Tema
de Capa
O abraço do Sol e do Mar
O sector do turismo constitui o segundo maior recurso
económico tunisino. Cada ano quatro milhões de turistas
visitam este país. A maior parte dirige-se a Sousse, Monastir
e Hammamet.
Esta costa está recheada de atracções turísticas
e hoteleiras, mas não só. A sua componente histórica
é também muito importante
Sousse
está situada na belíssima região do Sahel,
que inclui a extensão de costa que vai desde esta cidade
até Sfax. A paisagem desta região é caracterizada
por grandes planícies, pequenos montes e algumas lagoas.
As suas planícies áridas têm sido aproveitadas
para o cultivo das oliveiras, um recurso precioso que, desde a antiguidade,
incentivou o estabelecimento dos povos na área e o desenvolvimento
de numerosas terras e portos que abasteciam Roma e Cartago.
Os
olivais do Sahel criam uma fronteira entre duas regiões importantes
da Tunísia: o deserto, que é mais africano, e a região
mediterrânica, com a sua herança histórica e
cultural. Isto fez com que se cruzassem diferentes culturas e povos
no mesmo território.
Esta costa está recheada de atracções turísticas
e hoteleiras, mas não só. A sua componente histórica
é também muito importante. Os fabulosos vestígios
de outras civilizações com que este povo contactou
e o seu complexo passado tornam a região num ponto de interesse.
As localidades mais importantes deste percurso são Sousse,
a capital do Sahel, e Monastir, uma cidade moderna e muito importante
em outras épocas nos domínios cultural e espiritual.
A
bela cidade de Sousse é um dos destinos favoritos dos turistas
e é conhecida como "a pérola do Sahel".
O seu sucesso junto dos visitantes deve-se às suas praias
de areia fina e águas cálidas e transparentes durante
todo o ano.
Embora esteja pejada de torres e hotéis, Sousse
é também um antigo porto com numerosos interesses
históricos, culturais e artísticos. A estrutura e
organização de Sousse é tipicamente tunisina,
com o seu imponente e belo ribat (mosteiro fortificado). Outros
monumentos importantes são o nador, uma torre majestosa,
a Grande Mesquita, que se assemelha a uma fortaleza, o kasbah (alcáçova)
e o seu labirinto de souks (ruas de comércio) onde pode encontrar
de tudo um pouco.
Centro histórico
Um
passeio pela zona antiga da cidade é um momento inesquecível.
As ruas são incrivelmente labirínticas e os comerciantes
espreitam em todas as esquinas. O comércio e as habitações
juntam-se num amontoado de casas e ruelas. Fora da confusão
dos souks, embora a ele encostado, está um bairro antigo,
com pequenas casas que, na sua aparente confusão, constituem
um todo harmonioso. A primeira impressão de quem chega é
que é muito fácil uma pessoa perder-se. No entanto,
basta descer as ruas para se chegar com rapidez ao centro e à
Grande Mesquita. É um momento ideal para apreciar a arquitectura
tradicional e as gentes locais, de caras bonitas e olhares simpáticos.
Depois do passeio, uma limonada sabe sempre bem na esplanada.
A
medina de Sousse está rodeada de muralhas e fica situada
no local da antiga cidade Hadrumetum, fundada pelos fenícios
no século xix
a. C. Este povo fez de Hadrumetum um dos mais importantes centros
comerciais do Mediterrâneo. Mais tarde, Sousse tornou-se numa
das principais cidades púnicas. Entre os anos de 98 e 117
da nossa Era, sob o comando de Trajano, tornou-se numa colónia.
Tempos depois, foi a capital da província de Bizacena e um
importante centro cristão.
Mesmo
durante os vários períodos de domínios aos
quais foi sujeita, a cidade de Sousse manteve a sua importância.
Tanto sob o domínio dos Vândalos que lhe chamaram Hunericopolis,
como durante o período bizantino com o nome de Justinianopolis.
Contudo, os árabes não podiam deixar esta localidade
nas mãos dos infiéis e, depois de várias lutas,
tomaram posse dela.
Até ao século xix, já com o nome de Sousse
(de origem berbere), a cidade desenvolveu-se como porto da capital
da região, Kairouan. Mesmo assim, não resistiu às
invasões de diferentes povos.
Actualmente,
a cidade é a sede do Governo. Às suas actividades
administrativas e governamentais vieram juntar-se os atractivos
turísticos, o que levou ao seu desenvolvimento económico.
O crescimento de Souse faz com que a cidade se estendesse para norte
até ao porto de el-Kantaoui, onde está situada a luxuosa
marina e dezenas de hotéis.
Turismo e cultura
Monastir
era conhecida, em tempos remotos, pelo nome púnico de Ruspina.
O seu nome actual deriva do latim monasterium, e remete para a época
em que esta zona estava sob o poder dos bizantinos que aqui construíram
um mosteiro. Mais tarde, na época árabe, a cidade
foi aumentada, tendo sido construído um ribat que definia
claramente Monastir como um lugar de natureza espiritual e intelectual,
sendo um importante centro de oração e estudo.
No
século xi, tornou-se na cidade santa da Tunísia, logo
a seguir a Kairouan. Até ao século xiv, a ganhou importância,
chegando a ter 37 mesquitas e cinco ribats. Quase todos estes monumentos
foram destruídos em 1960 sob ordens do então primeiro-ministro,
com o objectivo de equipar a cidade com edifícios modernos.
Hoje em dia, Monastir é um importante centro turístico
na Tunísia, situada perto do grande aeroporto e repleta de
hotéis.
A
história da cidade concentra-se no seu ribat, construído
no século viii para defender o Norte de África dos
cristãos. Foi erigido como um meio de defesa, sob o comando
do califa de Bagdad Haroun as-Raschid. Trata-se de uma grande fortaleza
dentro de outra fortaleza. A forma presente do edifício é
fruto de remodelações consecutivas levadas a cabo
desde os séculos viii aos xii.
Dentro do ribat está um museu que alberga uma colecção
admirável de antigos manuscritos Kufic, peças de cerâmica
e iluminuras. Estes documentos são testemunho do papel de
importância cultural que o edifício desempenhava.
Monumento
Outro
dos ícones mais importantes de Monastir é o Mausoléu
da Família Bourguiba, construído em 1963. Uma estrada
larga dá acesso a este monumento que é facilmente
visível de longe. As suas cúpulas trabalhadas e coloridas
chamam a atenção. Dois grandes minaretes (espécie
de torres) ladeiam a entrada frontal do mausoléu. Em frente
do portão da entrada, encontramos uma praça rodeada
de colunas de mármore. A decoração do mausoléu
consiste num belo friso de estuque na parte superior das paredes,
coberto de mármores coloridos de motivos geométricos.
Habib
Bourguiba nasceu em 1903 e foi um participante activo na luta contra
o colonialismo. Quando a Tunísia conquistou a independência
da França, Bourguiba foi eleito o primeiro presidente da
República da Tunísia em 1957. Desde esse momento o
presidente resolveu embelezar a sua cidade natal com novos edifícios
que, infelizmente, levaram à destruição de
um terço da Medina antiga. É por isto que Monastir
tem uma aparência tão moderna. No entanto, parte do
seu centro histórico é ainda visível, com os
seus souks, áreas públicas e religiosas e bairros
residenciais. Dentro da sala que alberga o sumptuoso túmulo
de Habib Bourguiba, o aroma de jasmim envolve os visitantes numa
aura de espiritualidade.
Prazeres estivais
Cap
Bon é uma península na extremidade nordeste da Tunísia,
virada à Sicília. Segundo estudos científicos,
este pedaço de terra pertenceu em tempos à Europa.
A estrada que liga Tunes a Hammamet era então um canal de
água.
A costa voltada a sul apresenta uma considerável extensão
de praias. O lado norte caracteriza-se pelos seus altos penhascos.
É imprescindível visitar a costa baixa e fértil
de Kelibia e Kerkouane, ao longo de El Haouaria, com os seus precipícios
impressionantes de onde se pode ver (em dias muito especiais) a
costa da Sicília, a 140 quilómetros de distância.
Mais a sul, Hammamet é um destino de praia eleito por grande
parte dos turistas.
É
certamente um dos símbolos mais conhecidos da Tunísia
no estrangeiro. As suas praias de areia branca e fina, o céu
sempre azul, o sol e as palmeiras do local, fazem parte do imaginário
colectivo das praias paradisíacas. Não são
poucas as celebridades que elegeram Hammamet como o seu local preferido
de férias. Desde pintores, arquitectos, políticos,
actores, escritores e muitos outros. Por exemplo: Winston Churchill,
Oscar Wilde, Georges Bernanos, André Gide, Paul Klee, Frank
Lloyd Wright e Sofia Loren.
Passado
Ao longo da costa de Hammamet podemos encontrar numerosos testemunhos
da sua história muçulmana. Organizada em redor do
seu forte, que remonta ao século xv, esta povoação
pesqueira apresenta paisagens de água e céu que envolvem
os seus célebres jardins de jasmim e laranjais.
Situada
estrategicamente numa colina entre duas baías protegidas,
a vila conheceu a sua primeira fortificação em 904,
com os romanos. Mais tarde foi invadida pelos Normandos e os Haicidas,
tendo sido frequentemente atacada pelos corsários. As lutas
entre estes e os espanhóis deram origem a muitos combates.
Depois de um passado histórico sangrento, em 1952, Hammamet
acordou para o turismo e, desde então, as únicas lutas
têm sido entre os banhistas... por um espaço à
sombra na praia.
Uma outra curiosidade faz a diferença desta povoação.
É que a mesma esteve na vanguarda do movimento conservacionista.
Os regulamentos de planificação da cidade estipulam
que nenhum edifício deve ser mais alto do que um cipreste.
Actualmente é um burgo tão virado para o turismo que
está repleto de lojas e de vendedores. Por todo o lado encontram-se
turistas das mais variadas partes do globo terrestre. Em resultado
disto, a cidade descaracterizou-se um pouco, embora mantenha a sua
beleza. Hammamet é um bom porto e tem todas as comodidades
de um grande centro urbano. Por outro lado, fica perto de outros
locais de interesse como Tunes, Kairouan e outras localidades em
Cap Bon.
O
Golfo de Hammamet apresenta quilómetros de praias de areia
fina e águas transparentes. Ao longo destas, os belos jardins
são uma constante. Os hotéis estão sempre cheios
e os turistas podem diversificar as suas actividades com os desportos
aquáticos, o folclore, exposições, festivais
culturais e outros divertimentos.
Se visitar esta cidade não pode deixar de percorrer o Suq
el-Khemis, o mercado semanal, que decorre todas as quintas-feiras.
Beleza
intrigante
El
Haouaria é um local digno de visita. Para além de
possuir das mais belas paisagens marítimas, apresenta pormenores
invulgares de intenso dramatismo visual como as grutas das pedreiras
romanas. No extremo norte de Cap Bon, virada a ocidente, El Haouaria
situa-se junto à montanha Jebel Abiod. À beira do
mar encontram-se imponentes rochedos e falésias de pedra
recortada e esculpida pela erosão. Os efeitos cromáticos
e de volume dão ao local uma aparência estranha, bela
e fantástica. É aqui que podemos contemplar as antigas
pedreiras romanas. São quatro galerias interligadas que dão
origem a uma série de cavernas. Vale a pena percorrer estas
construções e apreciar a estranheza da estrutura.
O sol entra por algumas fendas provocando efeitos dignos de um filme
de ficção científica. Os morcegos são
os habitantes mais visíveis deste habitat, pelo que conferem
ao ambiente um toque de mistério. Se observarmos com atenção,
ainda podemos observar as marcas da extracção de pedras,
efectuada pelos povos romanos. Vale a pena a visita.
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