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XL
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> Nice
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| D O S S I E R |
Agosto
de 2005 |
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Enérgica,
cosmopolita e artística. É uma
das celebridades da Côte d’Azur,
sempre vestida com trajes de gala, mas simples
no trato. Um passeio por Nice no seu melhor.
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Texto de Petra Alves e Fotos de Constantino
Leite |
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Todas
as cidades à beira-mar têm um encanto especial,
mas poucas se destacam como paraísos para o espaço
de lazer mais despreocupado, democrático e preguiçoso
do mundo: a praia. Quem procura um destino apenas para
estender a toalha ao sol, num ritual estratégico
das 9h00 às 19h00, ficará com as expectativas
defraudadas se rumar a Nice. A linha de praia é
estreita, ainda que extensa em comprimento; no lugar de
areia, existem milhares de pedrinhas desleais até
para os mais resistentes; e a sinfonia do mar é
abafada pelo burburinho da cidade. Apesar disso, o sol
de Verão vê-se aflito para bronzear todos
os veraneantes alinhados em cadeiras de praia. E, mesmo
que a envolvente fosse tão apetecível quanto
as águas calmas daquele Mediterrâneo, seria
um desperdício queimar horas ao sol quando Nice
tem tanto para oferecer.
| Quarto
com uma pintura estilo graffiti no Hotel Windsor,
um marco de originalidade de Nice |
|
As estatísticas levantam
a ponta do véu. Elevam Nice, a quinta maior cidade
francesa, ao segundo maior centro turístico de
França e colocam o seu aeroporto como número
dois do ranking nacional. Um grande centro urbano com
uma localização privilegiada no mapa, perto
dos Alpes, da Provença, da Córsega e da
Itália, numa zona que conta, em média, 2700
horas de sol anuais. Do aeroporto até ao centro
da cidade, pela marginal, alinham-se carros em filas com
dimensão ainda aceitável, não se
ouvem buzinadelas nem expressões menos agradáveis
e, pelos passeios, os transeuntes movem-se seguindo as
regras da boa educação.
Os números esclarecem, mas não dizem tudo.
A primeira impressão alicia, mas é o pulsar
autêntico que convence. Ainda há pouco tempo,
Nice vivia com a pesada conotação de antiquada
ou demodé, pelo menos para os espíritos
mais agitados. Também conseguiu desmontar a imagem
de destino turístico apenas eleito por magnatas
e de anfitriã da experiência endinheirada.
Nice actualizou-se. Foi reinventada pela inspiração
de artistas, hoteleiros, chefs e designers com os olhos
postos no futuro, e igualmente redescoberta e melhorada,
no que toca ao passado, tão rico quanto belo.
Cidade de todos e para todos
| Cabeleireiro
Patrice Fournier, uma morada da moda |
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Se o seu glamour inquestionável
lhe valeu a visita, nos finais do século XIX, de
quase todas as cabeças coroadas do mundo, hoje
conquista gente jovem e menos jovem, contas bancárias
gordas e de regime espartano, aspirações
de lazer, de negócio e de mera curiosidade. Não
se deixa deslumbrar por toda a aparência que veste
os vizinhos mais próximos, como o Principado do
Mónaco, mas conta com a sua quota--parte de nomes
internacionais, de senhores de Ferraris e iates e de senhoras
com “cães de marca” pela trela, enfeitados
com laçarotes pomposos e roupas com igual pedigree.
| Edifício
Belle Époque típico de Nice
|
|
Na rua Saint-François-de-Paule,
que termina na enorme praça de Cours Saleya, encontram-se
exemplos vivos desse charme encantador que se mantém
vivo e atrai várias gerações que
aqui se fundem e harmonizam. Christophe Noirel, um dos
sócios da Design 70 e POP Art – uma loja
de roupa, de peças de mobiliário dos anos
70 e de esculturas definidas pelo próprio como
radicais – viajou pela Europa, assentou arraiais
em cidades como Barcelona e Amesterdão, mas regressou
a Nice porque, apesar de ter reconhecido noutras paragens
encantos valiosos, garante que “nenhuma outra cidade
tem um clima tão meigo, tamanho número de
pessoas bonitas e tentadora qualidade de vida”.
Mais não argumenta porque tudo o resto se resume
a uma espécie de íman, de mística
que só é inteligível quando sentida.
| Um
detalhe do interior do Hi Hotel |
|
No Alziari, espaço familiar
com mais de 70 anos, dedicados, essencialmente, à
venda de azeite e derivados, a conversa com o jovem gerente
confirma que é possível, em Nice, conciliar
o perdurar de anos de história com as aspirações
actuais da maioria dos jovens ainda na casa dos 20. Pelo
menos no que diz respeito a jovens franceses, com ordenado
francês… A cidade é cara, principalmente
no que toca à habitação, pelo que
não é de todo raro encontrar um apartamento
de três assoalhadas dividido por quatro amigos,
apesar do salário mínimo nacional ser cerca
de três vezes mais elevado do que o português.
Esforços que se impõem a quem não
prescinde de alguns pequenos prazeres.
Vieille Ville: um centro de virtudes
| Quarto
pintado por um dos 23 artistas que participaram
no projecto do Windsor Hotel, uma espécie
de casa dos artistas |
|
No final da Saint-François-de-Paule,
onde o comércio é o mais tradicional possível
e se multiplicam lojas de azeite, gourmet, pastelarias
com produção própria, perfumarias
com aromas extraídos da região (algumas
das quais exclusivamente destinadas ao souvenir), abre-se
o Cours Saleya, a célebre praça local, rodeada
de restaurantes e esplanadas. Até aqui, nada de
original. A surpresa acontece quando, diariamente, todo
o seu espaço central é invadido pelas cores,
sabores e épocas dos mercados da fruta e legumes,
de flores e de antiguidades e velharias (este último,
à segunda--feira).
| D70,
loja de peças dos anos 70 |
|
As bancas são alinhadas
lado a lado e os produtos expostos com um toque francês,
aquele que consegue emprestar formosura e cor ao mais
banal dos molhos de agrião, recorrendo a cestos
de vime e sacos de pano florido. A explosão de
cores e
| Funcionários
do restaurante Le Parcours |
|
tonalidades inunda o cenário,
tornando-o ainda mais apetecível. Ali ao lado,
mobiliário, jóias e peças de arte
são expostos em pequenas bancas, ou mesmo no chão,
intercalados por artistas em plena concretização
da sua obra. Um local que vale a pena visitar, cheirar
e provar, em qualquer altura do ano.
Aqui abrem-se as portas do Vieux
Nice, “a vila dentro da cidade”, nas palavras
de Christophe Noirel e de Astrid Vink, proprietária
do Water Bar. Há três anos trabalhava em
Beverly Hills e a convite de amigos com laços em
Nice atravessou o oceano com um único objectivo
em mente: gozar umas merecidas férias numa cidade
que ainda não conhecia. Não regressou. Abriu
um bar na parte antiga, onde se concentra uma grande variedade
de águas, vinhos e cervejas originárias
de todo o mundo, da China à Argentina, passando
pela Austrália, com um pequeno desvio por África.
Diz ter tudo o que precisa no Vieux Nice ou Vieille Ville,
onde vive e trabalha.
 |
Ao comércio e serviços
que facilitam muito a vida dos habitantes, juntam-se as
fachadas coloridas, pintadas em trompe l’oeil, e,
sobretudo, uma dinâmica característica. Visto
de cima o cenário é feito de lojas de roupa,
ateliers, bares, restaurantes, esplanadas, mercados, pessoas
que passam nas ruas a caminho do trabalho, que ficam à
janela, na soleira das portas, ou a gozar as férias
com sabor a limonada; andam de mão dada, sozinhas,
em grandes e pequenos grupos, com caras vincadas, apáticas,
simpáticas, de
| Artista
na Tragic Painting |
|
bem ou de mal com a vida. De bicicletas,
motorizadas ou patins. As opções concentram-se
em número e estilo neste cubo labiríntico
que ao de Cubrik se pode comparar, por ser difícil
achar o igual. Para sentir o movimento da cidade não
há melhor do que se deixar ficar abandonado numa
esplanada, com os sentidos alerta e o espírito
aberto.
| Quarto
estilo enfermaria no Hi Hotel |
|
Na chamada “rua Direita”,
porta sim porta sim se abre para um atelier de pintura,
escultura ou artesanato que, ao todo, perfazem o número
60. Uma montra indiscreta revela Alexander, um pintor
em acção, que num pequeno espaço
de quadros, tintas, cavaletes e pincéis, inscreve,
com sabor a cachimbo, pinceladas realistas numa tela que
já foi pura. Mesmo em frente, o Tragic Painting
propõe outras formas de entender a arte. Aqui,
a tela não é o único corpo a ser
trabalhado. Quatro artistas servem-se de blusões
de pele para perpetuar, em formato pronto--a-vestir, a
imagem dos U2, e do vocalista Bono Vox, com traços
espessos e cheios de personalidade.
|
Mais suaves, mas não menos
intensos, são os paladares postos à prova
nos vários restaurantes de diferentes especialidades
que acompanham o nosso passo. Seria erro matemático
dizer que existem tantos restaurantes quanto ateliers
de arte, mas, a olho nu, a mancha parece estar equivalente.
O Le Tire Bouchon demarca-se pelo ambiente romântico
e acolhedor, onde dificilmente se vê uma mesa com
mais de quatro pessoas. Existe há 14 anos e tem
como base de trabalho os produtos da região sudoeste:
o foie-gras, o queijo de cabra envolvido em tomate seco
e a pasta de azeitona são divinais.
 |
Para uma refeição
mais breve, pequeno-almoço e almoço, o Le
Pain Quotidien, uma cadeia ao estilo dos fast-food, mas
com caracterização provençal (é
um franchising belga) é uma boa opção.
Tudo o que é aqui servido pode ser comprado para
levar para casa, desde o pão ao azeite. O espaço
preenche-se de vinagres, azeites, compotas, patés,
entre tantas outras iguarias expostas em grandes armários
de madeira. Mais elegante (e menos acessível) é
o Le Parcours, situado em Falicon, uma vila vizinha de
Nice, que pode ser comparada a Óbidos no que respeita
à proibição do trânsito e à
limpeza das ruas. Jean-Marc Delacourt, priprietário
e chef do restaurante com o título de “Maître
Cuisinier de France”, desenvolveu um conceito original:
enquanto são degustadas as apuradas e bem apresentadas
iguarias, é possível, através de
câmaras e televisores, acompanhar o trabalho da
cozinha, qual laboratório de método rigoroso.
Arte em altura: uma vista panorâmica
No bairro Cimiez reconhece-se a
Belle Époque esculpida nos antigos palácios
da burguesia, hoje recuperados e partilhados, na sua maioria,
em regime de co-propriedade. Destacam-se as ruínas
do antigo anfiteatro romano num parque que acolhe, todos
os anos em finais de Julho, o festival de Jazz da cidade;
o Museu Matisse, instalado num palacete de campo do século
XVIII, com um ambiente intimista, ideal para a viagem
ao universo do artista através das mais de 60 pinturas
e guaches, 400 desenhos e gravuras, 57 esculturas e cerca
de 100 fotografias; os jardins e a Igreja Notre-Dame du
Monastère de Cimiez, junto à qual estão
os túmulos de Raoul Dufy, Roger Martin du Gard
e Henri Matisse, constituem um lugar de inspiração
poética, pelo seu simbolismo e pela vista soberba
sobre a baía que daí se obtém.
| Detalhe
do colorido mercado diário de Cours
Saleya |
|
| Outro
dos quartos com assinatura artística
do Windsor |
|
Nice ganhou um novo impulso cultural
com a construção do triângulo constituído
pelo Théâtre National de Nice, Museu de Arte
Moderna e Contemporânea (MAMAC) e Biblioteca Louis
Nucera. O primeiro ganhou reconhecimento internacional
pela qualidade da sua programação, e o segundo
destaca-se pelos conteúdos que oferece, dando uma
visão global da arte contemporânea. As exposições
permanentes giram em torno da arte vanguardista francesa
e americana a partir dos anos 60, e exploram a relação
entre a Pop Art americana e o Novo Realismo francês.
Desenhado pelos arquitectos Yves Bayard et Henri Vidal,
o edifício que alberga o
MAMAC merece especial atenção:
um conjunto de quatro torres revestidas a mármore
e ligadas entre si por corredores de vidro. A arquitectura
é, aliás, uma preocupação
que se estende ao terceiro elemento deste trio cultural
(e que fica logo ali ao lado), a
Biblioteca Louis Nucera, que surpreende
pelo seu edifício em forma de cabeça –
conhecido como a “Tête Carrée de Sacha
Sosno “ –, uma grande escultura habitada pelos
serviços administrativos da Biblioteca Municipal
de Nice. Sacha Sosno, o autor, já foi fotógrafo,
repórter de guerra, marinheiro e pintor, hoje é
escultor e uma das figuras mais importantes da Escola
de Nice. Há mais de 30 anos, o artista recorre
ao termo obliteração para explicar o seu
trabalho: defende o esconder para ver melhor, forçando
a imaginação de quem se esbarra com a obra.
| Miradouro
na Promenade des Anglais, avenida mandada
construir pelo inglês Lewis Way em 1820.
Hoje é um lugar (durante o dia) onde
o culto do corpo se eleva ao prazer do convívio |
|
Houve, de facto, um período
em que Nice pareceu ter estagnado, voltando mais recentemente
a ganhar novo fôlego. No entanto, é injusto,
e até ofensivo, dizer que a cidade só agora
se deixa tocar pelo espírito criativo. A verdade
é que Nice pode vangloriar-se de ter recebido pintores
como Henri Matisse, que ali se instalou em 1917 e explorou
uma paleta de cores luxuriantes, ou escritores como Francis
Scott Fitzgerald que chegou a dissertar, em Suave é
a Noite (1934), sobre as luzes inspiradoras da cidade.
| Quarto
forrado a folha de ouro, um minimalismo barroco
e mais um devaneio artístico do Windsor
Hotel |
|
Igualmente artística e genuína,
mas menos turística quanto os ateliers do Vieux
Nice, a Villa Arson é uma instituição
nacional dedicada à arte contemporânea, inaugurada
em 1970. Trata-se de um espaço de experimentação
pluridisciplinar, com 1200 metros quadrados de exposição,
agrupando ainda uma escola superior de arte, e uma residência
para artistas. A sua aparência actual deve-se ao
arquitecto Michel Marot,
antigo aluno de Walter Gropius, um dos principais nomes
da arquitectura do século XX, e um dos fundadores
da escola vanguardista de arte e arquitectura Bauhaus.
Os estudantes de Arson podem acompanhar os visitantes
pelas várias salas,
ajudando-os a interpretar os trabalhos expostos, numa
visita que pode revelar-se uma surpresa agradável.
Experimentação é, aliás, a
palavra-chave de vários projectos levados a cabo
em Nice. Assinalam-se dois que interessam particularmente
a quem está de visita à cidade, pois respondem
à pergunta: onde dormir?
| Piscina
panorâmica situada no último
andar do Hi Hotel. Daqui, a vista sobre Nice
é soberba |
|
Windsor Hotel, uma casa de
artistas
Um cubo de ouro, uma lâmpada,
uma cama: tudo o resto é dispensável quando
apenas se procura uma noite de sono profundo. Foi este
o conceito desenvolvido pelo italiano Claudio Parmiggiani
para o quarto 357 do Hotel Windsor, onde tudo pode ter
lugar, menos o vazio de significado.
Visto de fora, o edifício
em causa não parece guardar nada de especial, duplicando
apenas a fachada de tantos outros da sua época.
Portas adentro, vem à ideia uma frase batida: quem
vê caras não vê corações.
E a questão é que o coração
do Windsor é grande, tão grande que chegam
a caber no seu interior 23 obras singulares postas em
prática no decorrer de uma verdadeira revolução
criativa iniciada nos anos 70 e liderada por Bernard Redolfi,
proprietário.
| Happy
Bar do Hi Hotel, uma área multiusos,
onde funciona a Cantina Bio com menus biológicos,
se visionam filmes e documentários
e se fazem festas animadas por Dj’s |
|
Viajante inveterado, Bernard decidiu
transformar o hotel da família num espaço
capaz de aquecer a alma de quem lá pernoitasse.
Como? Foi essa a pergunta que colocou a si próprio
e, de seguida, mergulhou na Europa à procura de
respostas. Na Alemanha encontrou saberes sobre a arte
contemporânea e na Bélgica, em Gent, visitou
uma exposição intitulada Chambres d’amis
(em casas privadas, um grupo de artistas concebeu quartos
destinados a receber os amigos), que o viria a inspirar.
Com a ajuda da Galeria Martine et Thibault de Ca Châtre,
em Paris, deu a conhecer a sua ideia ainda embrionária
a artistas como Jean Le Gac, Claude Rutault, Raymond Hains,
três dos nomes associados actualmente a este projecto,
inovador à época, que valeu ao Windsor –
e vale – o olhar atento de todos os exploradores
urbanos.
| Promenade
des Anglais, apenas deserta de madrugadae
ao amanhecer de um dia de chuva |
|
Despreocupem-se os que vêem
o conforto como o mais importante de qualquer espaço
para repouso. Bernard impõe sempre a mesma regra,
em jeito de recomendação: “pretende-se
um quarto de hotel, não um museu”. Foi assumido
um compromisso entre o estético e o bem-estar,
em que estão garantidos um bom colchão,
lençóis macios, banho à temperatura
e pressão ideais, e silêncio. As janelas
dão para o jardim com piscina, recheado de árvores
centenárias e canteiros bem cuidados.
| Outro
quarto com a marca Windsor |
|
Por todo o hotel o pensamento é
exercitado, porque está sempre a deparar-se com
o insólito. Exemplos: logo à entrada, apresenta-se
uma instalação do holandês Raul de
Pesteur; no bar-restaurante onde é servido o pequeno-almoço
podemos encontrar uma escultura do italiano Jacopo Foggini;
entrando no elevador, observamos que o espaço é
exíguo, onde não se encaixam duas pessoas
e respectivas malas, mas que está todo ilustrado
com banda desenhada, representando a ida do homem à
lua, em cores efervescentes. Quando o percurso é
iniciado, todas aquelas imagens ganham vida através
de um som astronauta.
Na verdade, a proposta do Windsor é simples, mas
em nada redutora: “viver com a intimidade do artista”,
nas palavras do mentor do hotel.
Hi Hotel: uma fusão
criativa
Com um enquadramento diferente,
a ousadia entrou no Hi Hotel, que pretende romper com
os códigos tradicionais do típico hotel
de luxo. Certamente mais conhecido do que o Windsor, contou
com a imaginação e savoir-faire da parisiense
Matali Crasset, discípula de Philippe Starck, para
a criação do conceito, arquitectura de interiores
e grafismo.
| O
Water Bar, com uma grande variedade de águas,
vinhos e cervejas de todo o mundo |
|
Liberdade de movimentos e alforria
do pensamento são as premissas que deram o mote
ao desenvolvimento de nove ideias distintas – monospace,
up&down, indoor terrasse, happy day, strates, digital,
white&white, technocorner, rendez-vous – a partir
das quais foram concebidos os 38 quartos com um esquema
de organização particular. Os códigos
do mobiliário foram totalmente virados do avesso:
a mesa transformou-se em cama, a cama de dossel, em banheira;
as cabinas de duche elevadas e independentes, os lavatórios
e a banheira colocados sobre um deck de madeira; a zona
de banho é partilhada pela zona de estar/receber.
São reinterpretações da função
do espaço e do próprio mobiliário,
na sua maioria desenhado por Matali. Alguns quartos duplexes
têm o seu próprio terraço com um spa
privado.
“O acolhimento e o conforto não se reduzem
apenas à qualidade do serviço. É
importante que cada hóspede se sinta livre para
explorar e sentir o espaço de forma autónoma”,
explicam os proprietários, Patrick Elouarghi e
Philippe Chapelet, insistindo na ideia de mobilidade que
existe subjacente a cada espaço, inclusive nas
áreas comuns. O Happy Bar, por exemplo, é
uma área multiusos, onde está instalada
a Cantina Bio – com quatro menus à base de
produtos biológicos disponíveis numa vitrina
frigorífica à qual é possível
aceder 24 sobre 24 horas –, que à noite é
animada por Dj’s convidados e proporciona o visionamento
de filmes de ficção, animação
e documentários. Composto por uma cadeira gigante,
fixa apenas ao
| Uma
das mesas do elegante restaurante Le Parcours |
|
tecto, pequenas mesas amovíveis
e pufes que facilmente se conseguem deslocar, é
um espaço criado para aqui se viverem “horas
felizes”.
Por outro lado, se no Windsor
as novas tecnologias não merecem grande destaque,
no Hi todos os quartos estão equipados com hi-fi,
televisão com ecrã LCD, telefone sem fios
e acesso à Internet.
Ambos se situam perto da sumptuosa e animada Promenade
des Anglais, que se estende junto ao mar, uma paragem
obrigatória, principalmente ao fim do dia. Apesar
de ser um dos pontos mais turísticos de Nice permite
apreender uma visão global da cidade, à
medida que se vê o mar esconder um sol de vermelho
intenso. É um palco de modas, onde o desportivo
anda lado-a-lado com o urban chic, onde se cruzam idiomas,
olhares cansados ou arregalados, diferentes formas de
viver uma cidade de prazeres e emoções à
flor da pele. Como diz a canção (de Claude
Nougaro) Nice very nice, very Nice!

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