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S A Ú D E


Cuidado com a água

Na praia não é apenas o sol que exige cuidados. Eis algumas dicas para não “meter água” durante as férias balneares

Julho de 2003


Texto de Simone Rocha
Ilustração de André Kano
   

O Vom o termómetro a ultrapassar os 30 graus, só nos apetece nadar e deitar ao sol... Antes, porém, de ceder ao primeiro impulso e rumar com a família à praia mais próxima, o melhor é informar-se se ela está classificada como zona balnear.

Todos os anos, o Ministério do Ambiente monitoriza as águas fluviais e marítimas, devendo os resultados ser publicitados através de placas expostas em locais bem visíveis. A Quercus disponibiliza no seu site (www.quercus.pt) uma lista das zonas balneares de Portugal continental que desde 1993 têm qualidade de água “Boa”, as chamadas “praias de ouro”, as quais devem ser a primeira escolha.

Uma vez no destino eleito, procure para nadar locais onde se verifique uma boa circulação de águas, preferencialmente no sentido oposto à corrente resultante dos pontos de descarga de efluentes. Evite banhar-se em cursos de água que desaguem na praia, pois são os locais eleitos de todos os micro-organismos indesejáveis; assim evita contrair uma infecção pulmonar secundária que decorre da aspiração de águas fortemente contaminadas. Se tiver feridas abertas ou mal saradas tenha também cuidado, dado que o contacto com o mar pode gerar infecções. E nunca beba água do mar, sobretudo as crianças e idosos, que são mais vulneráveis do que os adultos.

No estrangeiro, o acesso à informação é dificultado, mas pode sempre procurar (se o destino é a Europa) a bandeira azul, atribuída pela Comissão Europeia da Bandeira Azul. Em países tropicais evite nadar em águas paradas, à excepção das piscinas com água clorada que normalmente oferecem boas condições de segurança. O mar não é habitualmente responsável pela transmissão de doenças, mas podem ocorrer mordeduras e picadas de peixe ou medusas, por isso, antes de mergulhar, informe-se se o banho é autorizado e não corre riscos.

Prevenir os afogamentos
Este é o maior risco associado às férias balneares e, neste capítulo, Portugal é um exemplo pelas piores razões: está entre os seis países europeus com maior mortalidade por afogamento, com maior incidência nos primeiros cinco anos de vida. Mesmo quando não é fatal, o acidente por submersão pode deixar sequelas neurológicas definitivas.

O primeiro dia de férias e o final da tarde são as alturas em que acontecem mais afogamentos, por isso redobre a atenção nestes períodos. Note que enquanto a água salgada mata em minutos, a água doce pode provocar a morte em segundos! Nas situações de afogamento não se ouve barulho – a criança não esbraceja nem grita quando cai à água, afogando-se em silêncio absoluto.
Como o álcool pode interferir com o seu estado de vigília, nunca beba se estiver com o seu filho. Ensine-o a nadar, pois as aulas melhoram a sua competência, tendo sempre em atenção que antes dos 6/7 anos ele não tem capacidade para se salvar. Lembre-lhe também que nunca deve nadar sozinho nem mergulhar de cabeça sem saber qual é a profundidade e que deve nadar paralelo à costa. Dê você próprio o exemplo: é desaconselhado atrapalhar os petizes com brincadeiras perigosas (submersão da cabeça, empurrões para a água, etc.).

No caso de utilizar embarcações, faça-o sempre em segurança: crianças com menos de 16 anos nunca devem conduzi-las e a utilização do colete de salvação é obrigatória (estima-se que 85% dos afogamentos em acidentes poderiam ser evitados se a vítima o vestisse).

Em caso de acidente, a primeira regra é tirar de imediato a pessoa da água para lhe administrar os primeiros socorros (respiração boca-a-boca, drenagem da água dos pulmões, etc.). Deve chamar o 112, o nadador-salvador e aguardar a chegada de pessoal qualificado.

Há mar e mar...
As pessoas de pele clara e as crianças devem evitar o chamado horário “vermelho” de exposição solar (mesmo na água) e utilizar protectores solares e chapéus.
Frequente praias vigiadas e respeite as bandeiras, bem como as instruções dos nadadores-salvadores.
Após as refeições, espere três horas antes de tomar banho; não entre de rompan-te na água após longas exposições ao sol.
No caso de ter uma cãibra, flutue de costas e tente descontrair o músculo.
Cuidado com os fundões! Nas barragens, o declive das margens é habitualmente muito acentuado, sendo ainda comum a presença de obstáculos, um perigo adicional à prática de mergulhos.
Tenha atenção aos períodos de descarga das barragens quando nadar em cursos de água controlados: por vezes, o caudal e a velocidade dos rios podem aumentar significativamente.
Mantenha a praia limpa e deixe sempre os animais de estimação em casa, pois estes podem propiciar a transmissão de micro-organismos para a areia e a água.
Para mais informações: www.vivapraia.com; www.infopraias.pt; www.inag.pt; www.apsi.pt


 

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