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   XLRotas & DestinosDossier > Segredos algarvios
D O S S I E R Junho de 2005   
   
Alto da Lua | Serra de Espinhaço de Cão
Logo à chegada, o perfume da Serra de Espinhaço de Cão anuncia o peso da natureza em toda a envolvente do Alto da Lua. Delimitada pelo mar e pela serra, esta unidade de turismo rural convida sobretudo ao repouso nas redes ou espreguiçadeiras junto à piscina, com vista para o pinhal, mas permite, a meia dúzia de quilómetros, usufruir das mais belas praias da Costa Vicentina.

O edifício caiado, de dois pisos, enquadra-se perfeitamente na paisagem bucólica, apesar das linhas contemporâneas. Concebido pelo arquitecto Vítor Mestre, brinca com a luz e as sombras, deixando-nos entrever aqui e ali, através de janelas e reentrâncias nas paredes, a serra e o céu.

P U B L I C I D A D E

Contacto: Alto da Lua, Serra do Espinhaço de Cão, Aljezur. Tel. 96 813 57 88 ou 96 945 54 06; www.altodalua.com
Tarifas: Quartos duplos a partir de €70 e apartamentos a partir de €80.
Serviços: Organização de aulas de surf, passeios de jipe, prática de golfe, pesca, passeios a cavalo e de bicicleta. Também serve refeições leves durante o dia e prepara cestos de piquenique. Os jantares têm de ser encomendados com antecedência.

Restaurante O Sítio do Rio (tel. 282 973119. Preço médio por refeição: €18). Situado a caminho da praia da Bordeira, o Sítio do Rio privilegia na ementa os sargos, os robalos e as douradas, acabados de chegar do mar.
As espetadas de porco com gengibre, o javali à moda da casa e a cabidela de galinha caseira são também excelentes e procurados por uma clientela cosmopolita (serve pratos vegetarianos).

Praia da Bordeira
Apesar de ficar próxima da Carrapateira, esta praia tranquila é designada por Praia da Bordeira, devido à ribeira que desagua no topo Sul do extenso areal. A falta de infra-estruturas de apoio é compensada pelo silêncio no extenso areal, onde, mesmo em época alta apenas se vislumbram meia dúzia de surfistas e snowborders.
No seu interior encontramos nove quartos duplos, a sala de televisão, uma sala de jogos (com mesa de bilhar), e a sala de pequenos-almoços.

Os quartos, amplos, são decorados em diferentes tons pastel, com motivos marinhos e fotografias de grande dimensão alusivas aos diferentes estados do mar. Os do andar de cima possuem terraço ou varanda com vista privilegiada, e os do piso de baixo dão para jardins mediterrânicos com redes e cadeiras de verga, onde apetece dormitar ou ficar a ler, tranquilamente, já que o silêncio será, porventura, a característica mais marcante do Alto da Lua, onde até os pássaros parecem sussurrar para nos deixar descansar. A sala, espaçosa, tal como os quartos, está decorada e mobilada com sofás confortáveis, tapetes e mesas marroquinas, a par de algumas peças de mobiliário típico da região. No Inverno, uma enorme lareira aquece o ambiente, enquanto que, no Verão, as janelas de vidro são abertas para deixar o ar saudável do campo entrar.

Além deste edifício construído nos anos 90, existe ainda uma outra casa antiga, pensa-se que original do século XVI, onde foram instalados dois apartamentos – equipados com kitchnette, com capacidade para quatro pessoas –, uma alternativa confortável para casais que viajem com os filhos e prefiram cozinhar as suas refeições. Reza a história que esta pequena habitação rural pertenceu a Pêro Jacques, cruzado ou marinheiro, consoante as versões, a quem foi concedida a propriedade agora explorada por Miguel Lino, um jovem lisboeta que fugiu do bulício e das rotinas da cidade.

Ambos os edifícios dão acesso directo ao terraço em tijoleira de Santa Catarina, onde se encontra a piscina e a esplanada. Daí usufrui-se de uma vista espantosa sobre a Serra de Espinhaço de Cão e sobre o mar, sendo, por isso, o lugar mais apreciado para tomar o pequeno-almoço, ou para testar os reconhecidos dotes culinários de D. Vitalina, especialista em sabores e aromas algarvios.

Quinta Matias | Boliqueime
Contacto: Quinta Matias, Sítio das Casas Costas, Alfontes, Boliqueime, Loulé. Tel. 289 362 255 ou 93 9303874,
e-mail terita@clix.pt
Tarifas: Quartos duplos a partir de €45.
Serviços: Organização de passeios pedestres e a cavalo. Sala com TV e CD Player. Serve refeições mediante pedido prévio.

Restaurante Cantinho da Ribeira (Sítio das Casas Costas, Alfontes, Boliqueime, Loulé, tel. 289 366 345). Restaurante regional, serve pratos tipicamente algarvios, tais como xerém, cabrito assado e caça. As sobremesas – doce de abóbora, de alfarroba e de figo – são de comer e chorar por mais.

Praia Barranco da Bilharó
Situada entre os Olhos d’Água e a Praia da Falésia, o areal extenso do Barranco da Bilharó reserva, como por milagre (e porque os acessos são péssimos), áreas completamente desertas, numa das regiões mais concorridas do Algarve.
É o ideal para fazer grandes caminhadas silenciosas em comunhão com a natureza.
O Sítio das Casas Costas, onde se encontra a Quinta Matias, situa-se nos arredores de Boliqueime, pitoresca freguesia de Loulé, encaixada numa encosta, com vista para o mar. Vive-se ainda da agricultura de sequeiro e regadio nesta região, rasgada por ruas estreitas bordadas a campinas floridas e casinhas caiadas, sendo por vezes difícil associar este Algarve rural ao destino de veraneio sobrelotado junto ao mar, a meia dúzia de quilómetros.

A Quinta Matias é testemunha dessa atmosfera bucólica – antiga casa de lavoura, continua a cultivar e explorar uma extensa horta, um pomar e um olival, deixando ouvir, ao invés das línguas bárbaras faladas na orla costeira, os trinados de passaritos madrugadores. A par da actividade agrícola, aluga seis quartos num edifício adjacente à casa principal, construída nos anos 20, proporcionando aos hóspedes uma estadia repousante e lúdica: este é o lugar ideal para aprender a distinguir um tomateiro de uma macieira. Maria Tereza, a proprietária, não se importará de explicar esta e outras maravilhas do mundo rural, até porque faz parte das propostas da Quinta a participação dos hóspedes na apanha de frutos – maçãs, laranjas, figos e damascos, dependendo da época do ano – e de hortícolas.

À boa maneira de uma casa rústica, os quartos, decorados com móveis mexicanos, colchas de algodão e tons pastel, são amplos e luminosos. Dão para um pátio ajardinado com alfazema, lírios e jarros, onde se encontram as piscinas (uma para crianças e outra para adultos), de onde se obtém uma panorâmica excepcional sobre a serra. Esse mesmo terraço dá, ainda, acesso a uma área reservada aos hóspedes, equipada com cozinha, salas de jantar, de televisão, de jogos e de leitura – as duas últimas instaladas numa mezzanine. Proporcionando um espaço de lazer e convívio interior autónomo da casa principal, útil não só nas noites sossegadas do Sítio das Casas Costas, como nos dias mais frescos, em que apetece a lareira, este edifício permite aos hóspedes preparar as suas refeições (aproveitando os produtos frescos da horta e pomar), ouvir música ou ficar à conversa despreocupadamente, uma vez que se encontra bastante afastado dos quartos. Se quiser experimentar algumas especialidades regionais sem sair de casa, poderá encomendar o jantar na Quinta. Galo caseiro, xerém com conquilhas e favas ou ervilhas da horta são alguns dos pratos mais apreciados, preparados com produtos que não conhecem aditivos químicos.

Não há muito para fazer em Boliqueime além de desfrutar ao máximo do contacto com a natureza. Maria Tereza ajuda-o a organizar passeios pedestres, de bicicleta e a cavalo pela serra, mas, se preferir prazeres mais mundanos, poderá sempre dar um salto até às praias de Vilamoura e Albufeira.

Quinta da Corte | Monchique
Contacto: Quinta da Corte, Aldeia da Corte Grande, Serra de Monchique, 8550-909 Monchique. Tel. 282 911 290,
e-mail quintadacorte@clix.pt, www.quintadacorte.com
Tarifas: Quartos a partir de €75
Serviços: Dispõe de canil. Pequenos-almoços incluídos. Restantes refeições devem ser encomendadas com antecedência. Organização de passeios pedestres pela serra, com possibilidade de admirar as riquíssimas fauna e flora da região. Os hóspedes podem participar nas lides agrícolas da quinta e tratar dos muitos animais (ovelhas e galinhas).

Porca Preta Galeria & Restaurante (Estrada Monchique-Alferce, tel. 282 912 384, Preço médio por refeição a partir dos €15). Aberto há sensivelmente dois anos, este espaço, composto por oito pequenas casas de aldeia, divide-se em galeria de arte e restaurante, onde são servidos os pratos típicos da região serrana. A não perder.

Praias de Lagoa
Conheça as praias de Caneiros, Vale de Centeanes ou da Marinha, a cerca de meia hora de carro. Escondidas por falésias e rochedos a precipitarem-se sobre o mar, escondem pedaços de areia. Em alternativa pode recorrer aos tratamentos do complexo termal das Caldas de Monchique (www.monchiquetermas.com), a minutos da Quinta da Corte.
As curvas e contra-curvas que nos levam Serra de Monchique acima, em direcção a um Algarve profundo e impoluto que quase já não existe, embalam-nos lentamente e fazem-nos entrar numa espécie de dormência profunda enquanto admiramos a paisagem. De repente, ao guinar o volante ao sabor da estrada, acordamos e despertamos os nossos sentidos para um vale verdejante, que surge na nossa frente vindo do nada, quase a destoar de toda a envolvente, tantas vezes arrasada pelo fogo.

Chegámos à Quinta da Corte, um pequeno recanto cheio de vida, onde Helena e José, um jovem casal nascido e criado na região, puseram de pé o seu sonho. São eles, mais a sua simpatia e simplicidade, a verdadeira alma deste refúgio que se ergue, sem estragar o cenário, no meio de 2,5 hectares de terreno fértil que se alonga num declive. A riqueza da terra explica-se graças aos socalcos trabalhados pela força do homem em séculos passados, que, para irrigar as terras, ainda trouxe as águas de uma nascente através de um túnel – uma espécie de levada algarvia. Neste terreno tudo pega e o pequeno rebanho de ovelhas criadas pelos proprietários – cada uma com o seu nome de baptismo, carinhosamente atribuído logo à nascença – serve como um autêntico aparador da erva que circunda as várias macieiras, pereiras, amoreiras, laranjeiras e limoeiros do simpático pomar.

De resto, é impressionante o contraste da paisagem mal se entra na última curva que dá acesso à Quinta da Corte. O castanho dos campos queimados transforma-se repentinamente num verde viçoso, seguramente influenciado pelo facto de José e Helena também terem convencido um dos – poucos – vizinhos da aldeia da Corte, mesmo ali defronte, a também apostar na irrigação.

Mas regressemos ao refúgio propriamente dito. Com uma arquitectura simples e de traços assumidamente contemporâneos que em nada destoam da envolvente, a Quinta da Corte dispõe de quatro espaçosos quartos com pequenas varandas a oferecer uma panorâmica digna de registo, uma sala de estar atravessada por enormes janelões e aquecida nas noites mais frias por uma lareira e, seguramente o mais importante, o contacto directo com a natureza.

Apesar de já não vislumbrarmos por aqui aparições do ameaçado lince ibérico ou da águia-de-bonelli, há muito mais para ver. Por entre raposas, coelhos, perdizes ou javalis, a avifauna é riquíssima. Nas imediações poderá perder horas a admirar, entre outras tantas variadas espécies, gaios, chapins, tentilhões, cucos, rouxinóis, melros, corujas e mochos. Longe da confusão, deixe-se ficar por estas paragens, a ver as horas passar noite fora, até ao despertar matinal do dono e senhor da capoeira, o garboso Galo Inácio, que anuncia a chegada de mais um dia de sossego no campo.

Monte Velho | Carrapateira
Contacto: Monte Velho Nature Resort, Estrada de Vila do Bispo, Carrapateira (a 24 km de Aljezur). Tel. 282 973 207.
Tarifas: Preços a partir de €100.
Serviços: Parque infantil, motos 4 e BTT, passeios de burro, percursos sinalizados para passeios pedestres ou de bicicleta, jornadas de observação da natureza, cursos de surf e de windsurf, mergulho, passeios de veleiro e pesca.

Sítio do forno (na estrada de terra que liga a praia do Amado à da Bordeira. Tel. 263 558 404). O seu terraço sobre a falésia é, sem dúvida, o lugar ideal para um jantar a ver o mar e a contemplar um pôr-do-sol raiado de vermelho, laranja e amarelo. A especialidade é, como não poderia deixar de ser, peixe grelhado em carvão.

Praia da Murração
O acesso não é dos mais fáceis, mas vale a pena descobrir esta praia, quase sempre deserta. Terá de galgar uns bons 15 minutos por entre calhaus e terra batida para lá chegar, um esforço recompensado mal avistamos o areal, recortado por rochas e falésias e banhado por um mar agitado em tons de azul. Sem qualquer sinalização, a melhor referência de orientação é a seguinte: ao sair do Monte Velho, volte à estrada de alcatrão e vire à esquerda no sentido de Vila do Bispo. Uns quilómetros mais adiante, após as últimas “ventoinhas” do Parque Eólico, vire numa estrada de terra batida à sua direita, seguindo em direcção ao mar.
Com um lápis, traçamos no mapa como ponto de partida São Torpes e marcamos com um “X” a pacata aldeia da Carrapateira, já por terras do Algarve. Uns quilómetros mais adiante, uma simples placa em madeira a apontar caminho em direcção ao Monte Velho Nature Resort convida--nos a abandonar o alcatrão. Somos recebidos por uma simpática comitiva de burricos lanudos que zurram à medida que nos aproximamos, uma espécie de hino de boas-vindas que anuncia a chegada ao campo.

Na verdade, mal avistamos as linhas desta charmosa e tradicional casa de campo caiada de branco, o primeiro desejo é abandonarmo-nos ao baloiçar de uma das redes dispostas no apetecível alpendre do Monte Velho, para aqui ficarmos a ouvir, não muito distante, o suave sussurrar do mar que banha a mágica e quase inexplorada Costa Vicentina. À noite, o céu estrelado serve-nos de manto e o som do silêncio faz-nos companhia, transportando-nos para uma outra dimensão, em que o mundo real fica de fora, impedido de entrar neste espaço onde é reservado o direito de admissão.

Aqui não há televisões, os cigarros fumam-se às escondidas e exclusivamente nos espaços exteriores, os stresses e as más disposições são para esquecer e o dolce far niente passa a regra da casa. É esta a filosofia do Monte Velho, propriedade de Henrique Balsemão, que fez desta herdade com 54 hectares o seu refúgio pessoal, encravado entre os vales do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina. Este típico monte agrícola foi recuperado de raiz, seguindo a traça original, e conta com sete suites e dois quartos, cada um com pormenores de decoração distintos, mas todos a oferecer uma atmosfera leve, rústica e descontraída, em que as cores vivas, que vão do azul-forte ao amarelo-ocre, e os desenhos murais (de joaninhas a borboletas) dão um irresistível toque de charme ao ambiente.

Pela manhã, o pequeno-almoço, servido na sala comum ou no terraço, das 8h30 às 11h00, desperta-nos para um dia passado no meio da natureza. Mas antes de nos lançarmos à descoberta dos encantos que esconde a propriedade – que inclui uma pequena represa –, não resistimos a recarregar baterias com uma fatia de pão de lenha, compotas caseiras e sumos naturais. Em seguida, podemos aventurar-nos em busca de praias desertas – que são por aqui fáceis de encontrar, embora de acesso algo difícil –, percorrer as imediações em passeios pedestres, de burro, de BTT ou Moto 4 para admirar a vida selvagem, ou simplesmente abandonar-nos aos prazeres do corpo e da mente num dos três gazibos vindos da Indonésia, onde são levadas a cabo sessões de massagens e de yoga.

Quinta da Cebola Vermelha | Boliqueime
Contacto: Quinta da Cebola Vermelha, Campina,
8100-908 Boliqueime. Tel. 289 363 680,
www.quintadacebolavermelha.com
Preços: de €80 a €95.
Serviços: Pequenos-almoços incluídos. Almoços ligeiros podem ser tomados na piscina ou no terraço. Às terças-
-feiras, quintas-feiras e sábados é servido ao jantar um menu fixo composto por três pratos, por €25 (reservar antes das 12h00).

Casa Paixanito (Estrada de Querença, Loulé,
tel. 289 412 775. Preço por refeição a partir de €20).
É um dos clássicos da boa restauração algarvia.
Peixe fresco, petiscos variados e pratos da melhor caça são aqui servidos com especial requinte.

Praia do Garrão
Mesmo ao lado da badalada praia do Ancão, a do Garrão esteve sempre um pouco à margem do frenesida socialite que acorria – e acorre – em massa ao areal vizinho. A poucos metros de distância uma da outra, é evidente a diferença; de um lado sempre cheio de gente e de barcos à beira-mar atracados e, do outro, espaço de sobra para todos. Vale por isso mesmo.
Situada em pleno barrocal algarvio, no concelho de Boliqueime, a Quinta da Cebola Vermelha é um pequeno refúgio, ideal não só para quem quer fugir da confusão que reina a alguns quilómetros do local (fica a menos de 15 minutos de carro da marina de Vilamoura), mas também para os que não pretendem ficar longe do resto do mundo. Estamos, portanto, a uma distância segura mas não totalmente isolados, num verdadeiro ambiente de campo, protegidos pela acolhedora atmosfera familiar que a casa do casal holandês Ard e Noor, os proprietários, oferece.

Erguida a partir das ruínas de um edifício centenário, foram mantidos na Quinta da Cebola Vermelha os traços rústicos, em que o vermelho ocre das suas paredes exteriores, rasgadas por portadas brancas, emprestam ao conjunto um estilo diferente de todas as descaracterizadas construções da vizinhança. Uma vez lá dentro, sentimo-nos como que se estivéssemos em nossa casa, onde a decoração com um toque muito pessoal e intimista compõe o cenário. Na sala principal encontramos confortáveis e volumosos sofás a rodear a lareira para aquecer as noites mais frescas, uma comprida mesa de jantar, onde se pode deliciar com as criações gastronómicas da autoria de Ard – refira-se que
o proprietário esteve durante longos anos ligado à restauração tanto na Holanda, como no Algarve (nos tempos idos da década de 70, o casal rendeu-se aos encantos da região e chegou a ter um restaurante-bar nos Olhos de Água, Albufeira) – e recantos ideais para leituras demoradas.

Uma nota: aproveite o simpático terraço coberto para almoços ligeiros, ou até mesmo para românticos jantares à luz das velas – todas as terças, quintas e sábados é servido um menu fixo de três pratos, o qual deve ser reservado com antecedência.

Com seis espaçosos e requintados quartos, equipados com todas as comodidades para uma estadia de qualidade, esta simpático turismo de habitação conta com uma envolvente paisagística a que é impossível ficar alheio. As habituais alfarrobeiras, oliveiras – algumas centenárias –, várias árvores de fruto carregadas de laranjas, limões ou figos e uma fértil horta (onde podemos arrancar da terra a óbvia cebola vermelha) ilustram o quadro, a que se junta a apetecível piscina de água salgada com uma soberba vista para o campo aberto que se estende à nossa frente.

Faça, então, companhia às cigarras que cantam lá fora e não hesite em passear o olhar sem rumo definido e admirar um Algarve bem mais calmo do que aquele a que estamos habituados. Afinal, está no campo, sem horas marcadas e com tempo de sobra para gastar.

Casa Vicentina | Odeceixe
Contacto: Casa Vicentina, Monte Novo, Odeceixe, Aljezur.
Tel. 282 947 447 ou 91 9253523, www.casavicentina.pt
Tarifas: Quartos duplos a partir de €60.
Serviços: TV, DVD, Internet ADSL, ginásio com aparelhos fitness, parque infantil, aluguer de bicicletas e canil. Organiza passeios nas falésias da Costa Vicentina, de bicicleta e a cavalo, e aulas de ténis. Serviço de cafetaria.

Restaurante L-Colesterol (Estrada Nacional 120, Santa Suzana, Aljezur, tel. 282 998 147. Preço médio por refeição: €18). Cozinha mediterrânica, com destaque para a carne – os vegetarianos terão que ficar pelas saladas, cogumelos recheados ou queijo de cabra no forno. A atmosfera é cool, principalmente no terraço, onde se petiscam deliciosas tapas ao final da tarde. À noite funciona como bar.

Praia de Odeceixe
Frequentada sobretudo pelos amantes dos desportos náuticos, Odeceixe desenvolve-se dos dois lados da ribeira de Seixe, que faz fronteira com o Alentejo, proporcionando banhos salgados e de rio. Na maré baixa, podem fazer-se longos passeios pelo mar, pois ao longo de largas dezenas de metros a água não ultrapassa um metro de profundidade.
A ribeira que desagua no topo Norte da praia permite a prática de canoagem e passeios de barco.
Fátima Amoroso e José Gomes de Almeida abandonaram Lisboa e mudaram-se no ano passado para a costa algarvia a fim de concretizarem um desejo antigo – habitarem no campo, onde o único ruído que descortinassem na noite estrelada fosse o jogo de sedução estival entre as relas.

Um pretexto mais que válido para que tivessem reconstruído, a partir das velhas ruínas de uma quinta, situada a apenas 2 km da Praia de Odeceixe, uma unidade de turismo rural – a Casa Vicentina. Agora, não obstante o trabalho, confessam, viver “como num sonho”.

A estrutura tipicament e agrícola – casa caiada de um piso, em forma de “U”, de paredes espessas de adobe e aberturas escassas –, com quartos espaçosos, cafetaria, sala de convívio independente, piscina biológica e jardins, foi projectada pelo arquitecto João Fonseca e recebe sobretudo gente da cidade, ansiosa por momentos de tranquilidade junto das maravilhosas praias da Costa Vicentina. Os interiores, de tectos travejados e piso de tijoleira rústica, são rebocados a barro e coloridos com tintas biológicas, revelando o cuidado do casal na criação de um espaço saudável e acolhedor.

Decorados por Fátima, os seis quartos da casa reflectem o seu gosto por materiais naturais, tapeçarias e candeeiros marroquinos e pelos tons de azul e amarelo (as cores do céu, do mar e do sol, que, na sua opinião, atraem boas energias) e dispõem de varandas voltadas para o relvado e para a piscina, esta última inserida num lago de maiores proporções, colorido por nenúfares (por se situar no Parque Natural da Costa Vicentina, a piscina é biológica, sendo o “tratamento” e limpeza das águas efectuado pelas plantas do lago).

Os pequenos-almoços são tomados a qualquer hora do dia – o relógio é um bem dispensável por estas bandas – na esplanada junto à piscina, com vista para a mata defronte, ou na cafetaria inserida num edifício um pouco afastado dos quartos. É aí que funciona, igualmente, a sala de jogos e de televisão, onde os hóspedes podem ficar a ouvir música ou a conversar, sem incomodarem quem prefere dormir cedo.

Quem se perde por um bom livro ou por uma sesta deverá experimentar a belíssima surpresa que é o Jardim das Oliveiras. As árvores milenares transplantadas da zona do Alqueva oferecem uma sombra preciosa nas tardes quentes de Verão – altura em que a preguiça se abate sobre os mortais. Depois, quando as temperaturas se tornam mais agradáveis, sugerimos que dê um passeio de bicicleta (disponíveis na casa), através dos campos em redor, passando pela belíssima praia de Odeceixe para um mergulho retemperador.

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