Tema
de Capa
Cores, brilhos e sabores
Os labirintos dos mercados tunisinos são
uma boa desculpa para se perder
e dar largas à carteira, conhecendo um pouco da vida deste
povo
Nas cidades mais turísticas, os mercados são mais
variados e prolifera
o artesanato. Ao entrarmos nos souks da medina de Tunes, por exemplo,
temos a clara sensação de estarmos num outro mundo
O
desporto mais popular na Tunísia é o regateio. Trata-se
de uma actividade que faz parte do quotidiano. Qualquer turista
que se preze tem de regressar ao seu país com uma boa história
de como conseguiu algo por uma pechincha com uma bela sessão
de regateio. De facto, os mercados são verdadeiros símbolos
da cultura e da vida tunisina. A variedade de produtos, artesanato,
cores e aromas que se podem sentir nestes locais é fascinante.
E, claro, os preços são geralmente muito atraentes.
Em
quase todas as terras existe uma concentração de pequenos
mercados ou ruas de vendedores. Aqui podemos perder-nos horas sem
fim. As sensações que nos chegam de todos os lados
ao percorrer os souks são tantas que se torna difícil
descrevê-las. À primeira vista, e assim que se chega
ao primeiro ajuntamento de bancadas, parece que é tudo uma
grande confusão e que todos os produtos estão amontoados.
Mas, num segundo relance, aprendemos a distinguir as coisas no meio
de todas as cores e brilhos. Isto se tivermos tempo para isso. É
que os vendedores não perdem tempo e chegam-se a nós
com as suas propostas de vendas (algumas bem tentadoras) enquanto
o Diabo esfrega um olho.
O
melhor que os mercados têm para oferecer é o artesanato
local. O tunisino não é muito variado, mas é
muito colorido e interessante. Desde a cerâmica aos latões
trabalhados, tudo se pode encontrar a preços convidativos
para quem souber negociar.
Técnicas e estratégias
Quando
se quer comprar algo, o melhor é ir com uma estratégia
já pensada. Pergunte o preço. Não se assuste
se este for exageradamente alto, pois trata-se apenas de um convite
ao negócio. Faça uma contra-oferta: paga um terço
do valor proposto. A partir daí é um jogo de cintura
para ver quem ganha. Não se acanhe. Os próprios vendedores
provocam o regateio. Se o lojista não baixar muito o preço,
insistindo numa alta quantia, experimente virar as costas e dizer
que se vai embora, que já não está interessado.
Geralmente, a atitude muda radicalmente e o preço baixa milagrosamente.
Não se esqueça: um
bom preço é, geralmente, um terço do valor
inicial. Por isso, não exagere, pois poderá ser tratado
desdenhosamente. Pode também experimentar juntar um grupo
para comprar vários artigos do mesmo género e assim
conseguir uma boa redução.
Se
não gostar deste tipo de abordagem (sempre garantida com
todos os vendedores) pode dirigir-se a um Office National de l'Artisanat.
Trata-se de uma espécie de centro comercial de artesanato
com todos os artigos a preços fixos e com certificação
de qualidade. Aqui os preços são mais baixos do que
os inicialmente propostos nos souks, mas nestes últimos pode
conseguir com que fiquem ainda mais baratos.
Variantes
Os
mercados das localidades mais pequenas vendem sobretudo produtos
alimentares, de higiene e objectos utilitários. Aqui sente-se
o cheiro forte das especiarias, que são vendidas em grandes
sacos abertos. O conjunto de sacos de especiarias em exposição
transforma o local, dando um colorido e um aroma que desperta os
sentidos. Se procurarmos com atenção podemos encontrar
objectos e produtos invulgares como uma pasta à base de lama
que serve para pôr no cabelo, misturada com água.
Nas
cidades mais turísticas, os mercados são mais variados
e prolifera o artesanato. Ao entrarmos nos souks da medina de Tunes,
por exemplo, temos a clara sensação de estarmos num
outro mundo. Muitos deles são em túneis com janelas
no topo, por onde penetra a luz do dia em feixes que transmitem
uma luminosidade ténue e muito característica. Por
todo o lado somos assediados pelos vendedores. Perguntam se somos
italianos ou espanhóis e quando dizemos que somos portugueses,
têm logo resposta na ponta da língua: "Luís
Figo!!!" Alguns chegam a ter postais dos clubes de futebol
de todos os países,
para depois mostrarem aos turistas que conhecem algo do seu país,
dando largas a uma apreciável e curiosa forma de marketing.
Um dos vendedores mencionou também o nome de Mário
Soares. Alguns destes indivíduos podem ser desagradáveis,
mas a grande maioria é muito simpática e divertida,
apenas querendo fazer negócio (ou seja, regateio).
Os
aposentos do antigo rei situavam--se onde actualmente estão
os souks de Tunes e podemos observar inúmeros vestígios
a eles relativos. No meio disto tudo existe um café ricamente
decorado, pois os seus donos mantiveram o aspecto original de um
dos quartos do rei.
Na
medina de Sousse existe uma perfumaria artesanal extremamente interessante.
O alinhamento de frascos de vidro com líquidos de todas as
cores e os aromas que eles exalam chamam a nossa atenção.
O dono da perfumaria sorri e, feliz, mostra as fotografias dos seus
familiares que se encarregaram do estabelecimento antes dele. É
um negócio de família. Mas o que realmente chama a
atenção é a sua simpatia e os vidrinhos de
cores. O mercado de Sousse é um dos mais agradáveis,
sendo mais arejado do que o de Tunes.
Em busca da compra
ideal
O
artesanato local é muito procurado pelos visitantes e merece
uma olhadela atenta, pois a decoração das peças
recorre a uma grande multiplicidade de motivos. Os melhores objectos
que pode encontrar são as peças de couro, a bijutaria
e joalharia (sinta o perfume do jasmim nas ourivesarias tradicionais),
o metal trabalhado, as gaiolas, o vestuário e os tapetes.
A
tapeçaria é uma actividade muito antiga na Tunísia
e foi introduzida no país pelos turcos. Os melhores tapetes
são feitos em Kairouan, Sousse e Hammamet. Os mais populares
são os de tons geo-métricos e cores fortes. No entanto,
há tapetes para todos os gostos. Os da região de Gafsa
e Gabes também são muito procurados pelas suas cores
e motivos que podemos observar nas pinturas que Paul Klee fez aquando
da sua visita à Tunísia. Os preços são
tentadores e os vendedores recebem muito bem os compradores, convidando-os
a beber um chá de menta enquanto o cliente escolhe e, como
é da praxe, discute preços.
Das
peças em couro que existem nos mercados e lojas, as mais
procuradas são as malas, as carteiras e poufs. Têm
cores atraentes, mas muito pouco de tradicional. São, no
entanto, uma boa compra. As caixas e tigelas em madeira de oliveira
são também peças de artesanato interessantes.
Para além destas, são abundantes também as
peças em latão trabalhado, de extrema beleza, e as
famosas gaiolas em madeira e arame brancas ou azuis, com o seu trabalhado
característico. O souvenir mais económico é
a cerâmica e existe uma variedade enorme de peças,
com os motivos tradicionais mais dispersos. Os
vestidos, os perfumes fortes obtidos através das flores da
região e os bordados emprestam aos mercados cores e cheiros
difíceis de esquecer e são boas compras. São
também de referir os divertidos fantoches feitos pelos artesãos
e que se encontram com relativa facilidade.
Por
fim, aproveite para trazer uma mão de Fatma, a filha do profeta.
Existe em todo o lado. Desde braceletes, pendentes, brincos e uma
parafernália de objectos. Diz-se que dá sorte a quem
a possui e protege contra, como convém, o mau-olhado.
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