| D O S S I E R |
Junho
de 2006 |
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O
Museu Judaico de Daniel Libeskind
Há uns anos,
o alemão Wim Wenders (nascido em Düsseldorf)
fez um filme chamado Asas do Desejo, sobre
um anjo que arriscava perder as suas asas
depois de se apaixonar por uma trapezista
terrena, mortal. Eu, se fosse a ele, se fosse
um anjo, pensava duas vezes antes de penhorar
os meus bens. Em Berlim, o que há mais
é o desejo de ter asas, para assim
evitar todos os obstáculos, esquecer
a História, e alargar o campo de visão.
Foi isso que tentámos fazer no dia
em que visitámos o Museu Judaico, de
Daniel Libeskind. |
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| Um
dos 72 quartos-apartamento do Lux 11, um Design
Hotel situado na cosmopolita Mitte |
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Berlim é uma cidade plana,
e toda a gente anda de bicicleta, fazendo com que elas
próprias se abstraiam da verdadeira dimensão
e distância daqueles quarteirões. Essa ilusão
contagiou-nos ao segundo dia, quando achámos que
bastaria subir meia dúzia de degraus, ou um banco
de jardim, para ganhar uma perspectiva real sobre a cidade
e os seus monumentos. No dia em que visitámos o
Museu Judaico, confrontados perante a enormidade da criação
arquitectónica, vimo-nos reduzidos à essência
mais vulgar. Mas, como bons berlinenses, levantámo-nos
à procura de um ponto de fuga. Uma porta aberta
num edifício vizinho era o convite que faltava
para dar asas ao desejo de ver as formas de Libeskind
talhadas do céu. Ou, pelo menos, de um terraço
sobre 20 andares de altura.
O problema destes edifícios de vanguarda é
que muito raramente o conteúdo consegue estar à
altura do embrulho do seu pacote. O que traz uma grande
vantagem a um turista com pouco tempo na bagagem, ou com
pouca bagagem intelectual no tempo, que queira, assim,
plastificar uma eventual erudição, e informar
os seus conterrâneos sobre a dimensão cultural
da sua viagem. “Sim, estive no Museu Judaico. Edifício
espantoso. Não faço a mínima ideia
o que tinha por dentro”.

| Além
do pequeno lobby, este jovem hotel é
servido pelo restaurante Shiro i Shiro. |
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À primeira observação,
e visto por fora, de cima, este museu é um contentor
disforme, protegido a zinco, num cinza forte repulsivo,
com frestas que parecem chagas, ou feridas vergastadas,
e que mais tarde descobri representarem a ausência
de judeus na História alemã. Em suma, são
lapsos de tempo, esquecimentos de memória, e, ao
mesmo tempo, são entradas de luz sobre o edifício
(ou sobre a diáspora, conforme preferirem). “Se
a ideia era fazer um museu acerca dos judeus de Berlim
ou da Alemanha”, confessou Libeskind durante a construção,
“seria inevitável que a recordação
do Holocausto viesse incluída no pacote”.
Cá fora, ainda, um jardim de cimento, com canteiros
monumentais, sete vezes sete, embutidos em pilares de
quatro ou cinco metros de altura, resultam numa inclinação
sagrada, quase magnética, sob o céu. Mesmo
que a descrição não seja lúcida,
ou tão--pouco lúdica, não deixa de
ambicionar a impressão do retrato.
Depois, finalmente, tivemos
mesmo de entrar. E, para contrariar a tal erudição
de pacotilha, o Museu Judaico de Libeskind é ainda
mais bonito por fora que por dentro. O que mais uma vez
confirma que não se deve julgar um judeu pela cor
das suas feridas, nem um idiota pela impetuosidade das
suas convicções – 15 mil visitantes
por mês não podem estar errados. O Museu
Judaico é, nos tempos que correm, uma da mais belas
representações estéticas da iconografia
cultural da Europa. A intervenção do arquitecto
chinês IM Pei no Museu de História Alemã,
ou a magnífica espiral que
é a cúpula de Norman Foster no Reichstag,
são atenções que nos distraem de
Libeskind, mas não nos afastam do essencial. E
o essencial nada tem de acessório: onde os outros
são dimensão, Libeskind é grandeza.
“Não nos podemos
desligar dos pontos altos da cultura judaica em Berlim”,
assinala o arquitecto. “Gente como Einstein, Schöenberg,
milhões de luminárias da cultura judaica
que eram também, e acima de tudo, alemães”.
Libeskind nasceu na Polónia, emigrou com os pais
para a América, e, nos dias de hoje, continua a
sofrer de azia, sabendo que tem entre mãos a responsabilidade
de recuperar o espaço do World Trade Center, em
Nova Iorque. Nada a que um judeu não esteja habituado,
esse ritual de tropeçar, cair, limpar o rosto e
voltar a levantar-se.
O Hotel Lux 11

| A
chamada Nova Sinagoga da Oranienburgerstrasse,
a rua principal do característico bairro
Scheunenviertel |
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São sete da manhã
em Berlim, menos uma hora em Lisboa. Estou a levantar--me,
incomodado por um silêncio que não reconheço.
Sei que adormeci nas redondezas da Alexanderplatz, que
passa por obras faraónicas. Não se ouve
nada. Acaricio as marcas que a almofada do Hotel Lux 11
deixou na pele do meu rosto. O meu fotógrafo estará
decerto muito pior, e ainda não recuperou a bagagem
com que viajou de Portugal. A mala estará algures
entre Munique e Berlim, entre o aeroporto Tegel e o nosso
hotel, dizem eles. Ou no ground zero que se cria entre
a realidade virtual das grandes companhias aéreas,
e a instalação pop que deverá ser
o armazém de lost luggage de um dos maiores entroncamentos
da aviação internacional da Europa. De uma
forma egoísta, sei que tudo se resolverá,
e que tomaremos um pequeno-almoço descansado num
sítio qualquer, às horas que tiverem de
ser (por acaso, foi no Shiro i Shiro, o restaurante contíguo
ao Lux 11, que apoia o serviço matinal do hotel).
Infelizmente, a única coisa que lamento é
que nenhum de nós tenha tido a oportunidade de
viver uma noite no Lux 11 como ela deve ser vivida –
em festa.
O Lux 11 ocupa pouco espaço
na rua e um grande espaço no coração.
O edifício do hotel é pequeno, mas não
é mínimo – é magnânimo.
Porquê? Porque dispensa o seu espaço em nome
da propriedade horizontal do cliente. Ou seja, o lobby
é pequeno para que os quartos sejam apartamentos
enormes, ou suites executivas, com kitchnettes, copas,
balcões de pequeno-almoço e aparelhos de
televisão situados em colunas que garantem esquinas
de personalidade aos quartos.
O Lux 11 tem value rooms, smart rooms, junior suites,
executive e premier suites. A cama da suite executiva,
situada no lado oriental de Berlim e do quarto, não
interrompe o open space ao apartamento, anunciando os
lavabos a olho nu, e uma zona de duche, que é uma
enorme trincheira onde se pode aprender a nadar. Antigamente,
um espaço desta dimensão implicava a amostragem
de passaporte na transposição da sala para
o quarto. Hoje, Berlim Leste e o Lux 11 são territórios
livres. Livres para se ficar ou para se partir. Tristes
na ausência e saudosos na recordação.
A Mitte e a Oranienburgerstrasse
“Acordo, são dez manhã.
Faço umas chamadas, e subitamente são dez
da noite”. A frase capital é de Wim Wenders,
e tenta reproduzir, ou reduzir a nada, um dia na capital
alemã. Onde o tempo passa depressa e “as
asas não se vão cortar”, dizia Rui
Reininho. Qualquer um deles haveria de saber confraternizar
o tempo com o espaço na zona mais chique da Mitte.

| Um
prato servido no Restaurante 31 do Bleibtreu
Hotel |
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Quando se sai do Lux 11 para a
rua é difícil escolher. A Rosa Alexanderstrasse
tem muitas formas e imensos feitios. A nossa primeira
opção foi o Sol a Sul, mas o Sol a Sul foi
um erro, e por acaso até trouxe a chuva. Deveríamos
ter ficado por ali, à procura da descoberta. As
traseiras do hotel, depois da esquina do restaurante Shiro
i Shiro, são uma revelação, prolongando
a viagem para uma zona comercial intensa, e admiravelmente
descontraída. Onde gastar não implica necessariamente
a hipoteca da casa.
Se tivesse de escolher
um local de eleição em Berlim, deixar-me
ia ficar pela Oranienburgerstrasse – talvez para
sempre. Parece que foi aqui que os berlinenses se instalaram
no dia a seguir à reunificação. “Sorry,
we’re open”, lê-se numa porta. “Vive
la Bourgeoisie”, assinala o edifício em frente”.
São lojas, galerias, bares e restaurantes para
todas as nações, vícios e pecados
originais do mundo. Uma galeria de arte na Gipstrasse
expõe Lina Kim, artista brasileira: “Coisas
que existem. Coisas que não existem”. A cidade
está virada do avesso, é como Babel com
legendas em metalinguagem. Recordo a provocação
da comediante Tracey Ullman: “Preferia que não
tivessem deitado o muro abaixo. Agora, Berlim está
cheia de alemães de Leste com camisas da Versace”.
Ela tinha razão, mas o povo tinha fome.
E não há
fome que não dê em fartura.
Na Oranienburgerstrasse, encontrámos o restaurante
Kadima, que é russo-judaico, mesmo ao lado da Sinagoga.
Pratos do dia? Borschtsch, ou sopa de beterraba, a €4;
variação de bilinis, a €10; e semolina,
uma espécie de papas de aveia, para sobremesa,
a €6. Mais à frente, o Café Silberstein,
que serve sushi; com o sashimi moriwase a €18 e cocktails
de sake a €7.

| A
minimalista e comunitária sala do Shiro
i Shiro |
|
As flores que a empregada coloca
na mesa são cortesia da casa. O Hasir, que é
turco da Anatólia, tem cinco delegações
diplomáticas na cidade, e uma delas aqui, ao virar
da esquina. Ao lado do Arcotel Velvet, um dos dois Lutter
& Wegner da cidade serve mantimentos austríacos
à população internacionalizada. O
espaço é exemplar, mas a ementa pobre, a
pedir reforma. Muito melhor qualidade de eisbein (joelho
de porco cozido ou assado) se conseguiu obter no Ständige
Vertretung, um espaço pitoresco na Schiffbauderdamm,
mesmo ao pé da S-Bahn de Friedrichstrasse. O restaurante
visionário, que servia as refeições
aos membros do Parlamento alemão em Bona, aproveitou
a transição do governo para Berlim, nos
anos 90, e expandiu-se também para a nova capital
(agora está em seis cidades).
Os deputados agradeceram
a fidelidade e ofereceram ao Ständige Vertretung
uma cadeira do Parlamento alemão; ela ali está,
ornamentando uma das paredes do antigo restaurante da
República Federal Alemã.
De qualquer forma, e voltando um pouco atrás, ninguém
deve menosprezar a sólida formação
do Lutter & Wegner. A sua fama já tem quase
dois séculos e, pelos vistos, a carta de referências
é maior que o livro de reclamações:
Marlene Dietrich e Josephine Baker chegaram a ser habitués
quando o restaurante se localizava a Ocidente, na Schlüterstrasse.
A queda do muro, entretanto, abriu os horizontes da restauração,
e o Lutter desmultiplicou-se. Actualmente existem duas
cozinhas em Berlim Leste: uma na Oranienburgerstrasse,
com uma selecção de vinhos que compensa
a parca imaginação da ementa, outra no quarteirão
burguês de Gendarmenmarkt, ao pé da Konzerthaus.
Por onde começar?
A Baixa da Zona Alta

| Lutter
& Wegner (à esq.), restaurante
com fama há quase dois séculos
e com uma grande carta de referências.
Chegou a ter Marlene Dietrich e Josephine
Baker como habitués... |
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Se
a Oranienburgerstrasse é lumpen, a Friedrichstrasse
é aristocracia. Ou, pelo menos, pequena burguesia.
Enquanto os actuais aristocratas têm dinheiro, os
burgueses de hoje só têm dívidas.
São eles que vagueiam pela zona comercial de Gendarmenmarket,
mesmo depois do fecho das lojas, ou nos dias feriados,
em que os locais saem da cidade para o campo. Uma excursão
de portugueses faz a nova baixa da zona alta berlinense
a passo de corrida, e sem qualquer oposição.
“Vamos por aqui, vamos por aqui!”, avisa o
guia. Os últimos excursionistas não o ouvem.
Está tudo fechado, mas é importante não
deixar de ver o edifício de Jean Nouvel para as
Galerias Lafayette, o ponto de partida de um quarteirão
de luxo que se enche em dias comerciais, e que seduz o
capitalista precoce com opções de compra
caricatas.
A vizinhança inclui ainda a Friedrichstrasse Passage,
que envolve dois centros comerciais com ligações
subterrâneas e ao nível do solo: o Quartier
205 estica o braço ao 206, mas as diferenças
entre ambos são abissais – como uma safira
para uma missanga. “Berlim não é uma
cidade nada inocente”, afirmava Daniel Libeskind.
“Um colega disse-me que se conseguisse sobreviver
ao processo de adaptação a Berlim, o resto
da minha vida seria mais fácil”. Há
uma tranquilidade na fuga ao centro do mundo, e Berlim
sempre premiou o engenho, o escape, a sobrevivência
da liberdade sobre a tirania do cerco. O Museu de Checkpoint
Charlie, a três quarteirões de distância
dali, está cheio de exemplos de berlinenses que
desafiaram as leis da gravidade e a atenção
dos soldados fronteiriços. Escondidos dentro de
colunas de som, debaixo dos bancos do condutor, elaboraram
planos, fizeram projectos, resistiram a projécteis,
dentro de automóveis com chassis cimentados, balões
de ar ou túneis asfixiantes. Hoje, tudo isso terminou.
E, no entanto, ainda hoje, continuamos a correr, a fugir
do centro, a visitar tudo sem aprender nada. Continuamos
a precisar de um guia que nos diga onde estamos e porque
parámos aqui.
O escuro do Dunkel
É
outro dia. Estou numa das zonas mais serenas da Mitte,
e acabei de visitar o cemitério de Garnisonfriedhof,
na Kleine Rosenthaler, onde se expõem quatro artistas
associados à 4.ª Bienal de Arte Contemporânea
de Berlim (sendo um deles o artista português Jorge
Queiroz, apoiado pelo Instituto Camões). Os artistas
só ficarão até ao fim de Maio, mas
a arte continuará para o resto dos seus dias.
Encontro uma rua que me é familiar: Gormanstrasse.
As cores gritantes da esquina, pintadas a amarelo-fogo
e negro-vigoroso, como o equipamento do Borussia de Dortmund,
chamam a atenção a qualquer um – excepto
talvez a um cego. Curiosamente, é aos invisuais
que a proposta é dedicada. A esquina do Unsicht
Bar Berlin, cuja especialidade são os blind dates,
empurra-nos para um restaurante chamado Dunkel (de escuridão,
ou de ignorância). São três da tarde,
o sol tenta furar o inesperado frio da Primavera, e decido
bater à porta. Como num restaurante chinês,
está sempre alguém a trabalhar. Ele chama-se
Akampa Pedrosa, é brasileiro, nascido no Recife,
e responde solicitamente às minhas interrogações
sobre o espaço. “O Dunkel é um restaurante
só para cegos?”.
“Qualquer pessoa pode vir ao Dunkel, desde que esteja
disposto a comer numa sala completamente escura. Temos
aqui um casal que vem separadamente todos os meses e janta
em conjunto. Primeiro chega o senhor, que é levado
à sua mesa, e depois chega a senhora, que é
levada pelo nosso empregado à mesa do senhor”.
O casal janta pontualmente no Dunkel, mas nunca se vê,
só contacta entre si pelo telefone – antes
e depois dos blind dates. “Depois da refeição
de três horas, a senhora sai sozinha, e o senhor
vem logo a seguir. Até ao próximo jantar”.
No
Dunkel, a maioria dos empregados e cozinheiros são
invisuais, e o menu é uma espécie de enigma
que deverá ser escolhido antes de entrar na sala
escura. De entre seis hipóteses, poderemos escolher
uma ementa vegetariana, de peixe, carne, ou menu-surpresa,
mas só depois da refeição o cliente
será confrontado com a solução do
enigma que deveria ter tentado decifrar na mesa, utilizando
o seu sentido de recurso, o palato. Como seria de esperar,
o Dunkel é um dos restaurantes mais populares da
cidade: numa boa noite, a sala escura fica iluminada por
130 almas, e reservas para fim--de-semana só com
três semanas de antecedência. Akampa lamenta
que não tenhamos tentado garantir mesa com uma
providência cautelar, mas propõe uma visita
guiada às instalações. A destemida
Sandy Lorenz, que não é invisual, já
conhece os cantos à casa, e oferece-se para me
guiar pelo escuro da minha consciência. Vira-se
de costas para mim, pede-me para pôr as mãos
nos ombros dela, antes de procurar a sintonia que nos
levará a conhecer o labirinto. “Vamos começar?”.
BLEIBTREU
 Julia
Poppe senta-se à mesa e, antes de servir o chá,
pede-me para reproduzir as suas palavras: “Venham
a Berlim. Temos mais hotéis que Nova Iorque, e
há sempre lugar onde ficar”. Como directora
de marketing do Hotel Bleibtreu, na Bleibtreustrasse,
em Berlim Ocidental, Julia tem sempre dormida garantida.
Só aqui são 60 quartos, 45 deles duplos.
Mas, como responsável pela comunicação
de pelo menos quatro hotéis em simultâneo
na cidade, não deverá pregar olho. Pergunto-lhe
se vai a pé de um hotel para o outro. “Depende
das emergências”, responde.
O
Bleibtreu tem tudo pensado: antes de se fazer o check-in
no lobby, já fomos seduzidos pela esplanada tradicional
en trottoir do Deli 31, o café que é montra
do hotel; pela loja de flores Blumen 31, cuja especialidade
são as rosas importadas do Equador; e, finalmente,
pelo jardim de entrada do Restaurante 31, uma jovial
esplanada interior, que é condomínio público
do hotel e de todos os berlinenses. “Todos os
estrangeiros são bem-vindos e passam também
a ser berlinenses”, refere Julia. Quando é
assim, nenhum drama poderá ser um trinta e um.
O nome do Hotel (Bleibtreu, ou stay true) é um
elogio à transparência e à fidelidade.
“Trata-se do primeiro Hotel Boutique na Alemanha”,
assinala Julia com orgulho. “E isso é o
quê?”, arrisco. “É uma combinação
do estilo antigo com moderno. De se manter fiel a um
conceito de design original que envolve o recurso a
materiais orgânicos, como são as madeiras
de carvalho, utilização invulgar no nosso
país”. As rosas da florista são
adquiridas através do comércio justo,
existe sempre uma maçã em cada mesa de
cabeceira, as camas são adornadas com lençóis
anti-alérgicos, e o interior do edifício
está decorado com 46 peças naturais de
design, expostas em locais inesperados, como corredores,
salas de pequeno-almoço, cantos e esquinas. Nenhuma
delas para venda, todas para serem oferecidas aos olhos
de quem repara com atenção e carisma.
Bleibtreu
Hotel Berlin Bleibtreustrasse 31, tel. 0049 30
884740, www.bleibtreu.com
Quartos single entre €122 e €222. Duplos entre
€132 e €232. | Saída de U-Bahn: Uhlandstrasse

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