L
U G A R E S C O M H I S T Ó R I A

Em
plena capital, a fundação e os seus jardins concentram cultura, lazer
e entretenimento em pouco mais de oito hectares de natureza viva
Pode
não ser o pulmão de Lisboa, mas é certamente no coração da capital.
Mesmo ali, à mão de semear, está a Fundação Calouste Gulbenkian
e toda a área verde que envolve os seus três edifícios - a sede,
o Museu Gulbenkian e o Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão
(CAM).

Mesmo para os que não conhecem Lisboa de uma ponta à outra não é
difícil chegar a estes jardins contíguos à Avenida de Berna. Seja
de metropolitano, de autocarro ou recorrendo à viatura particular,
vale sempre o esforço para uma escapadela de meia hora por entre
a natureza. Ou a cultura. É consoante a escolha. Pode ainda aproveitar
para almoçar no self-service do CAM e, depois, passear-se pelos
caminhos que, a percorrer quase todo o recinto, serpenteiam em volta
do lago e por cima de pequenos cursos de água. Quem sabe até se
cruza com um pato-bravo (daqueles mesmo a sério) que segue em fila
atrás dos companheiros em direcção ao lago com vista para o anfiteatro
ao ar livre, onde, aliás, pode assistir aos festivais de música
jazz que todos os anos têm lugar em Agosto.

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Sempre
em contacto com a natureza, facilmente se encontram
recantos longe de olhares curiosos
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Foi
em finais da década de 60 que estes oito hectares de um terreno
situado no enclave entre a Praça de Espanha e o Campo Pequeno deram
corpo ao desejo do seu fundador. Em testamento, Calouste Sakris
Gulbenkian, descendente de uma abastada família de comerciantes
arménios (ver caixa), ordenou que parte da sua fortuna fosse aplicada
para criar uma instituição com o seu nome. Assim nasceu a Fundação
Colouste Gulbenkian, então com o objectivo de se empenhar no desenvolvimento
da cultura, da ciência e da educação, e assim se mantém desde há
praticamente meio século.

Espaço
multiusos
A multifuncionalidade do espaço onde hoje em dia se insere a fundação
já vem de longe. Desde há muito que pode assistir a espectáculos ou
cruzar-se com animais por aquelas bandas. É que aqueles terrenos acabaram
o século XIX e entraram no milénio seguinte ocupados por, inicialmente,
um jardim zoológico e, mais tarde, uma feira popular. Mas esses tempos
já lá vão. Agora, além de ter, durante todo o ano, uma enorme variedade
de actividades culturais ao seu dispor - desde exposições de artes
plásticas a dança, passando por espectáculos de música clássica, jazz
e afins - pode também ler sem pressas um livro, mesmo com a cidade
a correr lá fora, ou simplesmente deixar-se ficar sentado na relva
à sombra de uma das muitas árvores de azevinho ali existentes. Essas
e outras mais. Muitas mais. Afinal são oito hectares onde se podem
encontrar algumas espécies já raras no nosso país e que, naquele local,
se mantêm imunes à força destruidora do homem. Seja do reino animal
ou vegetal. Será, por isso, fácil descobrir, por entre simples arbustos
ou belos exemplares de loureiros, garças-boieiras, galinhas d´água
e guarda-rios. Já para não falar das rãs verdes e das gambúsias (é
um peixe e não tem nada a ver com gambuzinos).
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Os
jardins da fundação são local ideal
para uma breve pausa ao meio dia
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Há
outra espécie que também resiste. A dos eternos jogadores de cartas.
E os jardins da Gulbenkian não fogem à regra. É vê-los tardes a
fio, nas várias mesas e bancos de cimento integradas no espaço verde
desenhado pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, a jogar à lerpa
ou qualquer outro jogo que dê para passar o tempo. Mas o ambiente
é sereno, já que também é comum parte dos lugares sentados estar
ocupada por estudantes com os seus apontamentos. O local é, portanto,
seguro, havendo aliás polícias a percorrer o espaço com alguma frequência.
Traços de mestres
Este espaço teve origem no lápis de vários mestres. O projecto dos
edifícios da sede e do Museu, que integram ainda o Grande Auditório,
é da autoria dos arquitectos Ruy Athouguia, Pedro Cid e Alberto
Pessoa, tendo ambos sido inaugurados em 1969.
A ocupar uma área total de cerca de 25 mil metros quadrados, estas
construções fogem a qualquer choque visual. Notando-se uma verdadeira
preocupação de ordem estética por parte dos seus criadores, todos
os edifícios se inserem de uma forma harmoniosa na paisagem envolvente.

Lá dentro o ambiente também é sóbrio e discreto. Distribuída por
seis pisos, a sede, onde funcionam os serviços administrativos,
conta ainda com uma zona de animação cultural. Quanto ao Museu Calouste
Gulbenkian, é ali que pode apreciar a colecção de arte do fundador.
Este filantropo de origem arménia recheou as várias salas do museu
com peças de arte ou artefactos históricos que vão desde os 2800
anos A.C. até meados do século XX. Relativamente a, por exemplo,
pintura, constam da exposição permanente obras-primas dos mestres
flamengos e holandeses, tais como Rubens, Franz Hals, van Dyck ou
Rambrandt, ou dos clássicos dos século XIX, como Manet, Degas, Renoir
e Monet. A visita guiada segue para a ala das esculturas, onde é
possível admirar, além de muitas peças de variadíssimos artistas,
bastantes exemplares da autoria de Rodin, de entre os quais se destaca
a figura em bronze de Jean d´Ayre, pertencente ao grupo "Les Bourgeois
de Calais".

Outra das secções do Museu que merece especial destaque é a destinada
ao amigo pessoal de Calouste Gulbenkian, René Lalique. Trata-se
de um conjunto de obras patente neste espaço que é considerado único
a nível mundial.
Importa salientar que decorrem ao longo de todo o ano nas instalações
do Museu inúmeras actividades temporárias de ordem didáctica, cultural,
entre outras
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