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 FBNet > Rotas & Destinos > Uma vila, um hotel e uma barragem

[Portel - Uma vila, um hotel e uma barragem]

A primeira etapa deste nosso passeio leva-nos até à encosta oriental da Serra de Portel, em direcção ao Guadiana e ao Dejebe, o afluente que fornece água para regadio. O trigo e o montado alternam com terras de cultivo abandonadas (por causa dos subsídios da União Europeia à não produção) e com alguns campos de girassol, (devido aos subsídios à produção). O mato, composto por rosmaninho, estevas e alecrim, é matéria-prima fundamental para a produção do excelente mel da zona.

A paisagem vai-se alterando e é por entre eucaliptos que, estranhamente e de quando em quando, surgem algumas fontes de água de nascente: a de Nossa Senhora da Saúde ou a dos Deuses, considerada a melhor da região. É também durante este percurso que atravessamos alguns dos montes mais emblemáticos da serra, alguns deles datados do início do século passado. No da Figueira, as casas e a capela estão abandonadas mas a herdade, com cerca de 1000 hectares, produz eucalipto e cortiça, e tem criação de caça e de gado bovino. Ainda prevalece, em madeira, o curral onde os animais eram ferrados.

Calcorreamos a serra, em ziguezague, entrando e saindo de propriedades, devagarinho para não incomodar as vacas que aqui andam à solta, até termos de encostar o carro. É que nem mesmo um 4x4 chega à Rocha do Búgio, desviada alguns metros do estradão. Debruçada sobre o rio Degebe que corre lá em baixo, a cerca de 30 metros, este sítio irá, em breve, ficar ao nível da água. O imenso vale desaparecerá por completo, submerso. Nessa altura, também deixará de ser possível que milagres como o que viveu Mónica Maria Mendes, no dia 1 de Junho de 1927, se repitam. A rapariga, então com 16 anos, "perdeu subitamente o equilíbrio e precipitou-se de uma altura de 31 metros. Ao aperceber-se do risco, invoca o auxílio de Nossa Senhora, sua madrinha de baptismo e de quem era devota. Como consequência do grave acidente sofreu múltiplas contusões mas nenhuma fractura. Após vários meses de tratamento recuperou completamente", diz a placa invocativa aqui incrustada. Ao pé, uma imagem de Nossa Senhora olha o Degebe, que, por sua vez, nos acompanha durante quase todo o percurso até à Amieira.

É para esta aldeia que vem o mel produzido pelos apiários que tínhamos visto salpicando a serra. Ficamos a saber que são 40 ao todo, cada um com 30 corpos, e que pertencem a Francisco Malhadas. Antes eram do pai dele, um homem conhecido como General Abelha. Esta é a maior apicultura do concelho e uma das maiores do Alentejo. Pergunte na aldeia onde fica a casa do Sr. Malhadas ou marque uma visita pelo tel.: 266611. O mel de rosmaninho, acompanhado por um bom pão alentejano, é de comer e chorar por mais.


Fabrico caseiro de queijo de cabra


Para regalar ainda mais o estômago só falta um ingrediente: queijo de cabra. Apesar de não existir na aldeia nenhuma queijaria certificada quase toda a gente tem produção caseira. Se forem cumpridas as regras de higiene — e em quase todas o são — não tenha problemas e traga um na bagagem. É o que nós fazemos.

O Aficionado é mais conhecido como "a tasquinha do Pedro" e serve comida caseira, à base de excelentes grelhados. Reconhecido na região como um dos seus melhores restaurantes é onde almoçamos. Antes de pedir a sobremesa, atente numa das fotografias pendurada junto às escadas: quer escolha baba de camelo, toucinho do céu ou mousse de chocolate terá apenas bolos secos de limão. Que ninguém se ofenda, é uma tradição da casa, uma pequena idiossincrasia.

Depois da Amieira entramos em terras que passarão a ser ribeirinhas, umas, ou que ficarão submersas, outras.

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