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S A Ú D E


Como um peixe na água

Mergulhar também é uma forma de ver o mundo - afinal os oceanos ocupam cerca de 71% da superfície da Terra

Maio de 2003



Texto de Simone Rocha
Ilustração de André Kano
   


Se vai viajar para o Mar Vermelho, Bahamas, Caraíbas, Golfo do México, Polinésia, Austrália, Filipinas ou Maldivas, aproveite para mergulhar, pois estes são alguns dos destinos mais conhecidos associados a esta prática desportiva. Em Portugal destacam-se os Açores e a Madeira e, no território continental, dadas as condições do litoral e os ventos dominantes, o mergulho é sobretudo praticado nas costas abrigadas de Sesimbra e do Algarve. Há também quem viaje para destinos que, à primeira vista, podem parecer exóticos neste contexto, como o Pólo Norte, onde, diz quem sabe, a visão subaquática debaixo do gelo, possibilitada por uma luz difusa única, é uma espécie de oitava maravilha do mundo.

Mas para quem não é tão exigente, nem cumpriu o ritual de iniciação, existe um conjunto de informações que é indispensável saber. É para eles que deixamos algumas dicas.


Baptismo de mergulho
No ambiente subaquático a mobilidade é limitada, a visão distorcida e diferente do que é à superfície (por norma, a partir dos 30 metros vê tudo azul) e a pressão, que é a principal condicionante do mergulho, vai aumentando consoante a profundidade. Por isso, tal como acontece com outras actividades desportivas que envolvem riscos potenciais, como o pára-quedismo (não temos asas, tal como não temos guelras), o mergulho exige uma aprendizagem prévia das questões técnicas e normas de segurança.

Nos resorts dos mares tropicais que recebem turistas durante todo o ano é habitual encontrar monitores habilitados para dar formação, mas não será excesso de zelo confirmar se estas escolas ou os respectivos instrutores estão integrados em algum organismo internacional (as siglas CMAS e PADI são as mais conhecidas). Quanto ao equipamento, este é habitualmente seguro, sendo que, por exemplo, a legislação comunitária exige provas hidráulicas dos instrumentos a cada cinco anos.

A iniciação faz-se com o chamado "baptismo de mergulho" em que é instruído sobre as noções básicas da evolução subaquática (colocar a máscara e restante equipamento, respirar pelo regulador, aprender a sinalética básica) e depois experimenta a sensação de andar debaixo de água acompanhado pelo monitor em condições muito restritas e em lugares próprios para o efeito. Caso se entusiasme, poderá fazer um "curso", mas ao fim de uma semana o máximo de profundidade que está habilitado a atingir são os 15/18 metros, o que, aliás, não constitui uma grande limitação, pois muitas das atracções subaquáticas como os recifes de corais estão muito próximos da superfície.
Contudo, este tipo de formação não lhe dá qualquer habilitação especial: os cursos básicos de mergulho podem atingir as 50 horas e requerem a aprendizagem de Física, equipamento e história do mergulho, barotraumatismos (problemas decorrentes da variação da pressão), regras de sinalização e de "linguagem subaquática", entre outras temáticas.
Depois do regresso pode sempre aprofundar os seus conhecimentos numa das dezenas de escolas federadas do país, juntar-se a esta comunidade que tem cada vez mais adeptos em Portugal e no mundo, e praticar algumas das actividades associadas ao mergulho, como a fotografia subaquática.

Para mergulhar feliz
Não é necessário ser um atleta para praticar esta actividade, bastando apenas uma constituição física "normal" e boa saúde. Há, contudo, uma lista extensa de contra-indicações, por isso o melhor é consultar o seu médico. Também não é necessário ser um grande estilista em natação, mas é essencial estar à vontade na água e saber flutuar.

Em Portugal a idade mínima exigida para mergulhar é os 17 anos, ainda que na maioria dos países esta prática possa ser iniciada aos 12.

Dominar o equipamento básico (máscara, tubo, barbatanas, fato e "cinto de chumbos") é essencial. Deverá praticar até alcançar total segurança na utilização.

Debaixo de água são interditos os movimentos bruscos - o que não significa ficar indolente. O pior que pode acontecer a um mergulhador é entrar em pânico e disparar para a superfície, guiado pelo instinto de sobrevivência.

A tranquilidade é o factor-chave para que haja a presença de espírito e capacidade de reacção para enfrentar qualquer contingência.

A regra de ouro é nunca mergulhar sozinho e deve ser cumprida no mergulho com escafandro (garrafa), em apneia e até num passeio de máscara e barbatanas.

Ter muita atenção às viagens de avião após os mergulhos. Para que o organismo liberte todos os gases que ficaram dissolvidos no sangue, deverá deixar passar pelo menos 24 horas entre o último mergulho e o voo.

Mais informações no Centro Português de Actividades Subaquáticas (213016961), Escola de Mergulho de Lisboa (213885295) e Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas (218166547, a www.fpas.pt).


 

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