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D
E S T A Q U E

Estocolmo goza dos encantos de uma cidade envolta por canais de água,
barcos de sonho, castelos e palácios, carros luxuosos em pontes acrobáticas,
onde todos os espaços livres foram preenchidos a verde. Cenário digno
de príncipes e princesas.
Para
qualquer português, baixo, moreno e latino, chegar à
Suécia é como entrar num filme publicitário,
desses cheios de supermodelos. Só no percurso do aeroporto
até ao hotel são garantidas várias paixões
à primeira vista por estas peles brancas e cabelos loiros,
com um metro e oitenta e uns olhos azuis irresistíveis.
Mas
não serão bem estes os motivos que fazem de Estocolmo
uma cidade digna de visita. Assim que me restabeleci de tantas emoções
fortes, foi fácil compreender por que razão merece
tantos elogios e chega a ser comparada a Veneza. No mapa, a cidade
apresenta-se como um arquipélago de pequenas ilhas, o que
normalmente implicaria trajectos de barco ou longos percursos ao
encontro de pontes para a travessia. Nada disso! É mesmo
simples "saltitar" de ilha em ilha e alcançar o
bocadinho de terra que se avista do outro lado do canal.
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São
vários os restaurantes flutuantes situados junto aos
canais
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Em
Junho, Estocolmo completou 750 anos de vida. Uma história
curta, em comparação com outras cidades europeias,
a que acresce o valor de uma região que se destaca por uma
ar-quitectura notável e uma vida cultural efervescente. Por
todo o lado se sente uma preocupação efectiva com
os seus habitantes, mais-valias que servem também o turista
de visita. A rede de transportes, por terra ou por água,
distingue-se pela sua eficácia, que passa não só
pela resposta às necessidades de um espaço penetrado
por canais, mas também pela exactidão
dos horários, procedimentos primeiro-mundistas a que não
é possível ficar alheio. Pontes para automóveis,
pessoas e bicicletas, sem dúvida, o melhor meio de transporte
para circular. A organização reflecte a ideia que
alguns de nós já poderíamos ter sobre o perfil
"certinho" dos nórdicos. O que constitui surpresa
é que, neste país onde o frio chega a ser implacável,
a cidade foi posta à disposisição de todos
os que queiram usufruir dela. Os espaços verdes, as zonas
no cais repletas de bancos ou degraus que convidam a gozar um momento
fora de portas, ou as esplanadas espalhadas por todo o lado, são
resultado disso mesmo.
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A
cerimónia de entrega dos Prémio Nobel
realiza-se na Câmara de Estocolmo, onde se pode
encontrar o Salão Dourado, todo forrado a ouro
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No
Inverno, os canais gelam, as árvores e os edifícios
cobrem-se de neve, o Sol esconde-se, mas a partir de Junho os dias
crescem e os suecos aproveitam todos os minutos para desfrutar de
um ar, que aqui é respirável. Se mesmo em Portugal
nos queixamos quando muda a hora e no Inverno os dias "ficam"
mais pequenos, imagine-se o que vivem os suecos que têm dias
de quatro horas e noites de breu intermináveis. O Verão
é por isso mesmo a melhor altura para visitar Estocolmo.
A cidade brilha e vive eufórica os seus dias de luz. O Sol
põe-se às 22h30, mas a claridade permanece até
de madrugada. É estranha esta sensação de que
o dia nunca acaba e que a cor laranja do final da tarde se pode
gozar durante um jantar ao ar livre. E mais incrível ainda
é que para ver o Sol nascer de novo precisa apenas de não
se deixar dormir antes das duas ou três da manhã, altura
em que se reergue, a marcar os melhores dias do ano.
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No
centro, as lojas atraem os consumistas
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A
cidade e os seus habitantes reagem ao apelo efusivamente e saem
para as ruas. O solstício de Verão é uma festa
em Junho para dar as boas-vindas à estação.
É erguida uma espécie de cruz e são construídas
coroas de flores para colocar na cabeça; quem quiser leva
o traje típico e acrescenta ainda mais cor aos cânticos
e danças populares numa alegria que chegamos a estranhar
nos suecos.
Djurgarden
- Uma ilha pintada de verde
O local
eleito para esta celebração é Skansen, um museu
ao ar livre na ilha de Djurgarden. Este parque é o primeiro
do género em todo o mundo e foi inaugurado em 1891. Para
aqui foram trazidas casas e edifícios de outros tempos, desde
chalés de camponeses até quintas senhoriais. Foram
representadas
as actividades dos sopradores de vidro, dos sapateiros, dos padeiros
e artesãos, que agora trabalham em espaços restaurados
e aos olhos de quem quiser ver. Neste museu ficamos a conhecer os
hábitos diários e a forma como já se viveu
na Suécia.
As árvores
são
características dos países nórdicos, assim
como os animais que encontrámos num zoo que apresenta para
nós limitações clássicas, devido ao
tipo de clima desta região. Avise os seus filhos que não
existem leões, nem tigres, nem girafas, muito menos elefantes
e quando incessantemente continuarem a busca por aquilo que consideram
o "mínimo" que um jardim zoológico pode
oferecer, mostre-lhes os ursos e os alces que são as "estrelas"
cá do sítio.
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Para
a noite, a cidade oferece restaurantes e bares repletos
de bom gosto e originalidade
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Um parque que
vale a visita desta ilha, famosa também pelos museus que
aqui se encontram: o Vasamuseet alberga o real navio de guerra Vasa,
"desenterrado" das profundezas onde esteve 300 anos e
agora recuperado e intacto a valer a sua história. Digno
de destaque é igualmente o Nordiska Musseet, um espaço
dedicado à história cultural da Suécia de há
500 anos a esta parte, também com exposições
eventuais. Ainda para ver a fauna sueca no Museu Biologiska e a
famosa Pipi das Meias Altas no Junibacken, um espaço dedicado
às crianças. O primeiro parque de diversões
da Suécia (Gröna Lund), um aquário e até
barcos antigos, a juntar às atracções desta
ilha, tudo para dizer que Djurgärden é uma pequena maravilha
no centro de Estocolmo.
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Ice
Bar, Hotel Nordic Sea
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Skepps Holmen
- Um porto de abrigo
No cais encontramos
à nossa frente uma outra ilha, tão pequena que chega
a ser irresistível alcançar este bocadinho de terra.
Chama-se Skepps Holmen e é ideal para quem quiser passear nos
seus jardins ou tropeçar num museu. Uma boa escolha é
o Moderna Museet, inaugurado em 1998, quando Estocolmo foi capital
europeia da cultura. No seu exterior está, desde 1972, um grupo
de divertidas esculturas coloridas que dá pelo nome de Paraíso,
e garantidamente
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T-Centralen
é uma das estações de metro de Estocolmo
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o sentimento é
de se estar
no paraíso. Ao percorrer a pequena ilha, o vento faz dançar
as árvores e as bandeiras dos barcos de madeira, sussurros
que fazem adivinhar os muitos segredos de um porto de abrigo. À
chegada de uma embarcação naval, ouvem-se as boas- vindas
disparadas por canhões. O som vem lá do fundo, onde
está uma ilhota ainda mais pequena que abriga um castelo estilo
medieval. De tom laranja, confunde-se com a bola de fogo que nos lembra
que já se passou mais um dia em Estocolmo. O percurso de volta
é feito pelos estaleiros, onde marinheiros e amantes dos desportos
náuticos conservam "velhos do mar" ou constroem "jovens"
canoas, que aqui parecem
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O
Sol da meia-noite a marcar os melhores dias para visitar
Estocolmo
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nascer das árvores.
Em cada embarcação revemos o cuidado e o rigor com que
mantêm intactas as suas funções. Nenhum barco
foi esquecido ou abandonado, mais ou menos ostensivos, com um mocho
ou um papagaio
pendurado, de amuletos e santos protectores, de vernizes brilhantes
e cores homogéneas, de velas recolhidas na tranquilidade do
cais de águas carinhosas, deixámos os fiéis companheiros
e este bocadinho de terra, com a certeza de saber agora as palavras
doces que sussurra o vento.
City
- Onde tudo se passa
Uma ponte
de ferro traz-nos de volta a Blasieholmen, local de partida de várias
embarcações destinadas ao sightseeing, com passeios
pelos canais que invadem Estocolmo.
É também aqui que se situa o Nationalmuseum, paragem
obrigatória. Afinal trata-se do museu que alberga a maior
colecção de arte da Suécia, com mais de 500
000 obras. Pintura e escultura clássicas, a maior mostra
de porcelana da Escandinávia e ainda mobiliário que
chega às obras modernas de design sueco.
Seguindo o percurso
junto ao canal, encontramos o Grand Hôtel, o primeiro hotel
de cinco estrelas que a Suécia inaugurou em 1874. Há
mais de um século que hospeda, todos os anos, os vencedores
do Prémio Nobel. A cerimónia de entrega da mais célebre
de todas as homenagens, realiza-se na Câmara de Estocolmo,
um edifício visível de quase todos os pontos da cidade.
Três coroas
douradas no cimo de uma torre com 106 metros de altura, que proporciona
uma vista panorâmica sobre o canal. À entrada, uma
funcionária ciosa das suas funções, adverte
os visitantes: "aqui não se pode mexer em nada, nem
fazer barulho. As pessoas pensam que isto é um museu, mas
aqui trabalha-se e tomam-se importantes decisões". No
Salão Azul, o tom da sua voz modifica-se quando começa
a explicar que este pátio interior é, na verdade,
o famoso salão de banquetes que conhecemos tão bem
das fotografias das cerimónias do Nobel. Todo o trabalho
foi feito à mão e "por aqui passaram muitos dos
que marcaram a diferença no mundo em que vivemos", acrescenta
emocionada. De facto, o detalhe e a minúcia deste espaço
é só superável pelo Salão Dourado. Todo
forrado a ouro e a outras preciosidades, com cerca de 19 milhões
de pequeníssimos mosaicos, todos, imaginem, colocados nas
paredes à mão. A nossa guia conta-nos que são
muitas as pessoas que ainda tentam tocar ou levar para casa "uma
recordação" e que por isso acabaram com as visitas
normais aos salões, agora, são todas guiadas e por
marcação.
O centro de
Estocolmo é, como não poderia deixar de ser, a zona
de maior agitação. Aqui estão os restaurantes
mais concorridos e é onde a animação nocturna
se desenrola, com glamour e estilo se assim o desejar. A Ópera
e outras grandes casas do espectáculo marcam aqui presença,
para satisfazer um povo sedento de cultura. As melhores lojas distribuem-se
por entre os parques e praças amplas e cuidadas, dignas de
uma cidade que não se deixou ficar para trás.
Gamla Stan
- Histórias de outros tempos
Mas Estocolmo conserva também orgulhosamente uma zona mais
antiga, aqui consagrada numa ilha chamada Gamla Stan que quer mesmo
dizer "cidade velha". Edifícios públicos,
históricos, igrejas de influências várias numa
mistura de estilos e arquitecturas.
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Um
dos barcos para o sightseeing nos canais
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E, porque estamos
em terra de príncipes, destacamos o Palácio Real,
uma das atracções mais célebres de Estocolmo.
Duas imponentes fachadas delimitam um espaço majestoso repleto
de bom gosto. Os jardins, os pátios, as escadarias, o ouro
da capela, o trono de prata da rainha, os salões, praticamente
museus, e os aposentos reais, envoltos em histórias passadas
que mais parecem contos de fadas.
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O
Vasamuseet alberga um navio de guerra que esteve submerso
300 anos
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Toda esta ilha
está carregada de carisma, ruas e ruelas antigas. Vale a
pena descobrir todos os recantos, como Marten Trotzigs Gränd,
a rua mais estreita da cidade, com apenas 90 centímetros
de largura. Ou passear na zona comercial (Västerlanggatan),
onde os negócios e os preços são bairristas
e atraem uma multidão de pessoas, pelas lojas de antiguidades
e livrarias ou restaurantes e cafés, que foram noutros tempos
adegas medievais e ainda conservam o espírito de tradições
antigas.
Esta ilha junto
ao centro da cidade delimita o fim da mesma. Do outro lado do canal
fica Södermalm, célebre pelos seus miradouros com vista
privilegiada sobre esta "cidade entre pontes", como é
conhecida. Foi aqui que nos despedimos de Estocolmo com nostalgia
e uma vontade galopante de perder o avião...
Agradecemos
a colaboração da TAP-Air Portugal e dos Design Hotels
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Com
estilo
Onde ficar
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Para
além do já mítico Grand Hotel, são
várias as possibilidades de alojamento em Estocolmo.
A Rotas & Destinos sugere-lhe dois hotéis alternativos,
um bem no centro da cidade e outro para quem procura aliar
a visita a uma estada no campo. São eles o
Nordic Light (Vasaplan, Box 884, 10137 Stockholm,
tel.: 00 46 8 50563000. Quartos entre € 110 e €
320) e o Hotel J (Ellensviksvägen
1, 13127 Nacka Strand. Reservas pelo tel.: 00 46 8 6013000.
Quartos entre € 99 e € 358), ambos membros da cadeia
Design Hotels (www.designhotels.com).
O primeiro fica situado literalmente a dois passos da Estação
Central, possui uma decoração que aposta no
minimalismo e nas linhas contemporâneas. Destaque especial
para o Ice Bar (instalado
no vizinho Nordic Sea), um bar onde tudo é feito de
gelo, paredes, balcão, bancos, copos... para entrar
precisa de vestir uma capa própria para suportar temperaturas
negativas e de boa disposição! - Um projecto
realizado pelos responsáveis pelo já célebre
Ice Hotel. A cerca de 15 minutos de barco (existem carreiras
regulares), o Hotel J, fica situado na zona residencial de
Nacka Strand. Com apenas 45 quartos, esta é a escolha
ideal para quem pretende usufruir a 100% da paisagem que rodeia
Estocolmo. Circundado por uma floresta e mesmo em frente ao
canal de Saltsjön. Aqui o tema dominante é a náutica,
com fotografias de barcos e velas a funcionar como peças
de arte. A sala, onde são servidos os pequenos-almoços,
é utilizada também como bar em sistema self-service,
ou seja, aqui os hóspedes são convidados a servir
as suas próprias bebidas e ficar a conversar à
lareira como se estivessem na sua própria casa.
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