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   XLRotas & DestinosDestaque > Estrela do Norte


D E S T A Q U E Maio de 2006   
   
Estocolmo vive uma nova vida com a chegada do Sol. Uma cidade de contos de fadas onde a história, os museus, o design, a água e a natureza marcam presença quase constante

Texto de catarina palma e fotos de Pedro Sampayo Ribeiro
   

P U B L I C I D A D E
Falar de Estocolmo é falar da sua relação com a água.
Na verdade, esta cidade escandinava está construída literalmente sobre 14 ilhas, ligadas entre si por 54 pontes, e rodeadas pelos lagos Saltsjön e Mälaren – que são, de facto, uma enseada do Mar Báltico. As lendas e as histórias que envolvem a chamada Veneza do Norte multiplicam-se, mas quase todas mencionam os canais, os piratas e os navios de guerra que há mil anos circulavam em torno da ilha hoje conhecida por Glama Stan ou “cidade antiga”.

Restaurante do Berns, que também é um hotel e um bar; e o Sol da meia-noite, fenómeno natural responsável pela alegria de viver que contamina Estocolmo durante o Verão
Depois da história, a arquitectura. A capital da Suécia foi poupada às destruições da Segunda Guerra Mundial, mantendo intactos monumentos como o Palácio Real e o de Tessin (considerado a mais bela residência privada a norte de Paris), absolutamente imperdíveis. Segue-se o design e a “elegância” sueca, famosos pela criação de objectos utilitários, simples e atractivos, onde se destacam nomes como Bruno Mathsson e marcas como a popular IKEA.

Apanhando um ferry, poderá regressar novamente às lendas e aos sonhos desta cidade onde parece ser muito fácil viver, e que se retrata espontaneamente na sua meia centena de museus. Entre histórias de vikings e reis chega-se ao Salão Azul da Câmara Municipal (http://nobelprize.org), onde, todos os anos, se realiza a cerimónia do Prémio Nobel, para terminar o dia num dos muitos jardins de Estocolmo, repletos de famílias suecas, que para aqui vêm gozar as horas de sol. Sempre com um sorriso espelhado no rosto.


Dia1 > 8h30
Dá saúde e faz crescer
Marque o pequeno-almoço para o mais cedo possível. O ditado é nosso, mas quem o aplica na perfeição vive alguns milhares de quilómetros a norte. O tal perfil nórdico não é uma piada. Por aqui acorda-se cedo, mesmo de férias.

Há muito a fazer – a organizar e a aproveitar –, principalmente se pensar que, nos países escandinavos, quando chega o Verão (após meses sem luz), o Sol não chega a desaparecer.

9h30 > Histórias de outros tempos
Gamla Stan significa “cidade velha”. Literalmente, pois é nesta ilha, bem no centro de Estocolmo, que se encontram os vestígios da sua história primitiva. Vale a pena caminhar por estas ruas de aspecto medieval, entrar na Marten Trotzigs Grand (que, com apenas 90 centímetros de largura, é a rua mais estreita da cidade) e atravessar a animada Västerlanggatan antes de chegar à maior atracção deste bairro...

10h00 > Trabalho real
O Palácio Real abre as portas aos visitantes às 10h00. Fica no alto da colina de Slottsbacken e é o símbolo da prosperidade do reino entre os séculos XVII e XVIII, com os seus 608 quartos decorados pelos mais importantes artistas e artesão europeus da época. Entre as muitas riquezas arquitectónicas e decorativas, não perca o estilo rococó do Salão Nobre, a Capela Real, o Museu de Antiguidades Gustav III e o Museu Tre Kronor (três coroas), situado na ala mais antiga, onde ainda existem as ruínas do primeiro forte (séc. XIII).

Actualmente, a família real vive no Palácio Drottningholm, pelo que os reis apenas utilizam este local como escritório, e para receber audiências e realizar cerimónias oficiais.


Esplanadas em Blasieholmen e Strandvägen, bairros onde se multiplicam elegantes palacetes. A partir de Maio, os suecos aproveitam o Sol ao máximo e toda a cidade
ganha uma alegria quase efusiva
12h00 > Render da guarda
Se fizer uma visita rápida ao palácio, conhecido localmente como Kungliga Slottet, ainda poderá sair a tempo de assistir ao render da guarda, um acontecimento turístico muito popular, que se realiza diariamente, ao meio-dia, no pátio exterior.

13h00 > O centro dos sabores
Siga para o centro da cidade, também conhecido como City, e dirija-se ao Östermalms Saluhall (www.saluhallen.com; encerra ao domingo), um mercado inaugurado em 1888 pelo rei Óscar, que hoje é considerado um verdadeiro templo gourmet. Trata-se de um edifício de tijolo e ferro, que reúne, no seu interior, bancas de venda de alimentos e vários cafés e restaurantes onde se come divinalmente. Pode optar por uma simples tábua de queijos, uma original e saudável sanduíche ou uma refeição de marisco... só não vai encontrar mesmo é fast food!

14h40 > De olho na Ópera
Se tiver tempo e disposição, passe pela Kungliga Operan (www.operan.se). Inaugurada em 1782, a ópera de Estocolmo foi reconstruída em 1898 em estilo renascentista e tem alguns pormenores em tudo idênticos ao Palácio Real e ao edifício do Parlamento. Veja se está em cena algum espectáculo que o seduza. Compre bilhetes logo pela Internet em www.ticnet.se


Ice Bar, no Nordic Sea Hotel, um bar onde tudo é feito de gelo, até os copos! Para lá entrar e não morrer de frio, é necessário vestir uma capa especial.
O Parlamento; o navio de guerra Vasa, no museu homónimo; crianças com trajes tradicionais no parque de Skansen
15h00 > Cinco estrelas
Seguindo depois o percurso junto ao canal chega a Blasieholmen, que dá acesso (por pontes) às ilhas de Skeppsholmen e Kastekkholmen.

Pelo caminho vai encontrar elegantes palacetes, hoje ocupados por hotéis de luxo, sedes de bancos e galerias de arte. É o caso do histórico Grand Hotel, o primeiro hotel de cinco estrelas da cidade (1874), que, desde 1901, aloja os vencedores e convidados do Prémio Nobel. O Nationalmuseum (com 16 mil pinturas e esculturas clássicas) e o cais de onde partem as visitas turísticas e os barcos que percorrem o arquipélago de Estocolmo ficam logo ao lado...

15h35 > Centro cultural
Em tempos, Skeppsholmen foi uma importante base naval. Hoje converteu-se numa ilha dedicada à cultura. Além dos tradicionais navios de madeira, restaurados, que aqui estão ancorados, esta ilha verde tem matéria para um dia inteiro de visita. Além dos jardins onde se respira um ar puríssimo e onde se realizam festivais (jazz e blues) de Verão, tem como principal atracção o Moderna Museet, cuja colecção de arte moderna (sueca e internacional), de fotografia e cinema é obrigatória. Tudo isto sem falar no Museu de Arquitectura, no Teater Galeasen (com uma programação avant-garde), na Faculdade de Belas-Artes e no Museu de Antiguidades do Extremo Oriente ou Östasiatiska (com uma das mais importantes colecções de arte chinesa fora da Ásia)...

20h00 > Bem mais do que salmão
Depois de uma tarde dedicada às artes, a hora de regressar ao hotel e preparar a noite chega depressa. Nos últimos anos, a capital sueca tem vindo a assistir à abertura de novos restaurantes, encontrando-se boas surpresas.

Opte por um jantar simultaneamente sofisticado e descontraído no Fredsgatan 12 (www.fredsgatan12.com), uma das novas moradas da moda de Estocolmo, servindo o que se pode designar de “cozinha experimental”, ou ao também recente e fashionable Vassa Eggen (Birger Jarlsgatan 29, www.vasaeggen.com).

22h00 > Noites longas
O Sol da meia-noite proporciona dias (e noites) intermináveis. Uma das moradas mais conhecidas dá pelo nome de Berns (www.berns.se), e reúne um hotel, restaurantes e vários bares, que até incluem espectáculos ao vivo. Experimente a sucursal de Berzeli Park. La Camera (Norrmalmstorg 4, www.lacamera.se), com um menu de cocktails, e Halv Trappa plus Gard (3 Lastmakargatan, www.halvtrappa.se), restaurante e bar estilo loft onde param os melhores DJs, são outras alternativas.

La Camera, um bar recente, mas já destacado pela revista Wallpaper

Dia2 > 9h00
A caminho da natureza
Depois de um bom pequeno-almoço (como não poderia deixar de ser na Suécia, um país com uma das alimentações mais saudáveis da Europa), pergunte como se vai para Djurgården.

9h50 > Atravessar os canais
A localização da cidade faz com que os seus canais sejam uma presença constante, por isso, andar de barco ou ferry torna-se uma actividade quotidiana absolutamente normal. Na impossibilidade de visitar o arquipélago de Estocolmo – que, com as suas 24 mil ilhas, é o destino de férias preferido pelos suecos –, aproveite o passeio até à ilha que foi em tempos uma coutada real, e que hoje pertence à rede de parques naturais urbanos.

As ruas do centro estão sempre animadas pelo comércio
e restaurantes que servem refeições leves

10h20 > O barco mais poderoso do mundo
Primeira paragem: o Museu Vasa. Aqui, a natureza, o entretenimento e a cultura estão sempre interligados, por isso Djurgården não é excepção. A 10 de Agosto de 1628, o navio de guerra Vasa era tido como o mais poderoso do mundo, capaz de transportar 300 soldados e 64 canhões, mas afundou-se na sua viagem inaugural... e assim permaneceu até 1956, quando os arqueólogos da marinha redescobriram e resgataram a mítica embarcação.

Seguiram-se 17 anos de complicados processos de restauro, que culminaram na abertura (em 1990) do mais célebre museu de Estocolmo.

12h00 > Regresso ao passado
Não muito longe está o Nordiska Museet, uma espécie de castelo renascentista, que exibe uma preciosa colecção de móveis, vestuário, brinquedos, jóias e porcelanas suecas desde 1520 aos dias de hoje.

13h00 > Um almoço ao natural
Djurgården é conhecida pelo verde que oferece, seja lá onde estivermos. Mesmo à hora das refeições, pois possui vários cafés e restaurantes encantadores, com acolhedoras esplanadas entre a natureza. Experimente, por exemplo, o Rosendals Trädgård (www.rosendalstradgard.se), o Café Blå Porten (Liljevalchs Konsthall), o Skånska Gruvans Café ou o Villa Källhagen (www.kallhagen.se).

14h40 > Bem-vindo a Skansen
Skansen é o mais antigo museu ao ar livre do mundo, e também inclui um jardim zoológico especializado na vida animal da Escandinávia. Está aberto o ano todo, mas ganha particular animação com a chegada do Verão, pois, além de ser palco de festas e festivais, é aqui que se celebra com pompa e circunstância o Dia Nacional da Suécia, a 6 de Junho.

Um dos moinhos que fazem parte do museu ao ar livre de Skansen

15h10 > Sonho de uma tarde de Verão.
Este é o local ideal para passar a tarde, e até um anoitecer, que nesta altura do ano só acontece lá para as 22 horas – especialmente se viajar em família e com filhos pequenos (tratados como príncipes nestas terras de reis).

Como museu ao ar livre que é, o Skansen faz a reconstituição de como viviam os suecos nos séculos passados. Para exemplificar da forma mais fidedigna possível como viviam camponeses, nobres e artesãos, foram trazidos edifícios das mais diversas regiões. E não faltam sopradores de vidro, padarias, leitarias e, é claro, muitos animais – de vacas a pequenos póneis, também à disposição dos petizes. Em matéria de zoológico, as estrelas são os alces e os ursos, que por esta altura começam a ter bebés...

E assim chegamos ao Solstício de Verão, uma das celebrações mais esperadas do ano. Durante três dias, famílias inteiras vestem os trajes típicos, colocam coroas de flores na cabeça e vêm para este parque celebrar a chegada da sua estação mais querida, dançando e cantando efusivamente à volta de um maypole (um mastro enfeitado). Fazem-se piqueniques e a festa dura até tarde, sucedendo-se os espectáculos de folclore. Garantimos que a animação é grande e que vale mesmo a pena dançar, e até cantar, mesmo que só apanhando a entoação (pois a letra será, seguramente, difícil de acompanhar!).

19h00 > Prazeres do Solstício
Se decidir sair mais cedo ou tiver optado por outro planos, termine o dia em Södermalm, vulgarmente conhecida por “Söder”, uma ilha que cresce repentinamente da água, como se fosse a torre de vigia da cidade.


Café do Hotel Rival propriedade de Benny Andersson, um ex-ABBA
Este bairro tem um encanto e um ambiente muito característicos, com os seus chalets de madeira – há quem diga que a Fjällgatan é a rua mais bonita – e uma vida nocturna animada.

Nós descobrimos um local chamado Hermans (www.hermans.se), que é um restaurante vegetariano de preços acessíveis e que possui um terraço com uma vista panorâmica única (a sério!). Para mais tarde ficará uma passagem pelo Ice Bar (no Nordic Sea Hotel, e só com capacidade para 30 pessoas), uma experiência próxima do que será visitar a Lapónia no pico do Inverno.


Casa secular em Djurgården
Depois, faça valer a sua imaginação e aproveite o facto de nunca escurecer verdadeiramente (ou de o Sol voltar a nascer por volta das três da manhã!)...

Guia de Viagem
Como ir
A TAP Portugal (tel. 707 205 700, www.flytap.com) tem voos diários, directos, de Lisboa para Estocolmo por tarifas a partir de €221,84 (com taxas de aeroporto). A forma mais rápida (20 minutos) e económica (€20 por viagem) para chegar ao centro é apanhando o Arlanda Express (www.arlandaexpress.com)


O J Hotel, que fica nos arredores de Estocolmo e é a escolha ideal para quem quer aproveitar a 100% a natureza
Onde ficar
Hotel Rival – Mariatorget 3, tel. 00 46 (0)8 54578900, www.rival.se. Diárias a partir
de €150. Abriu em 1937, mas recentemente renasceu, graças a uma renovação levada a cabo pelo ex-ABBA, Benny Andersson, tornando-se um dos principais boutique hotels de Estocolmo.
Nordic Light – Vasaplan 7, tel. 00 46 (0)8 50563000, www.nordiclighthotel.se ou www.designhotels.com. Tem como principal vantagem o facto de ficar mesmo no centro, quase em frente à estação do Arlanda. Duas noites de estadia custam desde €150 (promoção fim-de-semana).
Hotel J – Ellensviksvägen 1, Nacka Strand, tel. 00 46 (0)8 6013000/5, www.restaurantj.com ou www.designhotels.com. Diárias desde €170. É a escolha certa para quem prefere ficar instalado no campo, usufruindo da envolvente natural de Estocolmo. Possui 45 quartos e decoração de inspiração náutica e fica em frente ao canal Saltsjön (são 15 minutos de barco até ao centro). Tem um restaurante no cais e um sealodge gémeo na ilha de Lidingö.

Hotel Rival

Compras

Nova Iorque e Londres têm o SoHo, e Estocolmo tem o SoFo: a área a sul de Folkungagatan e a este de Götgatan em Södermalm. É o bairro mais trendy da cidade, onde pode encontrar lojas e cafés cheios de estilo e irreverência.

Pode ir a www.stockholmtown.com para informações sobre as melhores moradas, mas o ideal é partir à descoberta.



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