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   XLRotas & DestinosDossier > Paris
D O S S I E R Outubro de 2004   

Cidade-luz revisitada
   
Paris à mesa
Logo a seguir à cama, o requisito da comida é de extrema importância para o sucesso de uma viagem. Bem sei que para muitos esta pode também ser uma questão secundária, até porque nunca foi provado que alguém tivesse sucumbido só por se ter alimentado mal por uns dias. Seja como for, acho que, mesmo que não esteja nos seus planos gastar muito dinheiro em restaurantes, nada perde em ficar a par de alguns endereços que estão a dar que falar em Paris, ou não tivessem eles por trás alguns dos chefes mais premiados do mundo.

Para começar, La Table du Lancaster
(7 Rue de Berri, tel. 01.40764018, preço médio: €40/pax), aberto a 1 de Março

P U B L I C I D A D E
no Hôtel Lancaster, até então apenas frequentado por hóspedes, dirigido pelo chefe Michel Troigros, cuja cozinha na sua estalagem familiar de Roanne (perto de Lião) já lhe valeu três estrelas do guia Michelin. Em dias e noites amenos, é claro que tem outro encanto comer no pátio ao ar livre, mas é intramuros (mas sempre de olhos postos no jardim zen, quer através das janelas como de um enorme espelho que o reflecte) que Grace Leo-Andrieu encenou uma atmosfera mais envolvente e rica para acompanhar uma cozinha moderna, assumidamente de fusão, que se divide no cardápio em função de produtos que inspiram Troigros, como são os casos dos frutos, das ervas e dos vegetais, especialmente os tomates, das especiarias ou ainda do vinho e dos vinagres.
Gerido por Sylvie De lauttre, proprietária do Hotel Verneuil, o novo Hôtel Thérèse possui preços e uma localização imbatíveis, mesmo a dois passos do Louvre. La Table du Lancaster é um dos mais recentes restaurantes de Paris. Fica no Hôtel Lancaster e é dirigido pelo conceituado chefe Michel Troigros, oferecendo um acolhedor pátio ao ar livre

Mesmo que não esteja nos seus planos gastar muito dinheiro em restaurantes,
vale a pena ficar a par dos endereços que estão a dar que falar em Paris


Um passeio romântico nos Champs-Elysées

Segue-se uma outra proposta ainda mais recente, La Table de Joël Robuchon (16 Av. Bugeaud, tel. 01.56281616, preço médio: €80-e100/pax). Um dos chefes mais celebrados de Paris, Robuchon decidiu um belo dia retirar-se de cena, mas não aguentou e voltou em grande estilo (já não cozinha, mas é ele que orquestra o menu a cargo de jovens talentos como Frédéric Semonin) com o seu Atelier (5 Rue de Montalembert), o qual, por não aceitar reservas, provocou filas intermináveis para provar a sua versão francesa das tapas. No Table o conceito é o mesmo, mas já se aceitam reservas e na carta constam ainda menus de três pratos com porções mais generosas. A estes dois pesos pesados junta-se ainda o chefe-estrela Alain Ducasse, que não brinca em serviço e acrescentou ao seu império gastronómico o Marcel (Publicisdrugstore, 133 Av. des Champs-Elysées, tel. 01.44436666), uma espécie de clube privado onde só se vai por convite. Mas, como em tudo na vida, o dito número secreto de telefone já circula e por isso pode sempre tentar a sua sorte. Sem “número secreto”, mas com uma lista de espera infindável, está até ver o restaurante Cristal Room (Baccarat, 11 Pl. des Etats-Unis, tel. 01.40221110), com apenas 45 lugares sentados, onde o décor grandioso que Philippe Starck criou para o novo showroom da casa Baccarat se junta à cozinha de elite de Thierry Burlot.

Kong, um restaurante
de cozinha de fusão onde foi filmado o último episódio de O Sexo e a Cidade

Nem tudo se resume, como é óbvio, a grandes mesas. Existem opções igualmente badaladas, mas mais em conta. Veja-se o caso do Bertie (6 Rue Edouard VII, tel. 01.53055055). Não bastasse ser mais uma incursão dos irmãos Costes (cujo império inclui dois hotéis, vários cafés e restaurantes sempre na moda), a decoração, repleta de cores fortes, foi confiada ao designer do momento em Paris, Christophe Pillet, ficando a cozinha por conta de Guillaume Hardy, que apostou num menu de bistrot (vai dos ovos de várias maneiras a espetadas de gambas, entrecosto ou até cheeseburger) a preços moderados. Tudo ainda com ambiente de bar à noite. Se ainda assim, prefere um local que funcione em regime de take-away, com a vantagem de ficar perto do Parque de Monceau, ideal para um piquenique, não resisto a dar a dica de um estabelecimento com a marca de Alain Ducasse. A BE (73 Bd de Courcelles, tel. 01.46222020), em parceria com o chefe-pasteleiro Eric Kayser, é uma padaria fina de última geração, onde pode comer no local ou levar consigo uma vasta gama de sandes criativas, entre muitas outras coisas deliciosas. Não é barato, mas vale cada cêntimo.

Paris às compras... e não só
Os Campos Elísios continuam a ser um endereço incontornável para as marcas famosas exporem os seus produtos em grande estilo (preste atenção à megaloja da Louis Vuitton, prestes a destronar a de Nova Iorque como a maior do mundo, que esconde as obras de remodelação atrás de reproduções gigantes de duas das suas mais conhecidas malas), mas com boa vontade descobrem-se alguns artigos bem mais acessíveis.

Grandes armazéns como o Samaritaine, o Printemps ou o Lafayette estão de novo na berra depois de terem investido milhões na sua renovação, pelo que não é de estranhar que uma drugstore mítica dos anos 60 e 70, a Publicis (133, Av. des Champs-Elysées, www.publicisdrugstore.com), seja agora um endereço privilegiado para, num horário alargado, comprar a imprensa de todo o mundo (ou quase) e produtos de beleza Shu Uemura, ir à farmácia e à mercearia fina, ficar a par das últimas modas e ainda fazer uma refeição leve no Brasserie, mais um restaurante com serviço de esplanada com a marca de Ducasse, que, desta vez, e como contraponto ao já citado Marcel, aposta aqui num ambiente informal e mais em conta.
Para lá das propostas de moda, do rés-do-chão ao terceiro andar, a Kenzo acolhe no quarto piso o dayspa LaBulleKenzo, um espaço onde se combate o stress através do estímulo dos sentidos; Publicis, a mítica drugstore dos anos 60 agora convertida em armazém onde pode comprar imprensa de todo o mundo, produtos de beleza e mercearia fina; o restaurante-bar Bertie; e uma mesa do Marcel, restaurante de Ducasse no Publicis

A dois passos do Arco do Triunfo, a conversão deste antigo espaço destruído pelo fogo em 1972 continua a levantar imensa polémica, pois nem mesmo uma arquitecta de renome como Michele Saee se viu a salvo das críticas mais ferozes daqueles que não vêem com bons olhos a enorme fachada envidraçada com uma espiral e um emaranhado de placas metálicas (verdade seja dita que, à noite, a arquitectura é mais feliz do que à luz do dia). De qualquer forma, o conceito está a funcionar e este é já um espaço muito frequentado pelos parisienses, com crescente adesão dos forasteiros, que a par de lojas mais especializadas estão de novo a descobrir as vantagens de ir a um espaço multiusos.

Os Campos Elísios continuam a ser um endereço incontornável para as marcas famosas, mas grandes armazéns como o Samaritaine, o Printemps e o Lafayette
estão de novo na berra


Marcel, uma espécie de clube privado onde só se vai por convite. É uma das últimas apostas do chefe-estrela Alain Ducasse e fica no armazém Publicis

O armazém Bon Marché (www.lebonmarche.fr), um dos melhores endereços de compras da margem esquerda do Sena, por exemplo, não só alargou a sua área de mercearia fina como percebeu que nada há como juntar o prazer das compras ao de comer ou trocar dois dedos de conversa, e daí que, no andar da moda feminina, acolha agora o Delicabar (Le Bon Marché Rive Gauche, 1er étage, 26 Rue des Sèvres), um espaço multicolor em que o jovem pasteleiro Sébastien Gaudard, que chegou a ser assistente do pasteleiro-estrela Pierre Hermé na Fauchon, se associou a Hélène Samuel, que ajudou Alain Ducasse a criar inúmeros projectos, e ao designer Claudio Colucci para criar um snack chic onde se pode comer a qualquer hora do dia.

A sociedade Bon Marché tomou também conta do armazém Samaritaine, que pretende agora ser uma opção mais em conta na margem direita do Sena, mas resolveu ceder um dos imóveis vizinhos à empresa Kenzo (Imm. Pont Neuf, 1 Rue de Pont Neuf). Resultado: para lá das propostas de moda do rés-do-chão ao terceiro andar, o imóvel acolhe ainda no quarto piso o dayspa LaBulleKenzo (tel. 01.73042004; www.labulle kenzo.com), um espaço que faz jus ao seu nome, “bolha”, e que nos remete para um pequeno

Palais Royal
mundo muito luminoso concebido por Emmanuelle Duplay, onde se combate o stress através do estímulo dos sentidos. As duas cabinas de massagem ajudam a marcar a diferença dos demais espaços espalhados por Paris, pois são como casulos cujo exterior tanto pode ser insuflável como adornado por uma cabeleira de PVC com corte escadeado a preceito. O prazer da estética associa-se mais uma vez à mesa, com propostas japonesas e décor de Andrée Putman no Lô Sushi 2 (tel. 01.42330909), no subsolo, ou com cozinha de fusão no muito cool Kong (tel. 01.40390900), tão cool que foram ali filmadas cenas para o último episódio de O Sexo e a Cidade. Pudera, onde mais se misturam hologramas de gueixas produzidos por Starck, banda desenhada Manga e uma vista de quase 360 graus sobre Paris?

Para não se perder a pedalada, surgiram ainda recentemente espaços como o Biotifull Place, uma espécie de cafetaria de comida orgânica servida num décor moderno concebido pelo designer Phillippe di Méo, ele que já testou o conceito no seu Restaurant R’Aliment, que agora dá novo ânimo a quem frequenta o departamento de beleza das galerias Printemps
(66-68, Blvd. Haussmann, tel. 01.42827744)

Paris à noite
Em tempos que já lá vão, as noites de Paris apareciam inevitavelmente ligadas aos espectáculos de cabaret, que continuam a existir, é certo, mas que estão longe de conhecer o fulgor de outrora. Por isso, e se lhe falarem num tal de Le Cab (ex-Le Cabaret), não vá à espera de plumas nem de lantejoulas... Aliás, é mesmo recomendável que não inclua tais adereços na sua indumentária quando se apresentar à porta, pois Le Cab (2 Pl. du Palais-Royal, tel. 01.58625625, aberto de 4ª a sábado, entre as 23h30 e as 5h, entrada: €20 e bebidas: €13-€20) é, tão só, um dos clubes nocturnos do momento em Paris. A funcionar também como restaurante, o que, aliás, vai sendo cada vez mais comum neste tipo de espaços parisienses (e onde a comida, demasiado cara para o que se oferece, é mais um pretexto para ver e ser visto), trata-se de um clube que aderiu ao conceito mais em voga de lounge, e para o justificar lá se encontram inúmeros círculos sobredimensionados em couro que fazem as vezes de camas de repouso, bem como alcovas cúbicas com banquetas cereja que convidam a reclinarmo-nos com maior intimidade.

A decoração é do franco-japonês Ora-Ïto, que se apoiou num jogo de luzes ora suave, ora electrizante, e em várias superfícies espelhadas para fazer sobressair um décor de linhas simples e futuristas. Numa parte mais privada, o privilégio paga-se através de um consumo obrigatório de garrafas que custam no mínimo €250, o que parece não ser grande impedimento para a juventude dourada, mas na pista, onde os ritmos vão dos 80s ao R’n’B e ao funky conforme os dias, o ambiente é mais democrático.

Fonte inesgotável de inspiração e capital terrivelmente estimulante,
é muito fácil gostar de Paris... mas talvez não seja assim tão fácil captar a sua verdadeira essência para lá dos velhos chavões


Um pouco no mesmo espírito, com presença assegurada de jet set e onde apresentar-se com estilo é, mais do que uma atitude, uma necessidade, temos ainda La Suite (40 Av. George V, tel. 01.53574949, entrada: €12 antes das 23h, €20 depois). A dupla David e Cathy Guetta mudaram a vida nocturna de Paris com o velhinho, mas ainda muito na berra, Les Bains (agora com nova gerência), mas esta é a sua última, e já ganha, aposta, com um estilo que lembra um hotel luxuoso, todo muito branco como nos anos 60, onde as várias salas lembram suites temáticas.
Sala de tratamentos no dayspa LaBulleKenzo, um espaço que faz jus ao seu nome, “bolha”, e que nos remete para um mundo luminoso e tranquilo; Cave à Vins na Publicis; Le Cab, um dos clubes nocturnos do momento em Paris, a funcionar também como restaurante; pátio interior que serve o sofisticado Table du Lancaster; Kong, cozinha de fusão num ambiente muito cool, com vista de quase 360 graus sobre a cidade (em baixo)

Muito mais barroco, mas igualmente sofisticado e com uma aura muito especial proporcionada por centenas de velas, é o VipRoom (76-78 Av. des Champs-Elysées, tel. 01.56691666, aberto de terça a Domingo, entre as 0h e as 6h), um dos clubes favoritos de gente ilustre como a designer parisiense Andrée Putman.

Para dançar, um endereço relativamente recente que já firmou os seus créditos: Amnesia (Tour Maine Montparnasse, 24 Rue de l’Arrivée, tel. 01.56803737), uma megadisco que tem a particularidade de ter como sócios o empresário da noite André Boudou e o cantor Johnny Halliday, um décor grandioso onde não faltam sequer quatro mezanines que dão para a pista de dança ou palmeiras falsas, uma clientela muito diversificada e temas diferentes em cada noite, à boa moda dos clubes nova-iorquinos dos anos 80.


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