa para quem buscava o eterno descanso, numa tentativa
de evitar os saques de que as pirâmides do Império
Antigo (em Guiza) já tinham sido alvo. Porém, o objectivo
não foi atingido. Pelo menos no que diz respeito às
pilhagens. No início da era cristã, muitos destes
túmulos já tinham sido assaltados.

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Praticamente
intacto só chegou aos nossos dias o de Tutamkhamon, descoberto
em 1922 por Howard Carter. A sua fama vem precisamente desse facto
e não pela importância (menor) deste faraó na
história do Egipto antigo. Apesar de ser uma experiência
nada aconselhável a claustrofóbicos, decidimos penetrar
no túmulo de Ramsés IV, escavado no calcário
através de um longo corredor cujas paredes parecem um filme
animado por diferentes figuras, que, segundo o guia, simbolizam
o faraó procurando alojar a sua alma na eternidade com o
deus Siris; ou Anúbis, deus dos embalsamados, com cabeça
de chacal. São muito concorridos o de Ramsés III,
o de Amen-Hotep II e o de Merneptah, sem falar, é claro,
do já mencionado Tutankhamon. No regresso do Vale dos Reis,
há tempo ainda para admirar ao vivo os artesãos nos
seus trabalhos em pedra na aldeia de Deir El-Medina, um verdadeiro
paraíso para os mais consumistas.

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Após
pausa para a fotografia dos dois colossos de Memmon regressámos
à margem oriental de Luxor para visitar os espectaculares
monumentos da Cidade dos Vivos, a capital do Império Novo,
onde viviam e trabalhavam os antigos. Começamos pelo templo
de Luxor dedicado a Amon Rá, rei dos deuses, construído
por Amen-hotep III, e alargado nos reinados de Amenofis III e de
Ramsés II. Pela direita, a entrada apresenta dois grandes
colossos, um enorme obelisco e uma colossal cabeça de Ramsés
II. À esquerda, uma longa avenida ladeada por várias
dezenas de esfinges em ambos os lados ligava o templo de Luxor ao
de Karnak num percurso de cerca de três quilómetros.

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Um
vasto complexo de templos, obeliscos, esfinges, colunas e milhares
de inscrições esmaga os visitantes pela sua sumptuosidade.
Karnak foi um dos centros religiosos mais importantes da Antiguidade.
A sala Hipostila, por exemplo, com cento e trinta e quatro colunas
surpreende pela diversidade das cenas expostas nos relevos. Muitos
dos obeliscos, construídos aos pares, "viajaram"
através dos tempos para outras paragens, podendo ser hoje
vistos em praças de capitais europeias como Paris e Roma.
Destaque também para a enorme estátua de Ramsés
II e sua rainha construída em granito rosa, tornando-se na
principal atracção das máquinas fotográficas,
aqui em Karnak.
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