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S A Ú D E


SOS crianças

Antes de partir de férias com os seus filhos para um destino exótico e longínquo, o melhor é marcar uma consulta de Medicina do Viajante para crianças

Junho de 2003


Texto de Simone Rocha
Ilustração de André Kano
   

O Verão está à porta e, desta vez, optou por trocar as habituais férias no Algarve por um destino tropical. E está decidido a levar as crianças. “É arriscado”, pensa, lembrando-se da pneumonia atípica ou da última ida à praia em que foi artilhado com protectores solares e dezenas de brinquedos.

Sem desesperar e recorrendo a algumas regras, muitos riscos podem ser minimizados se planear ao detalhe a viagem. Comece por marcar (com alguma antecipação) uma consulta de Medicina do Viajante para crianças. Funcionam no Instituto de Higiene e Medicina Tropical e no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, e, embora sejam de âmbito pediátrico, são úteis para toda a família. O ideal é ir munido de um conhecimento tão completo quanto possível do seu destino, depois é só ouvir com atenção os conselhos do pediatra e cumpri-los à risca.

Segurança nos trópicos
Os pediatras defendem a idade mínima de um mês para viajar para qualquer país. Na verdade, as crianças adaptam-se como os adultos às viagens de avião e aos diferentes destinos. São, porém, mais susceptíveis a algumas doenças como a malária, pelo que é indispensável fazer a profilaxia desta doença no caso de viajar para uma zona de risco, ainda que a melhor prevenção seja mesmo evitar a picada do mosquito, que é o seu vector. Deve, por isso, optar por vestir as crianças (e a si próprio) com camisas com manga e calças, tudo de cor clara, para facilitar a visualização dos mosquitos e, quando for necessário, usar repelentes. Como estes picam sobretudo entre o anoitecer e o amanhecer, os petizes devem evitar actividades fora de casa durante esse período.

Além do Plano Nacional de Vacinação, poderá ser necessário efectuar outras vacinas (febre amarela, febre tifóide, meningite ou hepatite, por exemplo) e levar o certificado internacional de vacinação, exigido para entrar nalguns países.
No caso de doença crónica, é indispensável levar informação médica pessoal, com cópia em inglês ou francês. Deve levar quantidade suficiente de medica-mentos e saber a dosagem em princípio activo, pois as apresentações podem ser muito diferentes consoante o país.

Mais vale prevenir...
Nem só de medicina se fala nestas consultas ao viajante. É explicado às crianças que podem encontrar no seu destino hábitos diferentes daqueles a que estão habituadas, transmitindo--lhes regras de bom senso essenciais em férias, como “nunca sair de perto dos adultos, não falar com estranhos e guardar sempre o contacto do hotel...”. Aos pais são lembradas as normas de prevenção rodoviária: é que os acidentes, embora menos frequentes do que as doenças em férias, acabam por ser mais letais.

Cumprir as regras de higiene pessoal e alimentar é meio caminho andado para não adoecer. Não se deve fidelizar a um único restaurante, pois ao comer em vários diminui a probabilidade de ingerir um alimento que o faça adoecer. Opte por pratos quentes, confeccionados na hora, e frutos descascados por si. Há ainda alimentos de alto risco, como os gelados, iogurtes e queijo fresco, devendo o leite não pasteurizado ser fervido. As bebidas carbonatadas e alcoólicas são de baixo risco, mas não deve adicionar gelo. Alguns microrganismos sobrevivem a temperaturas negativas por longos períodos. A água deve ser tratada com soluções de iodo ou cloro, e fervida durante cinco minutos, mas o mais seguro é optar pela engarrafada.

Além dos habituais cuidados com o sol, nade só em locais conhecidos e lembre-se de que, normalmente, só as piscinas com água clorada são seguras. A água do mar não é responsável pela transmissão de doenças, mas podem ocorrer mordeduras e picadas.

No regresso deve ir ao médico. Algumas doenças podem não se manifestar durante as férias. É importante informar o clínico sobre os locais por onde passou, se ficou doente, sofreu algum acidente ou foi sujeito a tratamentos.

Medidas de prevenção
Informe-se se o seguro médico é válido no seu destino e se cobre despesas de evacuação. Saiba o grupo sanguíneo das crianças, dos pais e de possíveis dadores.

Levar medicamentos para a diarreia do viajante e fármacos de reserva para as infecções respiratórias e de pele.

As crianças devem usar protectores solares adequados (factor mínimo de protecção 30) sempre que estiverem ao ar livre e não apenas na praia. Usar chapéu e beber muita água (sempre engarrafada).

Os insectos são vectores de inúmeras doenças, por isso use repelentes. O mais eficaz e menos tóxico é o DEET (N,N-dietil-m-toluamida), em determinadas concentrações. Deve obe-decer às normas indicadas na embalagem para minimizar o risco de reacções.

Durma sempre que possível num quarto com ar condicionado e/ou mosquiteiro. Pode usar insecticida em spray, fitas e aparelhos antimosquito ou insecticidas residuais à base de permitrina.

Mais informações: Instituto de Higiene e Medicina Tropical: Tel. 21 312 66 00; Hospital de D. Estefânia: 21 362 75 53; www.cdc.gov/travel/; www.who.int/ith/


 

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