F
I M D E S E M A N A


A
“Madeira do bailinho” ainda é quem mais ordena,
mas no Funchal, que tem sabido manter o seu coração
histórico a salvo de todos os excesso cometidos na periferia,
já há quem se empenhe em oferecer mais do que velhos
clichés turísticos. Uma “nova” cidade a
(re)descobrir
Os
cerca de 1000 quilómetros que separam o arquipélago
da Madeira do continente são mais do que suficientes para
ali encontrarmos um clima, uma paisagem e até usos e costumes
bem diferentes. Mas, infelizmente, essa mesma distância –
aliada às nem sempre acessíveis tarifas áreas
e à ideia há muito enraizada de que a Madeira é
“coisa para velhos e ingleses” – tem servido de
desculpa para não lhe prestarmos a devida atenção.
Sobretudo na hora de elegermos um destino de férias para
uma estada que pode até não ir além de um simples
fim-de-semana prolongado.
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| Andar
de tobogã no Monte é um dos clichés
a não perder no Funchal |
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A verdade é
que este arquipélago tem tudo para ser uma boa escolha, a começar
no próprio Funchal, a capital onde ainda se concentra a grande
maioria dos hotéis, dos restaurantes e da oferta cultural da
ilha. É certo que muita coisa mudou na sua paisagem, a começar
nos muitos mamarrachos que agora nos atravancam a vista para a sua
bela baía, mas nem tudo foi mal feito durante os anos a fio
em que se registou o desenvolvimento acelerado das infra-estruturas
(os seus habitantes até então viviam numa realidade
à parte dos turistas) e a tentativa para pôr cobro à
decadência do património, que registou índices
assustadores
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durante
a década de 70. O que acontece é que não adianta
apenas preservar o centro histórico (uma das três zonas
da capital, as outras são a “turística”
dos hotéis e a “leste” dos restaurantes, todas
ligadas pela Av. do Mar), que é, de facto, bonito, e permitir
que o caos urbanístico se instale na sua periferia, em nome
do turismo de massas, como tem acontecido na zona do Lido e para
lá do Lido.
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| Mezanino,
um dos novos restaurantes do Funchal |
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| Piscina
e spa do Crowne Plaza Resort |
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De
qualquer forma, e erros à parte, o Funchal está a mudar,
aos poucos é certo – que as mentalidades não se
mudam de um dia para o outro –, mas já há quem
esteja a fazer de tudo para mudar a forma como os portugueses e os
europeus se habituaram a ver a cidade. Não se trata de romper
com o passado, até porque muitas das suas tradições
são o seu maior tesouro, mas antes de criar novas alternativas
(das caminhadas ao golfe, sem esquecer a pesca grossa e o surf) à
“Madeira do bailinho”. E disso mesmo lhe damos conta neste
roteiro. Grande
estilo
A grande oferta hoteleira do Funchal – que muitos apontam
precisamente como sendo uma das faces mais visíveis do desenvolvimento
acelerado (e nem sempre devidamente planeado) da Madeira, com os
efeitos que se sabe em termos de impacte ambiental – permite
uma diversidade de opções na hora de escolher o pacote
que mais lhe convém. Não faz aqui sentido mencionar
todos, mas sim chamar a sua atenção para algumas unidades
especiais, que nem sempre são tão caras como se imagina
(sobretudo quando integradas num pacote de agência) e valem
a pena não só pelo seu bom gosto, mas também,
e sobretudo, por estarem apostadas em prestar um serviço
que passa por proporcionar aos seus clientes uma visão mais
abrangente, e menos folclórica, da Madeira.
No
Reid’s Palace (Est. Monumental, 139, tel.: 291 717 171, fax:
291 717 177) pacotes de quatro a sete noites com pequeno-almoço,
um jantar e um chá tradicional incluídos custam desde
cerca de _600/1000 por pessoa, sem voos. Mais informações
em www.reidspalace. orient-express.com e reservas através
da linha 00 800 2888 8882 de The Leading Hotels of the World), agora
sob o signo da rosa e do cinzento (as cores da cadeia Orient-Express,
que adquiriu o hotel em Julho de 1996), continua a ser uma aposta
imbatível em matéria de tradição, charme
e classe. Porém,
o Choupana Hills Resort & Spa (Tv. do Largo da Choupana, tel.:
291 206 020, fax: 291 206 021, e-mail: info@choupanahills. com,
www. choupanahills.com /Pacotes de duas noites com voos desde cerca
de _395 por pessoa), inaugurado em Fevereiro de 2002 sobre a baía
do Funchal, é quem causa agora maior sururu na imprensa mundial.
O caso não é para menos, já que o projecto
dos arquitectos Michel
de Camaret e Didier Lefort apostou num design muito contemporâneo,
onde o alojamento se faz em bungalows, e num spa com piscina em
deck panorâmico.
Aliás,
os tratamentos de beleza são um extra a merecer cada vez
mais atenção, sendo que o moderno Crowne Plaza Resort
Madeira (Est. Monumental, 175-177, tel.: 291 717 700, fax: 291 717
701, www.madeira.crowneplaza.com / Pacotes de 2 noites com voos
desde cerca de _310 por pessoa), um dos mais bem sucedidos casos
de arquitectura moderna com decoração a condizer,
foi dos primeiros a apostar num Centro de Talassoterapia Thalgo
beneficiando da proximidade do mar.
Em
matéria de grandes hotéis, merece ainda uma referência
o Royal Savoy Resort Madeira (Avenida do Infante, tel.: 291 222
031/39, fax: 291 223 103, e-mail: savoy@ netmadeira.com, www.royal-savoy-resort.com
/ Pacotes de duas noites com voos desde cerca de _415 por pessoa),
com um total de 162 estúdios e penthouses, que tem a particularidade
de reservar parte da sua capacidade para a aquisição
do direito de habitação turística por um determinado
período no ano.
Se,
no entanto, procura algo mais pequeno e íntimo, então
uma boa solução é a Estalagem da Quinta da
Casa Branca (Rua da Casa Branca, 7, tel.: 291 700 770, fax: 291
765 070, e-mail: estalagem@ quintacasabranca.pt, www. quinta casabranca.pt
/ Pacotes de duas noites com voos desde cerca de _315 por pessoa),
um projecto que já recebeu o Prémio de Arquitectura
do Funchal em 1999, pelo excelente entrosamento entre a paisagem
e uma nova linguagem arquitectónica, e que durante o ano
de 2002 recebeu uma nova ala com mais 12 quartos superiores e duas
king suites. É também o único em Portugal a
integrar a cadeia Small Luxury Hotels of the World.
A 16 quilómetros do aeroporto, a Estalagem da Casa Velha
do Palheiro (São Gonçalo, tel.: 291 794 901, fax:
291 794 925, /Pacotes de duas noites com voos desde cerca de _325
por pessoa) é outra opção. Membro recente da
cadeia Relais & Châteaux que goza de grande sossego e
de uma série de facilidades que incluem um campo de golfe
nas proximidades.
Fusão
de sabores
Os
amantes da boa cozinha regional têm no Funchal um prato cheio,
ainda mais porque a sua gastronomia típica apresenta características
muito próprias, com algumas notas de exotismo presentes em
iguarias como carne de vinha d’alhos, sopa de moganga (abóbora)
ou de trigo, inhame cozido, espetadas de milho frito, bolo de mel
ou bolo de caco (pão típico de farinha de trigo),
já para não falar no uso e abuso das muitas frutas
locais como o maracujá-roxo ou a papaia.
Nesta matéria, nada como uma ida ao Celeiro (Rua das Aranhas,
22, tel.: 291 230 622), uma instituição da gastronomia
madeirense bastante frequentada por locais, o que é sempre
bom sinal. Tudo ali é bom, mas, diz quem sabe, é obrigatório
provar a espetada, o pão de caco e as deliciosas batatas
doces assadas, bem como a cataplana e a caldeirada. Mais turístico,
mas nem por isso menos recomendável, é a rústica
Casa Madeirense (Est. Monumental, 153, tel.: 291 766 700).
No
que toca a sabores de outras paragens, estes são quase sempre
representados nos restaurantes dos principais hotéis. Para
começar, duas grandes mesas no Reid’s Palace: The Dining
Room (aberto das 19h às 21h30), uma série de salas
sumptuosas e profundamente românticas onde o serviço
começa com o toque de xilofone; e o alfresco Brisa do Mar
(aberto de Junho a Setembro, de 3.ª a sáb., das 19h30
às 22h), ideal para um jantar à luz de velas e para
degustar uma cozinha de autor que mistura influências chinesas,
javanesas e balinesas.
Já
na Estalagem da Quinta da Casa Branca o destaque vai para o restaurante
Casa da Quinta (aberto das 19h às 22h30), renovado em finais
de 2001, com menu sazonal de cozinha mediterrânica concebido
pelo chefe Vítor Sobral, ao passo que no hotel Ocean Park
(Promenade) a novidade é o japonês Kai, com balcão
Teppanyaki.
Fora de portas, mas a curta distância do centro do Funchal
e a servir de passeio, fica La Perla, na Quinta Splendida (Sítio
da Vargim, Caniço, tel.: 291 930 400, fecha à 5.ª),
cozinha de autor num casarão de decoração ultrapassada,
mas com jardins primorosos, recuperado para o turismo por um casal
de suíços.
Numa
onda mais in, o que equivale a dizer lugares onde a decoração,
a par da cozinha, é uma das atracções, temos
lugares como o Villa Caffé (Rua do Favila, 11, tel.: 291
761 622), com cozinha de inspiração mediterrânica
num espaço que apresenta uma mercearia gourmet e várias
salas com ambientes distintos onde se brinca com as cores fortes,
texturas quentes e frias, e até algumas peças assinadas
por Philippe Starck; o Fora d’Água (Ocean Park, Promenade,
tel.: 291 766 002), um restaurante de nova cozinha madeirense em
ambiente design (do interior envidraçado com paredes em rosa-velho
ou verde-limão, à esplanada cool) com peças
escolhidas a dedo da Habitat e da Cutipol, entre outros; o Mezanino
(Ocean Park, Promenade, tel.: 291 763 325), um espaço contemporâneo
concebido pela firma de decoração Esboço com
cozinha à vista a cargo de um chefe es-trangeiro, que não
foi insensível aos produtos locais; ou ainda o restaurante
do Choupana Hills, a grande sensação do momento, com
mobiliário desenhado por Didier Lefort, chão em mármore
branco e pedras de basalto, louça Vista Alegre e copos Aino
Aalto Italia.
No
intervalo das refeições, e sobretudo à hora
do lanche, nada como fazer uma pausa bem demorada no Café
Central Goldengate (Av. Arriaga, tel.: 291 220 053). Esta pastelaria,
que também faz as vezes de restaurante e de café,
existe desde 1841 e passou por obras de remodelação
sem tocar no seu charme secular. Para mais, os seus deliciosos bolos,
que se esgotam num ápice, são fornecidos pelo Reid’s
Palace, outro endereço obrigatório a meio da tarde
devido ao seu impecável chá.
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