|
FBNet
> Rotas
& Destinos > No
coração do Zimbabué
Zimbabué
No
coração do Zimbabué
Harare,
capital do Zimbabué, vibra ao ritmo de África, seduz
pelas suas cores e acolhe quem chega com um tom de cosmopolitismo
e uma perfeita conjugação de estilos raros de encontrar
no continente africano.
Harare
é o verdadeiro coração do Zimbabué, facto
bastante visível nas mentalidades dos seus habitantes, com
um cenário profuso em traços colonialistas que se harmonizam
com os altos prédios que a modernidade trouxe.
Centro de comércio por excelência, Harare herdou o seu
nome de eras distantes, pois conta-se que os primeiros habitantes
que ali se fixaram baptizaram esta terra de Ne-Harawa (quer dizer
"Aquele Que Não Dorme" ), em honra do seu
chefe. Com o tempo, porém, a região conheceu outro clã
e com ele outro chefe tribal que se fixou nas suas proximidades. A
colisão de interesses foi inevitável, mas as gentes
recém-chegadas saíram vitoriosas e os ocupantes iniciais
viram-se obrigados a partir. Mais tarde, já em 1890, novos
intrusos da terra se aproximaram. Desta vez, foi a Coluna de Pioneiros
da Companhia Inglesa da África do Sul, liderada pelo major
Frank Johnson. Nessa altura, a região foi eleita como ideal
para fins agrícolas e deram-se as inevitáveis expropriações.
O mesmo ponto viria a ser escolhido como a capital do pequeno país
cujas fronteiras se começavam na altura a delinear.
O Inverno seguinte assistiria à chegada de novos colonos brancos
vindos do Sul, que ali reclamaram a promessa de terras férteis
que viriam a converter em extensas fazendas. O que inicialmente foi
baptizado de Forte Salisbury e que homenageava o então
primeiro-ministro britânico Robert Cecil, marquês de Salisbury
viu-se em 1923 elevado à qualidade de capital colonial.
O ano de 1935 trouxe-lhe, por sua vez, o estatuto de cidade, ao que
se seguiu a Segunda Guerra Mundial e, como não poderia deixar
de ser, as décadas de instabilidade e sanções.
A independência chegou em 1980 e com ela a decisão de
optar por este ponto como a capital da nova República do Zimbabué.
Os nomes voltaram, então, a mudar. Nascia Harare, um retorno
a uma identidade há muito abafada, mas nunca esquecida, agora
a brilhar no coração do Zimbabué mas também
a revelar uma falha na adaptação do nome de Ne-Harawa,
o primeiro chefe que por ali governara.
Cosmopolita
e surpreendente
Visitar
Harare é passear pelo tempo e assistir a um convite do espírito
africano que brilha pela alegria. A cidade pode considerar-se bastante
moderna, com os seus edifícios de surpreendente e elaborada
arquitectura e numerosos parques e jardins. As suas ruas encontram-se
bordejadas de árvores eternamente em flor, que convertem os
pavimentos e as próprias avenidas em túneis que lembram
a cor específica de cada estação do ano
a púrpura do jacarandá, o cor de malva da baunilha e
o vermelho-vivo dos flamboyants.
O clima de Harare é bastante refrescante se pensarmos no continente
em que está localizada. Uma vez que se situa a 1500 metros
do nível das águas, a altitude em que se encontra compensa
a sua latitude tropical, fazendo com que as estações
sejam aqui bastante demarcadas, algo difícil de encontrar em
domínios africanos. A estação das chuvas estende-se
de Novembro a Março e Abril. Contudo, e mesmo no Inverno, o
céu costuma estar límpido, apresentando uma tonalidade
de azul impossível de encontrar em qualquer outro lugar do
mundo. Os meses de Inverno são frios e por vezes trazem consigo
a geada. Esta raramente é suficientemente forte para ameaçar
as plantações mais frágeis, mas as temperaturas
nocturnas afastam de qualquer realidade os insectos que se deixam
atrair pelas colheitas do Verão e deixam saborear com prazer
a companhia de uma lareira.
Passado
e presente em clara harmonia
Um dos sinais que marcam a forte herança cultural e histórica
desta cidade é visível na evidente preservação
dos monumentos mais antigos. Alguns têm vindo a ser protegidos
através do tempo pela sua conversão em edifícios
de interesse público e outros através do investimento
comercial. A Mining Pension Fund Building, na Central Avenue, é
disso um exemplo e, contudo, apenas um dos muitos que se sucedem ao
longo da Robert Mugabe Road, entre a Second Street e a Julius Nyerere
Way. Mas não relevemos o lado moderno de Harare, também
ele impressionante e prometedor.
Existem inúmeros edifícios que merecem, realmente, a
atenção de quem chega (além dos que nos surpreendem
pela elevada estrutura a lembrar o cosmopolitismo do Ocidente, outros
atraem a atenção pelo seu conteúdo). É
o caso da National Gallery e dos National Archives. A primeira alberga
não só uma valiosa colecção como também
é destino de muitas exposições itinerantes a
nível internacional. Conta, ainda, com uma impressionante exibição
de artesanato shona, o que lhe atribui um estatuto ainda mais considerável.
Na verdade, a National Gallery tem vindo a desempenhar um papel crucial
ao longo das últimas décadas no que toca a promoção
de obras de inquestionável valor artístico que ali podem
ser admiradas.
Talvez não tão interessantes para o comum viajante,
mas determinantes e essenciais aos olhos de qualquer historiador ou
investigador, são os diários, livros de anotações
e relatórios que abordam importantes aspectos da vida da Rodésia
e do próprio continente que se encontram nos National Archives.
Também aqui poderão ser apreciados inúmeros trabalhos
que remetem a famosas personagens da época da exploração
de terras africanas.
|
|