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XL
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> Verão mais-que-perfeito

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| D E S
T A Q U E |
Junho
de 2011 |
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| As águas plácidas da barragem de Vale do Gaio; e o bar do Imani Country House |
O feitiço de um espelho de água transforma uma velha pousada num hotel de charme inesperado; uma quinta centenária revela-se o refúgio ideal para quem gosta de sonhar; e um pequeno monte perto do mar deixa a simplicidade tomar conta dos nossos dias. Estes são cenários mais-que-perfeitos para as suas férias especiais, a dois, em família e longe das multidões |
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POUSADA DE VALE DO GAIO 
Albufeira à vista |
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| Os jardins da Pousada, de frente para as águas da barragem do Vale do Gaio. |
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A localização, a localização, a localização. São estas as três principais características deste hotel situado perto de Alcácer do Sal. A outra grande vantagem é que o ambiente e os serviços estão ao mesmo nível. Esta é uma pousada que nasceu em 1978 e que se (re)inventou nos últimos três anos
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Texto de João Ferreira Oliveira | Fotografia de Pedro Sampayo Ribeiro |
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| Uma das especialidades da casa, bacalhau confitado em azeite e alho com lombardo, e a anfitriã, Cláudia Gallego |
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| A boa disposição na cozinha da Pousada, tiro com arco e flecha e um dos 14 quartos |
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| O colorido terraço exterior, onde também pode dormir a sesta |
Vasco Gallego foi à Pousada de Vale do Gaio pela primeira vez há cerca de dez anos enquanto cliente e ficou apaixonado. Não pelo edifício, que é tudo menos arquitectonicamente conseguido, nem pelos serviços ou decoração, que por aqueles tempos já deixavam quase tudo a desejar, mas pela localização. De frente para as águas plácidas da barragem de Vale do Gaio e rodeada pelo verde de uma Natureza pura. A paixão à primeira reserva foi tal que tentou desde logo adquirir a propriedade (estava à data sob a égide da Enatur). Por razão burocráticas, que se relacionaram com o sistema de concessão das mesmas, não conseguiu, mas quis o destino que o futuro ajustasse contas com os seus desejos há cerca de três anos. A Pousada é sua desde então.
“O meu objectivo é que isto funcione como uma casa de fim-de-semana. Uni a minha paixão e vontade de ter uma casa no Alentejo à paixão de gastronomia e ao gosto por receber”, diz Vasco Gallego, como se bem receber fosse a tarefa mais natural do mundo. E é. Sobretudo quando falamos de um homem que há quase duas décadas faz do restaurante XL um dos maiores casos de sucesso e longevidade da restauração lisboeta. “Uma das grandes vantagens deste negócio é que venho para a minha casa de fim-de-semana sem saber quem vai passar o fim-desemana comigo”. Já os clientes poderão sempre passar o fim-de-semana com Vasco, se assim o entenderem, pois desde que iniciou este projecto garante nunca ter falhado um. E um fim-de-semana com ele por perto é sinonimo de boa disposição.
Modernidade e bom senso
É possível que algumas pessoas até se desloquem a Vale do Gaio para ver Vasco e a família (porque a família está quase sempre presente), mas a maioria irá para relaxar, para fugir do mundo, para mergulhar de bruços na Natureza. Não se preocupem, contudo, porque saber receber é também saber dar espaço e, quanto a isso, podem estar à vontade. E podem também ficar descansados os que conhecem a Pousada de outros tempos. As camas que rangiam, os sofás que pareciam saídos do tempo da avó mas que nem a própria avó queria, os jogos de cama floridos e as flores que pareciam acamadas desapareceram. Não, nós não estivemos lá nessa altura, mas vimos as fotografias, e para bom entendedor algumas fotografias bastam.
Pouco a pouco, que o dinheiro e o tempo não dão para tudo, Vasco e a mulher, Cláudia, foram remodelando o espaço e hoje pode dizer-se que é uma casa nova. Os empregados são os mesmos, o edifício também, mas qualquer semelhança com o passado é pura localização. O que se ergue agora é uma mistura entre hotel de charme, turismo rural e casa de campo. Os quartos serão, porventura, a área mais simples e discreta (o conforto é, ainda assim, inquestionável), porque, como em qualquer casa de campo, é no contacto com o exterior que a verdadeira essência se faz prazer. E esse contacto começa desde logo na sala de estar. Uma área comum em que o branco é a cor, das paredes aos sofás, recheada de velas, pequenas plantas e uma grande parede de vidro (de correr), que permite receber o sol, o vento ou a chuva com igual naturalidade. É que, apesar de este ser (aparentemente) um local de veraneio, cria também um ambiente propício ao Outono e ao Inverno. Mas agora é tempo de sol e é difícil resistir à chamada do ar livre. E há muitos locais onde o pode respirar. No terraço exterior, que tem tanto de descontraído como de trendy, onde pode tomar o pequeno-almoço, almoçar, jantar, dormir a sesta ou ler um livro; na piscina, construída de peito aberto para a água; ou no deck, literalmente debruçado sobre as águas da albufeira da barragem.
Fugir ao tédio
Perante tudo isto poderá crescer uma lancinante vontade não fazer nada, ainda assim, a Pousada coloca à disposição dos clientes uma série de actividades que barram por completo a entrada ao tédio. Coisas tão prosaicas como jogar às cartas, gamão, damas, xadrez, matraquilhos, setas, flippers, consola, petanca, ou andar de bicicleta, e outras bem menos frequentes como caça, pesca, tiro com arco e flecha, tiro ao alvo, canoagem, observar as estrelas ou fazer bird watching. Quem não ficar satisfeito com esta oferta pode sempre fazer passeios de barco ou mesmo de balão. Basta pedir que a casa providencia.
Tudo isto é bom, tudo isto valeria a pena a viagem, mas falta algo muito importante: a comida. E se a localização abriu o artigo, a gastronomia encerra-o da melhor forma. De um homem, de um casal, que gere um restaurante tão conceituado a expectativa é demasiado elevada, mas basta a entrada – patanisca de nada com salmão fumado e nata azeda – para perceber que, a decepção, a acontecer, será a excepção. As garfadas seguintes confirmaram os primeiros sabores, quer aquelas que levaram à boca o bacalhau confitado em azeite e alho com lombardo, quer as bochechas estufadas em borras de vinho tinto com migas de espargos ou a encharcada de ovos. “Até hoje ainda não tive ninguém que, na hora de ir embora, não me desse os parabéns ou dissesse que se sentiu como em casa”, finaliza Vasco, com entusiasmo. Ou melhor do que em casa, pois serão poucos os que se poderão orgulhar de ter uma casa assim.
POUSADA VALE DO GAIO
Contactos: Torrão, Alcácer do Sal
Tel. 265 669 610, www.valedogaio.com
A Pousada fica situada na freguesia de Torrão, a cerca de 15 minutos de carro de Alcácer do Sal e a uma hora de Lisboa. São 14 os quatros à disposição.
Preços: Diárias em quarto duplo a partir de €90. O restaurante está aberto para almoço e jantar, inclusive a não hóspedes.
IMANI COUNTRY HOUSE 
Mudar de vida |
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| Vista geral da piscina, recepção e acesso aos quartos. |
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Diz a canção que estamos sempre a tempo de mudar. E, se for só por um fim-de-semana, nem é precisa muita coragem. Basta ter a morada certa: a de uma casa de campo chamada Imani, a dois passos de Évora
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Texto de Rita Lúcio Martins | Fotografia de Manuel Gomes da Costa |
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| As árvores centenárias da herdade e um dos sete luxuosos quartos do Imani |
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| Os burros Almendra e Eça Bonita, sopa fria de morangos e o restaurante Improvável |
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| O alpendre, onde também é possível tomar o pequeno-almoço ou jantar |
Ainda só tínhamos chegado há uma hora e já um lamento silencioso se desenhava no ar: uma noite não chegaria para compreender este lugar. A verdade é que uma semana parecia igualmente escassa. E, possivelmente, um mês também seria insuficiente. Talvez tenha sido por isso que Mariana Roxo e José Pedro Vasconcelos, os proprietários da Imani, uma casa de campo localizada a dez minutos de Évora, tenham decidido ficar uma vida inteira. Descobriram este lugar mágico há cerca de três anos. Uma recomendação de um agente imobiliário aguçou-lhes a curiosidade e foi sem grande consciência da irremediabilidade da viagem que chegaram a esta herdade de 13 hectares. Mas, como acontece em todas as grandes paixões, o encantamento foi imediato. Três meses depois, já lá viviam. Entre as ruínas de uma quinta de início do século XX e no meio de um campo indomável, ficaram instalados na autocaravana que permanece estacionada na parte de trás da casa da família, como que a lembrar o princípio do sonho.
Os primeiros meses foram de pura descoberta. Apesar do abandono a que estava votada a propriedade, entretanto transformada numa quinta de casamentos desengraçada, perceberam logo o potencial do espaço. As ervas crescidas escondiam pequenas preciosidades, como tanques antigos e bancos em pedra, mas não chegavam para camuflar a beleza natural do espaço. “A história deste sítio obrigou-nos a olhar para trás e a pensar para a frente”, lembra Mariana. Ligado ao mundo da televisão (ela é produtora e ele é actor), o casal anfitrião parece ter um dom especial para imaginar... que vale ainda mais pela capacidade efectiva de concretizar.
A primeira preocupação, quando pensaram recuperar a quinta, foi então a de respeitar o seu passado. Antiga propriedade agrícola (que, nas décadas de 40, 50 e 60, albergou meia centena de trabalhadores), a herdade estava cada vez mais distante da sua história mas cada vez mais próxima do seu desígnio. Recorreram aos préstimos do arquitecto Andrew Shore, um forasteiro que, tal como eles, se tinha apaixonado pelo Alentejo e que, tal como eles, sentia a energia que brotava do chão. Assim surgiu a ideia de transformar as cavalariças em sete quartos e o desenho sumário de uma casa de campo com trejeitos de hotel de cinco estrelas. Não pela pretensão, claro, mas pela minúcia com que são pensados os detalhes.
A recuperação do telhado foi a primeira de uma lista interminável de tarefas. Tiraram as telhas uma a uma e limparam-nas individualmente, como quem pede desculpa por tê-las deixado chegar àquele estado. A obra correu de uma forma que se adivinha quase silenciosa, com os proprietários a meterem as mãos na massa que devolveu a dignidade à construção, mas também nos canteiros que repuseram a ordem nos jardins. E três anos depois chegamos a esta noite, a primeira que inaugura novo capítulo da Quinta de Montemuro, entretanto rebaptizada de Imani (palavra que significa “acreditar” em swahili). Conta-quilómetros novamente a zero e porta aberta para dar as boas-vindas aos primeiros hóspedes, recebidos como amigos. Não por que eles sejam anfitriões especialmente dotados... mas por que não o sabem fazer de outra maneira.
Coisas simples e boas
Graça é coisa que não falta nas cinco suites e nos dois quartos disponíveis (alguns são comunicantes, ideais para famílias com crianças). Decorados com relíquias pessoais, velharias desassombradas e mobiliário contemporâneo, têm uma estética singular. “Fazem lembrar as casas onde morámos, porque foram pensados da mesma maneira”. A linha prolonga-se no Improvável, restaurante onde se servem refeições sob marcação e o olhar atento das Mona Lisa que se alinham logo à entrada. São quatro. Mas apenas uma entre as tantas outras obras que decoram as paredes. José Pedro Vasconcelos chama a atenção para o quadro de Miranda Justo, mas também por lá se descobrirem o carismático Menino da Lágrima (“indispensável em qualquer casa de família”) ou a mulher árabe retratada há uns anos em Notting Hill e que hoje aparece estampada nos rótulos de Improviso, o vinho da casa criado com o enólogo Paulo Laureano. A este juntar-se-á o Improvável, segundo néctar nascido dessa parceria de luxo, como são todas as que desenham aqui. É essa alquimia que encontramos na cozinha, onde, ao talento de José Pedro (que também é proprietário do restaurante Santo António de Alfama, em Lisboa) se juntou o preceito de uma cozinheira da zona. Os dois assumem as responsabilidades por pratos como o arroz de bacalhau com coentros ou o lombo com uva e broa. Coisas simples, boas de ver e melhores de comer.
A noite prolonga-se sempre para lá das portas do salão, bem enquadrado por um alpendre desenhado a regra e esquadro e ofuscado pela mesa comprida com tampo em mármore, projectada pelos proprietários e carregada pelos braços de doze homens. Chegou para ficar. Como o casal que nos recebe e agora hesita entre recolher a casa, onde dorme a filha de três meses, ou esticar o serão ao lado do honesty bar.
A ideia de ter um bar à disposição convida ao esquecimento mas convém não perder o relógio de vista, porque é imperdoável acordar tarde neste paraíso rural. O sítio é ideal para o recolhimento, para ler, para sentir o perfume das mais de 300 laranjeiras, para passear no bosque de cedros, espreitar as minas de água ou para nos surpreendermos com a apatia das ovelhas e a pacatez dos dois burros residentes. Mas se isto for calma a mais, há sempre alternativas: estão previstos workshops de cozinha, programas para dois, dias dedicados ao bem-estar, uma wine school e espectáculos de música e de teatro. Mariana resume tudo: “Aqui encontrei coisas que não sabia que me faltavam. E tem sido muito bom. Aquilo que queremos agora é partilhar essa possibilidade de mudar radicalmente de vida... nem que seja só por um fim-de-semana.”
IMANI COUNTRY HOUSE
Contactos: Quinta de Montemuro, Guadalupe, Évora
Tel. 266 782 021 ou 925 613 847, www.imani.pt
Esta casa de campo conta com cinco suites e dois quartos com áreas entre os 35 e os 80 m2. Tem, ainda, duas piscinas e um restaurante, que funciona sob reserva. Além das actividades sugeridas na zona (desde passeios de balão a roteiros históricos que incluem, por exemplo, o Cromeleque dos Almendres – mesmo ali ao lado), a Imani está preparada para a realização de eventos e espectáculos.
Preços: diárias em quarto duplo a partir de €120, com pequeno-almoço incluído.
CERCA DO SUL 
Bom e barato |
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| O alpendre que convida ao dolce far niente. |
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Poderá parecer redutor cingir a Cerca do Sul a este slogan, mas em tempos de crise estas serão, seguramente, qualidades a não menosprezar. Especialmente numa casa situada a poucos minutos de um mar (quase) selvagem, entre a Costa Vicentina e o Sudoeste Alentejo
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Texto de João Ferreira Oliveira | Fotografia de Manuel Gomes da Costa |
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| A sala comum a todos os hóspedes |
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| A piscina e um dos sete quartos, de decoração simples, mas funcional |
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| A casa, construída de acordo com a arquitectura tradicional da região; o pequeno-almoço feito de panquecas e doces caseiros |
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| A praia do Carvalhal, a pouco minutos da Cerca do Sul |
Nem tudo o que é bom pode, ou tem de, ser barato. Mas também não tem de ser obrigatoriamente caro. A Cerca do Sul, um turismo rural situado em Brejão, no concelho alentejano de Odemira – o maior do país –, é disso o perfeito exemplo. Mesmo em época altíssima, de 15 de Julho a 5 de Setembro, é possível alugar um quarto por €85 com pequeno-almoço incluído. Sara Serrão, uma lisboeta apaixonada pelo Alentejo que decidiu fazer de oito hectares de terreno o seu projecto de vida, explica: “Tive uma grande preocupação com o preço justo. Fiz as minhas contas, olhei para a minha rede de contactos, para o meu grupo de amigos, e coloquei os preços que me pareciam correctos para que eles e pessoas com rendimentos semelhantes pudessem passar aqui uma noite ou alguns dias”.
É que Sara sabe do que fala, pois até à abertura da Cerca do Sul “trabalhava na área de comunicação, de marketing, estava insatisfeita com a minha situação profissional, com uma certa precariedade e decidi arriscar. Como já passava férias na zona há muito tempo (a minha mãe tinha um pequeno monte em Cercal do Alentejo), procurei um terreno nesta área. Não foi fácil encontrar, mas consegui”. Encontrado o terreno, a simplicidade foi outro dos pré-requisitos. “A casa deveria ser o mais simples possível. Tradicional. Não queria cá cubos e esse tipo de criações modernas, mas uma casa branca. Fresca”, prossegue. E se para a construir Sara precisou, naturalmente, da ajuda de uma arquitecta (de Odemira), a decoração ficou exclusivamente a seu cargo: “Peguei em peças antigas que tinha em casa dos avós, da minha mãe, do meu pai e juntei tudo. Quando chegou a hora de abrir, percebi que ainda me faltavam algumas coisas e fui ao IKEA”. Nota-se? Nota, e qual é o problema?
Embalados pelo sol
O luxo é por aqui um objecto estranho. Isto é, nem sequer existe. O que não significa falta de conforto, uma vez que em todas as suas áreas o bem-estar é a nota dominante. Um bem-estar baseado no sossego, na preguiça, que a preguiça é um valor tão nobre como o trabalho – é preciso é saber aplicá-la – nos banhos na piscina, nas brincadeiras com o Paco – um perdigueiro que trocou sem grande dificuldade a cidade pelo campo –, ou em sonos ou sonhos embalados por uma qualquer rede ou espreguiçadeira estendida ao sol. Sempre rodeados por muita cor. Pelo branco caiado das paredes tipicamente alentejanas e o azul-claro que lhes pinta as extremidades, o vermelho das portas, o azul-Atlântico da piscina, a enorme área relvada e o verde-natureza da serra de Monchique, que se ergue sossegada lá ao fundo. Cores, leveza e uma certa candura, que se mantêm na sala de estar comum a todos os hóspedes, com lareira e sofás recheados de almofadas, um LCD, muitos livros, revistas e jornais – pois estar longe da civilização não significa estar afastado do mundo –, e também nos quartos (sete, no total). Quartos pequenos mas com o conforto indispensável.
A estrada está ali ao pé, ouve-se um ou outro carro a passar, mas nada que chegue para abafar o silêncio. E se para alguns esta proximidade com o asfalto se pode tornar um pouco dissuasora, para muitas das pessoas que chegam à Cerca do Sul, caminheiros estrangeiros, jovens casais e/ou surfistas, esta é mesmo uma das suas grandes vantagens. Afinal estamos a apenas meia dúzia de minutos de locais como a praia do Carvalhal, a vila de Odeceixe, ou a Azenha do Mar – um pequeno e quase desconhecido porto de pesca –, e ainda a um quarto de hora de Odemira ou da Zambujeira do Mar. A premissa é a de que todos são bem-vindos. Sejam aqueles que ficam apenas uma noite, os que optam por passar férias, aqueles que trazem os cães, os que acabam por almoçar ou jantar (a casa disponibiliza refeições, desde que se avise com alguma antecedência), ou aqueles que pretendem fazer refeições leves. Foi essa a razão que levou Sara a construir uma cave – os 400 m2 de área da casa já não deixavam mais espaço para construção –, com uma sala de convívio, kitchenette e um pequeno parque para crianças. Sim, as crianças são bem-vindas à Cerca do Sul e têm mesmo direito ao seu pequeno oásis: um “recreio” junto à piscina, com baloiços, brinquedos de praia, escorregas e um chão de areia.
O cheiro a maresia está sempre presente. Experimente tomar o pequeno-almoço no exterior que perceberá.
Pequenos “luxos”
Voltemos aos objectivos que regem a casa. Ao lema de Sara. “Não prometer dar mais do que aquilo que posso dar, mas tentar dar um bocadinho mais do que aquilo que prometi”. E é aqui que se integram as várias actividades que a Cerca do Sul tem organizado (pagas à parte, naturalmente), um valor acrescentado num sítio em que, à partida, não parece querer oferecer mais do que o básico. Fins-de-semana temáticos, entre eles workshops de fotografia ou cursos de patchwork (aprender a coser peças novas a partir de restos de tecido) e caminhadas são algumas dessas possibilidades, além da colaboração permanente com duas escolas de surf, oficinas de artes plásticas, professores de ioga ou massagistas.
Há, como é óbvio, casas com outro luxo, quartos maiores, um sem-número de outras ofertas e uma localização ainda mais envolvente, mas é também de locais como este que se constroem viajantes. E o país precisa.
CERCA DO SUL
Contactos: Cabeço de Arvéola, Brejão – São Teotónio
Tel. 93 110 51 67, www.cercadosul.com
A Cerca do Sul fica a cerca de 250 quilómetros de Lisboa ou a duas horas e meia de viagem. Possuiu sete quartos, todos com nomes de animais que “povoam” a quinta – caracóis, borboletas e cigarras são alguns deles. Tem aquecimento central, mosquiteiro e televisão por cabo. Há também um pequeno canil e serviço de babysitting disponível mediante marcação prévia.
Preços: diárias em quarto duplo a partir de €80 (época alta), com pequeno-almoço.
Outras referências a sul 
Eis mais três opções para umas férias tranquilas no Alentejo e no Algarve: um monte que pode alugar só para si, uma aldeia com casinhas típicas e um moinho e uma quinta com aulas de yoga e muitos animais. Não as visitámos (ainda) mas temos boas referências |
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MONTE DA CERVA 
Um monte só para si |
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A poucos quilómetros do Cercal do Alentejo, portanto a 20 minutos de praias como o Malhão, Aivados, São Torpes e Porto Covo, este monte foi originalmente casa de campo de uma família e mantém todas as características, como uma decoração cuidada e detalhes que lhe dão uma atmosfera especial. A partir do dia 1 de Junho, o Monte da Cerva estará disponível para alugueres de curta duração, em exclusividade. Possui uma suite, um quarto duplo e dois quartos com beliches para crianças (com capacidade para três em cada um), cozinha totalmente equipada, salas de estar e de jantar, alpendre com área de lounge e piscina com espreguiçadeiras. Para ocupar os tempos livres, estão disponíveis bicicletas; canas de pesca, pois pode pescar na Barragem de Campilhas; caiaques; moto4 e moto Yamaha (estas últimas para alugar). Uma boa alternativa para as férias de Verão, em família ou com amigos.
Contacto: www.atmospherehotels.pt
Preço: A diária custa desde €250 (valor especial de lançamento) com utilização integral da casa.
CASAS DO MOINHO 
Um Algarve diferente |
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A localização é óptima: fica no centro de Odeceixe, no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. É constituída por casinhas típicas, com quarto, sala e kitchenette – e ainda espaço para camas extra, pelo que cada uma pode albergar quatro pessoas. Ao todo são oito e têm nomes de peças do moinho que lhes fica em frente. A decoração inspira-se nas pousadas do Brasil, na sequência de viagens que o casal proprietário foi realizando ao longo dos anos. E, no ano passado, decidiram partilhar com hóspedes este refúgio na terra que há décadas os conquistou. Quando o calor aperta, a piscina com jacuzzi é a estrela das Casas, concorrendo com os banhos na praia e na ribeira de Seixe, que faz fronteira com o Alentejo.
Contacto: www.casasdomoinho.com
Preço: A diária custa €110 com pequeno-almoço. |
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MONTE GÓIS 
Bons ares da Serra |
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É um monte alentejano situado em plena serra do Mú, perto de Almodôvar, mas pouco convencional: oferece alojamento em quartos duplos e apartamentos cuja decoração conjuga o estilo étnico africano com artesanato da região. Não faltam locais para refrescar o corpo pois possui uma piscina de água salgada, virada para a serra, um tanque de água doce e até uma praia fluvial na barragem da propriedade. O spa e aulas de yoga em plena Natureza são outros atractivos para os crescidos; já os mais novos vão deliciar-se com os muitos animais do Monte, de cabras e ovelhas a porcos vietnamitas.
Contacto: www.montegois.com
Preço: Diárias custa €100 em quarto duplo, €140 num apartamento T1 e €165 num T2. Os preços, válidos até Setembro, incluem pequeno-almoço. |

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