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S
A Ú D E

Como
um peixe na água
Mergulhar
também é uma forma de ver o mundo - afinal os oceanos ocupam cerca
de 71% da superfície da Terra
Se
vai viajar para o Mar Vermelho, Bahamas, Caraíbas, Golfo
do México, Polinésia, Austrália, Filipinas
ou Maldivas, aproveite para mergulhar, pois estes são alguns
dos destinos mais conhecidos associados a esta prática desportiva.
Em Portugal destacam-se os Açores e a Madeira e, no território
continental, dadas as condições do litoral e os ventos
dominantes, o mergulho é sobretudo praticado nas costas abrigadas
de Sesimbra e do Algarve. Há também quem viaje para
destinos que, à primeira vista, podem parecer exóticos
neste contexto, como o Pólo Norte, onde, diz quem sabe, a
visão subaquática debaixo do gelo, possibilitada por
uma luz difusa única, é uma espécie de oitava
maravilha do mundo.
Mas para quem não é tão exigente, nem cumpriu
o ritual de iniciação, existe um conjunto de informações
que é indispensável saber. É para eles que
deixamos algumas dicas.
Baptismo de mergulho
No ambiente subaquático a mobilidade é limitada, a
visão distorcida e diferente do que é à superfície
(por norma, a partir dos 30 metros vê tudo azul) e a pressão,
que é a principal condicionante do mergulho, vai aumentando
consoante a profundidade. Por isso, tal como acontece com outras
actividades desportivas que envolvem riscos potenciais, como o pára-quedismo
(não temos asas, tal como não temos guelras), o mergulho
exige uma aprendizagem prévia das questões técnicas
e normas de segurança.
Nos resorts dos mares tropicais que recebem turistas durante todo
o ano é habitual encontrar monitores habilitados para dar
formação, mas não será excesso de zelo
confirmar se estas escolas ou os respectivos instrutores estão
integrados em algum organismo internacional (as siglas CMAS e PADI
são as mais conhecidas). Quanto ao equipamento, este é
habitualmente seguro, sendo que, por exemplo, a legislação
comunitária exige provas hidráulicas dos instrumentos
a cada cinco anos.
A iniciação faz-se com o chamado "baptismo de
mergulho" em que é instruído sobre as noções
básicas da evolução subaquática (colocar
a máscara e restante equipamento, respirar pelo regulador,
aprender a sinalética básica) e depois experimenta
a sensação de andar debaixo de água acompanhado
pelo monitor em condições muito restritas e em lugares
próprios para o efeito. Caso se entusiasme, poderá
fazer um "curso", mas ao fim de uma semana o máximo
de profundidade que está habilitado a atingir são
os 15/18 metros, o que, aliás, não constitui uma grande
limitação, pois muitas das atracções
subaquáticas como os recifes de corais estão muito
próximos da superfície.
Contudo, este tipo de formação não lhe dá
qualquer habilitação especial: os cursos básicos
de mergulho podem atingir as 50 horas e requerem a aprendizagem
de Física, equipamento e história do mergulho, barotraumatismos
(problemas decorrentes da variação da pressão),
regras de sinalização e de "linguagem subaquática",
entre outras temáticas.
Depois do regresso pode sempre aprofundar os seus conhecimentos
numa das dezenas de escolas federadas do país, juntar-se
a esta comunidade que tem cada vez mais adeptos em Portugal e no
mundo, e praticar algumas das actividades associadas ao mergulho,
como a fotografia subaquática.
Para mergulhar feliz
Não
é necessário ser um atleta para praticar esta
actividade, bastando apenas uma constituição física
"normal" e boa saúde. Há, contudo, uma
lista extensa de contra-indicações, por isso o
melhor é consultar o seu médico. Também
não é necessário ser um grande estilista
em natação, mas é essencial estar à
vontade na água e saber flutuar.
Em Portugal a idade
mínima exigida para mergulhar é os 17 anos, ainda
que na maioria dos países esta prática possa ser
iniciada aos 12.
Dominar
o equipamento básico (máscara, tubo, barbatanas,
fato e "cinto de chumbos") é essencial. Deverá
praticar até alcançar total segurança na
utilização.
Debaixo
de água são interditos os movimentos bruscos -
o que não significa ficar indolente. O pior que pode
acontecer a um mergulhador é entrar em pânico e
disparar para a superfície, guiado pelo instinto de sobrevivência.
A
tranquilidade é o factor-chave para que haja a presença
de espírito e capacidade de reacção para
enfrentar qualquer contingência.
A
regra de ouro é nunca mergulhar sozinho e deve ser cumprida
no mergulho com escafandro (garrafa), em apneia e até
num passeio de máscara e barbatanas.
Ter
muita atenção às viagens de avião
após os mergulhos. Para que o organismo liberte todos
os gases que ficaram dissolvidos no sangue, deverá deixar
passar pelo menos 24 horas entre o último mergulho e
o voo.
Mais
informações no Centro Português de Actividades
Subaquáticas (213016961), Escola de Mergulho de Lisboa
(213885295) e Federação Portuguesa de Actividades
Subaquáticas (218166547, a www.fpas.pt). |
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