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   XLRotas & DestinosDossier > Minas Gerais

D O S S I E R Agosto de 2008   
Influenciados pelos grandes mestres do passado, vários artistas mineiros perpetuam a tradição da arte sacra; Ouro Preto, a sul de Belo Horizonte, é o expoente máximo do barroco (à dir.)
   
Ao invés de mar, a geografia deu-lhe serras, rios e cachoeiras, mas compensou-o com muito ouro e diamantes. E foi assim que Minas Gerais, ainda hoje o terceiro estado brasileiro mais próspero, viu brotar do chão um conjunto de cidades moldadas à imagem de um reino distante, mas repletas de esplendores. Percorrer Ouro Preto, Tiradentes ou Diamantina, mais do que um roteiro histórico, é uma viagem afectiva, aberta aos cinco sentidos, a um canto do Brasil onde Portugal sonhou um império

TEXTO DE JOÃO MIGUEL SIMÕES FOTOS DE MANUEL GOMES DA COSTA
   

P U B L I C I D A D E
Há mais ou menos 300 anos foi uma estrada, “aberta no facão” pelos bandeirantes paulistas, que ligou o interior de Minas Gerais ao litoral brasileiro e possibilitou à coroa portuguesa explorar as suas riquezas. Agora é um voo da TAP, inaugurado em Fevereiro, que liga directamente a capital mineira a este lado do Atlântico e permite aos portugueses explorarem um Brasil um pouco diferente do que estão habituados.

Não que a arquitectura, a gastronomia ou a cultura de Minas Gerais, um estado gigante encravado entre São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Brasília e Goiás, nos causem estranheza; só que, nos últimos tempos, insistimos em associar apenas o Brasil a mar, a praias, a coqueiros, a Carnaval e a uma série de outros clichés que, de repente, não são assim tão óbvios para quem se decide por um roteiro mineiro.

Minas Gerais não tem o mar nem as praias do Nordeste. Mas tem serras de um verde pujante, com vales esventrados por rios, onde a abundância de minérios como o ouro e os diamantes ditou o aparecimento de um conjunto de cidades, hoje denominadas de históricas e responsáveis pela maior concentração de patrimónios classificados pela UNESCO em terras de Vera Cruz, que resume nas suas pedras, nas suas igrejas barrocas, na sua arte sacra e até mesmo na sua cozinha – e não se subestime nunca uma cultura capaz de nos conquistar pelo estômago – um passado comum a Portugal e ao Brasil.

Da esq. para a dir.: os casarões de Ouro Preto estão empoleirados em ladeiras íngremes; jóia no Café Geraes, em Ouro Preto; o bucolismo de Tiradentes.

Diz-se que caminhar nas ruas de Ouro Preto, de Tiradentes ou de Diamantina – só para citar parte do roteiro a seguir sugerido – equivale a visitar um museu a céu aberto, tal é a quantidade de relíquias acumuladas no perímetro dos seus centros históricos. Assim é, de facto, mas ninguém é obrigado a fazer disso uma penitência. Aliás, se há coisa que notabiliza o mineiro, além do seu gosto por contar histórias (os famosos “causos”) e da sua natureza algo desconfiada, é o seu enorme sentido de hospitalidade, pelo que as cidades históricas souberam rodear--se de uma infra-estrutura que inclui pousadas, restaurantes deliciosos, modalidades diferentes de passeios (caminhadas de vários dias nos parques, que podem também ser feitas a cavalo, de moto ou de bicicleta) e de actividades, com direito a banhos de cachoeira, participação em festivais ou contacto directo com artesões e artistas da região.

Da esq. para a dir.: igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto; serra e fazenda do Cipó

No final, poderá até lamentar o tempo que perdeu para ir de um ponto ao outro – a fraca qualidade das estradas, o seu forte congestionamento e as longas distâncias devem ser tidos em conta na hora de planear o seu itinerário –, mas muito dificilmente vai dar a sua viagem (e o seu tempo) por perdida ou mal empregue.


Ouro Preto, Congonhas e Mariana
AS SEGUNDAS DAMAS
Antigas capitais de Minas Gerais, Ouro Preto e Mariana, bem como alguns santuários ao seu redor, são apontadas como o triunfo máximo do barroco colonial mineiro

Encravada entre montanhas, Ouro Preto é hoje uma cidade que padece de falta de superfície para se expandir, mas, ainda assim, quando vista de longe, o seu conjunto permanece harmonioso.
Há quem se aproveite do facto de Ouro Preto e Mariana ficarem a pouco mais de 100 quilómetros, a sul, de Belo Horizonte para ir e voltar no mesmo dia. Não aconselho. A menos que não se importe de regressar com a sensação ingrata de que passou longas horas na estrada e que pouco viu do muito que estas duas cidades têm para viver e apreciar.

Menos conhecida e mais pequena do que Ouro Preto, Mariana, que todos os anos, a 16 de Julho, volta a ser capital de Minas Gerais por 24 horas, acumula títulos como o de ter sido capital do estado de São Paulo (por pouco tempo, mas foi), primeira vila e primeira cidade de Minas, primeira sede de bispado, bem como pioneira no seu traçado geométrico.

E talvez seja esse traçado, ainda que tantas vezes adulterado ou vítima de calamidades, como o incêndio de 1999 que devorou boa parte do recheio da igreja de Nossa Senhora do Carmo (hoje restaurada), que faz do centro histórico de Mariana um pequeno bijou. Não há, no entanto, muito para ver além da igreja de São Francisco de Assis, com obras dos mestres Aleijadinho e Athayde – no tecto, a caveira por este pintada junto a São Francisco dá a impressão de nos seguir para onde quer que nos viremos... – e da Catedral Basílica da Sé, com lustres em cristal da Boémia, dois altares atribuídos a Aleijadinho e um órgão alemão de 1701, presente de D. João V e exemplar único fora da Europa.

Entre as muitas coisas que merecem visita na cidade está o restaurante Bené da Flauta, instalado num antigo casarão histórico que serviu um dia de atelier ao grande Mestre Athayde
Mas porque muito do que reluz em Mariana e Ouro Preto é mesmo ouro, importa visitar a Mina da Passagem, à saída de Mariana, desactivada desde 1985 e onde se desce até uma profundidade de 120 metros. É, porém, na Mina do Chico--Rei, o escravo de Ouro Preto que conseguiu comprar uma mina e com ela acumular riqueza suficiente para libertar outros companheiros, que nos damos realmente conta de quão desumanas eram as condições de trabalho dos escravos, obrigados a permanecer agachados por longas horas todos os dias! A mina fica à entrada de Ouro Preto – aliás, há quem afiance que possuiria um túnel com comunicação directa à igreja de Santa Efigénia dos Pretos, construída e frequentada pelos escravos.

Este município começou por se chamar Vila Rica e a sua história é o melhor comprovativo de que a actual Ouro Preto esteve, desde o início, fadada para dar nas vistas graças à sua riqueza natural. Quando o tão cobiçado metal precioso começou a chegar a Portugal, ainda no final do século XVII, tentou manter-se por algum tempo em segredo a sua origem, pelo que muitos pensaram tratar-se de ouro peruano. O ouro foi determinante para que a cidade se tornasse um dos expoentes máximos do barroco brasileiro, que, entre outras particularidades, substituiu o mármore pela pedra-sabão. Foi também o ouro, e a insatisfação provocada pela política tributária imposta por Portugal, que desencadeou o primeiro movimento de independência do Brasil, liderado por Tiradentes e composto por figuras da alta sociedade de Ouro Preto, que viria a ficar conhecido por Inconfidência Mineira.

O complexo de Congonhas lembra-nos o Bom Jesus de Braga
É difícil contar o número de igrejas e capelas existentes na cidade, mas são muitas e tal deve-se, em boa parte, à rivalidade entre famílias e até entre as várias ordens terceiras. Não será o caso de visitar todas, mas sugiro que inclua pelo menos duas no seu roteiro: a de Nossa Senhora do Pilar, que disputa com a Matriz de Tiradentes o título de segunda mais rica do país, e a de São Francisco de Assis. A vista sobre a cidade e a serra, perceptível a partir do terraço desta segunda igreja, é deslumbrante e quase me faz esquecer, por minutos, os graves problemas que Ouro Preto enfrenta no presente a nível de ordenamento urbano. Mas se vista de fora impressiona, o seu interior é de uma beleza avassaladora, sendo justamente considerado o supra-sumo do rococó local. O projecto é da autoria de Mestre Aleijadinho (ver caixa), mas a contribuição de Mestre Athayde, responsável pelas pinturas bidimensionais (os traços mestiços dos anjos e da Virgem foram inspirados nos seus filhos e na sua mulher), foi decisiva na “Capela Sistina mineira”.

Ouro Preto possui igualmente vários museus dignos de nota, mas se até há pouco tempo era o Museu do Oratório, com peças de arte sacra do século XVIII, que dominava as atenções, a sensação é agora o Museu do Aleijadinho, que reabriu em grande estilo e teve na Fundação Ricardo Espírito Santo um apoio inestimável para fazer dele um espaço de primeira grandeza, onde as obras do mestre (e não só) estão finalmente expostas de acordo com o seu esplendor.

A Casa da Ópera, em Ouro Preto, é o mais antigo teatro em actividade de toda a América Latina.
Por tudo isto, compreende-se facilmente que a arquitectura e a importância histórica de Ouro Preto estejam na origem de um turismo de massas, mas, quem chega ali desavisado vai, muito provavelmente, apanhar um tremendo susto. Encravada entre montanhas, a Ouro Preto falta superfície disponível para sustentar o enorme crescimento dos últimos anos, pelo que a cidade se vê hoje a braços com o alastramento de favelas nas encostas, com um aumento da criminalidade e da prostituição, já para não falar do trânsito caótico. Factores que, pese o facto de Ouro Preto possuir o maior património arquitectónico do Brasil, quase ameaçaram a manutenção do título de Património Mundial...

Ainda assim, Ouro Preto é uma cidade que vale muito a pena e está a ser alvo de um forte investimento para mudar o estado das coisas – a prova disso, por exemplo, foi o restauro minucioso do Teatro Municipal, também conhecido como Casa da Ópera, que reabriu em 2007 e é considerado o teatro em actividade mais antigo da América Latina –, mas vai ter de aprender a conviver com a presença de quase uma centena de repúblicas universitárias. Os estudantes, para além das suas festas e de colocarem o Carnaval ao rubro, enchem também os bares da rua Direita como o Barroco, o Satélite ou o Café Geraes, e estão a mudar o perfil da cidade.

O mestre da superação
São várias as obras que o Mestre Aleijadinho deixou espalhadas pelas cidades históricas mineiras, mas, sem dúvida alguma, é em Ouro Preto, e também em Congonhas, que temos a exacta dimensão do seu génio como escultor do barroco mineiro. A sua biografia, porém, está longe de ser consensual, e, mais do que se colocar em causa a autoria de alguns dos seus trabalhos, há mesmo quem ainda hoje duvide da sua existência. António Francisco Lisboa, mais conhecido por Aleijadinho – entre os 40 e 50 anos começou a desenvolver uma doença degenerativa dos membros que lhe comprometeu gradualmente os movimentos das mãos, daí a alcunha –, terá nascido em Vila Rica, entre 1730 e 1737, fruto da relação de um mestre-de-obras português, Manuel Francisco da Costa Lisboa, com uma escrava chamada Isabel. Morreu pobre e foi enterrado como indigente, apesar de ter dedicado toda uma vida a produzir, com afã impressionante, esculturas em madeira e pedra-sabão, quase sempre destinadas a adornar igrejas, que, sobretudo numa fase posterior, denotam um expressionismo muitas vezes assustador. Mais curioso é ainda o facto de, ao estudar-se de perto a simbologia que inscreveu nos pórticos das igrejas e nos altares, se concluir que poderá terá sido maçom.
Para muitos, todavia, o conjunto mais impressionante de toda a obra de Aleijadinho, e que foi determinante para a sua classificação pela UNESCO, está a mas a mais de 1h30 de distância, em Congonhas. Mal ali chego, depressa concluo que o interesse desta localidade não vai além desta atracção encarrapitada numa ladeira íngreme, que pode ser apreciada de cima para baixo, com a cidade e a serra ao fundo; ou de baixo para cima, com a basílica em último plano.

Os 12 profetas esculpidos em pedra-sabão encontram-se dispostos na entrada da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, encomendada pelo imigrante português Feliciano Mendes, à imagem do Bom Jesus de Braga, como pagamento por uma promessa. Não viveu para ver a obra concluída.

Formam ainda parte do conjunto as seis Capelas dos Passos de Cristo, com 64 figuras esculpidas em cedro – parte delas atribuídas a Aleijadinho, três delas, pelos menos, policromadas pelo Mestre Athayde –, que representam as cenas da Paixão de Cristo. Centro de peregrinação, sobretudo durante a Semana Santa, Congonhas revela a olho nu a fragilidade do seu património maior, pelo que choca ver a maioria das estátuas dos profetas em avançado estado de degradação. Seja como for, continuam ali para a posteridade e a alimentar polémicas que muito dificilmente terão resposta: Serão mesmo os dozes profetas ou representações dos inconfidentes mineiros? Terá Aleijadinho, na altura em fase terminal, sido ajudado? Onde se inspirou para introduzir elementos estranhos à sua cultura como olhos rasgados, leões ou baleias? À falta de melhor, fica o veredicto do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade: “São mineiros esses profetas. São mineiros taciturnos, crepusculares, messiânicos e melancólicos”


Diamantina e Serra do Cipó
A SINFONIA DE PEDRAS
A norte de Belo Horizonte, a Serra do Cipó, Meca do turismo de aventura, pode ser um bom contraponto a Diamantina, a jóia da coroa que nasceu dos garimpos do século XVIII

Para quem não se quer aventurar muito, o Parque Nacional da Serra do Cipó, a 1h30 da capital mineira, possui logo à entrada várias cachoeiras, como é o caso da Cachoeira Grande.
A viagem de Beagá, a capital mineira, à serra do Cipó não demora mais de uma 1h30, mas, ainda assim, decido amanhecer no parque nacional para tirar maior partido das horas que ali vou passar. Há, contudo, quem já venha por vários dias – e chegam sobretudo do Norte da Europa, mas não só –, animados pela existência de boas condições para a prática de ecoturismo e de actividades radicais. Até ver, a infra-estrutura hoteleira, concentrada no vilarejo e pouco mais (embora se prevejam novidades para muito breve, como é o caso da propriedade onde se encontra a cachoeira da serra Morena), prima pela simplicidade, deixando os méritos por conta da abundância de trilhas e cachoeiras.

A melhor altura para uma incursão neste parque nacional é entre Maio e Agosto, caso a sua prioridade seja fazer caminhadas com boa visibilidade, ou entre Setembro e Abril, se der preferência a tomar banho nos riachos e cachoeiras, que vão então estar no máximo da sua pujança. De qualquer forma, é bom que se diga, se não dispuser de muito tempo, ou não tiver virado para grandes caminhadas, em poucas horas vai conseguir atingir mirantes como o da serra Morena – onde a paisagem é particularmente impactante pelo recorte abrupto da espinha dorsal da serra do Espinhaço, pelas árvores retorcidas e pelos blocos de granito apontados a oeste devido ao movimento das placas tectónicas – ou chegar junto de cachoeiras como a de Baixo, Grande ou Véu da Noiva.

Mais a norte, Diamantina encanta pela sua arquitectura colonial, com casarões que surgiram no apogeu do ciclo do diamante, a sua cozinha rústica, com o feijão tropeiro, e o seu apego à música
Quem quiser ver mais, e melhor, vai ter de se esforçar. Tendo como ponto de partida Conceição do Mato Dentro, vários guias saem com grupos em direcção a algumas das cachoeiras mais bonitas do Brasil, como a do Tabuleiro, do Rabo--de-Cavalo ou do Peixe-Tolo. Por agora, contento-me em passar pela Fazenda do Cipó Velho antes de deixar o parque. Dona Antónia e dona Maria Fabíola, as duas irmãs octogenárias, recebem com inegável gosto quem chega de Portugal, uma terra que nunca pisaram mas que amam e respeitam ainda assim. Observo o mesmo cuidado na forma como preservam o acervo da família, descendente dos primeiros bandeirantes que ali chegaram no início do século XIX. Entre a casa grande e as senzalas, as tristes senzalas onde ficavam os negros, deixo-me ficar por um instante à sombra do seu pomar. Não tarda, depois de um almoço com comida caseira ao gosto dos antigos tropeiros (os comerciantes itinerantes que asseguravam o transporte de mercadorias no lombo das suas mulas) em Conceição do Mato Dentro, espera-me um trecho de terra batida, e particularmente sinuoso, até Serro.

De Serro a Diamantina são 85 quilómetros, pelo que mais vale fazer uma paragem para esticar as pernas. O seu casario colonial alegre distrai as vistas, mas o que atrai mesmo muita gente de fora é o seu queijo regional, que pode ser comprado na Cooperativa de Produtores Rurais. Poupo energias para as ladeiras de Diamantina e deixo o Serro sem subir os 58 degraus da igrejinha de Santa Rita.

Diamantina possui à sua volta várias atracções dignas de nota, como é o caso de Biribiri
Chego a Diamantina, após mais de 300 quilómetros de estrada (de avião teria levado pouco mais de meia hora) ainda a horas de tomar o chá da tarde que, diariamente, é servido na mesa comum junto ao fogão de lenha da Pousada Relíquias do Tempo. Aprecio a coincidência de ter chegado precisamente no dia em que a pousada, antes casarão da família da proprietária, comemora oito anos de vida, mas fico cismado com o facto de as ruas à sua volta levarem o nome de Macau – afinal, que ligação poderá ter Diamantina a Macau? Escuto mais tarde a explicação possível de que o encarnado de algumas fachadas, cor pouco usual por estas bandas, poderá remeter-nos para a antiga possessão portuguesa no Oriente. Não fico totalmente convencido, mas, à falta de melhor, resigno-me.

O que mais encanta em Diamantina é a forma como o seu centro histórico foi preservado
Diamantina, como o próprio nome já sugere, teve muita da sua prosperidade, ainda hoje possível de avaliar graças ao elevado número de casarões e de igrejas, assente no ciclo do diamante, a mais cobiçada das pedras preciosas, que começou a ser despachado no século XVIII às toneladas, primeiro pelos caminhos tortuosos da Estrada Real até ao Rio de Janeiro, depois por mar, para Portugal. Sendo uma das cidades históricas mineiras melhor preservadas, e certamente a mais bonita, é claro que não lhe faltam atracções dignas de registo – algumas das quais associadas a figuras ilustres da cidade como Chica da Silva, a escrava que, não contente em ser amante do contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, ainda quis ter a sua corte e um “mar” só para si; ou Juscelino Kubitschek, quiçá o mais amado dos presidentes brasileiros, que ali passou a sua meninice e adolescência; mas, se me permitem a franqueza, eu diria que o melhor a fazer para lhe tomar o pulso é mesmo tentar imiscuir-se o mais possível da sua vida quotidiana. O que passa, por exemplo, por ir sexta à noite, como os jovens universitários, ou sábado de manhã, como a cidade em peso, à Praça do Mercado – antigo reduto dos tropeiros que, diz-se, poderá ter inspirado o Palácio da Alvorada, em Brasília, desenhado por Niemeyer –, onde ficam os bares, os músicos e uma feira deliciosa de produtos regionais.

Entre banhos
Assegure-se de que, quando for a Diamantina, lhe sobra tempo para ir a Milho Verde e a Biribiri. O primeiro é um vilarejo, entre Diamantina e Serro, que foi descoberto no século XVIII por garimpeiros em busca de ouro e diamantes. Mais tarde, já na década de 1980, vieram as comunidades hippies em busca de sossego e de uma forma de vida alternativa, mas o segredo não durou muito e, hoje, o lugar é já muito frequentado por turistas que ali chegam atraídos pelas cachoeiras e pela bela paisagem da serra do Espinhaço. Por sua vez, na estrada que liga Diamantina à vila de Biribiri ficam as cachoeiras da Sentinela e dos Cristais, com uma frequência popular durante os fins-de-semana mais congestionados, mas que podem ser desfrutadas, como aconteceu comigo, sem ninguém por perto durante a semana. Visto de cima, o conjunto de casas e igreja de Biribiri, pintadas de branco e azul, transmite, desde logo, a sensação de um vale adormecido. No que já foi uma fábrica de tecidos no século XIX, esta vila possui ainda algumas famílias que arrendam casas aos turistas e, desde Março, conta também com um agradável restaurante, o Na Terra, com cachaça da roça, cerveja sempre gelada e comida mineira servida dentro e fora de portas.
Mas há mais. Se Diamantina vibra no Carnaval ou na Semana Santa, há outro evento no seu calendário que deixa, senão a cidade, a Rua da Quitanda totalmente lotada nas noites de sábado entre Março e Outubro. Estou a falar da Vesperata, sem dúvida alguma a maior manifestação musical de Diamantina, que consiste em colocar várias bandas, comandadas por um maestro que fica no meio dos espectadores, a tocar desde marchas militares a bolero e temas do cancioneiro popular nas sacadas dos casarões circundantes. É um momento mágico que ninguém esquece.

Mas com ou sem Vesperata, a Rua da Quitanda é um ponto incontornável de encontro, graças a bares muito disputados como o Cuiabá, A Baiuca ou o Apocalipse Point, que distribuem como podem as mesas e cadeiras pela ladeira a pique. Em noites de fim-de-semana, muitos dos estudantes universitários de Diamantina marcam o ponto ali antes de rumar a outros antros da (sua) perdição.

Não muito longe, com acesso à Praça do Mercado, o Beco da Tecla conquistou-me definitivamente. Claro que babei com uma picanha deliciosa na pedra no Recanto do Antônio, claro que gostei da ideia de se somar um café simpático à acolhedora livraria Espaço B, na porta ao lado, que fica aberto até de madrugada (conceito semelhante no Bar do Nonô, a funcionar na Casa de Juscelino Kubitschek), mas o que valeu mesmo a pena, ao ponto de me ter feito pular cedo da cama, foi não ter falhado a actuação dos seresteiros, músicos populares, a que se junta ainda Dona Ambrosina e suas Pastorinhas, meninas de 6 a 10 anos a provar que é de pequeno que se começa a ganhar o gosto pelos acordes. Há anos que, nas manhãs de domingo, cumprem este ritual. E há anos que Diamantina é assim: uma cidade que não sabe, nem quer, viver sem música no coração.


Tiradentes e São João del Rei
AS RIVAIS
Um roteiro pelas cidades históricas mineiras não fica completo sem uma incursão mais a sul, onde as grandes atracções são Tiradentes e São João del Rei

Tiradentes tem na igreja de Santo António uma das suas maiores riquezas. Fechada durante anos para restauro, a igreja reabriu em todo o seu esplendor e possui agora um interessante espectáculo de luz e som
A partir de Belo Horizonte nem chegam a ser 200 quilómetros, mas o facto de um trecho do percurso ser muito frequentado durante a semana por camiões que circulam entre Minas e o Rio de Janeiro baralha muitas vezes as contas. Sobretudo se, como eu, fizer questão de parar em Lagoa Dourada, a cerca de 40 quilómetros de Tiradentes, uma localidade sem encanto aparente não fosse uma particularidade que a colocou no mapa: ali se produz o rocambole mais famoso do estado. Para quem não sabe, o rocambole é uma torta recheada com doce de leite (simples ou com sabores de frutas) e pode ser devidamente degustado na Padaria do Jaci.

No centro histórico de Tiradentes, que se resume a três ruas principais, não circulam carros e foi mantido o pavimento em lajes de pedra. A sua composição é tão harmoniosa, com o verde da serra de São José a abraçá-la e o “barulhinho bom” do riacho a correr junto ao chafariz do século XVIII, que quase me sinto tentado a tocar no casario airoso para ver se é de verdade ou se se desmancha como papel machê. Tamanho cuidado na preservação – fruto de empenho, é certo, mas também obra do acaso que ditou o seu “esquecimento” por quase dois séculos – é motivo de regozijo, mas há quem se interrogue se a cidade, sobretudo desde que foi tomada pelos forasteiros, não parece hoje mais um cenário do que um lugar para viver.

Ronaldo Nascimento, no atelier Fazendo Arte, pertence à nova geração de escultores que ajudam São João del Rei a preservar os seus pergaminhos históricos
Com o foco claramente apontado para o turismo, Tiradentes está para Minas como Paraty está para o Rio e São Paulo. Destino por excelência de fim-de-semana, Tiradentes tem, para a sua pequenez, um contingente impressionante de pousadas charmosas, restaurantes, lojas e ateliers de artesanato. A maioria desses empreendimentos, para não dizer a totalidade, está nas mãos de gente de fora, vinda de outras partes do Brasil, mas também do estrangeiro.

Claro que as pessoas ainda vêm para admirar a minúcia de detalhes da Matriz de Santo António – cuja fachada foi atribuída a Aleijadinho, mas que surpreende pela riqueza dos seus altares folheados a ouro ou pela sonoridade do órgão português de 1788 – ou para ver a vida passar no Largo das Forras, assim chamado por ser ali que, outrora, as escravas alforriadas montavam as suas quitandas para sobreviver. Porém, são cada vez mais aqueles que chegam para tirar proveito da sua vida cultural e até boémia, com direito a frequência GLS no Fellini, aberto até às sete da manhã.

Isto sem falar em dois eventos anuais que, por si sós, atraem multidões a Tiradentes. O primeiro acontece logo em Janeiro, dedicado ao cinema, ao passo que Agosto foi o mês eleito para realizar o Festival de Cultura e Gastronomia, com direito a presença habitual de chefs ilustres como Alex Atala, do D.O.M de São Paulo. Aliás, é muito curiosa esta ligação de Tiradentes à alta cozinha, o que faz dela um pólo gourmet capaz mesmo de suplantar Belo Horizonte. Disso mesmo é exemplo o famoso Tragaluz, cuja anfitriã, Zenilca, não tem quase já paredes livres para colocar os retratos de todos o famosos – de Caetano Veloso a Fafá de Belém, sem esquecer Fernanda Montenegro – que por ali passaram e passam. Muito mais recente é o Santíssima Gula, situado no morro de Tiradentes, junto à igrejinha da Santíssima Trindade. Nancy, que tinha o seu buffet no Rio de Janeiro, largou tudo para abrir uma casa, que é também a sua morada, onde só se atende por encomenda. Não é algo inédito na cidade, mas é uma excelente oportunidade para degustar uma cozinha refinada, cobiçar a mesa comum que mandaram fazer em homenagem ao dramaturgo brasileiro Ariano Suassuna (O Auto da Compadecida) e prolongar o serão à conversa como se estivéssemos em casa de amigos. Mais simples, mas igualmente deliciosos e bem mais em conta, são os canudinhos de doce de leite, entre muitas outras coisas, do Chico Doceiro, no número 74 da Rua Francisco P. de Morais. Tiradentes e os arredores (ver caixa) são, aliás, uma perdição para as compras. Muitas lojas de artesanato exibem nas janelas as trigueiras “Namoradeiras”, as bonecas que parecem saídas de um poema do mineiro Carlos Drummond de Andrade, mas em quase todas elas vai não só encontrar o que é típico da região, mas também mobiliário e peças decorativas de autor.

Tiradentes está para Minas Gerais como Paraty está para o Rio e São Paulo. Destino por excelência de escapadas, pousadas como a Pequena Tiradentes estão sempre lotadas; à esq.: maria-fumaça
A vida é cheia de ironias e uma delas é que o herói da Inconfidência Mineira, e ao qual Tiradentes deve o seu nome, nasceu numa fazenda nas cercanias da rival São João del Rei, cidade vizinha. O que não é motivo para esta última ficar ufana, pois, de ano para ano, e não obstante os seus pergaminhos históricos, tem vindo a perder protagonismo para Tiradentes e, do ponto de vista turístico, pode-se dizer, correndo o risco de ferir susceptibilidades, que vive à sua sombra.

Em nome do progresso, São João del Rei rendeu-se ao asfalto – cedência que os puristas jamais lhe vão perdoar –, mas são muitos os forasteiros que ainda se mostram dispostos a abdicar da rapidez para ali chegar como antigamente. A bordo da maria-fumaça, a velha locomotiva preservada com brio, os 13 quilómetros que separam as duas cidades levam pouco mais de meia hora a percorrer, mas as carruagens nem sempre são suficientes para os que chegam em cima da hora e sem bilhete reservado. Mais do que a paisagem, por entre a serra de São José e ao longo do leito do rio das Mortes, vale a nostalgia de fazer uma viagem no tempo. Essa sensação, ainda que longe de poder ser equiparada ao centro histórico de Ouro Preto ou até mesmo de Mariana, mantém-se quando caminho pela cidade.

Mala cheia
A Tiradentes e a São João del Rei não faltam lojas muito tentadoras, mas é nos seus arredores que podem ser encontrados pólos mais autênticos – e, mediante alguns casos, mas nem sempre garantido, preços melhores por contactar directamente com os artesãos –, como as rendas e cachaça artesanal de Coronel Xavier Chaves, a esculturas em pedra- -sabão e granito à entrada de São João, as esculturas de animais da família Julião em Prados ou ainda as colchas tecidas à mão de Resende Costa. Nada, porém, que se possa comparar à variedade, e qualidade, do artesanato e mobiliário que se encontra em Bichinhos, uma localidade a oito quilómetros de Tiradentes (não queira ir em dia de chuva, pois parte da estrada é em terra batida!). Tudo começou na década de 1990 com a implantação da agora célebre Oficina de Agosto, que abriu caminho para muitos outros artistas plásticos e artesões que ali se têm vindo a fixar. É um lugar sui geneiris, onde começa também a haver oferta de pousadas e de restaurantes regionais afamados como o Pau de Angu, mais caro, ou o Tempero da Ângela, simples mas delicioso.
São João del Rei cresceu, mas nas suas ruas e vielas mais recolhidas, ladeadas por solares e sobrados do século XIX, respira-se ainda uma pacatez lânguida própria de quem não perdeu a dimensão humana. E, no entanto, em cada uma das suas igrejas, mestres e aprendizes tentaram sempre superar-se e alcançar a escala divina. Há várias, mas nenhuma chega aos pés da Igreja de São Francisco de Assis. Escoltada por garbosas palmeiras-imperiais, é o tipo de construção capaz de fazer um ateu levantar os olhos do chão. Aliás, é aconselhável que o façam logo à entrada, ao trespassar a portada. No altar-mor, o estilo predominantemente rococó disputa atenções com o lustre Baccarat, oferecido por D. Pedro II durante uma visita oficial à cidade. Para grande pena minha falho a missa com música barroca, que sempre acontece aos domingos de manhã, mas declino sem grandes remorsos a visita ao túmulo de Tancredo Neves, que se encontra no cemitério dos fundos.

Na Quaresma, é comum encontrar o chão junto às igrejas pejado de rosmaninho seco, da mesma forma que os altares das várias capelas se enchem de flores. A Paixão de Cristo, revivida com fervor litúrgico pelos mineiros, é um dos momentos altos do calendário local, mas, seja em que altura do ano for, quem vem de fora interrogar-se-á por quem os sinos dobram. Sim, por muito que os tempos tenham mudado e as formas de comunicar também, em São João o repicar dos sinos contém mensagens apenas inteligíveis para os que foram iniciados nos seus mistérios. “Cheiramos a mofo e a incenso”. Ronaldo Nascimento, escultor de arte sacra, resume numa frase lapidar a forma como o passado continua tão presente em São João. Sem recurso a uma escola de belas-artes, Ronaldo tornou-se autodidacta na arte de trabalhar madeiras nobres como o cedro, perpetuando assim uma tradição que fez e faz escola por ali. São vários os ateliers e lojas de arte sacra, mas sem dúvida que o Fazendo Arte, misto de oficina e de showroom, é um dos mais interessantes, talvez por nos fazer acreditar que, mais do que presente, o passado tem futuro.

COMO IR
Os novos voos directos da TAP (www.flytap.com) para Belo Horizonte, a capital do estado de Minas Gerais realizam-se, nos dois sentidos, às segundas, quartas, quintas-feiras, sábados e domingos (o voo tem duração aproximada de nove horas), a partir de €1029,92 (taxas incluídas). Mas se BH merece uma visita, outra vantagem é a de permitir aos portugueses explorar outras belezas do estado, como especial destaque para cidades históricas como Ouro Preto, a pouco mais de 100 quilómetros de distância.


INFORMAÇÕES ÚTEIS
Formalidades: Passaporte válido Fuso horário: GMT -4 horas (passa a -3h em Outubro) Moeda: 1 Real vale cerca de €0,43. Pode levantar dinheiro nos ATM do Bradesco (e pouco mais), mas atenção que só funcionam até às 22h. A maioria dos cartões de crédito é aceite.

TRANSPORTES
Do Terminal Rodoviário (www.pbh.gov.br/rodoviaria), no centro da capital, saem diariamente autocarros para diversos pontos de Minas Gerais e do Brasil. A maioria das estradas mineiras ainda deixa muito a desejar, sendo também bastante intenso o tráfego nos trechos de ligação com o Rio e São Paulo. Para sua maior comodidade, pode recorrer, à partida de Portugal, a pacotes combinados que incluem passagem por cidades históricas como Ouro Preto e Tiradentes (ex. “Circuito Ouro e Café” da Top Atlântico, www.topatlantico.com, desde €3300). Em Belo Horizonte, há as propostas de empresas como a Trilhas de Minas (www.trilhasde minas.com.br). Por sua vez, a Total (www.total.com.br) efectua voos entre BH e a cidade de Diamantina.

ONDE FICAR
Pousada Mondego
Parte do encanto de fazer um roteiro pelas várias cidades históricas passa pela oportunidade de se poder hospedar em pousadas de charme, a maioria delas a funcionar em antigos casarões recuperados. Tenha, no entanto, em atenção os preços: Tiradentes, por exemplo, cobra em média mais 30% pelo alojamento do que a sua vizinha São João del Rei.

DIAMANTINA
Relíquias do Tempo (Rua Macau de Baixo, 104, pousadareliquiasdotempo.com.br) Casarão do século XIX com museu dedicado ao garimpo e uma cozinha caseira onde ainda se cozinha no fogão a lenha, com direito a receitas de família ao pequeno-almoço e ao lanche. Diárias desde €40.
Pousada do Garimpo (Avenida da Saudade, 265, www.pousadadogarimpo.com.br) Bonita vista para a serra dos Cristais e um restaurante, O Garimpeiro, com chef afamado. Diárias desde €45
OURO PRETO
Relíquias do Tempo
Pousada Mondego (Lg. de Coimbra, 38, www.mondego.com.br) A funcionar num casarão restaurado do século XVIII, possui várias preciosidades como mobiliário de época (ou réplicas executadas a preceito), uma carranca de Aleijadinho ou várias pinturas de mestres conhecidos. Diárias desde €65.
TIRADENTES
Pequena Tiradentes (Av. Governador Israel Pinheiro, 670, www.pequena-tiradentes.com.br) Fica afastada do centro histórico, mas o seu charme compensa essa (pequena) contrariedade. Funciona como showroom de mobiliário e vende também deliciosas compotas à base de doce de leite. Diárias desde €160.

ONDE COMER
Com influências portuguesa, indígena e africana, a cozinha mineira, além de farta, é um regalo para o paladar. Delicie-se com o tutu de feijão, o feijão-tropeiro, a carne de panela, o frango com quiabo, os torresmos e a couve. Nas sobremesas, o doce de leite é rei e senhor.

DIAMANTINA
Tragaluz
Recanto do António (Beco do Tecla, 39) Espaço animado, com as janelas abertas para a rua. Aqui pode comer a boa comida mineira a peso e gastar pouco, ou deixar-se levar pelos petiscos no cardápio.
La Dolce Vita (Rua da Caridade, 147) Fernando recebe com simpatia e o seu cardápio, à base de massas italianas, é uma boa alternativa quando quiser variar.
OURO PRETO
Bené da Flauta (Rua de São Francisco, 32) É, sem dúvida, o restaurante mais bonito de Ouro Preto, tendo como vizinha a Igreja de São Francisco de Assis. Antigo casarão do século XVIII, que já serviu inclusive de atelier ao Mestre Athayde, o Bené capricha na ementa mineira com um toque de autor.
TIRADENTES
Tragaluz (Rua Direita, 52) Há um restaurante famoso com o mesmo nome em Barcelona, mas este de Tiradentes, com a simpática Zenilca por anfitriã, é um caso muito sério no afamado roteiro gastronómico da cidade.
Santíssima Gula (Rua Padre Gaspar, 343 Reservas pelo telefone 0055 32 3355 1162) É preciso reservar com antecedência, mas a chef Nancy recebe-nos no seu “sítio” como se estivéssemos em casa de velhos amigos. Cozinha esmerada para degustar sem pressas.

ONDE COMPRAR
Espaço B
Chocolates Ouro Preto (Rua Getúlio Vargas, 66, Ouro Preto) Um paraíso cheio de tentações sob a forma de trufas com sabores de frutas como maracujá ou abacaxi. Fazendo Arte (Rua Santo Antônio, 75-A, São João del Rei) Não deixe de visitar o atelier de Ronaldo Nascimento, escultor de arte sacra em madeira.

A NÃO PERDER
Minas Gerais possui entre os seus inúmeros atractivos o facto de permitir aos visitantes viver uma experiência inédita, que é a de embarcar numa legítima maria- -fumaça em cinco roteiros à escolha. Com um custo médio de cerca de €10 por uma viagem de ida e volta, a maria-fumaça é uma antiga locomotiva, com carruagens originais, que viaja diariamente entre Belo Horizonte e Vitória, a capital do Espírito Santo (muitos só fazem o passeio de 80 quilómetros até Barão de Cocais); aos sábados e domingos entre São Lourenço e Soledade de Minas ou entre Passa Quatro e Manacá; e de sexta a domingo entre Ouro Preto e Mariana ou entre São João del Rei e Tiradentes.

MAIS INFORMAÇÕES
Consulte os sites www.turismo.mg.gov.br (Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais), www.cidades historicasdeminas.com.br (informação oficial sobre as cidades históricas), www.descubraminas.com.br ou www.viajeaqui.com.br (sítio do prestigiado “Guia Quatro Rodas”). Livros: compre o Guia Quatro Rodas 2008 sobre Minas Gerais.


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