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XL
> Rotas & Destinos
> Dossier
> Paris
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| D O S S I E R |
Outubro
de 2004 |
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Fomos
de novo a Paris, uma cidade que não
nos cansamos de visitar. Uma e outra vez,
tantas as que forem precisas para ficarmos
a par do muito que continua a haver ali para
ver e fazer
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Texto de João Miguel Simões/3P
e fotos de Constantino Leite/3P |
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Os
anos passam, as vontades mudam e a cada nova época
surgem outros destinos de férias terrivelmente
apetecíveis e mais exóticos, mas Paris não
passa de moda e mantém o seu favoritismo junto
dos muitos milhões de turistas de todas as nacionalidades
que a elegem como a metrópole dos seus sonhos (a
fazer fé nos números oficiais da Organização
Mundial de Turismo, França é a recordista
mundial absoluta na captação de turistas,
estimando-se que só Paris receba uma média
de 30/35 milhões de visitantes
por ano).
Existem, claro está,
razões de sobra para explicarem esta preferência
mundial, mas ficarmo-nos pelos velhos chavões,
repetidos até à exaustão, é,
no mínimo, subestimar o enorme potencial que a
Cidade-luz tem revelado para manter a sua mística
viva. Assim sendo, e porque ninguém no seu perfeito
juízo se atreve a refutar a fama de que Paris goza
– merecidamente, acrescente-se – de ser uma
das capitais mais bonitas da Europa e uma fonte inesgotável
de inspiração, nada como nos concentrarmos
em tudo aquilo que, não obstante as muitas centenas
de guias e reportagens que têm sido escritas a seu
respeito, ainda faz com que valha a pena investir tempo,
energia e dinheiro numa nova viagem a Paris.
Confesso sem pudor que Paris foi uma das minhas primeiras
paixões, mas nem mesmo isso me impediu de reconhecer
a evidência quando ela perdeu o seu protagonismo
para Londres, Nova Iorque ou até Barcelona em matéria
de novidades e de renovação urbana. Nos
últimos anos, porém, as coisas têm
mudado bastante, e constato que a cada nova incursão
que ali faço as novidades se sucedem a um ritmo
muito salutar, quase difícil de acompanhar. Não
falo tanto em atracções de peso como novos
museus – embora a programação cultural
seja sempre muito diversificada –, que para isso
vamos ter ainda de esperar até 2006, altura em
que está prevista a abertura do muito aguardado
Musée du Quai Branly, um projecto que Jacques Chirac
acarinhou desde o início e que vai assentar arraiais
na margem esquerda do Sena, a dois passos da Torre Eiffel,
numa área central de 400 metros por 120 entre as
avenidas de La Bourdonnais e Rapp, o cais Branly e a Rue
de l’Université. Para além do espólio
impressionante de objectos vindos de todo o mundo, dando
à arte não ocidental e antes dita “primitiva”
o lugar de destaque que há muito era reclamado,
o museu terá como nec plus ultra a arquitectura
de Jean Nouvel, aberta sobre a cidade e assente sobre
estacas. Falo, sobretudo, de novos hotéis e restaurantes,
lojas fantásticas e um não mais acabar de
outras atracções que, somadas ao seu charme
tão especial e tão único, estão
a fazer dela um destino imperdível e praticamente
inesgotável mesmo para quem já lá
foi várias vezes.
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| A fazer fé
nos números oficiais da Organização
Mundial de Turismo, a França é a recordista
mundial absoluta na captação de turistas:
só Paris recebe uma média de 30/35
milhões de visitantes por ano. Mas a cidade
não é só história, monumentos
e belos edifícios... entre as novidades,
destacam-se restaurantes modernos como o Bertie,
o novo projecto dos irmãos Costes |
É claro que existe também o reverso da medalha.
Paris é, cada vez mais, uma cidade absurdamente
cara e, como é do conhecimento geral, os parisienses
tendem a ser pouco amistosos, agressivos, egoístas,
muito dados a greves (o que pode causar verdadeiros transtornos
a quem vem de fora) e tão maus ou piores do que
nós, portugueses, ao volante.
Paris não passa de
moda e mantém o seu favoritismo junto dos muitos
milhões de turistas de todas as nacionalidades
que a elegem como a metrópole dos seus sonhos
Mas tudo isto se torna de somenos importância quando
estamos perante uma capital terrivelmente estimulante
– ou não fosse ela a mais feminina de todas
–, a cujos encantos muito poucos conseguem ficar
imunes. É muito fácil gostar de Paris, mas
talvez já não seja assim tão fácil
captar a sua verdadeira essência para lá
das aparências e dos tais chavões. E daí
talvez até seja: enquanto preparava este roteiro,
dei por mim, muitos anos depois da minha primeira visita
a Paris, onde fiz questão de passar revista a todos
os seus principais monumentos, a perder de novo horas
para descobrir diferentes ângulos da Torre Eiffel,
a maravilhar-me com o anoitecer sobre as Pirâmides
do Louvre, a dar-me por contente por poder matar a sede
com os olhos postos na cúpula reluzente do Dôme
des Invalides, ou até a achar que as tais Colunas
de Buren, às riscas brancas e pretas, não
foram assim tão má ideia no pátio
do Palais Royal...

| Estação
de metro do Palais Royal |
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Por último, um conselho de amigo para quem se prepara
para ir a Paris pela primeira vez: nunca chegue com expectativas
demasiado elevadas. Planeie bem os seus dias e mentalize-se
de que precisa de fazer opções numa cidade
com tanto para ver e fazer. Por exemplo, ver as colecções
do Louvre num único dia é completamente
impossível, por isso, se não tiver muito
tempo disponível, mais vale investir em uma ou
duas alas e pensar em voltar noutra altura para a descoberta
ser sempre prazenteira e não uma obrigação.
Quando quiser subir à Torre Eiffel, ou visitar
outros ex-libris da Cidade-luz, lembre-se também
que a melhor altura de o fazer é nos meses de Inverno
(menos concorridos) e logo pela manhã, quando as
gigantescas filas para comprar bilhete ainda não
se formaram. O resto fica por conta da sua intuição,
e, já agora, de um roteiro como o que se segue.
Paris à vista
Encontrar um bom quarto, de preferência com uma
janela virada para algo que nos lembre, nem que seja remotamente,
que estamos em Paris, a menos de e100 por noite não
é tarefa fácil, sobretudo se quisermos mais
do que um simples lugar para dormir e desejarmos também
um espaço agradável, já

| Delicabar,
um snack chique no armazém Bon Marché |
|
agora com um pouco de estilo e
razoavelmente central.
Uma busca na Net nesse
sentido não será em vão, e por isso
senti-me com liberdade para subir um pouco mais a parada
(ou seja, quartos a partir de e125 por noite com pequeno-almoço)
e sugerir-lhe um pequeno hotel ainda recente que talvez
venha a fazer toda a diferença na próxima
vez que quiser ir a Paris num fim-de-semana romântico.
Gerido por Sylvie De Lattre, proprietária de um
outro hotel, o Verneuil (ver Rotas & Destinos de Setembro
de 2000 ou www.
hotelverneuil.com), também ele um verdadeiro
achado em St. Germain-des-Près, o Hôtel Thérèse
(5-7, rue Thérèse, tel. 01.42961001, www.hoteltherese.com)
começa logo por ter a seu favor uma localização
imbatível: uma rua calma, que foi buscar o seu
nome à espanhola Maria Teresa, mulher do Rei Luís
XIV, entre a Comédie Française e os jardins
do Palais Royal, a dois passos do Louvre e da elegante
Rue de Saint-Honoré.
Mas há mais: com apenas 40 quartos e três
suites juniores, o hotel está instalado num edifício
do século XVIII, renovado pelo arquitecto Philippe
Nuel num estilo clássico mas com toques contemporâneos.
Alguns quartos são pequenos, a sala de refeições
fica na cave e existem apenas duas salas de estar no lobby
do hotel, mas as cores suaves das paredes, lisas ou às
riscas, os tecidos a condizer, o detalhe das fotos a preto-e-branco
e das pinturas a óleo ou as plantas secas recolhidas
e identificadas por ervanários do século
XVIII dão o tal toque extra que faz dele uma muito
boa aposta.
No que toca a outras novidades dignas de registo, embora
já com preços menos tentadores, destaque
para Le A (4 Rue d’Artois, tel. 01.42569999, www.hotel-le-a.com,
desde €240/noite), com 26 quartos que começam
logo por ter nas suas portas pinturas diferentes, baseadas
em sonhos, executadas por Fabrice Hybert, que dividiu
a decoração com Frédéric Méchiche.
Os hóspedes são tratados por “convidados”
e na biblioteca foram reunidos mais de 400 livros de arte
e design; e para Le Walt (37 Av. de la Motte-Piquet, tel.
01.45515583, desde €240/noite), com apenas 25 quartos
decorados luxuosamente por Paul Sartres, o mesmo que renovou
o Mamounia em Marraquexe, e um restaurante dirigido pelo
chefe Eric Boriès.
Bastante aguardado, embora se preveja já que venha
a ser coisa para muito poucos felizardos (a começar
pelo número de quartos: três!), é
o resultado da união de Carla Sozzani, um nome
sonante em Milão que já ali inaugurou o
3Rooms, com o estilista Azzedine Alaïa. Este 3Rooms
Paris vai ter, para além de um décor com
peças únicas de Marc Newson, Jean Prouvé
ou Pierre Paulin, o atractivo extra de ter vista directa
para o atelier de Alaïa, que insiste em dizer que
deseja que os seus futuros hóspedes se sintam numa
extensão da sua casa como convidados de honra.

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