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   XLRotas & DestinosLugares com história > Reviver o passado em São Gregório
L U G A R E S   C O M   H I S T Ó R I A Outubro de 2004  
   
Perdida no Alentejo, junto à Serra de Ossa, a aldeia de São Gregório, cujas origens remontam ao século XV, foi transformada em unidade de turismo rural. Recuperada de acordo com a traça original, deixa entrever – apesar do conforto dos interiores – a vida campesina de outros tempos.




Texto de Sara raquel Silva Fotos de Pedro Sampayo Ribeiro
   



P U B L I C I D A D E
não tivesse surgido ana guimarães para nos receber vestida de ganga e top encarnado e pensaríamos que a vida na aldeia de S. Gregório, um pedaço de terra encravado entre campos de vinhas e a Serra de Ossa, permanecia tal e qual como na data da sua fundação, no século XV. Altura em que terão aí vivido cerca de quatro dezenas de almas, cujo sustento dependia da fertilidade daquelas terras, hoje consagradas à produção vinícola e a uma ou outra horta.

Já imaginávamos o buliço da cozedura do pão no forno comunal, da apanha da azeitona, das ceifas no final do Verão, e das vindimas por Outubro, quando Ana, filha do proprietário daquele lugar, Gonçalo Guimarães, surgiu, e nos fez regressar ao concelho de Borba, ano de 2004. Assim como nos recordou que a aldeia de S.Gregório foi convertida, em 2001, numa surpreendente unidade de turismo rural, onde os habitantes permanentes são apenas três: Maria, Zé António e a filha Carla - os caseiros naturais da aldeia vizinha de Santiago Rio de Moinhos. Afinal, os únicos que trabalham por aquelas bandas – embora não na lavoura –, pois os hóspedes que circulam pela rua em xisto, decorada por casinhas caiadas e canteiros de alfazema, malva e alecrim, arrastam consigo a preguiça de quem goza umas merecidas férias.

Quarto da Casa Pequena
Recuperação irrepreensível
Quem entra na calorosa sala de estar, onde também se toma o pequeno-almoço e outros petiscos mais tardios; quem admira a brancura irreprensível das 12 casinhas de S.Gregório debruadas a azul, vermelho ou amarelo, não conseguirá imaginar que há apenas cinco anos tudo não passava de um amontoado de ruínas entregue à voracidade das ervas daninhas. E já nada restava, à excepção da pequena igreja, propriedade da paróquia de Rio de Moinhos, da aldeia que há quatro séculos pertenceu ao abastado morgado de nome D. Luís Galvão Coutinho Freire.

Ao longo das últimas décadas os habitantes de S.Gregório foram trocando aquelas casas minúsculas, na altura sem água canalizada e saneamento, por outras com melhores condições nas povoações vizinhas de Rio de Moinhos, Vila Viçosa ou Borba, tanto assim que nos anos 80 atingiu o mais completo abandono. Aconteceu, porém, que um dia Gonçalo Guimarães, um apaixonado pelo Alentejo, por casas antigas e pela arte do restauro, recebeu uma proposta irrecusável: a compra de uma destas habitações por apenas 30 mil escudos. O negócio foi feito na hora e o cheque passado sem pestanejar pelo actual proprietário da aldeia de São Gregório. Nos anos seguintes conseguiu adquirir os restantes imóveis. Não pelo mesmo preço, que a inflação nestes casos atinge a velocidade da luz, nem com a mesma rapidez, já que algumas das propriedades contavam com 100 herdeiros.

 
Já imaginávamos o buliço da cozedura do pão no forno comunal, da apanha da azeitona, das ceifas no final do Verão, e das vindimas por Outubro
 
   

Concluído o processo, pensou em rendibilizar o investimento e reergueu a aldeia com o objectivo de a converter numa unidade de turismo rural, respeitando a traça original. Socorreu-se de um arquitecto, além da sua própria experiência, e concorreu aos fundos da União Europeia. Conseguiu financiamento que ultrapassou um terço do total do custo do projecto, ao abrigo de fundos para o desenvolvimento regional, no âmbito de um novo conceito de turismo que privilegia a recuperação de aldeias históricas (Líder II). O resultado está à vista.

O empreendimento foi de tal modo bem conseguido que recebeu, em 2003, a Medalha de Prata de Mérito Turístico, atribuída pela Bolsa de Turismo de Lisboa, a par de outras entidades como a Associação Nacional das Regiões de Turismo, o empresário Dionísio Pestana e o arquitecto Siza Vieira. Além de se ter integrado numa rede de turismo de aldeia de que fazem parte outros 22 agregados com as mesmas características, em Itália, Finlândia, Polónia e França.


sala da Casa da Mercearia (cima à esq.) ; espaço de convívio junto à Casa Grande
e banca de produtos biológicos na recepção da Aldeia de S. Gregório (em baixo)

Ermida de S.Gregório
O único edifício fora da alçada da família Guimarães, mas ainda assim pertencente à aldeia, é a ermida de S.Gregório. Desconhece-se a data exacta da fundação deste templo erguido em honra do Papa venerado na Idade Média, mas sabe-se que já existia no ano de 1556, integrada nos bens da Ordem de Avis.

Segundo tradição recolhida pelo padre Inácio Xavier Serrão, em 1758, autor dos apontamentos manuscritos que o padre Luís Cardoso utilizou para o seu Dicionário Geográfico, a ermida foi mandada levantar por um sapateiro, que lhe terá deixado para sustentação umas casas no mesmo lugar.

Apesar de fechada a maior parte do ano, a ermida continua a ser objecto de culto dos habitantes das aldeias mais próximas. Todos os anos é aí celebrada uma missa na segunda-feira de Páscoa, a que se segue a Procissão de “São Borrego” (porque nesse dia se serve borrego ao almoço) e uma festa prolongada pela noite dentro.

O edifício compõe-se de nartex atarracado e longo, com três arcadas e telhado de duas águas, recentemente restaurado. Na fachada principal, com portada de mármore branco e lintel recto, ergue-se o campanário sem sineta, mas as suas principais riquezas são a imagem, em madeira, do padroeiro São Gregório Papa e os frescos que revestem a cúpula.

Entre os motivos da pintura mural destacam-se anjos músicos, arabescos e um amplo medalhão floral em tons de laranja, sendo o seu autor desconhecido (provavelmente alentejano, uma vez que se encontram trabalhos semelhantes em todo o distrito). Estão já em avançado estado de degradação e, na impossibilidade de financiarem o restauro de toda a ermida (já colocaram telha portuguesa no adro, entre outras pequenas intervenções), os Guimarães procuram um mecenas que patrocine a recuperação deste património histórico quase votado ao abandono, mas que tem vindo a ganhar o interesse da população local, devido ao recente “ressuscitar” da aldeia.

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