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D E S T A Q U E



MALTA
Ilhas encantadas
Malta é um verdadeiro museu a céu aberto, onde mais de sete mil anos de história se cruzam diante dos nossos olhos

Texto de Miguel Satúrio Pires
Fotos de Pedro Sampayo Ribeiro
   

A história corre nas veias desta nação de cavaleiros. Dificilmente haverá um outro país com tantas memórias de tempos passados em tão pouco território. Afinal, os seus cerca de 300 km2 de superfície fazem deste o mais pequeno Estado da Europa dos Vinte Cinco.


As águas de Malta, de um azul turquesa profundo, fazem as delícias dos adeptos de mergulho
Fenícios, romanos, árabes, normandos (os seus descendentes directos ainda povoam aquela que foi a capital medieval, Mdina, onde também se diz que o apóstolo São Paulo viveu depois de naufragar junto à costa da ilha), os cavaleiros da Ordem de São João e até Napoleão por ali passaram. Pequenos apontamentos históricos apenas para dar entrada neste país feito de cidades fortificadas, com alguns dos mais representativos exemplares da arquitectura barroca distribuídos pelas suas ruas.

A história de Malta divide-se em três períodos – o da ocupação árabe, entre 870 e 1090; a chegada da Ordem dos Cavaleiros de Saint John em 1530, que permaneceram no arquipélago até finais do século XVIII; a ocupação britânica, que se iniciou em 1801, tendo terminado em 1964, ano em que Malta conquistou a sua independência –, o que também explica a sua diversidade cultural, religiosa e arquitectónica.

La Valetta, a capital

Basílica de Ta’Pinu, em Dwejra, perto da famosa Janela Azul, um arco gigante tallhado na rocha
La Valetta, a capital fundada em meados do século XVI pelos cruzados da Ordem de São João, foi classificada pela UNESCO como Património Mundial. Está totalmente rodeada por muralhas e estende-se ao longo de 56 hectares, mostrando-se ao visitante como uma cidade sempre em festa, com hordas de turistas a serpentearem pelas ruas. As épocas das festividades religiosas, em honra dos muitos santos padroeiros, multiplicam-se durante todo o ano e por todo o lado.

Encarada por muitos como um dos expoentes máximos do Barroco, esta pequena cidade foi mandada construir pelo Papa Pio IV, que enviou Francesco Laparelli para conceber uma espécie de reduto cristão for-tificado, envolto por uma aura de obra de arte a céu aberto. Gerolamo Cassar concluiu o projecto e é o autor da Catedral de São João, onde estão sepultados os Cavaleiros da Ordem e expostos dois quadros do célebre Caravaggio. Dizem, aliás, que La Valettta foi uma cidade construída por e para cavaleiros e cavalheiros. A sua geometria e o seu planeamento tiveram em conta não só a boa circulação do ar, como também questões de ordem sanitária e de distribuição de águas.


Victoria, também na ilha de Gozo
São cerca de 300 os monumentos inventariados, desde os religiosos aos civis. Além da já referida catedral, merecem ainda referência a Biblioteca Nacional, o Palácio dos Grandes Mestres, sede do Parlamento e da Presidência, ou o Teatro Manuel, um dos mais antigos da Europa, datado de 1731.

A visitar
Malta e as suas ilhas – Gozo, Comino e as desertas Cominotto e Filfla – são o cenário perfeito para umas férias dedicadas à cultura e ao lazer, com paisagens que parecem ter parado no tempo.

Em La Valetta aconselha-se um passeio pelo Upper Barrakka Gardens, onde poderá admirar o canário com vista para as Três Cidades, também elas fortificadas e de uma monumentalidade igualmente impressionante. Nas cercanias fica a antiga capital medieval, Mdina, onde é imperdível uma visita à igreja, à gruta de São Paulo e ainda às catacumbas.

Toda a costa das várias ilhas do arquipélago é magnífica, com enseadas entrecortadas por enormes penhascos e pequenas praias banhadas por águas quentes e azul-turquesa. Vale a pena uma visita à tranquilidade de Gozo e às suas praias – a agitação turística em Malta é quase sufocante. A sua capital, Victoria, é o local ideal para a prática de mergulho e para fazer passeios de barco à procura de tesouros escondidos.

Todos os roteiros indicar-lhe-ão o caminho para o Mar Interior (uma baía quase fechada e rodeada por penhascos, com uma pequena abertura para o mar), ou a célebre Janela Azul, um enorme arco talhado na rocha. Pode ainda fazer umas incursões em busca da Gruta de Calipso, onde, reza a lenda, Ulisses terá sido mantido prisioneiro, ou dos templos megalíticos de Ggantija e de Tarxien.

Quem prefira tomar partido do temperado clima mediterrânico do arquipélago, poderá optar por algumas das suas – poucas – praias de areia. Na ilha de Malta, existem as de Golden Bay, Paradise Bay, Ghajn Tuffieha, Mellieba, Armier e Selmun. Em Gozo fica a praia In-Ramla l-Hamra, uma das mais famosas da região, pela sua incarac-terística areia vermelha.

Como ir
A Air Malta possui voos directos à quinta-feira de Lisboa para La Valetta até 23 de Setembro. A partir desta data existirão voos diários, com escala obrigatória numa capital europeia. Tarifas a partir de €386 (taxas incluídas). Gozo e Comino têm acesso por barco a partir de Malta.

Mais informações: A Ampliar (tel. 213 503 050; www.airmalta.com.pt) representa o Turismo de Malta em Portugal. Na Internet: www.visitmalta.com


La Valetta, onde as ruas estão engalanadas para receber festas religiosas e nos pedestais se avistam santos, mártires e apóstolos

República de Malta
Capital: La Valetta
Área: 316 km2
Localização geográfica: Mar Mediterrâneo, a 93 km do Sul da Sicília e a 290 km do Norte da Líbia.
População: 397,5 mil habitantes
Rendimento médio anual: €7748
Moeda: Libra maltesa (1 € = 0,43 LM)
Língua: Maltês (um misto de Siciliano, Italiano, Castelhano, Francês e Inglês) e Inglês
Diferença horária: + 1 hora GMT
Indicativo: 00 356

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