Viajar de automóvel parece, à partida, tarefa simples. Mas as coisas
podem complicar-se consoante o destino e as condições climatéricas
Texto
de António de Sousa Pereira
Ilustrações de André Kano
É
um facto que o transporte aéreo está cada dia mais acessível.
Mas continua a haver quem goste, precise - ou até seja obrigado
- a escolher o automóvel como meio de deslocação
para férias. Viajar com a família, e respectivos pertences
- por exemplo, na tradicional romaria às praias algarvias -,
nada oferece de complicado. Desde que dispensando os obrigatórios
cuidados ao estado do veículo, acondicionamento de cargas,
instalação dos passageiros (nunca esquecer os cintos
de segurança, inclusivamente nos mais novos!) e tiradas demasiado
longas.
Mas nem todas as viagens de automóvel são assim tão
simples. Há quem decida, quando parte para férias, levar
"agarrado" ao automóvel uma roulotte ou um barco,
escolher um refúgio de montanha ou eleger uma estância
de desportos de Inverno. Aqui, há que observar cuidados específicos,
para que tudo corra pelo melhor.
1+1=2?
Levar para férias uma roulotte ou um barco pode tornar a estadia
mais agradável. Mas a viagem exige outra atenção.
Garanta-se, desde logo, que o automóvel está apto a
rebocar o peso pretendido (informação contida no manual
de instruções). E que automóvel e atrelado estão
correctamente mantidos para enfrentar o trajecto definido.
No que respeita à condução, atenção
à travagem. Rebocar algo significa transportar mais peso. O
que, potencialmente, torna as distâncias de travagem mais longas.
Solução: reduzir a velocidade e criar maior distância
para o veículo da frente. Não corra riscos desnecessários,
sobretudo na eventualidade de uma travagem de emergência. Por
outro lado, transportar mais peso reduz, também, a capacidade
de resposta do motor. Por isso, cuidado com o cálculo das ultrapassagens.
E, já agora, quando for necessário enfrentar declives
mais pronunciados, verifique se a mudança escolhida se adapta
ao objectivo a vencer - em caso de dúvida, o melhor, mesmo,
é optar por uma mudança mais "baixa".
Patinagem artística
Se enfrentar neve ou gelo na estrada é pouco vulgar em Portugal,
torna-se quotidiano para os que gostam de férias na neve. Neste
caso,
é imperioso garantir que se transporta correntes de neve adaptadas
ao automóvel que se conduz (concretamente, às dimensões
das suas rodas). Nunca se sabe quando vamos precisar delas
Colocar as correntes nada tem de muito complicado. Mas também
não é imediato, especialmente para quem nunca tentou.
Antes de seguir caminho, treine a sua montagem, para não incorrer
em desagradáveis atrasos, facilmente evitáveis, quando
em viagem.
E como os automóveis estão optimizados para se deslocarem
por estrada, onde o atrito entre a borracha dos pneus e o teor de
abrasividade do asfalto são o garante da aderência que
permite tanto mover o veículo como imobilizá-lo, lembre-se
que as ditas correntes não transformam, propriamente, o automóvel
num veículo de "lagartas". Por isso, imponha a si
próprio a disciplina de moderar a velocidade e criar a necessária
distância para os obstáculos, para que possa sempre curvar
e travar em segurança. Nunca se esqueça que os pisos
escorregadios perdoam muito pouco, ou nada. E que a patinagem artística
não é uma modalidade aberta aos automóveis.
Truques
simples Em pisos escorregadios, a simples tarefa de
pôr o veículo em movimento pode ser hercúlea.
Uma das soluções passa pela montagem de pneus
com "pregos". Algo pouco razoável para quem
vai permanecer apenas alguns dias em tão inóspitos
ambientes.
Pelo que há que recorrer a alguns "truques".
Em muitos automóveis modernos, a tecnologia permite enfrentar
estas dificuldades com outro à-vontade. Sistemas como
os controlos electrónicos de tracção ou
estabilidade, ou uma programação específica
das caixas de velocidades automáticas, oferecem um grau
de confiança já muito razoável neste domínio.
Não se dispondo desses auxílios, há que
optar pelo bom senso. Em pisos realmente escorregadios, o arranque
dever-se-á efectuar em segunda velocidade (e não
na vulgar primeira), tendo-se o máximo cuidado quer com
o correcto doseamento do acelerador, quer com a sua progressividade.
As trocas de mudança, assim como as reduções,
também se deverão efectuar com a máxima
suavidade, para evitar os sempre arriscados patinamento ou bloqueio
de rodas.
E assim garantir que aquilo que podia ser um prazer não
se transformar num pesadelo.