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D I C A S  D E  V I A G E M


Abecedário da (in)segurança

O mundo é grande mas os países que se podem visitar sem correr riscos não são muitos. Saiba o que o espera em cada
destino antes de planificar as próximas ferias

Junho de 2003

Texto de Teresa Frederico
Ilustração de André Kano
   


É  triste, esta realidade: de cerca de centena e meia de países elencados pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, pouco mais de 51 por cento oferecem aos visitantes condições de segurança consideradas boas ou razoáveis. Guerras, altos índices de criminalidade, instabilidade social e política e propagação de doenças são alguns dos factores que actualmente reduzem o mundo a metade, confinando o viajante previdente a menos de 80 destinos, segundo a fonte citada.

Tal panorama pode alterar-se a cada dia que passa pelo que aconselhamos vivamente uma visita à secção Viajar do site daquela entidade (www.secomunidades.pt) antes de adquirir a passagem aérea ou, no mínimo, fazer as malas. Provavelmente, quando ler este artigo algumas das informações disponíveis já serão diferentes das que aqui encontra (até porque o site está a ser remodelado e, espera-se, melhorado, nomeadamente usando categorias de classificação mais claras e incluindo a totalidade dos países). Mesmo assim, parece-nos valer a pena traçar o perfil dos vários destinos nesta matéria, de A a Z. Pela sua segurança.

Destinos (mais) seguros
Quem não quer correr riscos, ou seja, ir de férias para os países considerados mais seguros, pode optar pela Alemanha, Andorra, Austrália, Áustria, Bermudas, Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Eslovénia, Finlândia, Grécia (embora sejam de evitar, depois do anoitecer, a Omonia em Atenas e a zona portuária de Pireu, e se recomende precaução na fronteira com a Albânia), Ilhas Cook (mas é de ter em conta o risco de ataques indiscriminados a locais turísticos) e Marshall, Maurícia, Mónaco, Irlanda, Islândia, Japão, Luxemburgo, Noruega, Países-Baixos, Palau, Polónia, Reino Unido, São Marino, Singapura, Suécia, Suíça, Tonga e Vanuatu.

Condições de segurança razoáveis ou satisfatórias oferecem os seguintes destinos: Baamas (sobretudo nas vias públicas e zonas turísticas), Bangladesh (excepto em longas viagens de autocarro e comboio), Bélgica, Benim, Brasil, Brunei, Cabo Verde, Cambodja (excepto em áreas isoladas junto à fronteira), Chile, Coreia do Sul (o consumo de droga é punido com pesadas penas de prisão), Croácia (ainda existem inúmeros campos de minas não desactivadas, pelo que se sugere muita prudência em algumas zonas rurais), Eslováquia, Espanha, Estónia, Estados Unidos, França, Gabão (a floresta equatorial deve ser visitada na companhia de profissionais), Guiné Equatorial (o uso de máquinas fotográficas só é permitido depois de autorizado pelo turismo local), Hungria, Ilhas Maldivas (mas há risco de ataques indiscriminados contra turistas), Ilha de Nauru, Itália, Lituânia, Macau, Madagáscar, Malásia, Malawi, Malta, Moçambique, Namíbia (na fronteira com Angola a segurança pode ser instável, designadamente devido à existência de áreas com minas antipessoais), Nova Zelândia, Panamá (mas San Felipe, Barraza, Rio Abajo, Calidonia e Santa Ana são zonas de risco), Peru, Porto Rico, Quirguistão, reinos do Butão e do Nepal (é necessário especial cuidado nas deslocações às regiões montanhosas e na escolha do respectivo guia; o consumo/posse de drogas tem sérias consequências legais), República Checa, Samoa, Santo Domingo (à noite é aconselhável sair em grupo), São Tomé e Príncipe (há que ter cuidado com roubos, sobretudo nas praias aparentemente desertas), Suazilândia, Sri Lanka (apenas nos centros turísticos; devem evitar-se o norte e este do país devido à guerrilha), Suriname e Uruguai. Na Guatemala as condições de segurança são satisfatórias, mas “é de considerar o risco de roubo de bens e de sequestro, sobretudo nas grandes cidades”.

Desta lista fazem ainda parte Marrocos (onde as visitas a medinas e mercados tradicionais devem ser acompanhadas por um guia oficial) e a Tunísia. Dada a tensão no Próximo e Médio Oriente, é aconselhável vigilância e a consulta regular do site referido.

Zonas de (maior) risco
Notas especiais da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas destacam os destinos mais problemáticos. Devido à recente guerra no Iraque, à data de fecho desta edição era ainda desaconselhada a visita a esse país
e à Arábia Saudita, Bahrain, Emiratos Árabes Unidos, Iémen, Irão, Jordânia, Koweit, Oman, Qatar, Síria e sudeste da Turquia. O mesmo
é válido para Israel, territórios ocupados e zonas sob jurisdição da Autoridade Palestiniana.

A Costa do Marfim também é de evitar dada a crise político-militar. No Egipto, Índia, Indonésia, Paquistão e Quénia pode haver risco de acções terroristas, assim como na Tailândia e na capital da Tanzânia, Dar-Es-Salam. As ilhas Fiji, Cook, Salomão e Maldivas estão na lista dos possíveis cenários de atentados como o que ocorreu em Bali. A insegurança é ainda considerável nas grandes cidades da Venezuela (Caracas, Valência, Maracaibo e Maracay).

A Síndroma Respiratória Aguda é outro importante factor a ter em conta. Antes de planificar a viagem, obtenha informação actualizada sobre a doença nos sites da Direcção-Geral de Saúde (www.dgsaude.pt) e da Organização Mundial de Saúde (www.who.int).

Em muitos outros países as condições de segurança são deficientes ou precárias. É o caso do Afeganistão (risco muito elevado para estrangeiros), África do Sul (elevados níveis de insegurança pessoal e patrimonial), Bósnia (desaconselham-se viagens turísticas), Burundi (insegurança generalizada devido à guerra civil), Colômbia (o número de sequestros é elevado), Coreia do Norte (potenciais riscos decorrentes da tensão na península), Equador (alto
índice de delinquência), Filipinas (risco de rapto, entre outros), Ilhas Salomão (agitação étnica, actos de anarquia e actividade criminal armada), Laos (sobretudo no interior), Líbano (em especial junto à fronteira com Israel), Libéria (luta armada entre grupos dissidentes e forças governamentais), Nigéria (índices de criminalidade elevadíssimos), Papua, Nova Guiné (são de evitar as visitas não estritamente necessárias), repúblicas Centro Africana (devido à situação político-social), do Congo e Democrática do Congo (não são recomendadas visitas turísticas a ambas), Serra Leoa (turismo desaconselhado; não há estruturas credíveis de apoio ou de protecção), Togo (a situação política é tensa e a criminalidade tem-se intensificado), Ucrânia (elevada taxa de criminalidade), Uganda (devido à forte instabilidade, qualquer deslocação deverá ser comunicada à embaixada em Nairóbi), Zâmbia (delinquência crescente, com particular preferência pela comunidade estrangeira) e Zimbabué (os níveis de violência aumentaram consideravelmente dada a situação política).

Regiões instáveis
A segurança é também considerada deficiente na Albânia, Argélia (aconselha-se prudência enquanto se mantiver a instabilidade no Golfo), Azerbaijão (embora exista um serviço de segurança direccionado para turistas), Bolívia, Casaquistão, Cuba (segurança deficiente dado o aumento da pequena delinquência), Eritreia (mas as áreas turísticas de Massawa e Ilhas Dahlak não apresentam problemas), Guiné-Bissau (aumento da pequena criminalidade devido à crise económica), Guiné Conacry, Honduras, Ilhas Comores (devem evitar-se grandes aglomerações de pessoas e não se recomendam vi-sitas à ilha de Anjouan), México (onde não se deve sair à noite), República Moldova, Myanimar (antiga Birmânia), Nicarágua, Roménia (condições de segurança pouco credíveis) e Senegal (em Dakar ocorrem com frequência pequenos assaltos e em Casamansa podem verificar-se ataques de forças separatistas).

Instabilidade é a palavra usada para caracterizar a Argentina (dada a crise económica), Bulgária (onde, à noite, veículos com matrícula estrangeira são frequentemente alvo de assaltos), Burkina Faso, Etiópia (na capital, Adis Abeba, as condições de segurança são boas, mas noutros locais continuam a ter lugar conflitos armados), Ilhas Fiji (a maioria das visitas ocorre sem problemas, embora a criminalidade esteja a aumentar, sobretudo nos grandes centros urbanos), Jugoslávia (viagens à Sérvia e Montenegro realizam-se sem problemas, mas persiste alguma ameaça de ataques terroristas; devem evitar-se o Kosovo, Sandjak, Presevo e sul da Sérvia), Macedónia (em alguns locais ainda há actos esporádicos de violência) e Rússia (na maioria do território a segurança é instável; na Ingushétia, Daguestão, Ossétia do Norte, Karachai-Cherkassia,Kabardino-Balkaria, Stavropol, Krai e Tchechénia é precária).

Em Angola não há notícias de violação do cessar-fogo. As deslocações ao interior devem continuar a ser efectuadas usando meios aéreos, pois as estradas estão em mau estado e, frequentemente, minadas. A situação em Luanda é razoável mas desaconselha-se a visita a Cabinda.

Traçado o perfil – possível, dada a limitação de espaço – da segurança no mundo, não é de mais recordar que, antes de partir, é fundamental obter informação detalhada sobre o que se passa no destino, concretamente na região a visitar, pois até num país relativamente tranquilo podem existir zonas de alguma perigosidade.


Precauções básicas
Em qualquer parte do mundo convém tomar algumas providências básicas para evitar dissabores, nomeadamente vigiar os pertences (da viatura à mala de viagem, documentos e meios de pagamento); guardar valores e documentação no cofre do hotel; e adoptar comportamentos que o protejam da criminalidade típica dos centros urbanos, sobretudo nos locais mais frequentados.

Em muitos destinos, nuns mais do que noutros, é conveniente viajar de carro durante o dia e pelas estradas principais, contratar guias oficiais para visitar determinadas áreas, evitar zonas isoladas e passeios nocturnos a pé. E não oferecer resistência no caso de ser assaltado.

Também é fundamental que se informe sobre a legislação e costumes, muito variáveis de país para país: no Nepal e no Sri Lanka, por exemplo, é importante respeitar os códigos de vestuário; nas Maldivas a observância pública de outra religião que não o islão é proibida; e no Japão a violação da lei pode levar à detenção durante 27 dias, enquanto a polícia analisa o processo.


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