Vigiar
a quantidade e a qualidade dos líquidos que bebemos é uma medida
básica de sobrevivência, que nunca deve ser negligenciada.
Texto
de Vera Saldanha Ilustração de André Kano
A
água é o elemento dominante no planeta Terra e em todos os organismos
vivos. Cerca de dois terços do corpo humano são água e constituem
um meio líquido que permite a realização de uma complexa rede de reacções
químicas vitais. Estamos constantemente a perder água para o exterior,
através da transpiração, da respiração e do sistema digestivo. Para
assegurar o equilíbrio hídrico do organismo, há que compensar essa
perda através da ingestão de líquidos. Em condições normais, eliminamos
dois a dois litros e meio de água por dia, portanto, é essa quantidade
que devemos repor. Sabendo que os alimentos sólidos fornecem um litro
por dia, resta--nos beber, pelo menos, litro e meio (cerca de oito
copos) de água, chás ou tisanas. A forma correcta de o fazer é em
pequenas quantidades, ao longo do dia, e não tudo de uma vez.
Atenção
O
calor e o esforço físico aumentam a evaporação
da água através da pele e aceleram a desidratação.
Neste caso, é preciso beber mais, tal como em casos de diarreia
ou vómitos. A alimentação também conta:
por exemplo, as dietas ricas em gorduras e proteínas exigem
mais líquidos para eliminar as toxinas. Em viagem, é
preciso estar atento às alterações ambientais
e do estilo de vida para ajustar o consumo às novas necessidades.
Convém vigiar as crianças, que correm mais riscos de
desidratar e nem sempre sabem transmitir os sintomas.
Um ser humano pode estar até 21 dias sem comer, mas não
sobrevive mais de três dias sem beber. As pessoas que não
bebem água suficiente podem sofrer de dores de cabeça,
dificuldade de concentração, cansaço e falta
de resistência física... Uma perda de 2% da humidade
corporal é o suficiente para perdermos 20% da energia física.
Em viagem
O ar seco das cabinas dos aviões é muito desidratante,
por isso deve-se beber bastante água antes, durante e depois
da viagem. Mas o grande risco está nas deslocações
de automóvel sob calor intenso. Quem passeia a pé também
deve levar reservas de água, sobretudo se a caminhada é
longa, se está calor ou se envolve um grande esforço
(montanhismo, alpinismo).
É muito importante vigiar a qualidade da água que se
bebe. A primeira regra de segurança é nunca beber nem
usar água da torneira para cozinhar, sem saber se é
potável. Em caso de dúvida, beba só água
engarrafada e aberta à sua frente. A mesma precaução
aplica-se aos alimentos cozinhados com água e ao gelo. Também
nunca se deve beber água de fontes, rios ou lagos sem ter a
certeza de que é potável. Respeitar os avisos e informações
que encontrar nesses locais é outra regra de ouro.
Comer alimentos ricos em água é igualmente uma boa medida
antidesidratação. Os campeões são os frutos,
como o alperce (85% de água) e o pêssego (87%), os legumes,
como o tomate (91%) e a alface (95%), os cogumelos (90%), o peixe
fresco (80%), os ovos (75%), as batatas (78%) e o queijo fresco (75%).
Água engarrafada
É
a melhor garantia de segurança, quando não se conhece
a qualidade da água. Mas mesmo as águas engarrafadas
têm um prazo de validade, que deve ser respeitado. Uma garrafa
aberta deve ser consumida em 24 horas e deve ser guardada longe da
luz e de fontes de calor, em recipientes limpos e bem fechados.
Beber águas minerais ricas em cálcio, magnésio,
sódio, potássio e muitos outros destes nutrientes é
importante, pelo que o ideal é ler o rótulo das garrafas,
para conhecer o conteúdo, e alternar várias marcas diferentes.
Não
desperdice água A
água é um recurso natural essencial e insubstituível.
Ocupa quase 71% da superfície da Terra, mas só
1% está à nossa disposição, porque
97% é salgada e não serve para consumo, e os outros
2% são glaciares inacessíveis.
Os ecossistemas de água doce estão a deteriorar-se,
ameaçados pelo desenvolvimento. Metade da população
mundial já sofre de escassez de água.
A disputa dos recursos hídricos pode originar graves
conflitos internacionais, alertou recentemente o secretário-geral
da ONU. Recorde-se que 13 dos maiores rios do mundo são
partilhados por mais de 100 nações.
Desperdiçar este bem precioso é um crime. Cada
pessoa gasta, em média, 250 litros/dia - mas podia poupar
quase metade. Quer exemplos? Se fechar a torneira enquanto escova
os dentes, poupará cerca de 20 litros de água;
um duche de cinco minutos gasta cinco vezes menos água
do que um banho
de imersão; uma torneira a pingar desperdiça cerca
de 50 litros de água por dia; são precisos 40
litros para fazer um quilo de papel. Adira à reciclagem.