Tema
de Capa
O Coração da Cidade
A história portuária deste centro
urbano é tão antiga como a da cidade, pois já
nos séculos IX e X eram transportados por barco alguns produtos.
Era então o pequeno porto de Hamburgo na Altstadt, a cidade
episcopal.
O volume de negócios era enorme. Na segunda metade do século
XIX Hamburgo era a cidade comercial mais importante da Europa e
o segundo porto depois de Londres.
«Saibam
todos quantos este documento virem que declaramos, hoje e para todo
o sempre, por mandado do nosso bem-amado conde Adolfo de Schauenburg,
que damos e garantimos aos seus cidadãos que vivem em Hamburgo
as seguintes liberdades. Que, com suas naus, fazendas e tripulações,
serão isentos de todos os direitos aduaneiros e outros tributos
marítimos à sobredita cidade, tanto em viagem de largada
como de arribação.
São testemunhas presentes: Heinrich von Weide e Heinrich
von Harzburg e o Conde Hermann von Alterdorf e o Conde Dippold von
Lechsgemunde e os outros muitos que presentes estão.
Dado e outorgado em Neuburgo do Danúbio no Ano do Nascimento
de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1189, na terceira notificação
de 7 de Maio de 1189.»
Este
foral do imperador Frederico Barba-Roxa é considerado a certidão
de nascimento do porto de Hamburgo.
Desde que o imperador Barba-Roxa concedeu aqueles privilégios,
a cidade viu crescer enormemente os seus tratos comerciais, bem
como o transporte das mercadorias e o número de embarcações
que faziam esse transporte. Com o aumento do número de embarcações
cresceu consequentemente o porto de Hamburgo, que todos os anos
celebra esta data com o "Hafengeburtstag", o aniversário
do porto, uma grande festa popular, em terra e na água, que
dura cinco dias.
Hamburgo
está separada do mar por 110 quilómetros do rio Elba.
O seu antigo porto fluvial situava-se no local onde é hoje
a doca entre o Nikolaifleet e a Ost-West Strasse, a dois passos
da Rathaus, a assembleia da autarquia.
No século xii, durante o governo do conde Adolfo III, os
armadores e os mercadores começaram a estabelecer-se nesta
zona e aquele tranquilo espelho de água transformou-se rapidamente
num importante centro de transportes navais. De tal forma cresceu
o porto que começou a ser acanhado para as exigências
dos mercadores, cada vez mais activos e prósperos..
Riqueza
Com o desenvolvimento do comércio não só crescia
a quantidade de na-vios como também aumentava o seu porte.
Os hamburgueses tiveram então de construir uma ponte alta
no início do Nikolaifleet e novas docas no estuário
do rio Alster.
Esta
estrutura portuária interior, envolvida pelas muralhas da
cidade, continuou a ser o principal porto de Hamburgo até
ao século xvii, tornando-se depois deveras insuficiente para
acolher os grandes veleiros. Foi então construída
a "Niederhafen", uma área que compreende as ruas
à volta de Baumwall, Vorsetzen e Johannisbollwerk: foram
aqui criadas novas enseadas ao longo do Elba com amarradouros e
ancoradouros que se estendiam à sua volta, tanto para montante
como para jusante.
Durante os séculos xvii e xviii o porto de Hamburgo foi-se
desenvolvendo até atingir importância a nível
internacional.
Por volta de 1810 Hamburgo foi ocupada por Napoleão e, pela
única vez na sua história, ficou sob domínio
estrangeiro. O porto sofreu as respectivas consequências.
Logo que as tropas francesas se retiraram, recomeçou o comércio
e o porto de Hamburgo cresceu novamente em prosperidade até
à segunda metade do século XIX.
Nesse
período as estradas em volta de Niederhafen estavam sempre
repletas de gente, as enseadas cheias de veleiros e bergantins ancorados,
os mastros dos barcos irrompiam, adensados, uns contra os outros.
Foi uma época de ouro.
Movimentos do progresso
Por entre os veleiros começavam a aparecer pela primeira
vez, oscilando para cima e para baixo nas amarras, umas estranhas
embarcações híbridas: eram os primeiros navios
a vapor, verdadeiras preciosidades do progresso e da tecnologia
da época.
Inaugurava-se uma era que iria mudar a navegação e
as exigências dos armadores: os veleiros foram desaparecendo
progressivamente dando lugar aos novos navios a vapor, que iam suscitando
cada vez mais interesse das pessoas.
Estava-se
no alvorecer de uma nova era que obrigou Hamburgo a modernizar o
seu porto que continuava em expansão e a adaptar-se ao progresso
da tecnologia.
Estas mudanças alargaram-se quando, em 1858, Johannes Dalmann
planeou e construiu o cais de Sandtorhafen que se transformou no
símbolo da modernidade do novo porto de Hamburgo. Dalmann
conseguiu superar o conceito de porto fluvial defendido por comportas,
optando por um sistema aberto às marés.
No Sandtorhafen os navios podiam ancorar junto ao cais e ser carregados
e descarregados com as gruas. Havia grandes barracões para
depósito e armazenagem das mercadorias. Os cais e os armazéns
eram além disso ligados entre si por um sistema ferroviário
e rodoviário, de modo a optimizar o transporte das mercadorias.
Dalmann foi nomeado director das obras de engenharia hidráulica
da cidade e foi encarregado de reorganizar completamente o porto.
A
cidade de Hamburgo decidiu seguir a ideia de Dalmann de fazer um
porto aberto às marés, em vez de um porto protegido
por eclusas e comportas, de maneira que os navios pudessem chegar
aos seus ancoradouros sem precisar de passar por um sistema de comportas.
Nos anos seguintes esta concepção veio a ser aplicada
às novas áreas do porto que ainda hoje funciona segundo
o mesmo princípio.
Em 1850 o primeiro navio a vapor de Hamburgo, o "Helen Sloman",
atravessou o Oceano Atlântico Norte e, a partir de 1856, dois
vapores da Hamburg-Amerika-Linie iniciaram carreiras regulares com
Nova Iorque.
Hamburgo assistiu ao grande crescimento das suas actividades de
importação e exportação. Em 1856 os
cais do porto acolhiam já mais de 500 na-vios, um quarto
dos quais a vapor.
Importava-se
tabaco, café, chá, arroz, algodão, madeiras
nobres, cana-de-açúcar, vinho, aço, carvão
e zinco, e simultaneamente exportavam-se os produtos da indústria
de Hamburgo: açúcar, licores, charutos, mobiliário,
maquinaria industrial, produtos químicos e instrumentos musicais.
O volume de negócios era enorme. Na segunda metade do século
xix Hamburgo era a cidade comercial mais importante da Europa e
o segundo porto depois de Londres.
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