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XL
> Rotas & Destinos
> Fim-de-semana
> Serra Dél Rei - Oeste sempre novo
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M A N A |
Novembro
de 2005 |
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A
Serra d’El-Rei é o vértice
de um triângulo que vai de Peniche a
Óbidos. Uma região calma onde
a história, o golfe, o bem-estar e
a praia podem ser ingredientes para um excelente
fim-de-semana.
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texto de Rui Faria
fotos de Kevin Knight |
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A
Praia d’El-Rei tornou-se num local mediático
à custa de ter servido de refúgio
para a preparação de várias
equipas de futebol que descobriram o hotel
Marriott. Esta unidade hoteleira é
“a cereja em cima do bolo” para
uma região |
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que
desde há séculos é local de veraneio.
A praia adoptou a designação da zona –
Serra d’El-Rei – que deve o seu nome ao paço
que D. Pedro I ali mandou construir no século XIV
e que utilizou como base para caçadas e pescarias.
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Numa
costa marcada
por escarpas alcantiladas
, na zona de Peniche, a caminho do farol do
cabo Carvoeiro, as rochas foram esculpidas
pelo mar e pelo vento |
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Mas, desses tempos apenas resistiu
a toponímia. Tal como o rei cujo nome permaneceu
para sempre ligado ao de Inês de Castro, também
nós escolhemos a Praia d’El-Rei como ponto
de partida para um fim-de-semana tão descontraído
como variado, tantas são as hipóteses de
deixar correr o tempo desfrutando da possibilidade de
fazer quase tudo sem fazer nada...
Chegar ao hotel Marriott
Praia d’El-Rei é tão fácil
para quem vem do Norte, como do Sul. Sai-se da auto-estrada
A8 na saída 13 em direcção a A-da-Gorda
e daí seguem-se as indicações para
o campo de Golfe, e a estrada para Peniche, virando à
direita no meio da povoação da Serra d’El-Rei.
As setas cor de laranja com a palavra Golfe evitam que
alguém se possa perder.
Golfe e bronzeado
O hotel surge integrado
numa elegante urbanização que cresceu ao
longo de um dos mais belos e bem cuidados campos de golfe
do país, onde os primeiros nove buracos surgem
bordejados pelo pinhal e os segundos se estendem ao longo
da praia, com as areias a perder de vista e a visão
relaxante do mar como pano de fundo. Como é fácil
concluir, o golfe pode ser uma das “desculpas”
para escolher este local, o mesmo acontecendo (não
só nos meses de Verão, mas também
naqueles dias soalheiros de Inverno) com a vasta praia
logo ali encostada ao hotel onde o iodo abunda, o que
é uma certeza para um rápido bronzeado ou
para um “escaldão” garantido para quem
não se proteger com
o protector solar adequado.
Quem apenas quer descansar, nem necessita de sair do Marriott.
Com duas piscinas (uma das quais interior), um completo
ginásio e um moderno spa, é o local certo
para recuperar novas forças e ao mesmo tempo cuidar
a beleza. Contudo, não faltam opções
para aqueles que não conseguem estar quietos e
gostam de passear.
Golfe praia d’El
Rei
O campo de golfe da Praia d’El-Rei deve ser
jogado por todos quantos apreciam um grande desafio.
Desenhado por Cabell Robinson, conta com duas partes
totalmente distintas: os primeiros nove buracos
surgem no meio de uma zona de pinhal e os restantes
nove ao longo da praia. Os fairways são largos
e particularmente bem cuidados e os greens desafiantes,
mas não se esperem facilidades. O vento,
os lagos, as árvores ao longo do percurso
e o mato rasteiro são armadilhas sempre presentes
que condenam as pancadas mal direccionadas.
Na Club House funciona uma loja de golfe e um bar
virado para a praia com uma agradável esplanada
onde nos sentimos bem ao fim da tarde. Estão
disponíveis buggies e trolleys manuais ou
eléctricos.
O campo conta com um driving range com zonas de
chipping, bunker e putting green onde funciona uma
equipa de profissionais de ensino de onde se destacam
Mark Peddar e Malcolm Young. Os interessados podem
fazer as suas marcações pelo telefone
262 905 005 ou pelo e-mail golf@praia-del-rey.com. |
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A
norte da zona do Baleal (em cima) o ritmo
das ondas que batem nas rochas é
um espectáculo de que vale a pena desfrutar.
O mesmo se pode dizer
na viagem no tempo pelas vielas da Atougia
da Baleia
(em baixo) ou
a visita ao Forte de Peniche (ao lado) com
o seu museu |
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Só na meia dúzia
de quilómetros que separa a Serra d’El-Rei
da povoação da Atougia da Baleia existe
muita História para descobrir. D. Afonso Henriques
ofertou-a ao cruzado Guilherme de Corni como tributo pela
ajuda que este lhe deu na conquista de Lisboa. Quem aprecie
o património histórico, não deve
perder a Matriz de S. Leonardo, um templo notável,
o mesmo acontecendo com a fonte gótica –
o touril – que recorda a criação de
gado bravo pelos Ataídes, a família cuja
casa surge hoje no mesmo local do antigo paço de
D. Pedro I.
Ao fim da tarde, vale a pena ir até ao Baleal,
uma aldeia, quase uma ilha, que resistiu às desgraças
urbanísticas que a rodeiam. Passear ao fim da tarde
nas suas ruas estreitas desfrutando a brisa marítima
ou ficar sentado numa esplanada, com vista para o mar
que se estende até à linha do horizonte
onde o pôr-do-sol é sempre um espectáculo
marcante. Para norte ficam as areias se estendem até
à Foz do Arelho e, olhando para sul, vemos Peniche.
Seguindo para Sul, os rochedos formados por areias são
moldados pelo vento e pelo mar, assumindo formas bizarras
que em muitos casos quase parecem esculturas, fruto do
talento de um grande artista.
Vale
a pena percorrer devagar esse caminho que nos leva até
Peniche. Junto à zona portuária, encontra-se
o forte. Uma das principais defesas da costa portuguesa
no século XIX, no início do século
XX foi residência de refugiados Boers fugidos da
África do Sul, prisão de alemães
e austríacos durante a Primeira Guerra Mundial
e mais tarde uma das principais prisões políticas
do Estado Novo por onde passou, entre muitos outros, Álvaro
Cunhal. Depois da Revolução de Abril o forte
foi transformado em museu municipal com pólos tão
diferentes como a zona arqueológica, rica em achados
pré-históricos, romanos e submarinos provenientes
de naufrágios na costa; a zona dedicada às
pescas ou às rendas de bilros tão características
de Peniche; e as zonas da antiga prisão, desde
o parlatório às celas. Vale a pena a visita,
da mesma forma que se justifica um jantar num dos vários
restaurantes junto ao porto de pesca, onde a dificuldade
será a escolha do peixe para o repasto.
Cuidar do corpo
Um
fim-de-semana costuma ser conotado com passeios
e boas refeições, contudo também
pode ser uma forma de cuidar do corpo, e esta opção
é contemplada no Atlantic Cost Spa, do hotel
Marriott. É certo que a Serra d’El-Rei
não conta com fontes termais, mas, para além
da praia, água não falta: duas piscinas
– uma exterior e outra interior –, jacuzzi
e banhos turcos, duche Vichy e salas de massagem
fazem parte de uma estrutura apta para terapias
anti-stress e tratamentos de rosto e corpo.
Com opções muito diversificadas, os
tratamentos têm assinatura das marcas Carita
e Decleor e podem ser desfrutados em sessões
isoladas ou em pacotes específicos para golfistas
e viajantes. Em termos de preços, a título
indicativo, o pacote “Executivo” custa
€85 por pessoa e inclui uma massagem de costas
relaxante (45 min.) e tratamento mente leve (30
min.); o pacote “relaxante” (2h15) custa
€170; e o pacote “My Fair lady”
(5h30) custa €330. Para mais informações
contactar o Atlantic Coast Spa pelo telefone 262
905 191. |
Óbidos é
eterna
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Entrar em Óbidos pela Porta da Vila
(ao lado), passear por ruas e vielas, espreitando
cada recanto, visitando monumentos e museus,
subir à barbacã para deixar
a vista perder-se no horizonte ou para olhar
para dentro e ver as pessoas que passeiam
no interior do velho burgo, justificam uma
viagem... |
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Para além das alternativas
que apontamos, a sul, para quem está na Serra d’El-Rei
é imperdível uma visita a Óbidos,
a urbe que resistiu ao passar dos séculos no interior
das muralhas mandadas erigir
por D. Fernando. Quem chega da estrada que vem de Peniche
começa por ser surpreendido pelo aqueduto quinhentista
que ao longo de três quilómetros de arcos
de pedra trazia as águas de Usseira para matar
a sede da vila. As muralhas fernandinas serviram para
potenciar as defesas de uma vila onde D. Dinis erigiu
o castelo. Lá bem no alto, a Pousada adaptou o
velho paço que o Rei Lavrador ofereceu a D. Isabel,
a Rainha Santa. É um ninho de águia que
permite que a vista se alongue pelos campos agrícolas
circundantes, onde a vinha e a fruta são fontes
de rendimento.
Quem
quiser escalar as vetustas escadarias que sobem até
ao alto das muralhas, no lado nascente pode descobrir
a campina mas também o Santuário do Senhor
da Pedra, uma inacabada construção barroca
de planta hexagonal. Percorrendo a barbacã, temos
como que uma vista aérea da vila. As muralhas são
actualmente guardiãs de um património feito
de casas brancas, onde varandas floridas e paredes cobertas
de trepadeiras fazem o cenário policromo de ruas
estreitas, cuja sombra e calma convidam ao passeio e à
descoberta de testemunhos do passado.
O Cruzeiro da Memória, mesmo no centro, evoca D.
Afonso Henriques e a conquista aos Mouros; na igreja de
Santa Maria vale a pena ver o túmulo de D. João
de Noronha, um grande exemplar renascentista, e um rico
retábulo de Josefa d’Óbidos (1661);
a igreja da Misericórdia conta com um valioso espólio
artístico e as diversas ermidas justificam uma
visita por parte daqueles que queiram viajar no tempo.
Os antigos Paços do Concelho foram adaptados a
museu, sendo outro pólo de interesse que justifica
uma visita durante um passeio pela vila onde a cada esquina
encontramos simpáticos restaurantes e pequenos
bares que convidam a uma paragem para descansar.
Como despedida, nada melhor
do que sair pela Porta da Vila (datada de 1380), onde
os azulejos do painel do oratório de Nossa Senhora
da Piedade ficarão certamente gravados na memória
como um convite ao regresso.
Guia de Viagem
Como ir
Saída 13 da auto-estrada A8 na direcção
de A-da-Gorda. Aí, seguir as indicações
“Golfe” até à Serra d’El-Rei,
onde deve virar à direita para o resort, seguindo
sempre as indicações “Golfe”
em setas laranja.
Onde ficar
Marriott Praia D’El-Rei Golf & Beach Resort,
tel. 262 905 100;
e-mail info.pdr@marriott-pdr.com.pt,
www.marriottpraiadelrey.com.
O preço das diárias varia consoante a época
do ano. Em Novembro um quarto
duplo custa entre €160 € 200 euros (tarifa promocional
sujeita a restrições).
Onde comer
Para quem não quiser sair do hotel, a oferta é
variada. Para além do Cliffs Bar, no lobby, e do
Atlântico Bar, onde pode optar por uma refeição
ligeira com vista para o Oceano, o The Terrace oferece
refeições ao ar livre. Para quem procure
um jantar mais requintado, o Romy propõe uma ampla
carta de vinhos para acompanhar pratos criativos de inspiração
mediterrânica. Quem optar por sair da Praia d’El-Rey
pode rumar na direcção de Peniche e, na
zona portuária, escolher um dos braseiros que surgem
em frente de cada restaurante, ou partir na direcção
de Óbidos onde surgem vários restaurantes,
mais intimistas, ideais para um jantar romântico.

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