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   XLRotas & DestinosDestaque > Sevilha Cidade em Festa


D E S T A Q U E Novembro 2006   
   



Cidade de Cármen e D. Juan, da fiesta e do culto pela boa vida, Sevilha é lugar para saborear com vagar e muito, muito... salero


Texto de Sara Raquel Silva e fotos de Pedro Sampayo Ribeiro
   

P U B L I C I D A D E
Dia 1 10h00 > De encontro ao centro
Começamos pelo coração da cidade: a catedral de Sevilha. Assombrosa no exterior pelas suas dimensões e profusão de detalhes esculpidos em pedra,é a terceira maior do mundo, apenas suplantada pela Basílica de São Pedro, em Roma, e Saint Paul de Londres.




Detalhes da arquitectura da cidade que testemunham a passagem dos árabes e a importância da religião católica
A torre da catedral, a Giralda, era o antigo minarete do templo muçulmano original. No século XVI foi-lhe acrescentado um conjunto de 25 sinos renascentistas e coroada com uma estátua, o Giraldillo, símbolo do triunfo da fé cristã. Com 93 metros de altura, permite sentir, por uma vez na vida, Sevilha aos nossos pés. A dois passos fica um dos edifícios mais impressionantes de toda a Espanha: os Alcazeres Reales, com os seus pátios ornamentais, azulejos artísticos e jardins ingleses.

12h00 > Deambular por Santa Cruz
O Bairro de Santa Cruz, antigo reduto judeu, vizinho das preciosidades arquitectónicas antes apreciadas,é um dos mais pitorescos da cidade, a descobrir de mapa na carteira. Sabe bem deambular por este conjunto intrincado de ruazinhas, sem norte nem destino. De um e do outro lado das ruas estreitas espreitam pequenas habitações brancas, cujos pátios escondem jardins mouriscos. Amiúde encontramos um convento, lojas de instrumentos musicais tradicionais ou taperias, onde o tempo parece não ter tido pressa em deixar as suas marcas.

13h00 > Simplesmente tapear
É a hora da loucura gastronómica: os locais saem à rua para petiscar e conversar – alto e em bom som, avisamos. Santa Cruz é um dos bairros favoritos e o Las Teresas Café, antiga e genuína casa de pasto, com os seus balcões de madeira e azulejaria sevilhana, um dos bares mais interessantes para tomar uma caña, acompanhada de fabulosas tapas de queijo manchego ou presunto serrano. Para os locais uma entrada light; para os visitantes uma autêntica refeição, que a visita à cidade em dois dias não se compadece com siestas prolongadas.

15h00 > Belas Artes em Sevilha
Não sendo Sevilha cidade aclamada pelas suas galerias de arte, refira-se que o Museu de Belas Artes (plaza del Museo, 9), vale a pena a visita. Acolhe uma das melhores colecções da arte barroca espanhola, coroada pelas virgens de Murillo e pelas cenas bíblicas de Juan de Valdés Leal.

17h00 > Compras de outros tempos
Esta cidade foi feita para andar a pé. Apenas a dois passos de Santa Cruz ficam as artérias mais interessantes – Sierpes, Cuna e Tétuan – para comprar tudo o que esteja associado à Feria de Abril: trajes e sapatos de flamenco, chapéus, mantilhas, travessas, leques...

19h00 > Triana cigana
O fim do dia tem especial graça em Triana, bairro do outro lado do Guadalquivir, onde nasceu o flamenco e o número de turistas ainda não desfigura o ambiente castiço. Atravesse a Ponte San Telmo e percorra a colorida calle Bétis, com as suas inúmeras esplanadas à beira-rio. Siga pelas agitadas ruazinhas do bairro, não esquecendo de admirar as fachadas coloridas da calle Pureza, as imagens religiosas, em cerâmica, fixadas nas paredes e um sem-número de igrejas e capelas, entre as quais a belíssima Capilla de Los Marineros.
Perspectiva de Sevilha a partir do Giraldillo e detalhe da azulejaria da plaza de España;
a Catedral de Sevilha, junto da qual se pode alugar uma caleche para partir à descoberta da cidade; e a zona ribeirinha, onde se realizou a Expo de Sevilha, em 1992

Se por aqui ficar a tapear, experimente o El Faro (Puente Isabel II), com terraço arejado, e aproveite para desfrutar de uma das melhores vistas da cidade: à frente estão o Bairro do Arenal e a plaza de la Maestranza, ao fundo a Giralda, e à direita a Torre del Ouro.

21h00 > Dançar o flamenco
Ir a Sevilha e não assistir a um bom espectáculo de flamenco é bem mais grave que não ver o Papa em Roma.

As raízes desta música e dança estão perdidas entre a cultura hindu, árabe, judia, grega e castelhana, mas sem dúvida que foram os ciganos que melhor a absorveram e preservaram. Há muita casa com flamenco para “turista ver”,por isso anote os seguintes nomes: Casa de La Memoria (Ximénez de Enciso, 28), Los Gallos (plaza de Santa Cruz, 11), Puerta de Tria (Castilla, 137) e Casa Anselma (Pages del Corro, 49).

22h30 > Jantar tradicional
De acordo com o fuso horário espanhol, esta é uma hora mais que sensata para jantar. Um clássico é a Casa Robles (calle Alvaro Quintero, 58), ou então a Puerta Grande (calle Antonio Díaz, 33), com todo o seu aparato decorativo em memória da tourada. Corral del Agua (calle Jón del Agua, 6) é o restaurante ideal se fizer questão de experimentar a cozinha andaluza num palacete mourisco do século XVIII. Nesta parte de Espanha, a gastronomia, claramente mediterrânica, vale-se, sobretudo, da qualidade das matérias-primas: o azeite, as carnes, o peixe e os legumes, com ligeiras influências da cozinha mourisca, principalmente no que toca à doçaria. No verão, o peixe frito e o gaspacho são obrigatórios; já no Inverno, a paella de marisco, o rabo de touro, o cozido andaluz ou o lombo assado no forno fazem parte da carta da maioria dos restaurantes.

Dia2 9h00 > Acordar nas Casas del Rey
Nada como começar o dia num palacete mourisco oitocentista – Las Casas del Rey de Baeza. Trata-se de um conjunto de casas que pertenceu ao duque de Feria, em pleno bairro de Santa Cruz. Nas zonas comuns o rústico mescla-se com o minimalista; já nos quartos, as camas tradicionais convivem com pinturas vanguardistas, entre todos os confortos high-tech imagináveis.

11h00 > Respirar ar puro
Começar a jornada no Parque Maria Luísa é uma alternativa tranquila ao alvoroço das artérias que passam mesmo ali ao lado. Nestes jardins de origem romântica, com mais de 400 mil metros de superfície, a luz entra filtrada pela névoa matinal e pelas centenas de espécies de flores, plantas e árvores, – ambiente tão propício ao jogging como à mais plácida contemplação.

12h00 > Plaza de España, o símbolo
Tendo como ponto de referência o rio,à direita irá encontrar a plaza de España. Majestosa, foi projectada para a Exposição Ibero-Americana de 1929 por Anibal González. Construída em tijolo e cerâmica, em forma semicircular, parece pronta a acolher quem por lá passa. Aproxime-se dos seus painéis de azulejaria, fantásticos na forma como representam cada uma das províncias.

Casa de Pilatos, um dos edifícios mais belos do país; plaza de España e bar junto à plaza de Santa Maria; interior de uma taperia tradicional no bairro de Santa Cruz

12h30 > Fiesta na Maestranza
Mesmo aqueles que não apreciam a fiesta devem entrar na barroca praça de touros La Maestranza (Avenida Cristóbal Colón, das 10h às 13h, no bairro Arenal), palco do romance entre Cármen, a cigarreira, e D. Juan. Acolhe ainda o Museu Taurino.

14h00 > A hora do peixe frito
O Arenal é um dos bairros mais antigos de Sevilha. Requalificado por altura da Expo 92, guarda, além da praça de touros, a Torre del Oro, nas margens do Guadalquivir. Foi construída ainda na época muçulmana, devendo o nome aos azulejos dourados que no passado a revestiam. É também aqui que se come o melhor peixe frito da cidade. É vendido a peso ou à dose e pode ser levado para casa ou para a cervejaria mais próxima!

16h00 > Macarena
Siga até ao mais popular bairro de Sevilha – Macarena. Se for quinta-feira, dia de mercado, irá encontrar personagens dignas das novelas de Hemingway, a esfumaçar cigarro atrás de cigarro de copo de aguardente em punho.

Este é o coração palpitante de Sevilha, onde as vozes ecoam entre conversas e cantorias. Vende-se e compra-se de tudo um pouco, basta um euro no bolso e vontade de negociar. A estreita calle Regina surge como um oásis de produtos orientais e algumas lojas de design, mas noutros caminhos mais calmos, como na Parras, as bodegas e carvoarias preservam a traça antiga e os pátios particulares mantêm as portas abertas.

16h30 > Capelas, igrejas e casamentos
Apesar do ambiente burlesco do bairro, não há noiva – rica ou pobre – que não anseie ser abençoada na basílica onde está depositada a imagem da virgem mais famosa de Sevilha, Macarena. Ao fim-de-semana o vaivém de limusinas é impressionante, mas não deixe de visitar a igreja, uma das mais bonitas da cidade.

17h30 > Casa de Pilatos
Regresse ao coração de Sevilha para visitar a Casa de Pilatos. É o palácio mais sumptuoso que aí se pode visitar, depois dos Alcazares Reais, interessante não só pela sua arquitectura, que agrega os estilos mudéjar, gótico e renascentista, mas também pelas antiguidades, pinturas e móveis de diversas épocas.

À saída, passe pela Igreja do Divino Salvador, templo riquíssimo, construído sobre a mesquita de Ibn Adabbas.

19h00 > Tapear na hora da despedida
Santa Maria la Blanca fica a dois passos. De estilo mudéjar, foi edificada no século XIV, reconstruída 300 anos depois, e guarda obras tão preciosas como a Última Ceia, de Murillo, e a Piedade, de Luis de Vargas. À frente ficam as mais interessantes esplanadas da cidade, para um fim de tarde de despedida em beleza. Venha uma tapa de espinafres com grão (espinacas com garbanzos)!

Guia de Viagem


> ONDE FICAR
Hotel AC Ciudad de Sevilla Av. Manuel Siurot, 25, Sevilla, hoteles.sevilla.ac-hotels.com Quatro estrelas com 94 quartos situado numa das áreas residenciais de Sevilha mais bem cotadas. Combina a arquitectura do século XIX com a decoração contemporânea de linhas minimalistas. Quartos duplos a partir de €125.

Las Casas del Rey de Baeza
Plaza Jesús de la Redención, Sevilla, tel. 954561496, www.hospes.es Com 38 quartos e cinco suites, este hotel de charme, situado num edifício andaluz no centro da cidade, possui todo o conforto que se pode desejar: televisão com ecrã plasma, acesso à Internet via ADSL, leitor DVD e televisão satélite. Diárias a partir de €150.

Para mais informações

> TURISMO ESPANHOL
Av. Sidónio Pais, 28, 3.º D.to, 1050-215 Lisboa, tel. 213 541 992, www.spain.info
Na Internet: www.elgiraldillo.es, www.sevilla.org, www.andalunet.com e www.turismosevilla.org

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