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bastidores de Westminster
[Lugares com História:
Os bastidores de Westminster]
São muitos séculos de História
contidos num único sítio. Respeitando um princípio
estabelecido no século XVII, quando a relação
entre a Coroa e os Comuns ia de mal a pior e o presidente da Câmara
jurou lealdade aos representantes do povo e não ao rei, o monarca
é proibido de entrar na Câmara dos Comuns. Mas o poder
da realeza manifesta-se em outras partes do Palácio de Westminster.
No Queens Robing Room, por exemplo, salão onde a rainha
Elizabeth II se paramenta antes de atender à cerimónia
anual de abertura do parlamento, a opulência está nos
menores detalhes da decoração de Pugin. Digna de reis
e rainhas.
Para
chegar à Câmara dos Lordes, onde fica o trono, a soberana
passa (como nós, encantados visitantes) pela espectacular Galeria
Real, cujas paredes são adornadas por valiosas obras de arte
e dominadas por dois gigantescos frescos de Daniel Maclise: um deles
a representar A Morte de Nelson, e o outro, O Encontro de Wellington
e Blücher.
Mas é na Câmara dos Lordes, a Câmara Alta do parlamento,
que o queixo cai de vez. Em absoluto contraste com a simplicidade
dos Comuns, os Lordes legislam no meio do luxo total. O salão
é uma orgia de assentos de couro vermelho, painéis de
mogno, vitrais maravilhosos, preciosos frescos e um inacreditável
trono folheado a ouro. Difícil de descrever sem apelar aos
adjectivos. Coisa de cenário de filme. Depois de ver este salão,
tudo o mais parece perder o brilho. Mas a visita guiada reserva para
o final uma pérola histórica: o Westminster Hall. Da
construção original do Palácio de Westminster
- e estamos a falar aqui do século xi, reinado de Eduardo,
o Confessor - restaram apenas o Westminster Hall e a Jewell Tower
(do lado oposto da rua). A Torre das Jóias, que agora abriga
uma exposição sobre o parlamento, foi construída
por Eduardo III para servir de cofre-forte das jóias da coroa
- mas não faz parte do tour.
Quanto ao Hall, à primeira vista não causa tanto impacto
(principalmente depois de termos sidos ofuscados pela riqueza dos
Lordes). O espaço sofreu algumas alterações nos
séculos xiii e xiv, mas salvo isto mantém intactas suas
características medievais. É um dado que impressiona
quando o visitante se encontra no vão central sob a viga de
carvalho de quase 30 metros de altura. Um verdadeiro feito arquitectónico.
Este grande espaço aberto era o centro administrativo do reino,
fora dos muros da City, e viu o poder mudar de mãos muitas
vezes. Foi ali que Eduardo II abdicou, em 1327, e apresentou seu filho,
Eduardo III como rei; ali o Conselho dos Lordes depôs Ricardo
II, em 1399, e colocou no trono Henrique IV; naquele salão,
Eduardo IV proclamou-se rei em 1649.
O Hall foi ainda palco das festas de coroação dos monarcas
e dos primeiros debates parlamentares. Há 200 anos que é
usado para velórios da família real (Churchill também
foi velado ali), mas, até ao século xix, era ocupado
pela Suprema Corte do país.
Se o visitante prestar atenção, verá algumas
placas no chão a marcar alguns momentos históricos.
Um deles, o local exacto em que o rei Carlos I foi julgado e condenado
à morte. Ao atravessar o Hall, pode-se imaginar a carga dramática
do dia em que a rainha Ana Bolena, uma das mulheres de Henrique VIII,
caminhou sobre aquelas mesmas pedras para receber o veredicto do tribunal.
Condenada por traição (mas, na verdade, descartada pelo
marido por não ter conseguido gerar um herdeiro para o trono),
a rainha recebeu entre as paredes frias deste salão a impiedosa
sentença: perderia a cabeça por decapitação.
Estranhamente,
justiça e comércio conviviam sob o mesmo tecto: os juízes
do tribunal dividiam o espaço do Westminster Hall com inúmeras
barraquinhas que vendiam tudo: de livros e brinquedos a roupas e quinquilharias.
Era um sítio com as portas abertas ao povo. Actualmente, como
que a homenagear o passado, um stand no canto do Hall vende lembranças
da casa. Mas é a única concessão ao comércio.
Fiel à sua vocação de casa do povo, o Palácio
de Westminster continua aberto aos seus cidadãos.
Qualquer britânico que ali chegue e diga que quer ver o seu
Member of Parliament, o seu deputado, é encaminhado à
recepção, que fervilha de gente quando o parlamento
está a funcionar. Se consegue ver o tal deputado é outra
conversa, mas para o turista o deputado é dispensável,
só que o Palácio de Westminster passa a fazer parte
do roteiro obrigatório de quem visita Londres. Com o interesse
que deverá gerar a partir destes tours guiados experimentais,
é provável que os gritos de Order, Order
passem a ecoar pelos corredores do palácio, mesmo quando o
parlamento estiver em recesso.
COMO VISITAR
Palácio de Westminster: St. Stephen's
Entrance, Westminster, SW1. Metro: Westminster. Este ano, a temporada
de visitas guiadas com ingresso pago já terminou, mas há
outras formas de visitar ao menos uma parte do palácio.
Galeria dos Visitantes na Câmara dos Comuns:
para garantir a entrada para os debates dos deputados, é só
fazer entrar na fila junto ao St Stephen´s Gate (portão
na lateral do prédio), com pelo menos uma hora de antecedência.
O horário das sessões varia: de segunda a quarta-feira,
das 14h30 às 22h30; às quintas-feiras, das 11h30 às
19h30; às sextas-feiras, das 9h30 às 15h. Os debates
com a presença do primeiro-ministro (às quartas-feiras,
das 15h às 15h30) não são abertos ao público.
Alternativamente, os interessados podem tentar participar numa visita
guiada ao palácio, mas terão de solicitar um ingresso,
com bastante antecedência, através de sua embaixada em
Londres. www.parliament.uk
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